América do Sul
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| América do Sul | |
| Continentes vizinhos | América Central, Antártida e África |
| Divisões administrativas | |
| - Número de países | 12 |
| - Número de territórios | 3 |
| Área | |
| - Total | 17.850.568 km² |
| - Maior país | Brasil |
| - Menor país | Guiana Francesa |
| Extremos de elevação | |
| - Ponto mais alto | Aconcágua, 6.962 m |
| - Ponto mais baixo | Laguna del Carbón, 105 m abaixo do nível do mar |
| Maior lago | Lago Titicaca, 280 m |
| Pontos extremos | |
| - Ponto mais setentrional | Punta Gallinas, Colômbia |
| - Ponto mais meridional | Cabo Horn, Chile |
| - Ponto mais oriental | Ponta do Seixas, Brasil |
| - Ponto mais ocidental | Punta Pariñas, Peru |
| Maior ilha | Terra do Fogo |
| Maior vulcão | Gallatiri, 6.060 m |
| População | |
| - Total | 334.723.000 habitantes |
| - Densidade | 21,32 hab./km² |
| - País mais populoso | Brasil (187.316.000 hab.) |
| - País menos populoso | Guiana Francesa (187.000 hab.) |
| - País mais povoado | Equador (47 hab./km²) |
| - País menos povoado | Guiana Francesa (2 hab./km²) |
| Línguas mais faladas | Português e espanhol |
| Economia | |
| - País mais rico | Brasil (US$ 1.067.706) |
| - País mais pobre | Guiana (US$ 870) |
A América do Sul é um continente que compreende a porção meridional da América. Sua extensão é de 17.819.100 km², abrangendo 12% da superfície terrestre, porém só tem 6% da população mundial. Une-se à América Central, ao norte, pelo istmo/canal do Panamá. Tem uma extensão de 7.400 km desde o mar do Caribe até o cabo Horn, ponto extremo sul do continente. Os outros pontos extremos da América do Sul são: ao norte a Punta Gallinas, na Colômbia, ao leste a Ponta do Seixas, no Brasil, e a oeste a Punta Pariñas, no Peru. Seus limites naturais são: ao norte com o mar do Caribe; a leste, nordeste e sudeste com o oceano Atlântico; e a oeste com o oceano Pacífico.
Originalmente foi povoado por ameríndios e alguns povos de culturas sofisticadas, principalmente os incas. A maior parte da América do Sul foi colonizada pela Espanha e Portugal. A reivindicação espanhola se baseava nas descobertas de Cristóvão Colombo; em sua terceira viagem (1498) ele navegou ao longo da costa venezuelana e aportou em Trinidad. Em 1500, o explorador português Pedro Álvares Cabral desembarcou no atual estado da Bahia e se apossou desse território em nome de Portugal. O Brasil português e o vice-reinado espanhol do Peru constituíam as duas principais jurisdições administrativas da América do Sul nos séculos XVI e XVII. No século XVIII subdividiu o Peru, acrescentando dois vice-reinados, Nova Granada (1717) e Rio da Prata (1776). No século XVII, Inglaterra, França e Holanda também estabeleceram colônias na costa nordeste do continente. O povoamento inicial foi pelo litoral, e até hoje os centros urbanos estão concentrados próximo à costa e não no interior do continente.
Em 1816 e 1825, a maior parte da América do Sul espanhola se tornou independente, sob a liderança de Simón Bolívar e José de San Martín, e conseqüentemente dividiu-se em países: Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai. O Brasil se tornou independente de Portugal em 1822. A Guiana Inglesa se tornou Guiana independente em 1966, Suriname, colônia holandesa, teve sua independência em 1975, mas a Guiana Francesa ainda continua sob domínio francês. O continente permaneceu politicamente independente na maior parte do século XIX, principalmente graças à doutrina Monroe, que evitou a expansão européia. Ao mesmo tempo, recebeu cerca de 15 milhões de imigrantes provenientes da Europa, e sofreu influências culturais e ideológicas tanto dos Estados Unidos quanto da Europa. Investimentos econômicos consideráveis foram feitos, principalmente pelo Reino Unido, na produção primária, como mineração e carne, levando esses mercados à dependência. O continente é predominantemente católico romano; No século XIX e princípio do século XX a Igreja ocupou posição política e social importante e exerceu força conservadora. Recentemente, suas posições foram contestadas por padres do movimento da Teologia da Libertação, que visavam o engajamento político da Igreja em prol dos pobres e destituídos. A rápida urbanização superou a oferta de emprego e moradia. Como esforço para estimular o comércio e produção, formaram-se grupos econômicos como o Mercado Comum Centro-Americano (MCCA), Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC) (1960), e a Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Intercâmbio (ALADI) (1981). Projetos de desenvolvimento superdimensionados e a elevação dos preços do petróleo na década de 1970 sobrecarregaram muitos países sul-americanos com dívidas que suas economias altamente dependentes dos mercados financeiros mundiais não tiveram condições de honrar. Desde 1º de janeiro de 1995 vigora o Mercosul (Mercado Comum do Sul), que pretende extinguir gradativamente a fronteira econômica entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
A América do Sul possui vastos recursos naturais e graves problemas econômicos e sociais. Nas décadas de 1960 e 1970, a maior parte dos países sul-americanos estava submetida a ditaduras militares, geralmente apoiadas pelos Estados Unidos da América. Turbulências políticas continuam, a despeito da democratização iniciada na década de 1980. Em razão do alto endividamento externo e interno, vários países sul-americanos aplicam as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI), que comprimem as contas públicas mas não eliminam as crises.
