Ambulância postal

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interior de uma ambulância postal inglesa

As ambulâncias postais eram veículos ferroviários, utilizados na recolha, processamento e distribuição de correio, ao longo dos caminhos de ferro.

Caracterização[editar | editar código-fonte]

Carruagem de terceira classe com compartimento de ambulância postal, utilizada desde 1936 na rede ferroviária do Vouga, em Portugal.

Operação[editar | editar código-fonte]

Compartimento de ambulância postal, no interior da carruagem.

Em Portugal, o correio era recolhido nas estações e apeadeiros, em malas próprias das estações postais, e nas caixas de correio de última hora, existentes nas estações, e por vezes nas próprias ambulâncias; este sistema era muito utilizado pelas populações, uma vez que a correspondência era aceite até à chegada do comboio, enquanto que as repartições dos correios encerravam ao final da tarde.[1] No interior das ambulâncias postais, processava-se o correio, possuindo cada veículo carimbos próprios.[1] [2]

Utilizavam pessoal próprio, afecto aos serviços dos correios.[1]

Material circulante[editar | editar código-fonte]

Os primeiras ambulâncias postais eram 8 carruagens especiais, adquiridas em Hamburgo.[3]

Na via estreita, uma das ambulâncias postais foi um veículo construído pela Linke-Hofmann em 1928, de 4 eixos, da Série D, e que veio para Portugal como parte das compensações alemãs da Primeira Guerra Mundial.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

O transporte de correio por via ferroviária remonta a 1838, no Reino Unido, tendo os primeiros comboios correio começado em 1840.[1] Em 1844, este tipo de comboios também começou a ser utilizado em França.[1] Em 1855, entraram ao serviço, no Reino Unido, as primeiras ambulâncias postais, denominadas de Travelling post office.[1] Em 1877, este sistema também foi introduzido nos Estados Unidos da América.[1]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Introdução ao serviço[editar | editar código-fonte]

Serviços das ambulâncias postais em Portugal[3]
Ambulância Início Supressão
Leste 1866 1896
Minho 1878 1882
Beira Alta 1882
Minho I e II 1882 1972
Minho III e IV 1882 1882
Norte I e II 1882 1972
Norte III e IV 1882 1972
Douro I e II 1882
Leste I e II 1882 1972
Douro III e IV 1882 1892
Sul I e II 1882 1946
Leste III e IV 1882 1883
Oeste 1888 1973
Sul III e IV 1890 1892
Beira Baixa 1896 1972
Corgo 1910 1972
Tua 1910 1969
Alentejo 1911 1972
Vouga 1928 1972
Fafe e Sabor 1932 1972
Legenda:
I = Serviço ascendente
II = serviço descendente
III e IV = ambos asc. e desc., com dup. de ambulâncias

Antes da introdução dos caminhos de ferro em Portugal, o correio era transportado, principalmente por via rodoviária, através do sistema de mala-posta, que utilizava carruagens puxadas por cavalos, com postos de muda ao longo dos percursos; também foi utilizado o transporte fluvial, com serviços de barcos a vapor que ligavam Lisboa ao Porto, Carregado, Barreiro, Cacilhas, e Montijo.[4] O caminho de ferro teve uma grande importância no desenvolvimento dos correios em Portugal, uma vez que veio trazer uma maior facilidade de transporte, e uma redução nos custos, o que tornou este meio de comunicação mais acessível às populações.[4]

Inicialmente, era levado junto com as outras cargas, mas em 1864 foi introduzido o sistema dos comboios postais, ligando Lisboa ao Porto e a Badajoz, utilizando pessoal da Direcção de Correios de Lisboa.[1] As primeiras ambulâncias postais em Portugal entraram ao serviço em 1 de Dezembro de 1866[2] , ligando Lisboa a Madrid, após a abertura da ligação ferroviária entre as capitais ibéricas; este serviço foi, no entanto, suspenso em 12 de Dezembro de 1869, devido à falta de financiamento.[3]

Este esquema foi bem sucedido, permitindo consideráveis reduções no transporte do correio, pelo que se começou a expandir, principalmente após uma reforma, levada a cabo em 1882.[1] [3] Fora um pequeno período, nos primeiros anos, no qual esteve suspenso, este serviço encontrou-se sempre ao serviço até ao seu encerramento, em 1972.[1]

Em Maio de 1875, foram introduzidas as ambulâncias postais na Linha do Norte, e, em 1876 nos serviços para Espanha, apenas passando pela Linha do Leste.[3] Em Janeiro de 1878, começaram a servir as Linhas do Leste e do Minho, e, em Março do mesmo ano, a Linha do Sul.[3]

O transporte postal era realizado, inicialmente, em comboios correios, que paravam em quase todas as estações e apeadeiros, para recolha e entrega de correio; estes serviços também transportavam passageiros, sendo bastante populares devido aos horários tardios em que operavam, permitindo, assim, dormir durante a viagem, e aos reduzidos preços.[1] Quase todos os comboios correios possuíam ambulâncias postais.[1]

Nas antigas colónias portuguesas, o transporte de correio por via ferroviária também se revestiu de uma elevada importância.[5]

Declínio e fim dos serviços[editar | editar código-fonte]

Conforme o progresso dos outros meios de transporte, o serviço das ambulâncias postais foi sendo reduzido[3] ; a partir de 1928, começou a ser utilizado o sistema de conduções, no qual o transporte e processamento de correio passou a ser realizado em compartimentos especiais das carruagens, que também dispunham de carimbos próprios.[1] Este esquema foi aplicado, principalmente, nas linhas de menor movimento.[3] As primeiras ambulâncias postais rodoviárias começaram a ser utilizadas em 1953, e foram criadas centrais de processamento do correio, semi-automatizadas.[5]

Nas grandes estações, como as do Barreiro, Porto, Rossio, Santa Apolónia, Terreiro do Paço, foram estabelecidos departamentos dos correios, e, em 1963, instalaram-se centros repartidores de correios em vários pontos do país.[3]

Em 1972, o serviço das ambulâncias postais ferroviárias foi extinto, tendo sido substituído pelo transporte de malas fechadas[5] nos comboios Expressos Postais.[3] Estes serviços foram encerrados em 1989, tendo a última viagem sido realizada em 11 de Fevereiro de 1990, para Coimbra.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m Martins et al, 1996:51
  2. a b c d Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 74
  3. a b c d e f g h i j Martins et al, 1996:54
  4. a b Martins et al, 1996:50
  5. a b c Martins et al, 1996:53

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • MARTINS, João Paulo, BRION, Madalena, SOUSA, Miguel de, LEVY, Maurício, AMORIM, Óscar. O Caminho de Ferro Revisitado: O Caminho de Ferro em Portugal de 1856 a 1996. [S.l.]: Caminhos de Ferro Portugueses, 1996. 446 p.
  • Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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