Amarna

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Mapa de Amarna

Amarna, El Amarna ou Tell el-Amarna é o nome actual em árabe de uma localidade que funcionou como capital do Antigo Egipto durante o reinado do faraó Aquenáton (também conhecido como Amen-hotep IV ou Amenófis IV), sendo então designada como Aquetaton ("O Horizonte de Aton"). Está situada na margem oriental do rio Nilo na província egípcia de Al Minya, a cerca de 312 quilómetros a sul da cidade do Cairo.

História[editar | editar código-fonte]

Aquenáton, faraó da XVIII Dinastia egípcia, decidiu pouco tempo depois de subir ao trono, introduzir mudanças religiosas que faziam do deus Aton a única divindade digna de receber culto. Para alguns, ele teria sido o primeiro a professar o monoteísmo, embora alguns investigadores considerem que este culto a Aton seria mais uma forma de henoteísmo. Após instituir o culto à Aton como sendo o único culto permitido em todo seu reino, Aquenáton ordenou sistemática destruição aos templos dos demais deuses egípcios, em especial Amon, já que seus sacerdotes e preceptores eram seus maiores rivais, do ponto de vista político e religioso.

O faraó decidiu fundar uma nova cidade que funcionasse como sede para o novo culto religioso, tendo escolhido uma região entre Mênfis e Tebas, duas importantes cidades do Antigo Egipto. Aquenáton declarou que tinha sido o próprio deus Aton a informar-lhe o local onde deveria ser construída a nova cidade.

Sabe-se que a cidade abarcou uma extensão de catorze quilómetros ao longo da margem do Nilo com treze quilómetros de largura. A cidade estava limitada por várias estelas (catorze) que simbolicamente limitavam o espaço da cidade sagrada.

Com a morte de Aquenáton, a cidade deixou de ser capital, sendo essa novamente Tebas.

Estrutura da cidade[editar | editar código-fonte]

Tumba de Tell el-Amarna

Amarna estava dividida em vários setores que estavam ligados por uma avenida paralela ao rio, designada nos textos como "Caminho Real". Era neste caminho que Aquenáton e Nefertiti passeavam no carro perante os seus súditos, acompanhos pela comitiva real.

O bairro norte[editar | editar código-fonte]

Esta área estava estruturada em torno de um palácio cercado por uma muralha que servia como residência do soberano, o Palácio da Margem Norte.

O bairro central[editar | editar código-fonte]

Grande Templo de Aton[editar | editar código-fonte]

O Grande Templo de Aton, orientado no sentido leste-oeste, estava cercado por uma muralha de 760m x290m. Ao contrário de outros templos egípcios, não era coberto por um telhado devido à própria natureza do deus Aton, que não habitava numa estátua situada numa sala escura do templo, mas que se manifestava através dos raios solares. A entrada principal era formada por dois pilones que conduziam a um edifício chamado Per Hai. Seguiam-se seis pátios ao ar livre, cada um com dimensões inferiores ao precedente, que formavam o Gem Aten, o lugar onde Aton morava. Este edifício tinha 365 altares quadrangulares construídos em pedra que serviam para realizar as oferendas a Aton, estando o número relacionado com o número de dias do calendário egípcio.

Cronologia das investigações[editar | editar código-fonte]

  • 1714Claude Sicard, um jesuita francês, é o primeiro a descrever uma estela fronteiriça de Amarna.
  • 1798 – O grupo de "sábios" da expedição de Napoleão ao Egipto elabora o primeiro mapa de Amarna, mais tarde publicado na Description de l'Égypte entre 1821 e 1830.
  • 1824 – Sir John Gardiner Wilkinson explora e cartografa as ruínas da cidade.
  • 1833 – O copista Robert Hay e G. Laver visitam a localidade e descobrem vários dos túmulos da região sul, gravando os baixos-relevos. As cópias dos baixos-revelos permaneceram durante muito tempo British Library sem serem por publicadas.
  • 1843 e 1845– A expedição da Prússia liderada por Karl Richard Lepsius faz o registo dos monumentos e da topografia de Amarna em duas visitas distintas num período total de doze dias. Os resultados são em publicados entre 1849 e 1913 na obra Denkmäler aus Ægypten und Æthiopien.
  • 1887 – Uma mulher de Amarna descobre acidentalmente cerca de 400 tabuinhas de barro com inscrições cuneiforme. Estas tabuinhas são hoje denominadas de "Cartas de Amarna" e eram correspondência diplomática do tempo de Aquenáton.
  • 18911892– Sir Flinders Petrie trabalha durante uma época em Amarna, num trabalho independente em relação ao Fundo de Exploração Egípcia. Petrie realizou escavações na região central da cidade, tendo investigado o Grande Templo de Aton, o Grande Palácio, a Casa do Rei, o Arquivo de Registos e casas privadas.
  • 19031908Norman de Garis Davies publica desenhos e fotografias dos túmulos privados e das estelas fronteiriças.
  • 19071914 – Liderada por Ludwig Borchardt, a Deutsche Orientgesellschaft (Sociedade Oriental Alemã) escava as regiões norte e sul da cidade. É descoberto o famoso busto de Nefertiti, agora em Berlim, entre outros objectos que pertenciam ao atelier do escultor Tutmés. O começo da Primeira Guerra Mundial em agosto 1914 põe fim às escavações alemãs.
  • 19211936 – A Sociedade Egípcia de Exploração realiza escavações em Amarna sob a direcção de T.E. Peet, Sir Leonard Woolley, Henri Frankfort e John Pendlebury. As novas investigações centram-se nos edifícios reais e religiosos.
  • 1960s – A Organização Egípcia das Antiguidades realiza um conjunto de escavações em Amarna.
  • 1977 – presente – A Sociedade Egípcia das Antiguidades regressa às escavações em Amarna, agora sob a direcção de Barry Kemp.
  • 1980 – Uma segunda exploração de duração mais curta liderada por Geoffrey Martin descreve e copia os baixos-relevos do túmulo real, tendo as descobertas sido publicadas com objectos que se julga serem oriundos do túmulo.
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