Nos últimos anos, essa parte do continente vive uma chamada "onda de esquerda". Em vários países, presidentes considerados de esquerda são eleitos, em contraste com a situação vivida em décadas recentes. Essa onda começou com Hugo Chávez, que ganhou as eleições na Venezuela em 1998. Depois, foi a vez de Luís Inácio Lula da Silva, no Brasil (2002), Néstor Kirchner, na Argentina (2003), Tabaré Vázquez, no Uruguai (2004), Evo Morales, na Bolívia (2005), e Michelle Bachelet, no Chile (2006).
Com 17,8 milhões de quilômetros quadrados, a América do Sul une-se à América do Norte pelo istmo da América Central e separa-se da Antártica pelo estreito de Drake. A porção oeste é ocupada pela cordilheira dos Andes, cujo ponto mais alto é o monte Aconcágua, com 6.960 metros. As planícies centrais abrigam a bacia hidrográfica do Orinoco, a Amazônica e a do Prata. Na região norte, onde o clima é equatorial, encontram-se florestas tropicais úmidas. Os rios que descem a cordilheira dos Andes em direção ao oceano Pacífico são, em geral, curtos, enquanto os que correm em direção ao Atlântico, extensos, como o Amazonas, Tocantins, São Francisco, Paraná e da Prata.
Nas áreas mais secas do centro localiza-se o cerrado. O sul possui faixas áridas, como o deserto do Atacama, e uma zona temperada, ocupada por florestas tropicais e pelos pampas argentinos. De acordo com o World Resources Institute, a América do Sul preserva quase 70% de suas florestas. A maior mata nativa é a da Amazônia, seguida das florestas temperadas do Chile e da Argentina.
A América do Sul tem 380 milhões de habitantes. Vazios demográficos (como as florestas tropicais, o deserto de Atacama e as porções geladas da Patagônia) convivem com regiões de alta densidade populacional, como os centros urbanos de São Paulo, Rio de Janeiro, Buenos Aires, Lima e Santiago. A população é formada principalmente por descendentes de europeus (em especial espanhóis e portugueses), africanos e indígenas. Há alta porcentagem de mestiços. As principais línguas são o espanhol e o português.
A indústria está concentrada no beneficiamento de produtos agrícolas e na produção de bens de consumo. No Brasil e na Argentina encontra-se mais diversificada, abrangendo setores como extração e refino de petróleo, siderurgia, metalurgia, química e automobilística, entre outras. O Brasil é responsável por cerca de três quintos da produção industrial sul-americana. A mineração inclui a extração de petróleo (com destaque para a Venezuela), cobre, estanho, manganês, ferro, zinco, chumbo, alumínio, prata e ouro. A agricultura é intensiva nas áreas tropicais, onde há culturas voltadas para a exportação (café, cacau, banana, cana-de-açúcar, algodão e cereais). A pecuária é praticada em larga escala no sul e no centro.
[editar] História
A História da América do Sul é marcada por uma tendência de ascensão e declínio de impérios e dominações estrangeiras, desde a derrocada dos Incas, colonização e as guerras de independência, até mais recentemente, por sucessivas ondas de ditaduras e redemocratização. Apesar disso, embora muitas vezes se tratem os países do continente como bastante similares e politicamente ligados, estes processos políticos não ocorreram de forma homogênea em todos os países — dos quais são exceções notáveis, ao longo dos séculos, o Brasil e as Guianas.
[editar] Pré-História
A América do Sul foi provavelmente o último continente do planeta a ser habitado por humanos, à exceção da Antártida. Segundo a teoria paleontológica mais consolidada, os primeiros habitantes do continente teriam chegado por terra, vindo da América do Norte e, antes disso, da Ásia por meio de uma ponte de gelo existente entre os dois continentes na última era glacial. Outras teorias, no entanto, especulam que a América do Sul poderia ter sido povoada por polinésios que teriam atravessado o Oceano Pacífico em jangadas de bambu.
As primeiras evidências de ocupação humana datam do sétimo milénio antes da nossa era, por vestígios de agricultura: batata e feijão eram cultivados na bacia do Amazonas.[carece de fontes] Outros vestígios, de cerâmica, indicam que o cultivo da mandioca (até hoje alimento básico de algumas culturas no continente) existiu desde pelo menos 2000 a.C.. Nesta época, já havia várias aldeias nos Andes e arredores. Nos rios e no litoral (principalmente no Pacífico), consolidou-se a pesca, que ajudou a ampliar a base alimentar. Lhamas e alpacas foram domesticados a partir de 3500 a.C., servindo para a produção de carne, lã e como transporte.
Por volta do ano 1000, mais de dez milhões de pessoas habitavam o continente, concentrados principalmente na Cordilheira dos Andes e no litoral norte, banhado pelo Mar do Caribe. As demais regiões eram de povoamento mais esparso e nômade, como a Amazônia, o litoral Atlântico, o Planalto Central, o Altiplano, o Chaco e, finalmente, os Pampas, a Patagônia e o Atacama no chamado Cone Sul.
