Alumbrados

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Os Alumbrados foi um movimento religioso espanhol do século XVI em forma de uma seita mística, que foi perseguida e considerada herética e relacionada ao protestantismo. Originou-se em pequenas cidades da região central de Castela em torno de 1511.

Os Alumbrados podem ser incluídos dentro de uma corrente de misticismo similar desenvolvida na Europa nos séculos XVI e XVII, denominado Iluminismo, que não deve ser confundido com a seita bávara os Illuminati, e, naturalmente, com o Iluminismo. É muito comum usar o nome "Iluminismo" como sinônimo dos alumbrados.[1]

Os Alumbrados acreditavam entrar em contato direto com Deus através do Espírito Santo, através de visões e experiências místicas, o que levou à Inquisição espanhola a adotar, pelo menos, três editais contra ela. Alguns místicos como Teresa de Ávila foram inicialmente suspeitos de pertencer aos Alumbrados.

O historiador Marcelino Menéndez y Pelayo encontrou o nome do inicio de 1492 (na forma Aluminados, 1498), e seguiu o grupo como de uma origem gnóstica. Ele acredita que seus pontos de vista foram promovidos na Espanha através das influências da Itália. Um dos seus primeiros líderes era uma mulher, nascida em Salamanca, filha de um trabalhador e conhecida como La Beata de Piedrahita. Ela chegou ao conhecimento da Inquisição em 1511, reivindicando manter conversas com Jesus e a Virgem Maria, terá sido salva de uma condenação rigorosa pelo patrocínio de gente influente.[2]

Casos históricos[editar | editar código-fonte]

Tomás de Torquemada, que tinha sido um inquisidor assistente desde 11 de fevereiro de 1482, foi nomeado em 1483 pelo Papa Sisto IV, Grande Inquisidor de Castela para a Inquisição espanhola. A maioria daqueles perseguidos como Alumbrados foram convertidos (judeus convertidos ao cristianismo) ou mouriscos (mouros convertidos) [3] .

Inácio de Loyola, enquanto estudava em Salamanca em 1527, foi submetido a uma comissão eclesiástica por uma acusação de simpatia com os alumbrados, mas escapou com uma advertência. Miguel de Molinos foi também acusado de ligação, devido à sua publicação do "Guia Espiritual" e sua semelhança com as publicações iniciais dos Alumbrados Pedro Ruiz de Alcaraz e Isabel de la Cruz.

Perseguição[editar | editar código-fonte]

A perseguição era tipicamente baseada de supostas reversões originais de práticas religiosas, mas a prova de conspiração contra Fernando e Isabel era mínima, geralmente boatos. Como muitas das famílias remanescentes judias e mouras na Espanha após a sua conversão católica eram ricas, e apenas a acusação de heresia justificava o confisco de toda a riqueza e das propriedades, os Bispos católicos locais foram motivados a acusar injustamente convertidos e mouriscos para adquirir as suas riquezas e fortalecer seu Bispado. Os poucos acusados e julgados que realmente estavam engajados nas práticas místicas e heréticas dos Alumbrados não foram executados, poucos resistiram a penas de longa duração, e a maioria foram julgados somente depois que eles conseguiram adquirir grandes congregações em Toledo e Salamanca.

Outros não tiveram tanta sorte. Em 1529, uma congregação de fiéis ingênuos em Toledo foi submetida a açoites e prisão. Seguiram-se rigorosas perseguições, e por cerca de um século a suposta ligação com os alumbrados enviou muitos à Inquisição, especialmente em Córdoba.[4]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Manuel de León Los «alumbrados» españoles y Lutero
  2. Menéndez y Pelayo, Marcelino. Historia de los heterodoxos espanoles. [S.l.]: Madrid, 1880. II, 521-585; III, 403-408 pp.
  3. Tomás de Torquemada, http://www.newadvent.org/cathen/14783a.htm, visitado em 2009-03-25 
  4. Weber, Nicholas. Illuminati(Alumbrados.). Visitado em 2009-04-04.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Monografias[editar | editar código-fonte]

  • Antonio Márquez, Los alumbrados : Orígenes y filosofía (1525-1559), Taurus, 1980. ISBN 9788430635047
  • Álvaro Huerga, Historia de los Alumbrados (1570-1630), Fundación Universitaria Española, Madrid, 1978. ISBN 8473920449
  • Andrés Martín, Implicaciones señoriales del alumbradismo castellano en torno a 1525 (in Homenaje al profesor Antonio Vilanova, vol. 1, Estudios de Literatura española, p. 13-30, 1989). ISBN 8476654820
  • Bernardino Llorca, La Inquisición española y los alumbrados (1509-1667), Universidad Pontificia de Salamanca, 1980. ISBN 9788472990715
  • Ricardo García Cárcel, Herejía y sociedad en el siglo XVI. Inquisición en Valencia. 1530-1609, Ediciones Península, 1980. ISBN 8429715525
  • Marcel Bataillon, Erasmo y España, Fondo de Cultura Económica, col. «Historia», trad. Antonio Alatorre, 923 pp., 1950. ISBN 9681610695
  • (en inglés) Henry Kamen, Inquisition and Society in Spain in the Sixteenth and Seventeenth Centuries, Indiana University Press, 1985. ISBN 9780253227751
  • (en inglés) Henry Kamen, Spain, 1469-1714 : A Society of Conflict, Pearson Education, 2005, p.121-122. ISBN 9780582784642

Artigos[editar | editar código-fonte]

  • Andrés Martín, Los alumbrados de Toledo en el Cuarto Abecedario Espiritual, o Ley de Amor, de Francisco de Osuna (1530), Archivo Ibero-Americano, vol. 41, n°163-164, pp. 459–480, 1981.
  • Andrés Martín, Los alumbrados de Toledo según el proceso de María de Cazalla (1532-1534), Cuadernos de investigación histórica, nº8, p. 65-82, 1984. ISSN 02106272
  • Andrés Martín, En torno al estatuto de la mujer en España en la crisis religiosa del Renacimiento: observantes, beatas, alumbradas, Norba Revista de historia, nº10, p. 155-172, 1989‑1990. ISSN 0213375X
  • Luis Fernández, Iñigo de Loyola y los alumbrados, Hispania Sacra, n°35, 1983.
  • Angela Selke, Algunos datos nuevas sobre los primeros alumbrados. El edicto de 1525 y su relación con el proceso de Alcaraz, Bulletin hispanique, IV, 1952.
  • Augusta E. Foley, El alumbradismo y sus posibles orígenes, Actas del VIII Congreso de la Asociación Internacional de Hispanistas, vol. 1, p. 527-532, 1983. ISBN 8470901621
  • (en inglés) Alastair Hamilton, Heresy and Mysticism in Sixteenth-Century Spain: The Alumbrados, James Clarke Company, 1992.
  • (en inglés) Alison Weber, Little Women : Counter-Reformation Misogyny, in The Counter-Reformation de David Martin Luebke, p. 148-152.