American Life

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American Life
Busto de uma mulher olhando seriamente, voltando-se para frente. Seu cabelo é preto e reto. Ela usa uma boina preta e uma jaqueta preta semiaberta. Há duas linhas em sua sobrancelha esquerda, pintadas em vermelho. A linha superior se parece com uma arma, enquanto a linha inferior se parece com uma bazuca. Atrás dela, em seu lado superior esquerdo, podem ser vistas três linhas pretas. Nestas linhas, são vistas linhas mais finas. Ao lado destas linhas, há quatro estrelas negras. Abaixo dela, as palavras "Madonna" e "American Life", estão escritas em letras maiúsculas e de cor vermelha como o sangue.
Álbum de estúdio de Madonna
Lançamento 21 de abril de 2003 (2003-04-21)
Gravação 2001 - 2003;
Westlake Recording Studios
(Hollywood, Califórnia)
Olympic Recording Studios
(Londres, Inglaterra)
Gênero(s) Música eletrônica, pop, rock, folk
Duração 49:39
Idioma(s) Inglês
Formato(s) CD, download digital
Gravadora(s) Maverick Records, Warner Bros. Records
Produção Madonna, Mirwais Ahmadzaï, Mike "Spike" Stent
Cronologia de Madonna
Último
Último
Music
(2000)
Remixed & Revisited
(2003)
Próximo
Próximo
Singles de American Life
  1. "American Life"
    Lançamento: 21 de março de 2003 (2003-03-21)
  2. "Hollywood"
    Lançamento: 3 de julho de 2003 (2003-07-03)
  3. "Nothing Fails"
    Lançamento: 21 de novembro de 2003 (2003-11-21)
  4. "Love Profusion"
    Lançamento: 8 de dezembro de 2003 (2003-12-08)

American Life é o nono álbum de estúdio da artista musical estadunidense Madonna. O seu lançamento ocorreu em 21 de abril de 2003, através da Maverick Records e da Warner Bros. Records. Produzido inteiramente por Madonna e Mirwais Ahamdzaï (com o auxílio de Mike "Spike" Stent" em duas faixas), o disco apresenta múltiplas referências à cultura americana. É considerado um "álbum conceitual", em que seus temas mais recorrentes são o Sonho Americano e o materialismo. Estes temas rejeitam a imagem de Madonna como uma garota materialista, que foi bastante popular na década de 1980. American Life é um álbum folk com uma definição pura e elementos proeminentes da música pop. Também possui gêneros como a música eletrônica e o rock, bem como influências da música acústica em diversas faixas.

Críticos de música especializada deram revisões mistas para o álbum, dos quais prezaram a ousadia de Madonna em lançar um álbum pop numa época em que o R&B dominava a música mundial; no entanto, outros negativaram sua produção, bem como suas letras consideradas "pesadas", e foi o segundo álbum de Madonna a conter o adesivo Parental Advisory. O disco teve um desempenho exitoso, liderando tabelas musicais de catorze países, como a Alemanha, Áustria, a Bélgica, o Canadá, a França e a Itália. Nos Estados Unidos, American Life converteu-se no quinto álbum de Madonna (sendo seu segundo consecutivo estreando no topo) a liderar a tabela de álbuns Billboard 200 vendendo 241 mil cópias em sua semana de lançamento. No entanto, as vendas em sua semana seguinte reduziram em 63%. A Recording Industry Association of America (RIAA) e a British Phonographic Industry (BPI) certificaram o álbum como platina, denotando vendas de um milhão de cópias nos Estados Unidos e 300 mil cópias no Reino Unido, respectivamente. No entanto, vendeu cerca de 4 milhões de cópias mundialmente, sendo o álbum de estúdio de Madonna com menor número de vendas.

Foram lançados quatros singles de American Life. O primeiro, a faixa-título, recebeu negativação universal da crítica especializada, com a revista Blender listando-a como a décima pior canção de todos os tempos. Alcançou o número 37 na Billboard Hot 100 e qualificou-se entre as dez músicas mais executadas em diversos países. Seu vídeo musical retratou um desfile com temática militar "anti-moda"; no entanto, sua estreia foi cancelada devido à violência contida no vídeo. Foi produzido um segundo vídeo musical, que apresenta Madonna cantando na frente de todas as bandeiras do mundo. "Hollywood" foi o segundo single do álbum, e tornou-se a primeira canção de Madonna a não atingir a Billboard Hot 100 desde "Holiday". "Nothing Fails" e "Love Profusion" foram os últimos dois singles lançados de American Life, mas tiveram baixo desempenho comercial, atingindo o topo das tabelas musicais espanholas. Entretanto, os quatro singles do álbum atingiram a primeira posição do periódico genérico Hot Dance Club Play.

Para promover ainda mais o disco, a intérprete se apresentou na pequena turnê American Life Promo Tour e nos MTV Video Music Awards no ano de 2003, sendo que na última citada Madonna dividiu o palco com Britney Spears, Christina Aguilera e Missy Elliott apresentando "Like a Virgin", "Hollywood" e "Work It". Causou controvérsia por Madonna beijar Spears e Aguilera na boca, e rendeu grande especulação da mídia e da imprensa. No ano seguinte, Madonna se apresentou na turnê Re-Invention Tour, que arrecadou cerca de US$ 125.000.000 (US$ 156.070.000 em 2014) e tornou-se a turnê com maior arrecadação no ano de 2004. Foi registrada no documentário I'm Going to Tell You a Secret, cujo álbum de mesmo nome tornou-se o primeiro álbum CD/DVD ao vivo de Madonna.

Antecedentes e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

No início da década de 1990, Madonna usou uma imagem provocativa no livro Sex, no álbum sadomasoquista Erotica e no filme de terror erótico Body of Evidence, com críticos e fãs dizendo que ela tinha ido "longe demais" e que sua carreira estava "acabada".[1] Entretanto, com o lançamento do aclamado álbum Ray of Light (1998) e o sucesso crítico e comercial do filme The Next Best Thing (1999), a cantora passou a viver uma vida mais calma, introspectiva e saudável com o diretor britânico e seu então marido Guy Ritchie, junto com seus filhos Lourdes e Rocco. De acordo com o biógrafo J. Randy Taraborrelli, a chegada de Ritchie na vida da artista trouxe-a um efeito calmo, fazendo ela ter mais maturidade e temperamento.[1] Focada em sua carreira musical, a intérprete deu início à turnê Drowned World Tour (2001), que tornou-se a turnê com maior arrecadação naquele ano em território estadunidense. Em 11 de setembro do mesmo ano, dois aviões comandados por Osama Bin Laden ultrapassaram as torres do World Trade Center, causando a morte de mais de 3.000 pessoas.[2] O trágico evento causou um efeito profundo na sociedade americana; modos culturais do país foram fechados, a bolsa de valores teve grande recessão financeira e habitantes ficaram com trauma e paranoia. Pessoas, incluindo Madonna, levantaram questões sobre o Sonho Americano, que havia sido ideal para muitos há diversos anos.[3] Quando iniciou a concepção do álbum American Life, Madonna procurou respostas para suas dúvidas e uma adequada explicação para os ataques de 11 de setembro de 2001 e a consequente Guerra do Iraque.[3] Ela acreditou que os meses seguintes à guerra levaria os Estados Unidos à um ambiente politicamente carregado, e decidiu expressar isso no disco.[3]