[editar] Civilizações nativas
Os chibchas ou muiscas foram uma das principais civilizações indígenas pré-incaicas, concentrados na atual Colômbia. Lá estabeleceram uma confederação de vários clãs (cacicazgos) com uma rede de comércio entre elas, além de ourives e agricultores. Junto com os quíchua nos Andes e os aimarás no Altiplano, formavam os três grupos sedentários mais importantes do continente.
A cultura chavín, no atual Peru, estabeleceu uma rede comercial e agricultura desenvolvida a partir de 900 a.C., de acordo com estimativas e descobertas arqueológicas. Foram encontrados artefatos num sítio chamado Chavín de Huantar, a uma altitude de 3.177 metros. A civilização durou até 300 a.C..
Além destes e antes dos incas, houve outras civilizações (povos organizados em cidades, não em tribos e aldeias) sul-americanas, como os caral-supe ou Norte Chico (2500 a.C. - 1500 a.C., no centro do Peru), a cultura de Valdivia (no Equador), os moche (100 a.C. - 700 d.C., no litoral norte do Peru), a cultura tihuanaco ou tiwanaku (100 a.C. - 1200 a.C., na Bolívia), a cultura Paracas-Nazca (400 a.C. - 800 d.C., no Peru), o Império Huari (600 - 1200 d.C., no centro e norte do Peru), o Império Chimu (1300 - 1470, litoral norte peruano), os chachapoyas (1000 - 1450, na Bolívia e sul do Peru).
Outros povos importantes mas que não chegaram a ser civilizações eram os tupi (do litoral Atlântico à Amazônia), os guarani (na bacia do rio Paraná), os jê (na Amazônia e Planalto Central), os aruaques e caribes (no Planalto das Guianas e litoral caribenho), os mapuches (na Patagônia) e os aimarás (no Altiplano).
[editar] 1100-1532: Ascensão do Império Inca
Originalmente, os incas eram um clã específico entre o povo quíchua (ou quéchua), que habitava os Andes. Estes eram uma civilização, de fato, na medida em que construíam e viviam em cidades (diferentemente dos indígenas da Amazônia e do Atlântico, nômades). Baseados em Cuzco, eles ascenderam ao poder e formaram um exército poderoso o suficiente para subjugar outras tribos e povos vizinhos, como os aimarás, os chibcha, os moche e os chavín, entre outros.
Enquanto a Europa vivia o período da Idade Média, os incas formaram um império que se estendia pela maior parte do litoral ocidental (Oceano Pacífico) do continente. Embora sem conhecerem a escrita nem a roda, os incas e os povos subjugados construíram um Estado altamente avançado, de administração centralizada, com sistemas de estradas, irrigações, cidades e palácios, e relações com os povos ao redor semelhantes às que havia entre os romanos e os "bárbaros" e "federados". O império era chamado de Tahuantinsuyu, ou "Estado dos quatro cantos do mundo".
Em 1530, o Império Inca estava em seu auge, com o imperador Huayna Capac. Este, no entanto, ao morrer deixou como herança um império partilhado entre seus filhos Huáscar (com o sul) e Atahuallpa (com o norte), o que ocasionou uma guerra civil entre os dois irmãos. Foi nesse contexto que os conquistadores espanhóis chegaram.
[editar] 1532-1580: Conquista ibérica
De acordo com registros não-oficiais, o primeiro registro visual do continente por europeus aconteceu em 1498, pelo navegador português Duarte Pacheco Pereira. Nos anos seguintes, o espanhol Vincente Pinzón, o genovês Cristóvão Colombo e o português Fernão de Magalhães, todos a serviço de Castela, costearam e exploraram o litoral sul-americano em diferentes pontos. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chega oficialmente ao Brasil e toma posse da nova terra para Portugal. Explorações continuaram nos anos seguintes, com Sebastião Caboto, Diogo Botelho Pereira, Nicolau Coelho, Alonso de Ojeda, Francisco de Orellana, entre outros.
Em 1494, face ao achamento do Novo Mundo por Colombo, Portugal e Castela se apressaram em negociar a partilha das novas terras. A divisão do planeta em dois hemisférios foi oficializada no Tratado de Tordesilhas, auspiciado pelo papa espanhol Alexandre VI. As demais potências européias, como a França, no entanto, se recusaram a aceitar validade do tratado, como explicitado na declaração do rei Francisco I de França, que ironizou os reinos ibéricos por não ter visto "o testamento de Adão" que lhes legava de herança o mundo inteiro. Na mesma intenção, o britânico Walter Raleigh explorou a costa norte do continente, do Orinoco ao Amazonas.
Os espanhóis, estimulados pelo sucesso de Cortés no México (contra os astecas), descem pelo Panamá e desembarcaram na costa do Império Inca, liderados por Francisco Pizarro, Gonzalo Pizarro, Hernando de Soto e Diego de Almagro. Numa rápida guerra, seqüestraram e executaram o imperador, Atahuallpa, e destroem o maior Estado da América de então. As décadas seguintes assistiram ao massacre sistemático e ao genocídio dos povos nativos (por meio de ataques ou transmissão de doenças contra as quais não tinham imunidade), especialmente nas zonas de ocupação portuguesa, onde até hoje a população indígena foi praticamente aniquilada e não deixou vestígios nos traços étnicos da população. A conquista resultou num violento decréscimo demográfico, reduzindo drasticamente a população do continente.
