Califado Almóada
| الموَحدون Califado Almóada |
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Bandeira |
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| Império Almóada na sua máxima extensão (1212) | |||||||||||||||||||||||||||||||
| Continente | África | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Capital | Marrakech | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Língua oficial | árabe | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Religião | Islão | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Governo | Califado | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Califa | |||||||||||||||||||||||||||||||
| • ca. 1130 | Abd al-Mu'min | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Período histórico | Idade Média | ||||||||||||||||||||||||||||||
| • 1124 | Fundação | ||||||||||||||||||||||||||||||
| • 1269 | Dissolução | ||||||||||||||||||||||||||||||
| Moeda | Dirham | ||||||||||||||||||||||||||||||
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O Califado Almóada (ou Almôada, ou Almôade)1 foi uma potência religiosa berbere governada pela quinta dinastia moura, tendo se destacado do século XII até meados do século XIII. O nome latino deriva da corruptela do árabe الموحدون al-Muwaḥḥidūn, i.e. "os monoteístas" ou "os unitaristas", que alude ao fundamentalismo do movimento (ver Tawhid).
Os almoádas surgiram em Marrocos no século XII, descontentes com o insucesso dos almorávidas em revigorar os estados muçulmanos na península Ibérica, bem como em suster a reconquista cristã. Tendo conquistado o Norte de África até ao Egipto, ocuparam sucessivamente grande parte de Al-Andalus.
Índice |
Origens[editar]
A fundação do movimento deve-se a ibn Tumart (ca. 1080 – ca. 1130), membro dos masmudas, uma tribo berbere do Alto Atlas. Filho do encarregado de acender as lamparinas de uma mesquita, e notado pela sua piedade desde a juventude, seria um rapaz pequeno e deformado que vivia como um mendigo devoto.
Enquanto jovem, ibn Tumart fez a peregrinação a Meca, de onde foi expulso pelas suas críticas ferozes à laxidão de outros. Daí foi para Bagdade, onde aderiu a uma escola ortodoxa. Mas construiu ele mesmo um sistema próprio, combinando os ensinamentos do seu mestre com o misticismo e partes das doutrinas de outros, centrado no unitarismo e que representava uma revolta contra o que na sua opinião seria o antropomorfismo de Alá na ortodoxia muçulmana.
Após o seu regresso a Marrocos, com a idade de 28 anos, começou a pregar contra os princípios religiosos da interpretação pessoal, aceitando apenas a tradição (Suna) e o consenso (Ijma). O sultão almorávida Ali ibn Yusuf chegou a convocar um debate teológico em Fez, convocando ibn Tumart. Na conclusão deste debate foi declarado que os pontos de vista deste eram demasiado radicais. Ibn Tumart foi condenado à prisão mas o emir ter-lhe-á permitido a fuga.
Depois de expulso de várias outras cidades pelas suas demonstrações de zelo religioso, ibn Tumart refugiou-se junto do seu povo, os Masmuda, em Tinmel, na cordilheira do Atlas. Fundou o movimento dos almóadas, autoproclamou-se mahdi ("o guiado" ou "o escolhido", profeta redentor do Islão) e exortou todos os muçulmanos, especialmente os da península Ibérica, a retornar às origens da sua fé, o Alcorão.
Califado Almóada[editar]
É muito provável que a influência de ibn Tumart não tivesse eco no futuro se não fosse por Abd al-Mu'min, outro berbere, da Nedroma (hoje na Algéria), que seria um soldado e membro da classe governante. Quando ibn Tumart morreu em 1128 no mosteiro que fundou em Tinmel, depois de uma grave derrota frente aos almorávidas, Abd al-Mu'min manteve a sua morte em segredo por dois anos, até estabelecer o seu poder. Então assumiu-se como seguidor do mahdi.
Entre 1130 e a sua morte em 1163, Abd al-Mu'min não só expulsou os almorávidas, como aumentou o seu poder por todo o norte de África até ao Egipto, tornando-se emir de Marraquexe em 1149. O seu fundamentalismo levou até medidas de expurga dos suspeitos de pouca fé e falha em cumprir todos os ritos religiosos, a mais grave de todas terminando na eliminação de toda uma tribo.
Os almóadas então trataram de unificar as taifas e formar um governo islâmico que pudesse fazer frente aos cristãos. Em pouco mais de trinta anos, os almóadas conseguiram forjar um poderoso califado que se estendia desde Santarém, no que é atualmente Portugal, até Trípoli na actual Líbia, incluindo todo o norte de África e o sul da península Ibérica.
Em 1170 os almóadas transferiram a sua capital para Sevilha, onde fundaram a grande mesquita, posteriormente convertida em catedral cristã. A torre da mesquita, a Giralda foi construída em 1184 para assinalar a ascensão de Abu Yusuf Ya'qub al-Mansur (Almançor). Foi durante este período que ressurgiram os estudos filosóficos com Averróis e ibn Tufail.
