All About Eve

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All About Eve
Eva (PT)
A Malvada (BR)
 Estados Unidos
1950 • preto e branco • 138[1] min 
Direção Joseph L. Mankiewicz[2]
Produção Darryl F. Zanuck
Roteiro Joseph L. Mankiewicz
Elenco Bette Davis
Anne Baxter
George Sanders
Celeste Holm
Gênero Drama
Idioma Inglês
Música Alfred Newman
Cinematografia Milton R. Krasner
Edição Barbara McLean
Estúdio 20th Century Fox[3]
Distribuição 20th Century Fox
(1950) (EUA) (cinema)
20th Century Fox
(2001) (Brasil) (DVD)
20th Century Fox
(2003) (EUA) (DVD)[4]
Lançamento Estados Unidos 13 de outubro de 1950
Brasil 29 de janeiro de 1951
Portugal 17 de dezembro de 1951[5]
Orçamento US $1,400,000
Receita US $8,400,000
Página no IMDb (em inglês)

All About Eve (br: A malvada / pt: Eva) é um filme americano de 1950, do gênero drama, escrito e dirigido por Joseph L. Mankiewicz,[6] e produzido por Darryl F. Zanuck.[7]

O roteiro foi baseado no conto de 1946 "The Wisdom of Eve" de Mary Orr, embora não tenha sido creditado no filme.[6]

O filme estrela Bette Davis como Margo Channing, uma altamente renomada, mas envelhecida estrela da Broadway. Anne Baxter interpreta Eve Harrington, uma jovem ambiciosa que se infiltra na vida de Channing, em última instância, ameaçando a carreira de Channing e seus relacionamentos pessoais. George Sanders, Celeste Holm, Hugh Marlowe, Barbara Bates, Gary Merrill, e Thelma Ritter também participam, e o filme gerou um dos primeiros papéis importantes de Marilyn Monroe.

Elogiado pela crítica na época de seu lançamento, All About Eve foi indicado a 14 Oscars (um feito inigualável até o filme Titanic de 1997) e ganhou seis, incluindo Melhor Filme. Ainda hoje, em 2014, All About Eve é o único filme na história do Oscar a ter 4 atrizes indicadas por suas atuações (Davis e Baxter como Melhor Atriz, Holm e Ritter como Melhor Atriz Coadjuvante). Em 1990, All About Eve foi selecionado para preservação no National Film Registry dos Estados Unidos e foi um dos primeiros 50 filmes a serem catalogados. All About Eve apareceu em #16 na lista de 1998 do Instituto Americano do Cinema dos 100 melhores filmes americanos.[8]

Enredo[editar | editar código-fonte]

Em um jantar de premiação, Eve Harrington (Anne Baxter)—a mais nova e mais brilhante estrela da Broadway—está recebendo o Prêmio Sarah Siddons por sua atuação como Cora em Footsteps on the Ceiling (Passos no Telhado). O crítico de teatro Addison DeWitt (George Sanders) observa o processo e, em uma narração sarcástica, recorda como a estrela de Eve ascendou rápido.

O filme retrocede um ano. Margo Channing (Bette Davis) é uma das maiores estrelas da Broadway, mas apesar do seu sucesso ela lamenta sua idade, tendo acabado de completar quarenta anos e sabendo o que isso vai significar para sua carreira.

Uma noite, após uma presentação, sua amiga próxima Karen Richards (Celeste Holm), esposa do autor da peça, Lloyd Richards (Hugh Marlowe), conhece a obcecada fã Eve Harrington no beco frio do lado de fora do palco. Reconhecendo-a por ter passado por ela muitas vezes no beco (Eve afirma ter visto cada performance da atual peça de Margo, Aged in Wood (Envelhecido em Madeira)), Karen a leva ao camarim para conhecer Margo. Eve diz ao grupo reunido no camarim de Margo—Karen e Lloyd, o namorado de Margo Bill Sampson (Gary Merrill), um diretor oito anos mais novo que ela, e a empregada de Margo Birdie (Thelma Ritter)—que ela seguiu a última turnê teatral de Margo até Nova York depois de vê-la em uma peça em San Francisco. Ela conta uma comovente história sobre ter crescido pobre e perder seu jovem marido na recente guerra. Emocionada, Margo rapidamente faz amizade com Eve, leva-a para sua casa, e a contrata como sua assistente, deixando Birdie, que instintivamente não gosta de Eve, se sentimento ofendida.