A América do Sul ficou dividida praticamente entre os dois reinos ibéricos, com áreas de colonização litorânea ocidental-pacífica para Castela e a oriental-atlântica para Portugal. Espanhóis se instalaram no Prata, no Caribe e nos Andes, utilizando a infraestrutura de cidades e transportes dos incas, além de iniciar a exploração de minas de prata em locais como Potosí. Já os portugueses investiram principalmente no extrativismo de pau-brasil e, mais tarde, na plantação de cana-de-açúcar. A ocupação portuguesa, a princípio, foi exclusivamente concentrada na faixa litorânea. O planalto das Guianas foi ocupado por ingleses (no Orinoco e Essequibo) e franceses (no Oiapoque e Maroni), mais tarde acrescentados dos holandeses.
A colonização ibérica também trouxe o proselitismo religioso, com a fundação de missões católicas para conversão dos nativos. O trabalho foi conduzido especialmente pelos jesuítas, membros da Companhia de Jesus fundada pelo espanhol Inácio de Loyola. Os jesuítas, como Bartolomeu de las Casas, tiveram papel fundamental na defesa dos indígenas contra a exploração por trabalho escravo. Povos como os guarani, na bacia do Paraná, foram protegidos durante três séculos pelos missionários. Isso estimulou a compra de africanos para trabalhar nas áreas de colonização (principalmente de plantação de cana-de-açúcar), o que fez crescer o tráfico negreiro da África para a América do Sul.
[editar] 1580-1703: Disputas coloniais
A União Ibérica, formada a partir de 1580, extingue na prática as fronteiras das zonas de colonização na América do Sul, alterando profundamente a dicotomia de ocupação até então existente entre lusos e castelhanos. Os dois povos, subordinados à mesma coroa, ganham a permissão de transitar livremente entre as duas áreas colonizadas — embora, na prática, o intercâmbio humano seja pouco.
A principal mudança da União Ibérica é que Portugal passa a ser inimiga dos adversários da Espanha, como Inglaterra e as recém-emancipadas Províncias Unidas dos Países Baixos. Com isso, potências como Inglaterra, França e Holanda invadiram e ocuparam áreas de dominação dos reinos ibéricos, como na Guiana, em Pernambuco e nas ilhas Malvinas, além de várias ilhas no Caribe. Os espanhóis não recuperam mais estas terras, enquanto os portugueses só conseguem expulsar os invasores após a recuperação da independência com a Revolução de 1640 (ver Guerra contra os holandeses).
A divisão administrativa das colônias criou, do lado espanhol, o Vice-Reino do Prata (atuais Argentina, Uruguai e Paraguai), o Vice-Reino de Nova Granada (atuais Colômbia, Venezuela, Equador e Panamá), o Vice-Reino do Peru (atuais Peru, Bolívia e norte do Chile) e a Capitania Geral do Chile, enquanto o lado português teve o Estado do Maranhão e o Estado do Brasil, depois unificados sob o Vice-Reino do Brasil.
Aos poucos, surgiu uma nova classe social e étnica, a partir da miscigenação entre colonos ibéricos e os índios: os mestiços ou gentio (na América Portuguesa) e os mestizos ou criollos (na América Hispânica). Nas áreas de escravidão, ocorreu o mesmo entre europeus e africanos, dando origem aos mulatos, cafuzos e mamelucos. Assim como os nativos, os mestiços eram forçados a pagar impostos abusivos, mas tinham mais acesso à cultura e de certa forma se viam herdeiros do patrimônio cultural católico e europeu. Aos poucos, esta "casta" começou a se rebelar contra o sistema de dominação colonial.
[editar] 1703-1810: Revoltas coloniais
O século XVIII viu as revoltas de Tupac Amaru, no Peru, e de Felipe dos Santos e a Inconfidência Mineira, no Brasil, contra as injustiças cometidas pelo governo colonial. As revoltas foram uma reação à política do despotismo esclarecido que, a partir da Europa, tentava maximizar os lucros obtidos com a exploração em suas colônias, especialmente na área mineral (ouro, prata e diamantes).
Os tratados de Utrecht, em 1713, e de Madri, em 1750, procuram delimitar as novas fronteiras da divisão do continente entre as duas monarquias ibéricas, sem contudo conter novos conflitos. No século XVII, as missões jesuíticas no Paraná e Paraguai começaram a ser incômodas para os colonizadores, que ainda pretendiam usar os indígenas como escravos. A disputa levou às Guerras Guaraníticas, só terminada com o Tratado de Santo Ildefonso, em 1777.
[editar] 1810-1828: Libertação sul-americana
As Guerras Napoleônicas submeteram Portugal e Espanha à ocupação (e, no caso desta última, ao domínio político) por parte da França, então em guerra contra a Inglaterra. Isto levou ingleses a atacarem terras sul-americanas sob controle espanhol, como no bombardeio a Buenos Aires, em 1810. O fato de o trono em Madri estar ocupado por um fantoche de Napoleão foi aproveitado pelas colônias hispânicas para ignorar a autoridade da metrópole e agir com maior autonomia. O caso português, no entanto, era ímpar, pelo fato de o trono ter-se transferido oficialmente para território da colônia no Brasil (elevado à categoria de reino em 1815). Com a restauração das monarquias soberanas, entre 1811 e 1814, os colonizadores tentaram restaurar o sistema rígido colonial, o que provocou revoltas.