Assim como em seu oitavo álbum de estúdio Music (2000), Madonna contou com a ajuda do DJ e produtor francês Mirwais Ahmadzaï. Sempre interessada em adaptar-se à musica com composições contemporâneas, a artista se inspirou nos novos álbuns de Massive Attack e Lemon Jelly.[4] Madonna explicou dizendo: "Nós nos preparamos para juntar os dois mundos da música acústica e eletrônica", e adicionou: "É mais um passo, mas eu nunca quis me repetir. Eu não quero me repetir ou fazer o mesmo disco duas vezes".[4] American Life foi o último álbum de estúdio de Madonna lançado sob o selo Maverick Records, marcando o fim de um contrato de onze anos com a gravadora.[5] [6] Durante uma entrevista para o canal VH1 intitulada Madonna Talks, a cantora discutiu sobre seus 20 anos na indústria musical e revelou as motivações por trás de American Life, sobre "coisas materiais" não terem importância. Ela concluiu: "Eu tenho muitas 'coisas materiais' e tive muitas crenças sobre as coisas e sobre o que é importante. Eu olhei para mim 20 anos atrás e percebi que muitas coisas que eu valorizei não tem importância".[7] Discutindo seus pensamentos sobre a concepção do álbum, a intérprete disse à revista Q que em seus 20 anos de permanência na indústria do entretenimento, ela teria uma opinião correta sobre a fama, a fortuna e seus perigos, o que seria a base do álbum.[4]

Escrita e inspiração[editar | editar código-fonte]

Madonna apresentando "Nobody Knows Me" na turnê Re-Invention Tour em 2004.

Quando Madonna começou a escrever músicas para o disco, ela se inspirou por diversas situações, como tendo aulas de guitarra e ideias; às vezes, Ahmadzaï iria enviá-la mais de uma fita demo sem a básica progressão de acordes. As faixas de American Life foram desenvolvidas desta maneira.[4] Explicando o processo de escrita do disco à revista Q, Madonna disse: "A música tem de sacudir o meu cérebro em termos líricos. Às vezes eu escrevo versos livremente. Eu tenho um diário onde eu anoto minhas ideias concebidas em jornais e livros".[4] Madonna também lembrou-se do pessimismo existente em Ahmadzaï sobre as condições da sociedade em seu redor e as longas discussões que tinham à noite, o que acaba refletindo na composição como a ansiedade que sentiram.[3] O álbum foi considerado um "álbum conceitual" com temas políticos baseados nos Estados Unidos. Madonna explicou que ela sentiu "como a América mudou ao longo dos anos e (que) muitos dos nossos valores parecem ter sido materialmente orientados superficialmente. E todos parecem estar obcecados com a fama só por causa da fama, não importa o que — (como por exemplo) vender sua alma ao Diabo, se isso for preciso. E também estamos completamente obcecados com a forma como olhamos as coisas". A cantora lembrou também que foi além destes ensaios e que estas reflexões foram colocadas nas três primeiras canções do disco, que são a faixa-título, "Hollywood" e "I'm So Stupid". [8] John Norris, da MTV, descreveu as faixas como uma trilogia e um indicador de reavaliação da vida de Madonna ao discutir coisas que ela deseja colocar atrás dela. Madonna concordou em partes, dizendo que as faixas são extensões umas das outras e que retratam o desejo de dar importância a coisas menos dignas de dinheiro, e de como ela poderia sair dessa "ilusão".[8] Madonna discutiu os temas materialistas do disco e seus encontros pessoais que levaram a composição à MTV, dizendo:

Quem é melhor para dizer estas coisas não importam de alguém que é experiente o bastante para eles? (As pessoas podem dizer) 'Como você pode dizer que não importa? Como você pode dizer que o dinheiro não traz felicidade, se você não tem muito dinheiro? Como você pode dizer que a fama e a fortuna não são uma garantia de felicidade, alegria e satisfação na sua vida?'. Você tem que ter essa experiência para saber. Porque você tem todas essas coisas; eu tive essas coisas, e eu não tinha nada, mas tinha o caos ao meu redor. Então, eu só estou compartilhando o que eu sei com o mundo. Porque eu acho que nos tornamos completamente obsessivos em sermos ricos e famosos; nossa sociedade tem ricos e famosos. E eu só quero dizer ao mundo, levar isso de mim: eu tenho todas essas coisas, e nenhuma delas me trouxeram um minuto de felicidade.[8]

O mundo glamoroso de Hollywood também é refletido na escrita do álbum, principalmente na faixa de mesmo nome. Descrevendo a música como uma metáfora, a cantora observou que "em Hollywood você pode perder sua memória e sua visão sobre o futuro. Você pode perder tudo, porque você pode perder a si mesmo".[9] O começo do álbum joga fora o que não é importante para a artista, e desse jeito, ela pôde concentrar-se no assunto principal do álbum. Assim, em contraste com as três primeiras canções do álbum, as outras músicas de American Life lidam com questões mais pessoais da cantora, como por exemplo o relacionamento com seus pais em "Mother and Father".[8] Quando a intérprete tinha seis anos, sua mãe morreu de câncer de mama, e segundo Madonna, a faixa foi "uma maneira de abandonar a tristeza e seguir a vida".[4] De acordo com a escritora Lucy O'Brien, autora de Madonna: Like an Icon, outro conceito de American Life foi "nada".[10] Isto ficou evidente nos títulos de canções como "Nobody Knows Me", o uso do "não" em "Love Profusion", bem como em "Nothing Fails".[10] O uso do tom negativo de Madonna de ser sarcástica em suposições das pessoas sobre ela enfatizam seu conhecimento do amor.[10] Entretanto, as faixas "Nothing Fails", "Intervention" e "X-Static Process" foram as peças centrais para tornar o álbum "tríptico", bem como as canções de amor feitas para Guy Ritchie, marido de Madonna na época.[4] Começando com uma faixa humilde que o produtor e músico Guy Sigsworth escreveu para sua esposa, "Nothing Fails" também possui letras da cantora Jem Archer — creditada como Jem Griffiths nos créditos do disco —, que foi convidada a colaborar com a cantora e Sigsworth nas primeiras sessões de elaboração de American Life.[11] A lista de faixas é seguida pelas faixas "Intervention" e "X-Static Process", inspiradas pelo folk de Joan Baez; ambas são reflexivas e emocionais.[12] O humor reflexivo de Madonna continua com a última música "Easy Ride", que foi inspirada pela imagem do ciclo da vida. A faixa simboliza a vida para a artista.[8]

Gravação[editar | editar código-fonte]

O álbum foi totalmente produzido por Madonna e Mirwais Ahmadzaï — com o auxílio de Mike "Spike" Stent em duas faixas —, sendo composto por ambos na maioria das faixas. Madonna e Ahmadzaï haviam colaborado no álbum antecessor à American Life, Music (2000).[13] As sessões de gravação do álbum começaram em 2001, mas foram suspensas após Madonna estrelar o filme Swept Away e a peça Up for Grabs. Ela retornou para os Olympic Recording Studios e Sarm West Studios no final de 2002, e terminou as sessões em Londres e em Los Angeles no início de 2003.[14] [15] [16] Para a instrumentação contida em algumas faixas, Ahmadzaï tocou as guitarras e Stuart Price tocou piano. Tom Hannen e Simon Changer trabalharam na assistência de engenharia em todas as sessões de gravação do disco.