Anne Baxter de peruca e figurino como Eve Harrington, substituta de Margo Channing

Gradualmente, Eve é mostrada trabalhando para suplantar Margo, tramando tornar-se sua substituta pelas suas costas, causando intriga entre ela e Lloyd e Bill, e conspirando com uma desavisada Karen para fazer com que Margo falte a uma apresentação. Eve, sabendo de antemão que será ela a atuar naquela noite, convida os críticos de teatro da cidade para assistir a apresentação daquela noite, a qual é um triunfo para ela. Eve tenta seduzir Bill, mas ele a rejeita.

Após uma dura crítica de jornal feita por Addison, Margo e Bill se cconciliam, jantar com os Richards, e decidim se casar. Naquela mesma noite, no restaurante, Eve chantageia Karen para ela dizer a Lloyd para lhe dar o papel de Cora, ameaçando contar a Margo sobre o papel de Karen na apresentação a que Margo faltou. Antes de Karen pode falar com Lloyd, Margo anuncia para surpresa de todos que ela não deseja interpretar Cora e prefere continuar na peça Aged in Wood. Eve consegue o papel e tenta subir mais alto na carreira usando Addison, que está começando a duvidar dela.

Pouco antes da estréia de sua peça no Shubert em New Haven, Eve apresenta a Addison seu próximo plano: casar-se com Lloyd, que, ela afirma, veio até ela confessar seu amor e sua vontade de deixar sua esposa por ela. Agora, Eve exulta, Lloyd vai escrever peças brilhantes para ela. Addison fica enfurecido que Eve tentou usá-lo e revela que ele sabe que a história de seu passado é tudo mentira. Seu verdadeiro nome é Gertrude Slojinski, ela nunca se casou, e foi paga para deixar sua cidade natal após ter um caso com seu chefe, um fabricante de cerveja em Wisconsin. Addison chantageia Eve, informando-a de que ela não vai se casar com Lloyd nem com ninguém mais; em troca do silêncio de Addison, ela agora "pertence" a ele.

O filme retorna para a cena de abertura em que Eve, agora uma radiante estrela da Broadway que foi para Hollywood, recebe seu prêmio. Em seu discurso, ela agradece Margo e Bill e Lloyd e Karen com entusiasmo, enquanto todos os quatro olham para ela com frieza. Após a cerimônia de premiação, Eve entrega seu prêmio a Addison, não vai a uma festa em sua homenagem, e retorna para casa sozinha, onde ela encontra uma fã—uma jovem do ensino médio—que entrou escondida em seu apartamento e adormeceu. A jovem garota professa sua adoração e logo começa a se infiltrar na vida de Eve, oferecendo-se para levar as bagagens até o porta malas do carro de Eve, que vai para Hollywood, e ela ceita a ajuda. "Phoebe" (Barbara Bates), como ela chama a si mesma, atende a porta e econtra Addison retornando com o prêmio de Eve. Em um momento revelador, a jovem flerta descaradamente com ele, que é bem mais velho. Addison entrega o prêmio a Phoebe e parte sem entrar. Phoebe então mente para Eve, dizendo-lhe que era apenas um motorista de táxi que viera entregar o prêmio. Enquanto Eve repousa no outro quarto, Phoebe veste o elegante traje de Eve e posa na frente de um espelho com vários painéis, segurando o prêmio, como se fosse uma coroa. Os espelhos transformam Phoebe em várias imagens de si mesma, e ela se curva regiamente, como se aceitasse o prêmio diante de uma enxurrada de aplausos, enquanto uma triunfante música toca.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

