Alfabeto de Orkhon

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Uma das inscrições de Orkhon, a mais antiga ocorrência conhecida do alfabeto de Orkhon, atualmente na cidade de Kyzyl, na república russa de Tuva

O alfabeto de Orkhon (em turco: Orhun alfabesi ou Orhun yazısı; em mongol: Орхон бичиг), também conhecido como alfabeto túrquico antigo, alfabeto turco antigo, alfabeto goturco (göktürk ou köktürk) e alfabeto Orkhon-Ienissei é a mais antiga forma de escrita conhecida empregue para escrever em língua turca.[1] Foi desenvolvido pelos goturcos (também chamados (göktürks ou köktürks), um povo turco que no século VI fundou na Mongólia e Turquestão o primeiro império intitulado "turco". Os vestígios mais antigos deste alfabeto são as inscrições de Orkhon, encontradas no vale do mesmo nome, na Mongólia, datadas do século VII.[2]

O alfabeto de Orkhon é por vezes chamado de runas de Orkhon ou runas turcas devido à semelhança dos caracteres com as runas escandinavas. O alfabeto é composto por 38 letras. Apenas 4 símbolos são usados para vogais, sendo os restantes 34 usados paras escrever 21 consoantes. Esta desigualdade está relacionada com a harmonia vocálica do turco. Tem algumas variantes, como o alfabeto de Ienissei, apelidado de runas siberianas, e o alfabeto húngaro antigo.

A língua escrita é o turco antigo, a qual faz parte ao ramo oriental das línguas turcas e não é antecessora direta do turco da Turquia, que pertence ao ramo meridional. Normalmente é escrito da direita para a esquerda.

O alfabeto foi usado não só pelos goturcos, mas também por outros canatos túrquicos seus contemporâneos. Após a queda do Canato Goturco no século VIII, o alfabeto de Orkhon foi usado pelo Império Uigur (742–848). É também conhecida uma variante usada no vale do Ienissei pelos quirguizes do Ienissei (khakas), presente em inscrições quirguizes do século IX e é provável que esteja relacionada com as a escrita do vale do Talas do Turquestão e com o alfabeto húngaro antigo do século X.

Origens[editar | editar código-fonte]

A hipótese mais aceite para a origem da escrita Orkhon é a de que ela deriva de variantes do alfabeto aramaico ou mais especificamente do alfabeto pálavi (persa médio) e de uma forma não cursiva do alfabeto sogdiano, como foi sugerido por Vilhelm Thomsen, ou do alfabeto kharosthi, nomeadamente da sua variante encontrada no Issyk kurgan.

Outras teorias incluem a derivação a partir dos tamgas (selos ou emblemas usados por povos nómadas), uma hipótese sugerida por W. Thomsen em 1893 ou da escrita chinesa. Inscrições turcas anteriores às inscrições de Orkhon usavam cerca de 150 símbolos, o que pode significar que as tamgas começaram por imitar os caracteres chineses e depois foram gradualmente refinadas até constituir um alfabeto.

A hipótese dinamarquesa liga a escrita de Orkhon a relatos chineses de um renegado e dignitário do século II a.C. do estado de Yan chamado Zhonghang Yue (em chinês: 中行说) que:[3]

ensinou os Shanyu (governantes dos Xiongnu) a escrever cartas oficiais para a corte chinesa numa tábua de madeira (牍) com 31 cm de comprimento, e a usar um selo e uma pasta de grandes dimensões

As mesmas fontes contam que quando os Xiongnu anotavam qualquer coisa ou transmitiam uma mensagem, faziam cortes num pedaço de madeira (ko-mu), e também mencionam uma "escrita Hu". Em Noin-Ula e outros locais de sepultura de hunos da Mongólia e na região a norte do Lago Baikal, os artefatos apresentam mais de vinte caracteres gravados, muitos deles idênticos ou muito similares às letras da escrita Orkhon.[4]

Variantes[editar | editar código-fonte]

Reprodução dos manuscritos Rjukoku e Toyok (ver nota[nt 1] )

Foram encontradas variantes do alfabeto desde a Mongólia e Xinjiang, a oriente, até às Balcãs a ocidente, datadas entre os séculos VIII e XIII. Esses alfabetos forma dividos em três grupos por Kyzlasov:[6]

  • asiático (que inclui o de Orkhon propriamente dito)

O grupo asiático é constituído por três alfabetos:

  • Alfabeto de Orkhon, usado pelos goturcos entre os séculos VII e X
  • Alfabeto de Ienissei
  • Alfabeto de Talas, derivado do de Ienissei e usado pelos kangly (ou kangli ou k'ang-chü) ou pelos karluks entre os séculos VIII e X. Exemplos deste alfabeto encontram-se nas inscrições em rocha encontrads em 1897 em Terek-Say (atual Quirguistão), o texto de Koysary, as inscrições da garganta de Bakaiyr, as inscrições nº 6 e 12 de Kalbak-Tash. Foram idenficadas 29 letras deste alfabeto.[7]

O grupo eurasiático é composto por cinco alfabetos:

  • Ienissei meridional, usado pelos goturcos entre os séculos VIII e X

Há vários alfabetos que não se conhecem na totalidade, devido às poucas inscrições disponíveis. As evidências no estudo das inscrições túrquicas incluem inscrições bilíngues em turco e e chinês, inscrições contemporâneas túrquica escritas com o alfabeto grego, traduções literais em línguas eslavas e fragmentos de papel com escrita cursiva religiosa do maniqueístas e budistas, além de documentos legais dos séculos VIII a X encontrados em Xinjiang.