O bacharel Simón Bolívar, nascido na Nova Granada e que estudara na Europa, e o platino José de San Martín, além de Bernardo O'Higgins do Chile, se encarregam de organizar os exércitos coloniais que enfrentam, durante quase 10 anos, as tropas enviadas por Madri para garantir o controle sobre a América. Pouco a pouco, libertam e conquistam, militarmente, a independência dos vários vice-reinados e capitanias sul-americanos, que passam a ser repúblicas.
No Brasil, a independência foi batalhada entre 1817 e 1825 (ano do reconhecimento por Portugal) por representantes das elites nativas, principalmente na Bahia, em Pernambuco e em São Paulo, por nomes como Cipriano Barata, Frei Caneca e José Bonifácio, mas acabou só sendo efetivada por iniciativa do próprio herdeiro do trono colonizador, o então príncipe-regente Pedro de Alcântara que se coroou imperador Dom Pedro I em 1822.
As Guianas inglesa, holandesa e francesa continuaram sob suas metrópoles. As duas primeiras só ficariam independentes na segunda metade do século XX (Guiana em 1966 e Suriname em 1975), enquanto a terceira ainda é um departamento ultramarino da França.
[editar] 1828-1870: Fragmentação e imperialismo britânico
Durante as lutas pela independência, a intenção dos libertadores era unificar toda a América Hispânica sob uma mesma república (pan-americanismo). O plano de Bolívar para a unificação da América fracassa logo em seguida ao Congresso do Panamá, para desgosto do Libertador. A própria Nova Granada se fragmenta em Colômbia, Venezuela e, mais tarde, Equador. O Peru e o Alto Peru se separam como Peru e Bolívia (nome dado em homenagem a Bolívar). Isso para não mencionar a fragmentação na América Central.
A América Portuguesa, por outro lado, se mantém íntegra — exceto pelo extremo sul, a província Cisplatina, que ganha independência em 1828 com o nome de Uruguai. A derrota na Guerra da Cisplatina (1825-1828) ajuda a desestabilizar o reinado de Dom Pedro I.
O Império Brasileiro se firma como potência regional, intervindo nos vizinhos platinos com as guerras contra Aguirre e contra Oribe e Rosas. Internamente, o país sofre com as revoltas do período regencial e com a Guerra dos Farrapos.
O imperialismo do Reino Unido contribui para atiçar as jovens nações sul-americanas umas contra as outras. Ao instalar empresas privadas com grandes recursos financeiros e incitar os governos a agir em favor de seus interesses, os britânicos provocam algumas das guerras no continente. A Guerra do Paraguai (ou Guerra da Tríplice Aliança) é uma delas, na qual Brasil, Argentina e Uruguai, aliados, enfrentam o poder militar e político do economicamente independente Paraguai. A guerra termina com o arrasamento da nação paraguaia e no endividamento dos países vencedores, o que precipita mudanças internas (no Brasil, o fortalecimento do exército ajuda a fortalecer a causa republicana).
O Chile enfrenta a aliança de Peru e Bolívia na Guerra do Pacífico (1879-1884), derrotando-os e ocupando território rico em minério. Nesse conflito, a Bolívia deixa de ter acesso ao mar. O país também perde território para o Brasil com a anexação do Acre, em 1903. O Peru, por outro lado, vence disputa territorial com o Equador pela Amazônia, reduzindo este país ao diminuto território no lado ocidental dos Andes.
[editar] 1870-1930: Caudilhismo
A partir da década de 1870, o continente viveu uma onda de governos autoritários e nacionalistas, liderados por figuras típicas da política latino-americana chamados de "caudilhos". A maioria governava com apoio das forças armadas e se manteve no poder por vários anos com dispositivos extra-constitucionais (golpes de Estado, cancelamento de eleições, presidências vitalícias, entre outros). Alguns deles foram:
- Bartolomé Mitre
- Juan Vicente Gómez na Venezuela
- Manuel Montt e Jorge Montt no Chile
- Augusto Leguía y Salcedo no Peru
Houve caudilhos tanto de caráter reformista quanto conservador. Alguns promoveram modernização econômica dando voz às classes urbanas, outros se voltaram para as classes tradicionais agrárias. De forma geral, a onda autoritária durou até a ascensão da burguesia industrial, na década de 1930.
[editar] 1930-1954: Populismo e Imperialismo dos EUA
Os anos 1930 na América do Sul começaram sob o forte impacto da crise de 1929 e da Grande Depressão que se seguiu nos Estados Unidos, provocando conseqüências diretas nos países sul-americanos que tinham nos EUA o principal comprador de seus produtos e matérias-primas. Isso impulsionou a ascensão de regimes populistas e representantes da nova burguesia industrial, como os de Getúlio Vargas no Brasil e Juan Perón na Argentina. Entre 1932 e 1935, é travada a Guerra do Chaco, entre Bolívia e Paraguai, por campos de petróleo que se provaram inexistentes.