"Quando as pessoas falam sobre música dance, elas falam em funk, mas isso não é o fim para mim. Tudo é sobre funk e electro, e como Kraftwerk, especialmente Man Machine, o trabalho do final da década de 1970. A mistura desse som europeu e o som negro americano criou o electro, o techno e o rap. Eu tento conectar o som europeu e o som da alma negra americana. Eu não quero me limitar".

—Mirwais Ahmadzaï falando sobre suas influências em American Life.[17]

Ao contrário de Music, Madonna chamou Ahmadzaï para trabalhar como compositor, portanto, a cantora pode se adaptar ao estilo e ao som dos produtores.[17] Ahmadzaï explicou que existia algumas influências de seu trabalho, mas a intérprete queria principalmente uma estrutura minimalista para o disco. Isto trouxe benefício para ele, pois Ahmadzaï não gostava de trabalhar com muitas pessoas em álbuns que produzia, e portanto, tornou-se uma colaboração estreita. Uma vez que a música eletrônica estava popular, Ahmadzaï sentiu que era necessário retornar às suas raízes da música urbana e estar concentrado nas composições, em vez dos aspectos técnicos de gravação e mixagem do álbum.[17] Descrevendo-o como uma composição modificada, ele disse que embora o conceito "pode parecer simples à primeira vista, até mesmo 'grosseiro'. Mas se você prestar bastante atenção, há muita tecnologia embaixo disso tudo".[17] Esta abordagem foi imperativo para American Life. Gravado em dois estúdios diferentes, utilizando a própria engrenagem de Ahmadzaï junto com os consoles de mixagem SSL do estúdio, o processo de gravação do álbum foi muitas vezes trabalhoso, mas foi escasso nos arranjos musicais das faixas.[17] Durante um entrevista para a revista Remix, Ahmadzaï falou sobre a composição das músicas e comentou que eles "tentaram produzir minimamente muitas faixas para fazer com que elas pareçam ásperas, ao contrário da produção normal do pop internacional. Queríamos fazer algo moderno e totalmente futurista, mas não muito aparente. Você tem que ser muito minimalista e escolher cada som cuidadosamente. Algumas faixas foram compostas no grande estúdio; isso pode ser muito perigoso, pois você pode perder sua perspectiva. Mas todas as direções iniciais das faixas foram feitas no estúdio da minha casa".[17]

American Life é repleto de técnicas de produção características de Ahmadzaï, como vocais e instrumentos gaguejantes, tons oscilantes de pulsos Sonar de 1950, vocais morphing compostos por grunhidos, guinchos e tratamentos que fazem as canções serem congeladas entre os ritmos.[17] Ahmadzaï esperou que o uso da gagueira se tornasse uma raiva no futuro mundo da gravação. Ele acreditou que as pessoas pensavam que não é natural pular e gaguejar a música; contudo, isto é usado para criar um novo ritmo. Com a ajuda de Pro Tools, Ahmadzaï congelou o áudio em pontos que ele queria mudar o ritmo das faixas.[17] Madonna falou sobre a gravação da faixa-título afirmando que Ahmadzaï a encorajou a fazer rimas espontaneamente sobre os objetos materialistas que ela estava usando e fazendo.[8] Eles tinham uma ruptura instrumental em "American Life", onde Ahmadzaï incentivou Madonna a adicionar rimas sobre sua vida cotidiana. Madonna acrescentou: "Porque eu sempre estava bebendo café com leite de soja, e enquanto dirigia meu Mini Cooper até o estúdio, pensava tipo 'OK. Me deixe falar sobre as coisas de que eu gosto'. Então, eu fui e improvisei totalmente e, era meio desleixada no começo, mas eu liberei todos os meus pensamentos, escrevi meus pensamentos na música e depois aperfeiçoei o tempo dela. Então, foi totalmente espontâneo".[8]

Ahmadzaï inicialmente utlizou o sintetizador Nord Lead, mas o substituiu após enfrentar problemas com ele.

Para "Hollywood", Ahmadzaï usou um kit de tambores e percussões a partir de sons do emulador E-mu; tambores extras também foram adicionados para dar um estilo musical de discotecas antigas.[17] Querendo ter um som alto de um baixo de sintetizador, Ahmadzaï utilizou o sintetizador Nord Lead, que possuía diversos jeitos de filtragem. Entretanto, Ahmadzaï enfrentou problemas com o sintetizador, e teve de terminar a canção com um mixer Yamaha O2R.[17] Ele não queria que o resultado final de "Hollywood" soasse como uma música feita para as discotecas, e teve que gravar os vocais da cantora utilizando um efeito compressor em seus fones de ouvido.[17] Foram utilizadas duas máquinas para a edição vocal de "Hollywood". Madonna preferiu utilizar o plug in do Auto-Tune Antares, enquanto Ahmadzaï preferiu usar um Pitch Shifter AMS.[17] Madonna preferiu usar Auto-Tune porque queria que "Hollywood" soasse como uma música dançante, embora Ahmadzaï fosse contra.[17] A faixa "I'm So Stupid" teve vocais suaves. O canto de Madonna foi congelado através de um Roland VP-9000. Na parte em que ela grita "Aaaaaahhhhhh", os vocais e o processo de congelamento soam naturalmente; contudo, não foram gravados desta maneira.[17] Quando Ahmadzaï adicionou as batidas à canção, ele experimentou a programação dos tambores em Logic Pro e mudou as batidas. Ele combinou diferentes amostras de faixas que ele havia produzido anteriormente, e continuou tentando até que algo novo fosse desenvolvido.[17] A mixagem de todas as faixas do disco foi feita por Mike "Spike" Stent nos Westlake Recording Studios em Hollywood, Califórnia, enquanto Tim Young fez a masterização das faixas nos Metropolis Studios em Londres.[15] Michel Colombier fez o arranjos de cordas, enquanto Geoff Foster foi o engenheiro de cordas nos AIR Studios.[15]

Composição[editar | editar código-fonte]

"(A canção) 'Mother and Father" é (como) uma maneira de me libertar da dor causada pela morte da minha mãe, mas sem me colocar em uma medalha para encontrar o meu caminho na vida sem sequer pedir a compaixão, apenas porque eu passei por um momento difícil. Não usando (a canção) como (uma forma de) desculpa, (mas) como (...): 'Eu sou rebelde porque eu tinha sofrido um tempo difícil quando eu era uma criança'. Todas essas desculpas são um lixo, porque no final você tem que ser responsável por suas próprias ações".