A história de All About Eve se originou em uma história real contada a Mary Orr pela atriz Elisabeth Bergner. Enquanto atuava na peça The Two Mrs. Carrolls durante 1943 e 1944, Bergner permitiu que uma jovem fã se tornasse parte de sua família e empregou-a como assistente, mas mais tarde se arrependeu de sua generosidade quando a mulher tentou tomar seu lugar. Referindo-se a ela apenas como "a garota terrível", Bergner relatou os acontecimentos a Orr, que os usou como base para seu conto "The Wisdom of Eve" (1946). Na história, Orr dá a garota um caráter mais cruel e permite que ela seja bem sucedida em roubar a carreira da atriz mais velha. Bergner confirmou mais tarde a base da história em sua autobiografia Bewundert viel, und viel gescholten (Muito Admirada e Muito Xingada).

Em 1949, Mankiewicz estava considerando uma história sobre uma atriz madura e, ao ler "The Wisdom of Eve", sentiu a ardilosa garota seria um elemento adicional útil. Ele enviou um memorando para Darryl F. Zanuck dizendo que o conto "se encaixa com uma idéia original [minha] e podem ser combinados. Esplêndido papel para Susan Hayward." Mankiewicz apresentou um tratamento das histórias combinadas sob o título de Best Performance (Melhor Performance). Ele mudou o nome da personagem principal de Margola Cranston para Margo Channing e manteve vários dos personagens de Orr — Eve Harrington, Lloyd e Karen Richards, e Miss Casswell — mas removeu o marido de Margo Channing completamente substituindo-o por um novo personagem, Bill Sampson. A intenção era retratar Channing em um novo relacionamento e permitir que Eve Harrington ameaçasse ambas as vidas profissional e pessoal de Channing. Mankiewicz também acrescentou os personagens Addison DeWitt, Birdie Coonan, Max Fabian, e Phoebe.

Zanuck estava entusiasmado e forneceu numerosas sugestões para melhorar o roteiro. Em algumas seções, ele sentiu que a escrita de Mankiewicz faltava sutileza ou fornecia detalhes excessivos. Ele sugeriu diluir o ciúme de Birdie Coonanda para com Eve para que o público não reconhecesse Eve como uma vilã até muito mais tarde na história. Zanuck reduziu o roteiro em cerca de 50 páginas e escolheu o título All About Eve das cenas de abertura em que Addison DeWitt diz que ele logo irá contar "mais sobre Eve ... Tudo sobre Eve (All About Eve), na verdade."[9]

Escolha do elenco e personagens[editar | editar código-fonte]

Bette Davis foi escalada como Margo Channing depois que Claudette Colbert feriu gravemente as costas e foi forçada a retirar-se pouco antes do início das filmagens.[10]

Davis, que tinha terminado recentemente uma associação de 18 anos com a Warner Brothers, após vários filmes mal recebidos, comentou mais tarde que ela lera o script em uma sentada e imediatamente aceitou o papel depois de perceber que era um dos melhores que ela já tinha lido. Channing havia sido originalmente concebida como gentil e bem-humorada, mas com a contratação de Davis, Mankiewicz modificou a personagem para que esta fosse mais abrasiva.

Entre outras atrizes consideradas para o papel antes de Colbert estavam a inspiração original de Mankiewicz, Susan Hayward, rejeitada por Zanuck como sendo "muito jovem", Marlene Dietrich, dispensada como sendo "muito alemã", e Gertrude Lawrence, que foi descartada da disputa quando seu advogado insistiu que ela não tivesse que beber ou fumar no filme e que o roteiro fosse reescrito para permitir que ela cantasse uma canção de "dor de cotovelo".[10] Zanuck queria Barbara Stanwyck, mas ela não estava disponível. Tallulah Bankhead e Ingrid Bergman também foram cogitadas. Joan Crawford também foi considerada para o papel[11] mas Crawford já estava trabalhando no filme The Damned Don't Cry.

Mankiewicz elogiou Davis pelo seu profissionalismo e o calibre de sua performance, mas em anos posteriores continuou falando sobre como Colbert teria desempenhado o papel.

