Alice Nkom

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Alice Nkom
Nome completo Alice Nkom
Nascimento 1945
Poutkak, província do Litoral
República dos Camarões
Nacionalidade Camaronesa
Ocupação Jurista e defensora dos direitos humanos

Alice Nkom (Poutkak, Camarões, 1945)[1] é uma advogada camaronesa muito conhecida por sua defesa pelos direitos humanos homossexuais nesse país africano.[2] Advogada desde 1969, foi a primeira mulher negra a exercer tal profissão no país, aos 24 anos.[3]

Nkom criou a Lady Justice, associação que discute o papel das mulheres na advocacia,[4] e também entrou na política na década de 1990, militando pela Social Democratic Front ("Frente Social Democrática") – SDF, posteriormente vinculando-se ao Rassemblement Démocratique du Peuple Camerunais ("Ajuntamento Democrático do Povo Camaronês") – RDPC.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Nkom começou seus estudos de direito na Universidade de Toulouse (1963–1964), terminando-os na Universidade Federal dos Camarões em 1968. Após três anos de estágio, ela começou a despachar como advogada em Nkongsamba, a 140 km de Duala. Três anos após, regressou a Duala, onde trabalha atualmente.[5] Seu trabalho como advogada a tem feito lutar pela igualdade de gênero e pelo direito à dignidade humana nos Camarões. Ela também tem se inserido na luta em defesa ao meio ambiente, contra o HIV e a emigração de jovens camaroneses,[3] e temas como política, a viuvez e a infância também lhe estão muito próximos.[1]

Ativismo LGBT[editar | editar código-fonte]

Em 2003, Nkom criou a Association pour la défense des droits des homosexuel(le)s («Associação para a defensa dos direitos dos homossexuais») - ADEFHO, da qual é diretora. A origem da associação está em uma visita que jovens camaroneses vindos da Europa realizaram a seu escritório, os quais queriam instalar-se e investir nos Camarões. Em virtude do artigo o 347 bis do código penal tais jovens arriscavam humilhações, chantagens e até prisão no pior dos casos.[6] A partir da ADEFHO, Nkom defende pessoas acusadas de delito de homossexualidade e ajuda aqueles que foram encarcerados a sobreviver às condições degradantes a que são submetidos.[7] [8] Além da ADEFHO, Nkom trabalha em outras associações de ajuda aos homossexuais, como o Collectif des familles d’enfants homosexuel(le)s («Coletivo das famílias com filhos/filhas homossexuais») – COFENHO[9] e, ainda que não especificamente dirigida à comunidade LGBT, ela também faz parte da «sid'ado», uma associação que luta contra a aids entre adolescentes.[10]

Nkom tem passado por muitas dificuldades em sua luta pelos direitos LGBT. Em Janeiro de 2011 sofreu uma campanha de assédios, que incluíram insultos e ameaças. Em 2010, após a concessão de uma subvenção à ADEFHO por parte da União Europeia, o governo camaronês declarou que Nkom atuava «contra a legalidade, a soberania e a independencia dos Camarões». O próprio Ministro das Relações Exteriores exigiu diretamente que a UE recolhesse a subvenção e até tentou tirar o direito de a advogada exercer a advogacia.[11] Mais tarde, um advogado camaronês, Kengoum Celestin, declarou publicamente no canal de televisão STV2: «Tenho uns amigos que me disseram que a esperavam em um recanto escuro para desfrutá-la». Tais feitos não são isolados e se extendem aos outros membros da ADEFHO.[12] [13]

Referências

  1. a b c Dieudonné Tahafo Fonguieng, Jean Pierre Amougou Bélinga & Mesmin Kanguelieu Tchouakeu. Histoire des femmes célèbres du Cameroun. [S.l.]: Editions Cognito, 2008. 94-97 p. 9789956412013
  2. Agathe Duparc (22 de março de 2010). Au Cameroun, une avocate dénonce la répression de l'homosexualité. Le Monde. Página visitada em 14/08/2013.
  3. a b Présidents d'honneur et porte-parolle. Célébration de la fierté Motréal (20 de novembro de 2011). Página visitada em 14/08/2013.
  4. Alice Nkom (2011). Lady Justice. Página personal de Alice Nkom.
  5. Alice Nkom (2011). Ma biographie. Página personal de Alice Nkom. Página visitada em 14/08/2013.
  6. ADEFHO (em francês). Página pessoal de Alice Nkom. Página visitada em 20 de novembro de 2011.
  7. Raúl Solís Galván (13 de abril de 2010). Ativistas LGTB reclamam à cooperação espanhola apoio financeiro, técnico e emocional para extender os direitos LGTB na África (em espanhol). Dos Manzanas. Página visitada em 20 de novembro de 2011.
  8. Raúl Solís Galván (11 de abril de 2010). Duas mulheres valentes que lutam a favor dos direitos LGBT na África (em espanhol). Dos Manzanas. Página visitada em 20 de novembro de 2011.
  9. COFENHO (em francês). Página pessoal de Alice Nkom. Página visitada em 20 de noviembre de 2011.
  10. sid'ado (em francês). Página pessoal de Alice Nkom. Página visitada em 20 de noviembre de 2011.
  11. Le gouvernement s’oppose au financement par l’Union Européenne d’un projet en faveur des minorités homosexuelles. FIDH : mouvement mondial des droits de l'Homme (10/02/2011). Página visitada em 14/08/2013.
  12. Flick (19 de janeiro de 2011). Campanha de hostilidades contra Alice Nkom, defensora a favor dos direitos de gays e lésbicas nos Camarões (em espanhol). Dos Manzanas. Página visitada em 20 de noviembre de 2011.
  13. Owen Bowcott (16 de novembro de 2011). Cameroon gay rights lawyer warns of rise in homophobia (em inglês). The Guardian. Página visitada em 20 de novembro de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]