A suspeita de aproximação e o receio de alinhamento de alguns destes ditadores com as potências do Eixo, antes e durante a Segunda Guerra Mundial, levam o governo dos EUA (sob Franklin Roosevelt e Harry Truman) a criarem e implementarem a Política da Boa Vizinhança para o continente, destinada a aumentar a influência econômica e cultural norte-americana sobre a América do Sul. É dentro desta política que são realizados investimentos como a construção da Companhia Siderúrgica Nacional no Brasil e as visitas de Orson Welles e Walt Disney a alguns países do continente, produzindo filmes como É tudo verdade, Alô, amigos e Você já foi à Bahia?. No mesmo contexto, Carmen Miranda é levada para atuar em Hollywood, criando no imaginário dos EUA um estereótipo brasileiro que ficou como uma imagem daquela época.
[editar] 1954-1990: Ciclos militares
De 1954 a 1976, praticamente todo o continente mergulhou em regimes militares, comandados por Alfredo Stroessner no Paraguai, Augusto Pinochet no Chile, Hugo Bánzer na Bolívia, Leopoldo Galtieri na Argentina, e pelos cinco marechais e generais brasileiros (Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo). Vários destes governos colaboraram na Operação Condor.
As ditaduras são enfrentadas por movimentos guerrilheiros de esquerda, como o MR-8 e a ALN, no Brasil, os Tupamaros no Uruguai, a Mano Negra na Argentina, e o Sendero Luminoso e o MRTA no Peru. Na Colômbia, embora não esteja sob ditadura, as FARC e o ELN iniciam uma guerra civil que dura quatro décadas e tomam controle sobre considerável parte do país.
[editar] 1983-1999: Redemocratização e experiências neoliberais
O primeiro ciclo de redemocratização, a partir da metade da década de 1980, foi liderado por Raúl Alfonsín na Argentina, Patricio Aylwin no Chile, Alan García no Peru e Tancredo Neves e José Sarney no Brasil.
Num segundo momento, seus sucessores implementam reformas neoliberais seguindo as orientações do Fundo Monetário Internacional e do Consenso de Washington. A América do Sul vira um grande laboratório para as experiências neoliberais. Carlos Menem na Argentina, Eduardo Frei no Chile, Alberto Fujimori no Peru (que dá um golpe de Estado civil e fica no poder por 10 anos), e Collor de Melo e Fernando Henrique Cardoso no Brasil privatizam as empresas públicas, reduzem gastos sociais e abrem suas economias a investimentos externos, principalmente à especulação financeira. Em quase todos os casos, um surto de crescimento e importação é seguido por forte recessão econômica, queda da produtividade e desemprego, com empobrecimento da classe média.
A proposta de integração latino-americana é retomada no campo econômico, com a abolição gradual de barreiras alfandegárias e propostas para uniões monetárias. A Comunidade Andina de Nações (CAN) é fortalecida com a adesão de Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e Equador enquanto, no Cone Sul, forma-se o Mercado Comum do Sul (Mercosul), com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. O Chile participa como observador em ambos os grupos, mas acaba se aproveitando de relações comerciais próximas com os EUA e a Ásia.
[editar] 1999-...: Guinada à esquerda
A partir do final dos anos 1990, com as crises econômicas e sociais resultantes das experiências neoliberais (privatizações de empresas estatais, corte de gastos públicos, desregulamentação de serviços, fim de benefícios trabalhistas), os governos de direita vão perdendo popularidade e começa uma seqüência de eleições de governos populistas ou de centro-esquerda, como por exemplo:
- Hugo Chávez na Venezuela
- Néstor Kirchner na Argentina
- Lula no Brasil
- Lucio Gutiérrez e Rafael Correa no Equador
- Ricardo Lagos e Michelle Bachelet no Chile
- Evo Morales na Bolívia
- Alan García no Peru
- Tabaré Vázquez no Uruguai
- Nicanor Duarte no Paraguai
O fenômeno é chamado de "Guinada à Esquerda" da América do Sul e inclui tanto lideranças que se notabilizam pelo radicalismo no enfrentamento antielitista e antiimperialista (como o venezuelano Chávez e o boliviano Morales) quanto moderados (como o brasileiro Lula e o peruano García). A proposta, lançada pelos EUA, de uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), é contraposta pela Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA), lançada por Chávez com o apoio do cubano Fidel Castro. Na mesma época, o continente sedia cinco edições do Fórum Social Mundial, evento global que reúne lideranças de movimentos sociais, ONGs e partidos de esquerda de todo o mundo.