No entanto, desde Yusuf II, tratavam os seus domínios fora de Marrocos como provícias e governavam os seus correligionários na península Ibérica e no restante do norte de África através de governadores locais. Quando os emires atravessavam o estreito de Gibraltar era para fazer a jihad contra os cristãos e voltar para a sua capital, Marraquexe.
Apesar dos esforços dos governantes, o Califado Almóada teve problemas desde o início em manter a turbulenta Granada pacificada e, por outro lado, algumas das suas posturas mais radicais foram mal recebidas pela população muçulmana da península, habituada ao compromisso e à coexistência com os cristãos.
Os príncipes almóadas tiveram uma carreira mais longa e marcante do que os seus antecessores almorávidas. Yusuf I (1163–1184) e Almançor (1184-1199), sucessores de Abd al-Mu'min, eram homens fortes. Inicialmente o seu governo levou à fuga de muitos judeus e cristãos para os estados cristãos de Portugal, Castela e Aragão, mas acabaram por se tornar menos extremistas que os almorávidas.
A invasão do jovem Reino de Portugal pelos almóadas comandados pessoalmente pelo califa Almançor foi travada em 1190 em Tomar, pelos cavaleiros templários de Gualdim Pais.
Almançor (Ya'qub al-Mansur) era um homem de grande cultura, que escrevia em bom estilo árabe e protegia o filósofo Averróis. O seu título al-Mansur, "O Vitorioso," deve-se à derrota que infligiu a Afonso VIII de Castela, em 1195, na Batalha de Alarcos. Mas os reinos cristãos da península Ibérica estavam já demasiado fortes para uma invasão muçulmana, e os almóadas não conseguiram conquistas assinaláveis.
Arte almóada[editar]
As construções almóadas caracterizam-se pela simplicidade e austeridade, um reflexo da vida difícil dos nómadas do Magrebe. Apesar disso, muitos edifícios têm um tamanho considerável. Exemplos clássicos deste movimento são a Mesquita de Tinmel, a Torre del Oro e a Giralda, em Sevilha, a mesquita Kutubiyya de Marraquexe, a Grande Mesquita de Taza e a Torre Hassan em Rabat.
Declínio dos Califado Almóada[editar]
1212 marcou o início da decadência do Califado Almóada. As forças de Muhammad an-Nasir (1199–1214), sucessor de al-Mansur, depois de um avanço inicialmente bem sucedido para norte, foram aniquilados por uma aliança de tropas cristãs na Batalha de Navas de Tolosa na Sierra Morena. Essa batalha destruiu o domínio almóada.
Em 1216-7 os merínidas enfrentam os almóadas em Fez. ibn Hud proclama-se emir de Múrcia em 1227, fazendo frente aos almoádas, e Tunes torna-se independente três anos mais tarde.
Muhammad ibn al-Ahmar proclama-se emir de Arjona, Jaén, Guadix e Baza em 1232. Cinco anos depois é reconhecido como emir de Granada, dando início à dinastia nasrida.
Os almóadas encorajaram o estabelecimento de cristãos até mesmo em Fez, e depois da Batalha de Navas de Tolosa, ocasionalmente faziam alianças com os reis de Castela. Em África conseguiram expulsar os exércitos dos reis normandos da Sicília das cidades costeiras. A história do seu declínio é diferente da dos almorávidas. Não foram tomados por um poderoso movimento religioso, simplesmente foram perdendo territórios com a revolta de tribos e cidades. Os seus inimigos mais importantes acabaram por ser os merínidas, que fundaram a seguinte dinastia moura. Em 1268 os merínidas governam o Magrebe.
O último califa almóada, Idris II, estava reduzido à posse de Marraquexe, onde foi assassinado por um escravo em 1269.
Califas almóadas (1145-1269)[editar]
Ver também[editar]
- História do Islão
- História da Argélia
- História de Espanha
- História de Marrocos
- História de Portugal
- Algarve
Notas
- ↑ Formas registradas pelo Dicionário Houaiss.
Bibliografia e ligações externas[editar]
- Sites Islamiques - Tinmel (em francês). www.minculture.gov.ma. Ministério da Cultura de Marrocos. Arquivado do original em 18 de janeiro de 2012. Página visitada em 18 de janeiro de 2012.
- Ellingham, Mark; McVeigh, Shaun; Jacobs, Daniel; Brown, Hamish. The Rough Guide to Morocco (em inglês). 7ª ed. Nova Iorque, Londres, Deli: Rough Guide, Penguin Books, 2004. 824 p. p. 492; 672-673. ISBN 9-781843-533139
- Hoffmann, Eleanor. Realm of the Evening Star: A History of Morocco and the Lands of the Moors (em inglês). [S.l.]: Chilton Books, 1965.
- Julien, Charles-André. History of North Africa: Tunisia, Algeria, Morocco. From the Arab Conquest to 1830 (em inglês). Nova Iorque: Praeger, 1970. 446 p. (OCLC 193627) Página visitada em 18 de janeiro de 2012.