Alfabeto tifinagh
O alfabeto tifinagh (
em neo-tifinagh, Tifinaɣ em berbere latinizado) é um alfabeto usado por alguns povos berberes para escrever línguas berberes. Esse alfabeto não é usado na comunicação ordinária, diária, mas serve para marcar de forma política e simbólica a identidade berbere.
Índice |
História [editar]
A escrita tifinagh original apresenta poucas letras, com pouquíssimas vogais e sua escrita é vertical. É usada tão somente pelos tuareg, o único povo amazigh que ainda usa a antiga escrita líbico-berbere, que é derivada de uma escrita mais antiga, o "líbio" ou "líbio-amazigh". Há registros do uso dessa escrita por povos amazigh ao longo do Norte da África e talvez nas Canárias desde o século III AC até o século III DC.
Trata-se de uma língua de origem fenícia. Seu nome tifinagh vem possivelmente do fenício tafineqq (letras fenícias), outros atribuem seu nome à expressão fenícia tifin negh, "nossa invenção"1 2 .
Estudiosos e ativistas da identidade berbere modificaram e adaptaram o alfabeto tifinagh original para um neo-tifinagh, desenvolvido na Academia Berbere nos anos 1960, com vogais, escrita da esquerda para direita. Mais recentemente fontes para PC estão disponíveis.
Variantes [editar]
- São duas as formas de tifinagh:
- A variante oriental usada em Constantine, Argélia, também em aures e na Tunisia. É a versão que foi melhor decifrada pela descoberta de muitas inscrições bilingues numídias em regiões da Líbia e Tunísia. São 24 letras das quais 22 foram decifradas.
- A variante ocidental é mais primitiva, foi usada na costa do Mediterrâneo entre Kabila até as Ilhas Canárias. Usava mais 13 letras do que a versão oriental.
- Essa escrita líbico-berbere era um abjad, sem vogais.
- A escrita era vertical, de baixo para cima, ou da direita para esquerda, apresentando mesmo outras distribuições.
- Não tinha marcação de vogais longas ou curtas.
| Fenício | Som | Líbyco-Bérbere Leste |
|---|---|---|
| ʾ | ||
| b | ||
| g | ||
| d | ||
| h | ||
| w | ||
| z | ||
| ḥ | ||
| ṭ | ||
| y | ||
| k | ||
| l | ||
| m | ||
| n | ||
| s | ||
| ɛ | ||
| p,f | ||
| ṣ | ||
| q | ||
| r | ||
| š | ||
| t | ||
| ẓ | ||
| j |
Tifinagh tradicional (tuareg) [editar]
Tradicionalmente, essa escrita não marca as vogais, exceto aquelas do final de palavras. Recentemente houve propostas para a marcação das vogais, como ocorre em certas áreas com o uso de diacríticos árabes aplicados às letras tifinagh.
A forma dos caracteres varia bastante ao longo da extensa área geográfica de uso do tifinagh. Também variam as formas (sentidos) da escrita, sendo a mais comum a da direita para a esquerda, havendo, porém, o sentido vertical, de baixo para cima, em antigas inscrições "líbias". Por vezes a escrita Tifinagh é usada para escrever outras línguas da região, tais como o tagdal, do grupo songhay.
Neo-tifinagh [editar]
Nos anos 1960, um grupo de jovens berberistas de Kabila criaram a Academia Berbere e desenvolveram uma nova versão da escrita, o "neo-tifinag", que é escrito da esquerda para direita, marca as vogais e apresenta mais letras. Foram publicados textos, artigos e revistas nessa escrita que se popularizou entre os Kabila, como no "Movimento Cultural Berbere", no "JS Kabylie", no "Rali pela Cultura e Democracia", sendo adotada nas áreas onde o berbere é falado.
Houve ainda outras propostas de modificações no tifinagh: do "Instituto Nacional de Línguas e Civilizações Orientais (Inalco, Prof. Salem Chaker), da associação Afus Deg Wfus de Roubaix (França), da Revista de Marrocos, de produtores de Software da Arabia Ware Benelux (Países Baixos) e do Instituto Real de Cultura Amazigh (Marrocos, IRCAM)".