Anne Baxter havia passado uma década em papéis coadjuvantes e ganho o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante de 1946 por The Razor's Edge. Ela conseguiu o papel de Eve Harrington após a primeira escolha, Jeanne Crain, ficar grávida. Crain estava no auge de sua popularidade e tinha estabelecido uma carreira interpretando heroínas boazinhas; Zanuck acreditava que ela não tinha a "virtuosidade de chata" exigida pelo papel, e que o público não a aceitaria como uma personagem traiçoeira.

O papel de Bill Sampson foi originalmente planejado para ser de John Garfield ou Ronald Reagan. A futura esposa de Reagan Nancy Davis foi cogitada para ser Karen Richards e José Ferrer para ser Addison DeWitt. Zsa Zsa Gabor ativamente solicitou o papel de Phoebe, sem perceber que os produtores estavam cogitando-a, juntamente com Angela Lansbury, para ser Miss Casswell.

Mankiewicz admirava grandemente Thelma Ritter e escreveu o papel de Birdie Coonan para ela depois de trabalhar com ela em "A Letter to Three Wives" em 1949. Como Coonan era o única que imediatamente suspeitava de Eve Harrington, ele estava confiante que Ritter contribuiria com uma caracterização perspicaz lançando dúvidas sobre Eve e fornecendo um contraponto às personalidades mais "teatrais" dos outros personagens.

Marilyn Monroe, relativamente desconhecida na época, foi escalada como Miss Casswell, referida por DeWitt como uma "graduada da Escola de Arte Dramática de Copacabana". Monroe conseguiu o papel depois de uma campanha a seu favor feita por seu agente,[12] apesar da antipatia inicial e crença de Zanuck de que ela era mais adequada para a comédia. Angela Lansbury havia sido originalmente cogitada para o papel.[12] A inexperiente Monroe ficou intimidada com Bette Davis, e levou 11 takes para completar a cena no saguão do teatro com a estrela; quando Davis gritou com ela, Monroe deixou o set para ir vomitar.[12]

Os papéis menores foram preenchidos por Gregory Ratoff como o produtor Max Fabian, Barbara Bates como Phoebe, uma jovem fã de Eve Harrington, e Walter Hampden como o mestre de cerimônias de uma cerimônia de premiação.[9]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Recepção crítica[editar | editar código-fonte]

All About Eve recebeu críticas extremamente positivas dos críticos quando do seu lançamento em 13 de outubro de 1950 em uma estréia na cidade de New York. Concorrente do filme, Sunset Boulevard, lançado no mesmo ano, recebeu elogios semelhantes, e os dois eram frequentemente comparados favoravelmente.

O crítico de cinema Bosley Crowther do jornal The New York Times amou o filme, afirmando que ele era "uma grande produção de Darryl Zanuck, a excelente música e ultra classe na tela completam a sátira superior".[13]

O crítico de cinema Roger Ebert do jormal Chicago Sun Times elogiou o filme, dizendo que a personagem de Bette Davis "a veterana atriz Margo Channing em All About Eve foi seu maior papel".[14]

Uma coleção de críticas do lançamento do filme estão armazenadas no site Rotten Tomatoes, e All About Eve recebeu 100% de críticas positivas lá, tornando-o "Certified fresh". O site Boxoffice.com declarou que o filme "é um clássico do cinema americano - até hoje a representação quintessencial da ambição implacável na indústria do entretenimento, com performances lendárias de Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders ancorando um dos melhores filmes de um dos melhores cineastas da era de ouro de Hollywood: Joseph L. Mankiewicz. É um filme que deve estar na prateleira de todo colecionador - seja em vídeo ou DVD. É um clássico que merece mais do que a Fox deu a ele".

