Aliança das Oito Nações

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Militares das potências durante a Revolta dos Boxers, com suas bandeiras navais, da esquerda para a direita: (insígnia naval da Itália em 1900) Itália, (bandeira dos Estados Unidos em 1900 Estados Unidos da América, França França, (bandeira naval da Áustria-Hungria em 1900) Áustria-Hungria, (bandeira naval do Japão) Japão, (bandeira naval do Império Alemão) Alemanha, (insígnia naval do Reino Unido) Reino Unido, (insígnia naval da Rússia) Rússia. Ilustração japonesa de 1900.

A Aliança das Oito Nações foi uma aliança entre oito nações - Áustria-Hungria, França, Império Alemão, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos da América - que colocou fim à Revolta dos Boxers na China da dinastia Qing, em 1900.[1] As tropas ocuparam a capital e milhares de cidadãos morreram durante a campanha.

Ao final das hostilidades, o governo imperial foi forçado a assinar o desigual Protocolo Boxer de 1901.[1] [2]

Principais fatores[editar | editar código-fonte]

No final do século XIX, ressentimentos contra estrangeiros estavam em alta devido ao envolvimento de outras nações com a China, principalmente graças à proteção legal extraterritorial e aos privilégios comerciais, bem como o aumento da influência cultural sobre a China, com a passiva aprovação da Imperatriz Dowager Cixi.[1] A costa chinesa havia sido cortada em esferas de influência para cada uma das oito nações, e a invasão da Aliança das Oito Nações deu-se inteiramente na região oriental da China.

Pilhagem a a destruição de obras e prédios antigos de significância cultural geraram ainda mais ressentimento. Estes então se refletiram no crescimento de atitudes como a destruição de bases e a violência contra as companhias estrangeiras e seus funcionários, e até mesmo itens como violinos, automóveis, linhas de telefone etc. eram vandalizados e destruídos. Diplomatas eram assassinados, negócios boicotados e bens eram queimados nas ruas. Apesar de o governo Qing formalmente condenar estes atos de violência, ele falhou em condenar as pessoas que incentivavam estas ações.

Com seus interesses comerciais na China sob ameaça, e a necessidade de ajudar as legações sob cerco dos Boxers em Pequim, a Aliança das Oito Nações enviou tropas para suprimir a rebelião.

Eventos[editar | editar código-fonte]

As tropas das oito nações invadiram e ocuparam Pequim em 14 de Agosto de 1900. A imperatriz Dowager Cixi, o imperador, e os altos oficiais do governo chinês fugiram do Palácio Real para Xi'an, e enviaram Li Hongzhang para propor conversações de paz.[1]

Participantes da Liga das Oito Nações foram responsáveis pela pilhagem e pelo roubo de vários artefatos históricos de origem chinesa, como os que foram achados no Palácio de Verão, e ainda instigaram a destruição de vários proeminentes prédios chineses que estavam na rota dos rebeldes boxers. Em seguida à tomada de Peking, tropas da força internacional, exceto do Reino Unido e dos Estados Unidos, ocuparam a cidade e saquearam também a Cidade Proibida, levando muitos tesouros de volta para a Europa.[3]

Contribuição austro-húngara[editar | editar código-fonte]

Como integrante das nações aliadas, a Áustria-Hungria enviou dois navios de treinamento e os cruzadores SMS Kaiserin und Königin Maria Theresia, SMS Kaiserin Elisabeth, SMS Aspern, e SMS Zenta e uma companhia de marines para a costa norte da China em abril de 1900, baseada na concessão russa de Porto Artur.

Em junho, a Marinha da Áustria-Hungria ajudou a proteger a ferrovia de Tianjin contra as forças boxers, e também defendeu a cidade de vários barcos armados que atacavam o lugar a partir do rio Hai, próximo a Tong-Tcheou. Eles também tomaram parte na tomada dos fortes de Taku, comandando a investida a Tianjin e capturando quatro destróiers chineses ao lado do capitão Roger Keyes do HMS Fame. No total, as forças aliadas sofreram apenas pequenas baixas durante as investidas na área rebelada.

Depois da tomada do cruzador, foram mantidas permanente estações na China para auxiliar os marines e a embaixada de Peking.

Georg Ritter von Trapp, famoso pelo musical The Sound of Music, foi condecorado por braveza no comando do SMS Kaiserin und Königin Maria Theresa durante a rebelião.

Forças da Aliança[editar | editar código-fonte]

Percepções da China moderna[editar | editar código-fonte]

O evento tem sido largamente associado pelos chineses espalhados pelo mundo com vergonha e agressão estrangeiras. Eles foram retratados em filmes por diversas vezes.

Apesar de a reação dos boxers contra o imperialismo estrangeiro na China ser lembrada por alguns como patriótica, a violência que a Aliança causou para conter os atos de assassinato, roubo e vandalismo apenas se igualou à causada pelos boxers. Entretanto, não apenas por isso deve-se ver as potências estrangeiras como moralmente corretas na questão chinesa.

Em janeiro de 2006, Freezing Point, um suplemento semanal do jornal China Youth Daily foi fechado em parte devido ao ensaio de Yuan Weishi, um professor de história da Universidade de Zhongshan, que criticou a forma como se deu a Revolta dos Boxers e a relação da China com potências estrangeiras durante o século XIX, que é retratada de maneira parcial em livros didáticos chinenses.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d NationMaster. Alliance of Eight Nations (em inglês). Visitado em 05/12/08 de .
  2. Eight-Nation Alliance in Section 4
  3. Kenneth G. Clark THE BOXER UPRISING 1899 - 1900. Russo-Japanese War Research Society
  4. History Textbooks in China Translation. Publicado no Freezing Point (Bingdian), suplemento semanal do China Youth Daily.
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