—Madonna falando sobre a inspiração de "Mother and Father".[9]

Sal Cinquemani, da revista Slant Magazine, analisou que "Madonna não poderia ter a intenção de fazer um álbum pop. American Life é um álbum folk na mais pura definição do termo e que (se) reflete mesmo no título".[18] Greg Kot, periodista do Chicago Tribune, chamou o disco de um "álbum electro-folk", com batidas eletrônicas e arrotos sintéticos.[19] A faixa-título é a canção que abre o álbum. Iniciando-se com questões propostas por Madonna nas linhas "Deveria mudar o meu nome? / Isto vai me levar a algum lugar? / Deveria perder peso? / Eu vou seu uma estrela?",[nota 1] as letras seguem-se com uma "reclamação sobre o dia-a-dia moderno", segundo Rikky Rooksby, autor de The Complete Guide to the Music of Madonna.[20] A letra acompanha a "figura sintetizada por uma oitava gorducha", que é sincronizada com batidas de tambores e baixos. Após três minutos, Madonna adiciona um conjunto de rimas improvisadas falando sobre os profissionais que trabalhavam para ela.[20] "Hollywood", segundo single do álbum, é a faixa seguinte. A música se inicia com cantos de pássaros antes de ser introduzida uma sequência de quatro acordes de guitarra acústica, cuja interpolação tem sido comparada a canções do grupo Red Hot Chili Peppers.[21] A música continua com a adição de baterias, sons eletrônicos e sintetizadores, até que depois de um minuto, estes sons são trocados pela voz de Madonna e da guitarra acústica. Nesta parte, a cantora diz "Todo mundo vem para Hollywood / As pessoas querem fazer sucesso por aqui / Eles gostam do cheiro de Hollywood / Como poderia magoar alguém, se é tão bonita?".[nota 2] [21] Tal como na faixa anterior, uma das sequências finais de "Hollywood" apresenta Madonna cantando "Aperte o botão, não aperte o botão / Troque de estação, mude de canal".[nota 3] Liricamente, esta faixa discute a cultura americana em que o foco principal é o bairro de Hollywood, na Califórnia, que é retratado como um local de pessoas famosas e de sonhos.[21]

"I'm So Stupid" é a terceira faixa do álbum. Apresenta uma introdução com uma guitarra elétrica de dois acordes que leva a uma batida menor de tambores, com a guitarra mudando para três acordes. A composição é geralmente pequena;[21] entretanto, no minuto 2:15, diferentes sintetizadores agudos se alteram loucamente, e no final, os sintetizadores se tornam menos proeminentes e a guitarra torna-se novamente o instrumento principal.[21] Liricamente, a canção retrata a desilusão de Madonna em linhas como "Costumo viver em um sonho vazio"[nota 4] e "Foi apenas ganância";[nota 5] Madonna também diz que era "Mais estúpida do que estúpida"[nota 6] antes de afirmar que "Todo mundo é estúpido"[nota 7] no final da faixa. Quarto single do álbum, "Love Profusion" é a quarta faixa do disco. A música se inicia com a introdução de uma guitarra acústica, com um ritmo produzido por bumbos, cordas e sintetizadores sendo posteriormente adicionados.[22] Vocalmente, a linha "Eu tenho você debaixo da minha pele"[nota 8] é repetida diversas vezes, enquanto uma voz masculina é utilizada como um vocal de apoio, com as palavras finais "sinto bem"[nota 9] são interpretadas sem o apoio instrumental.[22] Em termos musicais, um tema recorrente em American Life é a introdução de violão nas canções, que é destaque mais uma vez destaque na sexta faixa do disco, "Nothing Fails".[22] A guitarra é acompanhada por uma seção de tambores "iluminados" e a voz de Madonna com baixa frequência. A canção também possui um violoncelo na primeira parte, e um coral de igreja na segunda parte.[22] Liricamente, a canção fala sobre um amante que é o único, e como o encontro não foi apenas sorte. A referência à "árvore da vida" é feita durante a linha em que Madonna afirma "Eu não sou religiosa",[nota 10] mas ela deseja rezar.[22]

Violões apresentam a sétima faixa, "Intervention". Ela começa com uma pequena sequencia de três acordes, que mudam para quatro acordes durante a seção de coro, ao passo que uma seção de baixo se inicia no final da canção.[22] Liricamente, a canção é otimista e fala sobre como um relacionamento vai durar, com Madonna dizendo que "A estrada parece solitária, mas isso é apenas um jogo de Satanás".[nota 11] [22] A oitava faixa do disco é "X-Static Process". Ela se inicia com guitarras acústicas e ao longo da canção existem linhas harmônicas de vocais, além de uma parte com órgão.[23] Liricamente, tal como a faixa-título, ele questiona a vida moderna, com Madonna cantando "Jesus Cristo, você vai olhar para mim, não sei quem eu deveria ser".[nota 12] [23] "Mother and Father" é a nona faixa do álbum, e conta com um tambor e um ritmo baixo emparelhado, com uma guitarra elétrica estando presente no instrumental.[23] Liricamente, a canção reflete a infância de Madonna, incluindo a morte de sua mãe e sua relação posterior com seu pai, bem como os efeitos sobre o relacionamento deles; a faixa foi comparada com "Oh Father", que trata do mesmo assunto.[23] A décima faixa é "Die Another Day", música-tema do filme homônimo. Apresenta cordas e sintetizadores em toda a sua composição. A décima primeira faixa e a última do álbum é "Easy Ride", uma canção orientada por cordas. Liricamente, aborda os sentimentos de Madonna sobre a velhice, querendo viver para sempre, e fechando o círculo em um ponto de sua vida onde ela poderia estar confortável.[23]

Arte da capa e lançamento[editar | editar código-fonte]

Em 2003, Madonna sugeriu que ela estava em um estado de espírito revolucionário, o que levou a discussões jornalísticas que ela teria outra reforma em sua imagem artística.[24] Enquanto ainda estava se recuperando do fracasso comercial do filme Swept Away, Madonna mudou a sua imagem completamente para se parecer com a de um lutador, inspirando-se por fotos do líder guerrilheiro argentino Che Guevara.[24] A equipe francesa de design M/M Paris (Michael Amzalag e Mathias Augustyniak) foi responsável ​​pela capa de American Life. A dupla é conhecida por suas colaborações com músicos, e Madonna contratou a dupla depois de discutir o conceito com ambos por apenas seis minutos.[25] [26] A sessão de fotos para o álbum foi feita pelo artista Craig McDean em janeiro de 2003 em Los Angeles, e custaram cerca de US$ $ 415.000.[27] McDean já havia trabalhado com Madonna na capa da edição de outubro de 2002 da revista Vanity Fair; esta foto também tinha um tema militar, com Madonna posando em panos escuros de cor verde e preto, além de botas de combate e armas.[27]

O líder guerrilheiro argentino Che Guevara é considerado a principal inspiração para a capa do disco. A famosa imagem de Guerrilheiro Heroico de Guevara (imagem) foi ressuscitada na capa do álbum.