Pessoas que usavam essa escrita eram presas por esse motivo nos anos 1980 e 90. Até pouco tempo não havia nem livros nem websites disponíveis na escrita neo-tifinagh.. Mesmo ativistas utilizavam o alfabeto latino e mais raramente o árabe, ficando o tifinagh apenas para uso simbólico, com os livros e websites em latino ou arábico simplesmente apresentando logotipos ou títulos nessa escrita. Porém, no Marrocos em 2003, o rei adotou essa escrita como uma das oficiais, visando tomar uma posição neutra na disputa entre os defensores da escrita árabe e da escrita latina. Com isso, livros passaram a ser publicados em tifinagh, sendo esse alfabeto ensinado em algumas escolas. Marrocos é único país que tem esse alfabeto como oficial3 .
Codificação da escrita neo-tifinagh [editar]
O neo-tifinagh é codificado pelo Unicode de U+2D30 até U+2D7F, desde a versão 4.1.0. São definidos 55 caracteres, que são de fato os mais utilizados. No ISO 15924 o código para o neo-tifinagh é Tfng.
| Código | +0 | +1 | +2 | +3 | +4 | +5 | +6 | +7 | +8 | +9 | +A | +B | +C | +D | +E | +F |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| U+2D30 | ![]() |
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| U+2D40 | ![]() |
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| U+2D50 | ![]() |
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| U+2D60 | ![]() |
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| U+2D70 |
Tabela de Comparação entre "Glyph" e sua transliteração.
| Cor | Significado |
|---|---|
| Tifinagh básico (IRCAM) | |
| Tifinagh estendido (IRCAM) | |
| Outras letras tifinagh | |
| Letras modernas tuareg | |
| Posição não usada |
|
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Amostra de texto [editar]
Transliteração
Imdanen, akken ma llan ttlalen d ilelliyen msawan di lḥweṛma d yizerfan-ghur sen tamsakwit d lâquel u yessefk ad-tili tegmatt gar asen.
Em português
Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São providos de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros num espírito de fraternidade.
(Artigo 1 - Declaração dos Direitos Humanos)
Referências [editar]
- ↑ Tifinagh : l'alphabet berbère de A à Z. Página visitada em 29 de Dezembro de 2010.
- ↑ Tifinagh : l'alphabet berbère de A à Z. Página visitada em 29 de Dezembro de 2010.
- ↑ Rapport sur le calvaire de l’écriture en Tifinagh au Maroc. Página visitada em 29 de Dezembro de 2010.
Bibliografia [editar]
- Aghali-Zakara, Mohamed (1994). Graphèmes berbères et dilemme de diffusion: Interaction des alphabets latin, ajami et tifinagh. Etudes et Documents Berbères 11, 107-121.
- Aghali-Zakara, Mohamed; and Drouin, Jeanine (1977). Recherches sur les Tifinaghs- Eléments graphiques et sociolinguistiques. Comptes-rendus du Groupe Linguistique des Etudes Chamito-Sémitiques (GLECS).
- Ameur, Meftaha (1994). Diversité des transcriptions : pour une notation usuelle et normalisée de la langue berbère. Etudes et Documents Berbères 11, 25-28.
- Boukous, Ahmed (1997). Situation sociolinguistique de l’Amazigh. International Journal of the Sociology of Language 123, 41-60.
- Chaker, Salem (1994). Pour une notation usuelle à base Tifinagh. Etudes et Documents Berbères 11, 31-42.
- Chaker, Salem (1996). Propositions pour la notation usuelle à base latine du berbère. Etudes et Documents Berbères 14, 239-253.
- Chaker, Salem (1997). La Kabylie: un processus de développement linguistique autonome. International Journal of the Sociology of Language 123, 81-99.
- Durand, O. (1994). Promotion du berbère : problèmes de standardisation et d’orthographe. Expériences européennes. Etudes et Documents Berbères 11, 7-11.
- O’Connor, Michael (1996). The Berber scripts. The World’s Writing Systems, ed. by William Bright and Peter Daniels, 112-116. New York: Oxford University Press.
- Encyclopaedia of Islam, s.v.Tifinagh.






















