Caracteres[editar | editar código-fonte]

Uso Símbolos Transliteração e transcrição
vogais Old Turkic letter A.svg A /a/, /e/
Old Turkic letter I.svg I /ɯ/, /i/, /j/
Old Turkic letter O.svg O /o/, /ø/
Old Turkic letter U.svg U /u/, /y/, /w/
consoantes Old Turkic letter B1.svg Old Turkic letter B2.svg /b/ /b/
Old Turkic letter D1.svg Old Turkic letter D2.svg /d/ /d/
Old Turkic letter G1.svg Old Turkic letter G2.svg /g/ /g/
Old Turkic letter L1.svg Old Turkic letter L2.svg /l/ /l/
Old Turkic letter N1.svg Old Turkic letter N2.svg /n/ /n/
Old Turkic letter R1.svg Old Turkic letter R2.svg /r/ /r/
Old Turkic letter S1.svg Old Turkic letter S2.svg /s/ /s/
Old Turkic letter T1.svg Old Turkic letter T2.svg /t/ /t/
Old Turkic letter Y1.svg Old Turkic letter Y2.svg /j/ /j/
Old Turkic letter Q.svg Old Turkic letter K.svg Q /g/ K /k/
Old Turkic letter CH.svg -CH /tʃ/
Old Turkic letter M.svg -M /m/
Old Turkic letter P.svg -P /p/
Old Turkic letter SH.svg -SH /ʃ/
Old Turkic letter Z.svg -Z /z/
Old Turkic letter NG.svg -NG /ŋ/
Old Turkic letter ICH.svg ICH, CHI, CH /itʃ/, /tʃi/, /tʃ/
Old Turkic letter IQ.svg IQ, QI, Q /ɯq/, /qɯi/, /q/
Old Turkic letter OQ.svg Old Turkic letter UK.svg QO, QU, Q /oq/, /uq/,
/qo/, /qu/, /q/
ÖK, ÜK,
KÖ, KÜ, K
/øk/, /yk/,
/kø/, /ky/, /k/
Old Turkic letter NCH.svg NCH /ntʃ/
Old Turkic letter NY.svg -NY /ɲ/
Old Turkic letter LT.svg -LT /lt/, /ld/
Old Turkic letter NT.svg -NT /nt/, /nd/
símbolo de divisão de palavras Old Turkic letter SEP.svg nenhuma

Unicode[editar | editar código-fonte]

O túrquico antigo foi adicionado à norma Unicode em outubro de 2009, com a publicação da versão 5.2, sendo-lhe atribuído o bloco U+10C00–U+10C4F, o qual inclui variantes nacionais e históricas e é constituído por 73 caracteres.[8]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Os manuscritos Rjukoku e Toyok são os documentos mais antigos que se conhecem com listas de alfabetos de túrquico antigo. O manuscrito Toyok translitera o alfabeto túrquico no alfabeto uigur.[5]

Referências

  1. Scharlipp 2000
  2. Sinor, Denis. (2002). "Old Turkic" (em inglês). History of Civilizations of Central Asia (4): 331–333. Paris: UNESCO Publishing.
  3. Shiji, volume 110.
  4. Ishjatms, N.. (1996). "Nomads In Eastern Central Asia" (em inglês). History of civilizations of Central Asia 2, fig. 6: 165-166. UNESCO Publishing.
  5. Kyzlasov
  6. Kyzlasov, pp.321-323
  7. Kyzlasov, pp.98-100
  8. Old Turkic (em inglês) www.unicode.org The Unicode Consortium (2010). Visitado em 9 de outubro de 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Février, James G. Histoire de l’écriture, Paris: Payot, 1948, pp. 311–317
  • Ishjatms, N. "Nomads In Eastern Central Asia", in the "History of civilizations of Central Asia", Volume 2, UNESCO Publishing, 1996, ISBN 92-3-102846-4
  • Kara, György. Aramaic Scripts for Altaic Languages. In Daniels and Bright, eds., The World's Writing Systems, 1996.
  • Kyzlasov, I.L. "Runic Scripts of Eurasian Steppes", Moscow, Eastern Literature, 1994, ISBN 5-02-017741-5
  • Mukhamadiev, Azgar. (1995). Turanian Writing (Туранская Письменность). In Zakiev, M. Z.(Ed.), Problemy lingvoėtnoistorii tatarskogo naroda (Проблемы лингвоэтноистории татарского народа). Kazan: Akademija Nauk Tatarstana.
  • Scharlipp, Wolfgang. An Introduction to the Old Turkish Runic Inscriptions. [S.l.]: Verlag, 2000. 393384700X.
  • Tekin, Talat. A Grammar of Orkhon Turkic. Indiana University Uralic and Altaic Series, vol. 69 (Bloomington/The Hague: Mouton, 1968)
  • Thomsen, Vilhelm. Inscriptions de l’Orkhon déchiffrées, Suomalais-ugrilainen seura, Helsinki Toimituksia, no. 5 Helsingfors: La société de literature Finnoise
  • Vasil'iev, D.D. Korpus tiurkskikh runicheskikh pamyatnikov Bassina Eniseya [Corpus of the Turkic Runic Monuments of the Yenisei Basin], Leningrad: USSR Academy of Science, 1983

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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