Assim como na contracapa do álbum Like a Prayer (1989), o cabelo de Madonna foi tingido de castanho escuro para significar "seriedade", e na capa do álbum, Madonna usa uma boina enquanto ressuscita a famosa imagem de Guerrilheiro Heroico de Guevara.[27] Em uma entrevista à revista Veja, ela disse: "Isso vale para o álbum todo: no atual momento, eu me sinto num estado mental revolucionário", e descreveu Guevara como "um ícone instantaneamente identificado com um espírito de revolucionário".[28] Em seu livro Madonna's Drowned Worlds: New Approaches to Her Subcultural Transformations, Santiago Fouz-Hernández escreveu que a inclusão de Guevara como uma inspiração para a capa foi um dos muitos exemplos em que Madonna incorpora a identidade latino-americano, bem como a subcultura latina em seu trabalho.[29] Por causa do tema paramilitar, seu cabelo tingindo e sua composição artística, Madonna foi comparada com uma foto infame da herdeira jornalística de setenta anos, Patty Hearst.[30] A capa também apresenta um estilo militar estampado em suas letras. A palavra "American Life" é escrita na cor vermelha — como a cor do sangue — e tem um estilo punk-rock.[27] [31] Dentro do encarte do CD, Madonna carrega uma metralhadora Uzi, e ela faz várias poses de artes marciais, soletrando seu nome.[27] No final de 2003, ela tinha dizimado a imagem militar por completo, e seguiu com outra imagem sutil e de tom baixo, como a de um escritor ou de filantropo.[24]

Em uma entrevista com Larry King feita em 10 de outubro de 2002, Madonna disse que queria dar ao álbum um nome hebraico. Ela considerou Ein Sof, que significa infinito, como um possível título para o álbum.[14] [32] Entretanto, como o passar dos meses, o tema do álbum não falava sobre meditação, mas sobre a dificuldade de levar uma vida espiritual na indústria glamorosa; com isto, o título foi mudado para Hollywood, e Madonna disse que era "um reflexo do meu estado espiritual e uma visão do mundo atualmente". Mesmo assim, ela não ficou satisfeita com o nome, e decidiu intitular o disco de American Life.[33]

American Life é o segundo álbum de Madonna a conter um selo Parental Advisory depois de Erotica (1992), devido a palavrões usados ​​na faixa-título.[18] O álbum foi lançado nos Estados Unidos em 22 de abril de 2003, e oito meses depois, a Warner Music France lançou um box set contendo o álbum e a compilação de remixes Remixed & Revisited em uma caixa de papelão lançada apenas na França, intitulada Édition Spéciale 2CDs: American Life + Remixed & Revisited.[34] [35] Para combater os downloads ilegais das músicas do álbum, tanto antes quanto depois do lançamento do álbum, os associados de Madonna criaram uma série de arquivos de MP3 falsos com duração e memória similar. Alguns desses arquivos continham uma breve mensagem de Madonna dizendo "Que diabos você pensa que está fazendo?", seguida por minutos de silêncio.[36] No entanto, a página de Madonna foi invadida pouco antes do lançamento de American Life, e o invasor adicionou uma mensagem que apareceu na página principal, dizendo "É isto que penso que eu estou fazendo", seguida por links não-oficiais para baixar cada uma das canções do álbum.[36] [37] A página foi fechada por cerca de 15 horas após a invasão.[37] Liz Rosenberg, assessora de Madonna, disse ao The Smoking Gun que a desfiguração era na verdade um truque, e não uma jogada de publicidade. A desfiguração estava ligada a Phrack, uma revista on-line de invasores cujos representantes esclareceram que eles não "têm (qualquer) ligação com esses (invasores) de qualquer maneira, e nós nem sequer sabemos a sua identidade".[36] A página, então invadida, também continha uma referência depreciativa para a Digital Millennium Copyright Act (DMCA), lei federal estadunidense que visa reprimir a pirataria digital e on-line. Além disso, a página invadida incluiu uma falsa proposta de casamento para Morgan Webb, apresentador de um programa diário de tecnologia, chamado The Screen Savers.[36]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Crítica profissional[editar | editar código-fonte]

Críticas profissionais
Pontuações agregadas
Fonte Avaliação
Metacritic (60/100)[38]
Avaliações da crítica
Fonte Avaliação
Allmusic 2.5 de 5 estrelas.Star full.svgStar half.svgStar empty.svgStar empty.svg[39]
Billboard (favorável)[34]
Entertainment Weekly (B-)[40]
NME (7/10)[41]
Robert Christgau (mista)[42]
Rolling Stone 3 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svg[43]
Slant Magazine 3.5 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar half.svgStar empty.svg[18]
Spin (B-)[44]
Stylus Magazine (F)[45]
The Guardian 3 de 5 estrelas.Star full.svgStar full.svgStar empty.svgStar empty.svg[46]

O portal Metacritic, com base em dezessete resenhas recolhidas, concedeu ao American Life uma média de sessenta pontos de uma escala que vai até cem, indicando "avaliações mistas ou positivas".[38] Michael Paoletta, avaliador da revista Billboard, observou as diferenças líricas de álbuns anteriores de Madonna, como Ray of Light, e resenhou positivamente American Life, dizendo que "American Life confia menos na introspecção espiritual e mais no confronto da 'mulher-no-espelho".[34] Ken Tucker, da revista Entertainment Weekly, deu ao álbum uma nota de B- e disse que em seu melhor ponto, "o álbum oferece músicas francas, questionador e decisivas, mas o ponto mais fraco no álbum é que Madonna soa como uma garota cujos conteúdos cresceram com seu marido e (seus) filhos, bem como a capacidade de contratar ajuda para fazer seu lance".[40] Dimitri Ebrlich, da revista Vibe, deu uma crítica positiva para o disco e analisou que Madonna 'ficou encenada' no álbum, e concluiu dizendo que "esta pode ser a primeira vez em que Madonna não se empurrou para explorar novos caminhos, mas pelo menos (ela) escolheu um bom lugar para descansar".[47] Sal Cinquemani, da revista Slant Magazine, atribuiu ao disco três estrelas e meia de cinco permitidas e deu uma revisão mista ao projeto, afirmando que American Life não é uma "obra-prima" em comparação com seu álbum de estúdio de 1992, Erotica. Cinquemani opinou que "(o disco) é frequentemente autoindulgente, equivocado, desagradável, difícil de ouvir, bobo e sem graça, mas também é consistente, firme e sem remorso", e terminou deduzindo que o disco representava "a última vez em que Madonna fez música sem o objetivo principal de tornar um sucesso".[48] Em um comentário anterior, Cinquemani disse que "depois de anos entre os subgêneros e finalmente encontrou um nicho confortável em eletrônica, agora mostrando a promessa como uma cantora folk-rock, e a única coisa que falta (na carreira de Madonna) é criar um álbum inteiramente composto por música rock.[18]