[editar] Subdivisões
[editar] Países e territórios
(incluindo códigos e siglas adotados pela ONU e suas capitais)
- 005 América do Sul
- 032
Argentina — Buenos Aires - 068
Bolívia — La Paz - 076
Brasil — Brasília - 152
Chile — Santiago - 170
Colômbia — Bogotá - 218
Equador — Quito - 328
Guiana — Georgetown (Antiga Guiana Inglesa,que se libertou do Reino Unido) - 254
Guiana Francesa — Caiena (Não independente: é um departamento ultramarino da França) - 239
Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul — Grytviken (Não independente: é uma dependência do Reino Unido) - 238
Ilhas Malvinas — Port Stanley (Não independente: é uma dependência do Reino Unido) - 600
Paraguai — Assunção - 604
Peru — Lima - 740
Suriname — Paramaribo - 858
Uruguai — Montevidéu - 862
Venezuela — Caracas
- 032
[editar] Regiões
O continente é subdividido ainda em regiões geográficas e políticas determinadas por aspectos de relevo, vegetação e cultura:
- Amazônia - todo o norte do Brasil, mais sul da Venezuela e Colômbia, e norte do Peru e Bolívia
- Guianas - Guiana, Suriname e Guiana Francesa
- Sul do Caribe - norte da Colômbia e da Venezuela, Trindade e Tobago
- Planalto Central - centro do Brasil
- Sertão - nordeste do Brasil
- Mata Atlântica - costa oriental do Brasil
- Pantanal - oeste do Brasil, Paraguai e Bolívia
- Região Andina - sudoeste da Colômbia, Equador inteiro, Peru, oeste da Bolívia, norte da Argentina e Chile inteiro
- Região Platina - norte da Argentina, Paraguai e Uruguai
- Cone Sul - Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e sul do Brasil
[editar] Geografia
A América do Sul ocupa uma área de 17.819.100 km, localiza-se a 60º00'00" de longitude oeste do Meridiano de Greenwich e a 20º00'00" de latitude sul da Linha do Equador e com fusos horários -6, -5, -4, -3 e -2 horas em relação a hora mundial GMT. Quatro quintos do continente ficam abaixo da Linha do Equador. No planeta Terra, o continente faz parte da continente pan-americano. É banhado pelo mar do Caribe, pelo oceano Atlântico e pelo oceano Pacífico.
[editar] Geologia e relevo
Primitivamente ligada à África, com a qual compunha o continente da Gonduana, de que também faziam parte Madagascar, península Arábica, Índia, Austrália e Antártida, a América do Sul era representada, basicamente, por três massas cristalinas, separadas por braços de mares rasos: o escudo Brasileiro, o escudo Guiano e o escudo Patagônico. O mares epicontinentais situavam-se em áreas correspondentes às atuais bacias Platina a Amazônica. Os escudos Brasileiro e Guiano apresentam traços de dobramentos antigos, pré-cambrianos e pré-devonianos, o mesmo se verificando no Cretáceo com o escudo Patagônico. O período de fortes erosões, que se seguiu à formação desses dobramentos, carreou enorme massa de sedimentos para a depressão longitudinal ocidental, o chamado geossínclineo Andino. No Cretáceo, quando parece ter-se iniciado o desligamento do bloco africano do brasileiro, começaram também os primeiros esforços tangenciais que, atuando sobre geossinclíneo Andino, dobraram as camadas sedimentares acumuladas, dando origem à cordilheira dos Andes, já no Terciário. Esses mesmos esforços tangenciais, atuando sobre os três grandes escudos, apenas conseguiram arqueá-los, como ocorreu no escudo Brasileiro, que, nas áreas de maior fraqueza da flexura, fraturou-se, produzindo falhas escalonadas que aparecem no seu rebordo atlântico e bem representadas pela serra do Mar.
Uma vez formada a cordilheira dos Andes, ocorreu quase simultaneamente a regressão dos mares que cobriam as partes mais baixas dos escudos ou entre estes e os Andes. Dessa forma, à deposição de detritos, que já se verificava antes mesmo do aparecimento dos Andes — graças aos sedimentos provenientes da erosão do planalto Brasileiro e do planalto das Guianas —, vieram juntar-se também os sedimentos de origem andina.
Com relação à bacia Amazônica, o levantamento do bloco andino barrou o escoamento das águas para oeste e, com o aumento da sedimentação, a bacia adquiriu um aspecto lagunar. A formação da drenagem e das cabeceiras principais forçou o escoamento para leste. A partir de então, a sedimentação passou a ter como fator preponderante o trabalho fluvial.
A evolução da sedimentação da bacia do Orinoco não teve seqüência muito diferente da bacia Amazônica, sendo certo sobre o cristalino predominou a sedimentação marinha.
Quanto à planície do Pampa, pois, ao que parece, a sedimentação, até o final do Mesozóico, ocorreu em ambiente marinho ou em conjunto de grandes lagunas. Mas no Terciário, com a formação dos Andes, o braço de mar que separava o escudo Patagônico do Brasileiro regrediu até que a maior parte da planura pampiana ficou sob o domínio da acumulação continental. De outro lado, no Mesozóico e Paleozóico, os sedimentos provieram das áreas cristalinas das áreas soerguidas do norte (planalto Brasileiro) ou do sul (escudo Patagônico), enquanto no Terciário a planície começou também a receber os sedimentos dos Andes.
O relevo dessa área plana, baixa e quase contínua, representada pelas planícies do Orinoco, Amazônica e do Pampa, a par de uma série de semelhanças, possui características próprias. A planície Amazônica é um imenso funil que desce suavemente em direção ao Atlântico a partir dos sopés andinos, embora os abalos da formação andina tivessem provocado fraturamentos e a abertura da fossa do Marajó, além de flexuras em sua parte ocidental, os desníveis máximos em superfície resultaram num encaixamento do rio Amazonas e seus afluentes. Na planície Amazônica, encontra-se a maior rede hidrográfica do mundo, com uma área de cerca de 7.000.000 km².