Conteúdo temático[editar | editar código-fonte]

Os críticos e acadêmicos delinearam vários temas no filme. Rebecca Flint Marx, em sua crítica para o site Allmovie, observa o antagonismo que existia entre a Broadway e Hollywood na época, afirmando que o "roteiro trouxe à tona a existência de toda uma gama de tipos teatrais dolorosamente reconhecíveis, da envelhecida, egomaníaca grande dama à exteriormente dócil, interiormente traiçoeira e ingênua ao poderoso crítico que cheira a encanto maligno".[15]

Roger Ebert, em sua crítica on-line, diz que Eve Harrington é um "tipo universal", e centra-se na linha de enredo da atriz envelhecida, comparando o filme a Sunset Boulevard.[14] Da mesma forma, a crítica do filme feita em 2006 por Marc Lee para o jornal britânico The Daily Telegraph descreve um subtexto que nos leva "para os cantos mais escuros do show business, expondo o seu inerente preconceito de idade, especialmente quando se trata de estrelas femininas".[16]

O livro de Kathleen Woodward lançado em 1999, Figuring Age: Women, Bodies, Generations (Theories of Contemporary Culture), também discute temas que apareceram em muitos dos filmes de "atriz envelhecida" da década de 1950 e 1960, incluindo All About Eve. Ela argumenta que Margo tem três opções: "Para continuar a trabalhar, ela pode desempenhar o papel de uma jovem mulher, uma pela qual ela já não parece tão interessada. Ela pode tomar a posição da chata braba, a rainha do drama que manda na corte (o deliberado camp que Sontag encontra neste filme). Ou ela pode aceitar o discurso sexista sobre o envelhecimento existente em sua cultura o qual figura ela como estando em seu momento de declínio. Margo, em última instância, escolhe a última opção, aceitando sua posição como sendo uma de perda."[17]

O Professor Robert J. Corber, que estudou a homofobia dentro do contexto cultural da Guerra Fria nos Estados Unidos, postula que o tema fundamental em All About Eve é que a defesa das normas da heterossexualidade, especificamente em termos de casamento patriarcal, deve ser mantida em face dos desafios trazidos pelo poder feminino e pela homossexualidade.[18] Os relacionamentos afetivos heterossexuais de Margo e Bill e de Karen e Lloyd servem para contrastar com o predatório relacionamento sem amor e o carreirismo estéril dos personagens homossexuais Eve e Addison.[19] Eve usa sua feminilidade física como arma para tentar acabar com o casamento dos dois casais, e o extremo cinismo de Addison serve como um modelo do futuro de Eve. Até mesmo o crítico de filme Kenneth Geist, apesar de ser crítico sobre a ênfase que o livro de Sam Staggs All About All About Eve coloca nos elementos homossexuais do filme, reconheceu que o lesbianismo de Eve parecia aparente; especificamente, Geist afirma que "as manifestações do lesbianismo de Eve são apenas duas vezes brevemente discerníveis".[20] Geist afirmou que Mankiewicz "tinha um alto desprezo por ambos homossexuais masculinos e femininos", embora o próprio Mankiewicz sugeriu o contrário em uma entrevista na qual ele argumentou que a sociedade deve "deixar seu ódio contra eles".[21]

A homossexualidade foi frequentemente associada ao comunismo durante o Lavender scare da Guerra Fria e os críticos têm escrito sobre a sutil, mas central, narrativa sobre a Guerra Fria presente no filme. A razoável quantia de sutileza empregada em All About Eve é visto como sendo primariamente devido às restrições do Código de Produção sobre a representação de homossexuais nas mídias durante este período.[18] [22] No entanto, apesar dessas restrições, Corber cita o filme como único exemplo de um tema recorrente no cinema americano, do homossexual como um predador emocionalmente desprovido.[18] O documentário The Celluloid Closet também afirma este tema a que se refere Corber, inclusive citando inúmeros outros exemplos de filmes do mesmo período do Código de Produção em que All About Eve foi feito.[18] [23]