Ben Ratliff, da revista Rolling Stone, concedeu ao álbum uma escala de três e estrelas e meia de um total de cinco e resumiu que "as mensagens do álbum são sisudas", mas elogiou Madonna por falar sobre a situação então atual da nação estadunidense.[43] Johny Davis, da revista NME, deu ao álbum uma avaliação de sete pontos de uma escala que vai até dez, dizendo que, tecnicamente, "o álbum soa bem, mas no geral, parece uma sequela desnecessária dos esforços anteriores de Madonna, como Ray of Light e Music".[41] Stephen Thomas Erlewine, crítico musical do portal Allmusic, concedeu ao disco duas estrelas e meia de cinco permitidas e declarou que "American Life é melhor para prometer o que oferece, e é melhor na teoria do que na prática".[39] Kelefa Sanneh, da revista Blender, atribuiu ao álbum três estrelas de uma escala de cinco, e disse que "(o álbum) é desarticulado como Music e muito mais severo. (...) Sem uma história antiga e convincente, suas músicas parecem (ser) diminuídas".[49] Dorian Lynskey, da revista Q, classificou American Life com três estrelas de um total de cinco, dizendo que "'Nothing Fails', a peça central do álbum, é tão boa como a desmancha-prazeres 'Live to Tell'. (...) (mas) não é de se admirar que um disco sobre sentimentos confusos acaba soando confuso".[50]

Jon Pareles, periodista do jornal The New York Times sentiu que Madonna tentou ser honesta com o conceito do Sonho americano no álbum, mas acabou produzindo canções semelhante ao "folk psicologicamente balbuciante" de compositores como Jewel[31] James Hannaham, da revista Spin, comparou os temas introspectivos do álbum com os álbuns anteriores de Madonna, como Ray of Light e Music e também observou que "Madonna passa boa parte de American Life lamentando o vazio da cultura das celebridades".[44] Alexis Petridis, do jornal The Guardian, respondeu bem à partes do disco, resenhando que "as melhores faixas de American Life fazem uma paródia de praticamente todos os outros (artistas) da música pop atual; contudo, Petridis concluiu a avaliação dizendo que a o disco não havia boas canções que eram suficientemente boas.[46] Jessica Winter, do The Village Voice, chamou a voz de Madonna de "redundante" e comentou que "ela ironiza o 'sonho americano' só para conquistar passos em seu marido inglês e articular uma frustração vaga e ainda ardente com sua estação escandalosamente privilegiada no mundo".[51] Ed Howard, da revista Stylus Magazine, deu ao álbum uma revisão negativa, dizendo que o álbum é "sobre Madonna" ao invés da cultura americana, explicando que "Madonna, surpreendentemente, pode simplesmente ficar sem ter o que dizer".[45] Ian Young, da BBC, também deu uma crítica negativa ao disco, dizendo que "as músicas são brandas e fracas, a letras são sem inspiração e auto-absorvidas e tem o apoio de música semi-Ibiza, que é nua e reciclada, e estamos convencidos de que ela perdeu".[52]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Em 2004, American Life foi nomeado na 46ª cerimônia dos Grammy Awards nas categorias Best Short Form Music Video e Best Dance Recording, ambas para "Die Another Day".[53] A faixa também foi nomeada na categoria Best Video from a Filme nos MTV Video Music Awards de 2003.[54] Nos Hungarian Music Awards de 2004 e 2005, o álbum foi indicado duas vezes nas categorias de "International Album Pop of the Year", mas não conquistou nenhuma condecoração.[55] [56] O álbum também foi nomeada em uma categoria similar nos NRJ Music Awards de 2004.[57]

Singles[editar | editar código-fonte]

Die Another Day[editar | editar código-fonte]

Antes do lançamento da faixa homônima como o primeiro single, "Die Another Day" serviu como o primeiro single do filme de mesmo nome. O tema estreou nas rádios estadunidenses em 9 de outubro de 2002, um dia depois do previsto após ser publicada ilegalmente na Internet.[58] Mais tarde, foram lançados dois discos de vinil contendo cinco remixes da faixa; um CD single também foi comercializado, contendo um remix adicional.[59] [60] [61] Seu vídeo musical foi dirigido pela equipe sueca Traktor e apresenta a intérprete como uma prisioneira numa câmara de tortura. Paralelamente, suas personalidades do bem e do mal lutam esgrima. Conforme a luta se torna mais agressiva, Madonna é mais executada pelos soldados. No final, a personalidade do mal morre com uma flecha e a cantora escapa da execução, fazendo uma metáfora de que o bem sempre vence o mal. Tornou-se o terceiro vídeo musical mais caro de todos os tempos, atrás de "Scream/Childhood", dueto de Michael Jackson e Janet Jackson; e "Judas", de Lady Gaga.[62] Obteve êxito comercial, classificando-se entre as dez obras mais executadas na Alemanha, na Austrália, na Áustria, na Bélgica, na Dinamarca, na Finlândia, na Irlanda e no Reino Unido; enquanto liderou as tabelas do Canadá, da Espanha, da Itália e da Romênia.[63] [64] Nos Estados Unidos, converteu-se no êxito de atingir a oitava colocação da Billboard Hot 100, liderando simultaneamente a tabela genérica Hot Dance Club Play.[65]

Oficiais[editar | editar código-fonte]

A faixa-título foi lançada como o primeiro single de American Life em 8 de abril de 2003. Foi recebida com negativação universal pelos críticos contemporâneos; com isto, a revista Blender nomeou "American Life" como a décima pior canção de todos os tempos.[66] Foram filmados dois vídeos musicais correspondentes a "American Life", ambos dirigidos por Jonas Åkerlund.[67] O primeiro apresenta um desfile "anti-moda" com temática militar; a cantora o invade junto com suas companheiras dentro de um Mini Cooper, e atira uma granada de mão no então presidente George W. Bush, interpretado por um sósia. Entretanto, a estreia do vídeo foi interrompida devido a Guerra do Iraque, que aconteceu na época da estreia do vídeo musical.[68] Foi substituído por uma segunda versão, que apresenta Madonna interpretando a faixa na frente de todas as bandeiras do mundo.[69] Obteve sucesso comercial, classificando-se entre as dez músicas mais executadas na Alemanha, na Áustria, na Austrália, na Bélgica (região Flandres), na Espanha, na Finlândia, na França e na Irlanda, enquanto atingiu o topo das tabelas canadenses, dinamarquesas, italianas, japonesas e suíças.[63] [70] Nos Estados Unidos, converteu-se no êxito de atingir a 37ª posição na Billboard Hot 100, enquanto liderou a tabela Hot Dance Club Play.[65]