Ao norte da planície Amazônica, estendendo-se por quase 500.000 km², surge a bacia do Orinoco, que vai dos últimos rebordos dos Andes, a oeste, até o Atlântico, a leste. A planície é baixa, deprimida na sua parte central, onde alcança 40m de altitude, mais elevada para oeste, em direção aos planaltos andinos, onde chega 200m, e para leste, onde as mesas atingem de 200 a 300m. Do lado leste da planície, ao norte do Orinoco, os rios cortam mesas de arenitos, enquanto ao sul atravessam terraços de seixos rolados, que mais adiante dão lugar a areias e argilas. A planície do Orinoco é continuada para o sul através de lhanos do Beni, de Mojos, Guarayos e de Chiquitos, que constituem, em sua maior parte, meras extremidades ocidentais da planície Amazônica.
Ao sul da Bolívia, inicia-se uma região que abrange toda a metade ocidental do Paraguai e nordeste da Argentina, termo de transição entre as planícies do norte e a planície do Pampa: o Chaco, depressão afunilada, baixa (200 a 300mm), cercada a oeste pelos rebordos planaltinos dos Andes e das serras pampianas, e a leste pelos rebordos do planalto Brasileiro.
Ao sul do Chaco, estendem-se os pampas, região plana, com cerca de 200m de altitude, deprimida sua porção central, onde formaram bacias sem escoamento para o mar, como a Salado do Norte ou a do Mar Chiquita. A noroeste da província de Buenos Aires, erguem-se as serras pampianas, dobramentos paleozóicos, rejuvenescidos depois, provavelmente aos movimentos que causaram a elevação dos Andes. A serra de Famatina (cerca de 6.000m) é a mais alta desse conjunto, onde também se destacam as serras de Fiambala, Velasco, Ancasti, Córdoba, San Luis e Tandil.
Diferente é o aspecto morfológico geral da região situada a leste das referidas planícies, formando a segunda importante faixa de relevo da América do Sul. Trata-se do planalto Brasileiro e seu prolongamento para o norte, o planalto das Guianas. Este último, situado entre as planícies do Orinoco e Amazônica, estende-se pela fronteira brasileira com as Guianas e com a Venezuela, tendo como ponto culminante o pico da Neblina (3.014m). A escarpa do planalto, do lado sul, desce abruptamente até encontrar uma plataforma de cerca de 200m de altitude que faz a transição para planície Amazônica. Para o norte, em direção à planície do Orinoco, suas vertentes são mais suaves, formando mesas de 200 a 300m de altitude. Depois da interrupção produzida pela planície a área planaltina prossegue para o sul, constituindo-se no planalto Brasileiro, com cerca de 5.000.000 km², que cobre a maior parte do território brasileiro e uruguaio.
Interrompidas mais o sul pelos depósitos pampianos, as formas planaltinas reaparecem ao sul do rio Colorado (Argentina), constituindo o planalto da Patagônia, formado por um embasamento cristalino, que aflora em diversos locais, elevando-se, às vezes, até 1.000m de altitude, e por uma cobertura sedimentar que compreende terrenos mesozóicos e cenozóicos. Apesar do domínio das formações continentais, há sinais de trangressão marinha na costa, que penetrou profundamente até Neuquén, a oeste do golfo de San Jorge e na região subandina da Patagônia meridional. Os depósitos sedimentares consistem principalmente em arenitos vermelhos, cinzas, argilas e tufos, enquanto os basaltos formam as partes mais elevadas do planalto. A superfície atual parece corresponder a um peneplano, cuja formação data do fim do Plioceno. Movimentos posteriores de soergimento aprofundaram os vales na massa sedimentar. Os vales patagônicos, que em regra se caracterizam por uma topografia semi-desértica, possuem perfis longitundinais com forte inclinação, largos talvegues cercados por altas vertentes, onde os lençóis eruptivos resistentes afloram acima dos arenitos móveis, e cujos escarpamentos são desgastados pelos ventos. Como os soerguimentos pós-pliocênicos não se fizeram uniformemente, restaram áreas deprimidas, às vezes fechadas, como as dos lagos Musters e Colhué Huapi, de caráter tectônico, e as dos bajos de San Juan, Vacheta e Gualicho, todos resultantes da erosão eólica. O trabalho de aluviamento por via eólica ocasiona, no planalto, depósitos de finos grãos, e o pó acumulado nas depressões e fixado pela umidade acaba formando argila. Mas se a depressão é fechada, ou se a circulação das águas é reduzida, a argila torna-se salgada, formando os salitrais. Se no entanto, as águas subterrâneas têm seu escoamento assegurado, a argila eólica, forma o malín, cuja zona de ocorrência corresponde a áreas mais úmidas situadas nas proximidades dos Andes e nos rebordos dos maciços mais elevados. Ao sul de Santa Cruz, as argilas de blocos morâinicos completam os vales e, a partir de Gallegos, cobrem a maior parte do planalto.
O oeste da América do Sul é ocupado pela terceira grande faixa morfo-estrutural e que constitui a extensa cordilheira dos Andes, que se estende desde o norte da Venezuela até o sul do continente.
A par dessas três áreas morfo-estruturais, observa-se um grande contraste morfológico entre o litoral do Atlântico (16.000km de extensão) e o do Pacífico (9.000km).
O litoral atlântico é, em geral, baixo, de fraco declive, arenoso ou constituído de depósitos fluviais e ostenta uma larga plataforma continental. Além disso, é rico em acidentes, tais como os golfos de Darien e da Venezuela; penínsulas de Goajira e Pária (