Outro tema importante do filme, em termos de política de guerra e sexualidade, envolve a pressão pós-Segunda Guerra Mundial colocada sobre as mulheres para que parassem de trabalhar. Esta pressão para retomar os papéis femininos "tradicionais" é especialmente ilustrada no filme no contraste entre a gozação que Margo faz de Karen Richards por esta ser uma "esposinha feliz" e seu longo e inspirado monólogo, posteriormente, como uma mulher reformada, sobre a virtude do casamento, incluindo como uma mulher não é verdadeiramente uma mulher sem ter um homem ao seu lado. Esta Margo submissa e feminina é contrastada com a teatralidade, combatividade, e egoísmo da Margo do início, e com os dois personagens homossexuais do filme. Margo brinca que Eve deveria colocar seu prêmio "onde seu coração deveria estar", e Eve é mostrada desolada no final do filme. No jantar, os dois casais veem Eve e Addison sob uma luz igualmente negativa, com Margo pensando em voz alta que tramóias Eve estava construindo em seu "pequeno cérebro febril". Além disso, a utilidade de Eve como assistente pessoal de Margo no início do filme, que é uma construção sutil de um relacionamento íntimo do mesmo sexo, é rebaixada por Birdie, o mesmo personagem da classe trabalhadora que imediatamente a teatralidade na história de Eve sobre seu "marido". Birdie vê tal comportamento como sendo antinatural, e o filme contrasta sua natureza predatória ("estudando você como uma planta baixa") com o amor e o calor de sua postetior confiança em relação a Bill. A pressão para que parassem de trabalhar e valorizassem mais o patriarcado, após o regresso dos homens da guerra, depois de lhes terem sido mostrado campanhas promovendo o trabalho tais como Rosie the Riveter e depois de ter ocupado funções tradicionalmente masculinas, como operário de fábrica de construção da bombas, foi denominado de "o problema que não tem nome" pela bem conhecida feminista Betty Friedan.[24]

Apesar do que críticos como Corber têm descrito como a homofobia pervasiva no filme,[18] All About Eve há muito tem sido um filme favorito entre o público gay, provavelmente devido a seus tons exagerados (em parte devido à escalação de Davis) e sua sofisticação geral. Davis, que há muito tinha uma forte base de fãs gay, manifestou apoio aos gays em sua entrevista de 1972 com a revista The Advocate.[25] [26] [27]

Prêmios e honras[editar | editar código-fonte]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Data da cerimônia Premiação Categoria Indicado(s) Resultado
22 de fevereiro de 1951 British Academy Film Awards Melhor Filme Estrangeiro All About Eve Venceu
28 de fevereiro de 1951 Globo de Ouro Melhor Roteiro - Filme Joseph L. Mankiewicz Venceu
Melhor Filme All About Eve Indicado
Melhor Atriz em Filme Dramático Bette Davis Indicado
Melhor Diretor Joseph L. Mankiewicz Indicado
Melhor Ator Coadjuvante - Filme George Sanders Indicado
Melhor Atriz Coadjuvante - Filme Thelma Ritter Indicado
29 de março de 1951 Oscar Melhor Filme All About Eve Venceu
Melhor Ator Coadjuvante George Sanders Venceu
Melhor Figurino - Preto e branco Edith Head, Charles LeMaire Venceu
Melhor Diretor Joseph L. Mankiewicz Venceu
Melhor Roteiro Adaptado Joseph L. Mankiewicz Venceu
Melhor Mixagem de Som Thomas Moulton Venceu
Melhor Atriz Anne Baxter Indicado
Bette Davis Indicado
Melhor Atriz Coadjuvante Celeste Holm Indicado
Thelma Ritter Indicado
Melhor Direção de Arte - Decoração de Set: Preto e branco George W. Davis, Lyle R. Wheeler e Thomas Little, Walter M. Scott Indicado
Melhor Edição de Filme Barbara McLean Indicado
Melhor Trilha Sonora Alfred Newman Indicado
3-20 de abril de 1951 Festival de Cannes Melhor Filme Bette Davis Venceu
Prêmio do Júri All About Eve Venceu
Grand Prix du Festival International du Film All About Eve Indicado
27 de maio de 1951 Directors Guild of America Award Outstanding Directorial Achievement in Motion Pictures Joseph L. Mankiewicz Venceu
20 de janeiro de 1952 New York Film Critics Circle Awards Melhor Filme All About Eve Venceu
Melhor Diretor Joseph L. Mankiewicz Venceu
Melhor Atriz Bette Davis Venceu

Reconhecimento posterior[editar | editar código-fonte]

Em 1990, All About Eve foi selecionado para preservação no National Film Registry pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos como sendo "culturalmente, historicamente, ou esteticamente significante".[28] O filme recebeu em 1997 uma colocação no Hall da Fama do Producers Guild of America. O filme também tem uma classificação de 100% no Rotten Tomatoes.