"Hollywood" serviu como o terceiro single do disco em 3 de julho de 2003 nas nações europeias, estreando nas rádios estadunidenses cinco dias depois. Seu vídeo musical foi dirigido por Jean-Baptiste Mondino e apresenta Madonna destacando os lados bons e ruins de Hollywood; estas cenas apresentam locais como um salão de dança, um quarto de um motel, uma sala de cirurgia plástica e uma sala de massagem. Após seu lançamento, Samuel Bourdin, filho do pintor Guy Bourdin, entrou com uma ação judicial com a causa de que Madonna copiou dez pinturas de seu pai, principalmente a que Madonna está sentada em cima de uma televisão.[71] Obteve sucesso comercial, listando-se entre as dez faixas mais executadas no Canadá, na Espanha, na Itália e no Reino Unido.[63] [72] Nos Estados Unidos, tornou-se a primeira música de Madonna a não entrar na Billboard Hot 100 desde "Holiday" (1983), ao passo que liderou a compilação genérica Hot Dance Club Play.[65]

"Nothing Fails" foi lançada como o terceiro foco de promoção de American Life em 26 de outubro de 2003. Em 8 de novembro seguinte, foi lançado um disco de vinil para as rádios contendo oito remixes da faixa.[73] Simultaneamente, foi editado um CD single contendo a mesma quantidade de remixes.[74] Ao contrário do que havia sido noticiado por repórteres, "Nothing Fails" não teve um vídeo musical.[75] Comercialmente, qualificou-se entre as dez canções mais executadas na Austrália, na Bélgica (região Flandres), Canadá e Itália, liderando as tabelas espanholas.[63] [76] Nos Estados Unidos, tornou-se o segundo single consecutivo do disco a não entrar na Billboard Hot 100; contudo, atingiu a liderança da tabela Hot Dance Club Play.[65]

"Love Profusion" foi lançada como o quarto e último single do álbum em 8 de dezembro de 2003. Posteriormente, foi editado um disco de vinil contendo sete remixes da obra.[77] Seu vídeo musical foi dirigido por Luc Besson e estreou em 11 de fevereiro de 2004 no AOL's Fisrt View. Apresenta Madonna caminhando numa rua, cuja cena é intercalada com a cantora caminhando na areia e na água ao redor de flores e peixes. No final do vídeo, ela é coberta por "fadinhas".[69] Teve um desempenho similar à sua antecessora, classificando-se entre as dez músicas mais executadas no Canadá e na Itália, liderando a tabela musical da Espanha.[63] [78] Tal como suas antecessoras, não entrou na Billboard Hot 100. No entanto, sua versão remixada por Thunderpuss liderou a tabela genérica Hot Dance Club Play.[65]

Promocionais[editar | editar código-fonte]

"Nobody Knows Me" foi lançada como forma promocional nos Estados Unidos em 15 de outubro de 2003. Mais tarde, foram divulgados um maxi single e um disco de vinil com remixes da obra.[79] [80] Apesar de não ter sido lançada na Austrália, atingiu a 49ª posição na tabela ARIA Club Tracks.[81] Por ter sido lançada como single promocional, não entrou na Billboard Hot 100. Entretanto, conseguiu a quarta posição como melhor na tabela Hot Dance Club Play,[63] e juntamente com "Nothing Fails", liderou a tabela Hot Dance Singles Sales.[82]

Divulgação[editar | editar código-fonte]

Madonna apresentando a faixa-título na turnê Re-Invention Tour (2004).

Após o lançamento do álbum, Madonna iniciou uma pequena turnê, chamada American Life Promo Tour. Uma destas apresentações, feita nos estúdios do extinto programa televisivo Total Request Live em Nova Iorque, foi transmitida na MTV sob o nome Madonna on Stage & On the Record. No show, apresentado por Carson Daly, a cantora apresentou sucessos antigos faixas do álbum e respondeu perguntas da plateia.[83] [84] A artista também se apresentou na loja HMV em Oxford, em um espetáculo restrito para 500 pessoas.[85] Outra apresentação foi feita na Tower's Fourth Street em Manhattan para cerca de 400 pessoas.[86] Foi construído um palco que contava com longas cortinas escuras e alto-falantes. De acordo com a Billboard, cerca de mil fãs puderam ver o show de perto.[86] Em 27 de agosto de 2003, Madonna abriu a vigésima edição dos MTV Video Music Awards apresentando uma mistura de "Like a Virgin" e "Hollywood" com Britney Spears e Christina Aguilera; a apresentação contou com a participação da rapper Missy Elliott, que apresentou "Work It".[87] Homenageando a apresentação de "Like a Virgin" feita por Madonna na primeira edição da cerimônia, Spears apareceu em um bolo de casamento gigante e cantou os primeiros versos da faixa. Aguilera apareceu atrás da estrutura e interpretou o refrão da canção junto com Spears. Depois, Madonna apareceu de dentro do bolo e apresentou "Hollywood". No meio da interpretação, Madonna beijou Spears e Aguilera na boca. Após isso, Elliot cantou "Work It". Esta apresentação é considerada a melhor apresentação da história dos MTV Video Music Awards, bem como um dos momentos mais infames da história da MTV.[87] No mesmo ano, Madonna havia planejado em lançar uma caixa comemorativa em seus 20 anos de carreira, bem como 20 anos do lançamento de seu álbum homônimo.[88] [89] Entretanto, isto foi cancelado e a cantora lançou um álbum de remixes, intitulado Remixed & Revisited. A compilação apresenta quatro faixas de American Life remixadas, a apresentação dos MTV Video Music Awards de 2003 em áudio, uma mistura de "Hollywood" e "Into the Groove", intitulada "Into the Hollywood Groove", que conta com a participação de Missy Elliott, e ainda uma faixa inédita, "Your Honesty", descartada do sexto álbum de estúdio de Madonna, Bedtime Stories (1994).[90] Ainda no mesmo ano, Madonna colaborou com o fotógrafo Steven Klein em um projeto de instalação de arte, chamado X-STaTIC PRo=CeSS. A instalação retratou Madonna em diferentes locais e aspectos, como a profeta de yoga, a rainha do surto e uma dançarina de pole dance.[91] Foi um sucesso mundial, o que levou a ter exposições em Nova Iorque, Londres, Paris, Düssseldorf, Berlim e Florença.[92]

Re-Invention Tour[editar | editar código-fonte]