Série 100 Anos... do American Film Institute

Prêmio Sarah Siddons[editar | editar código-fonte]

O filme começa com a imagem de um troféu fictício, descrito por DeWitt como a "maior honra que o nosso teatro conhece: O prêmio Sarah Siddons Award de Feito Distinto." A estatueta é moldada com base na famosa pintura de Siddons costumizada como a trágica Musa de Joshua Reynolds, uma cópia da mesma está pendurada na entrada do apartamento de Margo e pode ser vista diversas vezes durante a cena da festa. Em 1952, um pequeno grupo de ilustres frequentadores de teatro de Chicago começou a dar um prêmio com esse nome, o qual foi esculpido para parecer com o usado no filme. Ele tem sido concedido anualmente, com homenageados anteriores incluindo Bette Davis e Celeste Holm.

Adaptações[editar | editar código-fonte]

Uma versão para o rádio de All About Eve estrelada por Tallulah Bankhead como Margo Channing foi apresentada no programa The Big Show da rede NBC pelo grupo Theatre Guild of the Air em 16 de novembro de 1952.[nota 1] A produção é notável pois Mary Orr, a escritora do conto original que serviu de base para o filme original, representou o papel de Karen Richards. O elenco também contou com Alan Hewitt como Addison DeWitt (que narrou), Beatrice Pearson como Eve Harrington, Don Briggs como Lloyd Richards, Kevin McCarthy como Bill Samson, Florence Robinson como Birdie Coonan, e Stefan Schnabel como Max Fabian.[29]

Em 1970, All About Eve foi a inspiração para o musical Applause, com roteiro de Betty Comden e Adolph verde, letras de Lee Adams, e música por Charles Strouse. A produção original estrelava Lauren Bacall como Margo Channing, e ganhou o Tony Award de Melhor Musical naquela temporada. Ele teve quatro pré-estréias e 896 apresentações no Palace Theatre na Broadway. Após Bacall deixar a produção, ela foi substituída por Anne Baxter no papel de Margo Channing.

Notas

  1. Ironicamente, Bette Davis fez três papéis que haviam sido originados na Broadway por Tallulah Bankhead (em Dark Victory, Reflected Glory e The Little Foxes) - Bankhead e Davis eram consideradas de certa forma semelhantes em estilo, com Davis sendo uma artista mais disciplinada e que entendia o cinema melhor que Bankhead. Fonte: encarte, All About Eve, Moving Finger LP MF002

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. ALL ABOUT EVE(1950): Additional Details - Duration(mins) (em inglês). TCM. Página visitada em 08 de julho de 2014.
  2. ALL ABOUT EVE(1950): Cast & Crew - Director (em inglês). TCM. Página visitada em 08 de julho de 2014.
  3. ALL ABOUT EVE(1950): Additional Details - Production Co (em inglês). TCM. Página visitada em 08 de julho de 2014.
  4. A Malvada (1950): Company Credits - Distributors (em inglês). IMDb. Página visitada em 08 de julho de 2014.
  5. A Malvada (1950): Release Info - Release Dates (em inglês). IMDb. Página visitada em 08 de julho de 2014.
  6. a b A Malvada (1950): Full Cast & Crew - Writing Credits (em inglês). IMDb. Página visitada em 10 de julho de 2014.
  7. A Malvada (1950): Full Cast & Crew - Produced by (em inglês). IMDb. Página visitada em 12 de julho de 2014.
  8. AFI'S 100 YEARS...100 MOVIES: AFI's 100 GREATEST AMERICAN MOVIES OF ALL TIME (em inglês). AFI. Página visitada em 09 de julho de 2014.
  9. a b Sam Staggs. All About "All About Eve": The Complete Behind-the-Scenes Story of the Bitchiest Film Ever Made! (em inglês). EUA: St. Martin's Press, 2001. 416 pp. ISBN 9781466830431 Página visitada em 10 de julho de 2014.
  10. a b ALL ABOUT EVE(1950): NOTES (em inglês). TCM. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  11. Cast-aphrocies: Cast-aphrocies - 1950s: All About Eve (1950) (em inglês). legendaryjoancrawford.com. Página visitada em 11 de julho de 2014.
  12. a b c Frank Miller. ALL ABOUT EVE(1950): ARTICLES - All About Eve (1950) nº6 (em inglês). TCM. Página visitada em 12 de julho de 2014.
  13. Bosley Crowther. All About Eve (1950): REVIEWS - nº1 (em inglês). palzoo.net. Página visitada em 12 de julho de 2014.
  14. a b Roger Ebert (11 de junho de 2000). Great Movies:ALL ABOUT EVE (em inglês). rogerebert.com. Página visitada em 12 de julho de 2014.
  15. Rebecca Flint Marx. All About Eve (1950): review (em inglês). allmovie. Página visitada em 12 de julho de 2014.
  16. Marc Lee. (07 de julho de 2006). Must-have movies: All About Eve (1950) (em inglês). The Daily Telegraph. Londres: Telegraph Media Group. Página visitada em 12 de julho de 2014.
  17. Kathleen M. Woodward. Figuring Age: Women, Bodies, Generations (em inglês). EUA: Indiana University Press, 1999. 362 pp. p. 242. ISBN 9780253212368 Página visitada em 12 de julho de 2014.
  18. a b c d e Robert J. Corber. Gender and Sexuality – All about the Subversive Femme – Cold War Homophobia in All About Eve. American Cold War Culture (em inglês). Edimburgo: Edinburgh University Press, 2005. 214 pp. p. 34-49. ISBN 9780748619238 Página visitada em 13 de julho de 2014.
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  21. Joseph L. Mankiewicz. Mankiewicz. Joseph L. Mankiewicz: Interviews (em inglês). EUA: Univ. Press of Mississippi, 2008. 207 pp. p. 189-204. ISBN 9781934110249 Página visitada em 13 de julho de 2014.
  22. Robert J. Corber. (2005). "Cold War Femme: Lesbian Visibility In Joseph L. Mankiewicz's All About Eve" (em inglês). GLQ: A Journal of Lesbian and Gay Studies 11 (1): 1-22 pp.. EUA: Duke University Press. DOI:10.1215/10642684-11-1-1. Página visitada em 14 de julho de 2014.
  23. Vito Russo. The Celluloid Closet: Homosexuality in the Movies (em inglês). Revisada ed. EUA: HarperCollins, 1987. 368 pp. ISBN 9780060961329 Página visitada em 14 de julho de 2014.
  24. Heather Hunt. What Happened To Rosie The Riveter? (em inglês). EUA: University of Maryland, 1999. Página visitada em 09 de agosto de 2014.
  25. Paul Burston. (22 de novembro de 2007). She’s better, she’s Bette (em inglês). The Times. Londres: Times Newspapers. Página visitada em 10 de agosto de 2014.
  26. Fabio Cleto. Camp: Queer Aesthetics and the Performing Subject : a Reader (em inglês). EUA: University of Michigan Press, 1999. 523 pp. ISBN 9780472067220 Página visitada em 10 de agosto de 2014.
  27. Ed Sikov. Dark Victory: The Life of Bette Davis (em inglês). EUA: Henry Holt and Company, 2007. 479 pp. ISBN 9780805075489 Página visitada em 10 de agosto de 2014.
  28. National Film Registry Titles 1989 - 2013 (em inglês). Library of Congress. Página visitada em 11 de agosto de 2014.
  29. TALLULAH BANKHEAD As Margo Channing in ALL ABOUT EVE - LP Very Rare (em inglês). worthpoint.com. Página visitada em 12 de agosto de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Filmografia principal de Marilyn Monroe
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