Depois que as exposições do projeto X-STaTIC PRo=Cess terminaram, Madonna se inspirou nas imagens do projeto e decidiu incorporá-las em sua próxima turnê até então não planejada, e pediu para Klein ajuda-la. Ela começou a desenvolver sua sexta turnê, chamada Re-Invention Tour. O pôster promocional da turnê consistiu em uma das imagem do projeto artístico. A turnê apresentou Madonna em vestidos típicos do século XVII.[92] O tema central da turnê foi a unidade contra a violência. Foi dividida nos segmentos French Baroque-Marie Antionette Revival, Military-Army, Circus-Cabaret, Acoustic e Scottish-Tribal. O projeto X-STaTIC PRo=Cess serviu como o primeiro vídeo interlúdio dos shows da turnê, e foi misturado com a faixa "The Beast Within". Durante os Q Awards, Elton John alegou que a cantora estava utilizando playback nos espetáculos, o que gerou controvérsia; contudo, a assessoria de imprensa da intérprete negou tais alegações.[93] A turnê recebeu aclamação universal da mídia especializada, a qual prezou os figurinos usados por Madonna nos shows.[94] Embora a turnê Musicology 2004ever tenha sido inicialmente planejada para ser a turnê com maior arrecadação no ano de 2004, a Billboard anunciou que a Re-Invention Tour teve 55 dos 56 shows esgotados, com cerca de 896.787 dos 904.512 ingressos vendidos (resultando em 99% de público), arrecadando US$ 125.000.000 — US$ 156.070.000 em 2014.[95] Com isto, tornou-se a turnê com maior arrecadação do ano. Durante os Billboard Touring Awards de 2004, a Re-Invention Tour ganhou o prêmio de Top Tour, enquanto o gerente da turnê Caresse Harry venceu o prêmio de Top Manager.[96] [97]

Um documentário, intitulado I'm Going to Tell You a Secret, foi lançado em 21 de outubro de 2005 na MTV.[98] Apresenta os bastidores da turnê e imagens de alguns shows da mesma.[99] Foi lançado um CD+DVD de mesmo nome em 20 de junho de 20006. Tornou-se o primeiro álbum ao vivo lançado por Madonna. O CD consiste em 14 faixas de uma apresentação da turnê feita em Paris, enquanto o DVD consiste no documentário, bem como cenas deletadas do documentário exibido nos cinemas e na televisão.[99] Recebeu revisões positivas da crítica especializada, que elogiou a boa filmagem do documentário, bem como suas cenas nos palcos;[100] consequentemente, o documentário foi nomeado na categoria Best Long Form Music Video durante a 49ª cerimônia dos Grammy Awards, realizada em 2007.[101] Obteve êxito comercial, alinhando-se entre os vinte álbuns mais comprados na Alemanha, na Bélgica, no Canadá, na França e na Suíça; enquanto que liderou as tabelas musicais na Espanha e na Itália. O DVD do documentário alcançou o topo das tabelas das duas últimas regiões citadas, bem como na Austrália, nos Estados Unidos, na Finlândia e em outras duas nações.[102] Posteriormente, foi certificado como ouro na Alemanha, no Brasil e no Reino Unido, denotando vendas de vinte e cinco mil cópias na Alemanha e no Reino Unido.[103] [104] Além de trinta mil exemplares exportados no Brasil.[105]

Lista de faixas[editar | editar código-fonte]

Todas as canções produzidas por Madonna e Mirwais Ahmadzaï, exceto "I'm So Stupid" e "Nothing Fails", que contam com a produção adicional de Mark "Spike" Stent.

American Life
N.º Título Compositor(es) Duração
1. "American Life"   Madonna, Mirwais Ahmadzaï 4:58
2. "Hollywood"   Madonna, Ahmadzaï 4:24
3. "I'm So Stupid"   Madonna, Ahmadzaï 4:09
4. "Love Profusion"   Madonna, Ahmadzaï 3:38
5. "Nobody Knows Me"   Madonna, Ahmadzaï 4:39
6. "Nothing Fails"   Madonna, Guy Sigsworth, Jem Griffiths 4:49
7. "Intervention"   Madonna, Ahmadzaï 4:54
8. "X-Static Process"   Madonna, Stuart Price 3:50
9. "Mother and Father"   Madonna, Ahmadzaï 4:33
10. "Die Another Day"   Madonna, Ahmadzaï 4:38
11. "Easy Ride"   Madonna, Monte Pittman 5:05
Duração total:
49:39

Créditos[editar | editar código-fonte]

Lista-se abaixo os profissionais envolvidos na elaboração de American Life, de acordo com o encarte do disco:[15]

Desempenho nas tabelas musicais[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Nielsen SoundScan, American Life comercializou 241 mil cópias em sua semana de lançamento, debutando na liderança da Billboard 200. Com isto, converteu-se no segundo álbum consecutivo de Madonna a debutar no topo da tabela, sendo, ao todo, seu quinto álbum a liderar a tabela.[106] Em 7 de julho de 2003, foi certificado como platina pela Recording Industry Association of America (RIAA) ao exportar 1 milhão de unidades em território estadunidense.[107] Obteve um êxito similar no Canadá, onde também debutou na primeira posição da Canadian Albums Chart com 18 mil cópias vendidas,[63] e foi classificado como platina pela Music Canada, denotando vendas de 100 mil exemplares em território canadense.[108]

No Reino Unido, American Life estreou no topo da UK Albums Chart ao comercializar 65.013 cópias em sua semana de lançamento no país.[109] Permaneceu na tabela por 19 semanas e foi certificado de platina pela British Phonographic Industry (BPI) ao vender 300 mil cópias em território britânico.[110] No Japão, o álbum atingiu a quarta posição como melhor na tabela de álbuns da Oricon e permaneceu na parada por 13 semanas.[111] Foi certificado como ouro pela Recording Industry Association of Japan (RIAJ), denotando vendas de 100 mil exemplares em território japonês.[112] Na Austrália, American Life conseguiu a terceira posição como máxima na tabela de álbuns dos ARIA Charts[113] e foi qualificado como platina pela Australian Recording Industry Association (ARIA), exportando 70 mil réplicas nesta nação.[114] Mundialmente, converteu-se no 32ª álbum mais bem sucedido de 2003, faturando mais de 2 milhões de cópias ao redor do mundo.[115] [116] [117]

Histórico de lançamento[editar | editar código-fonte]

País Data Formato Gravadora
 Estados Unidos[161] 21 de abril de 2003 (2003-04-21) CD, download digital Warner Bros.
 Reino Unido[162]
 Austrália[163]
 Países Baixos[164]
 França[165]
 Itália[166]
 Grécia[167]
 Finlândia[168]
 Eslováquia[169]
 Nova Zelândia[170]
 Canadá[171] 22 de abril de 2003 (2003-04-22)
 Brasil[172]
 Japão[173]
 Alemanha[174]
 Hungria[175]
 Rússia[176] 23 de abril de 2003 (2003-04-23)
 Espanha[177]
 México[178]
 Portugal[179]

Notas

  1. No original: "Do I have to change my name? / Will it get me far? / Should I lose some weight? / Am I gonne be a star?".
  2. No original: "Everybody comes to Hollywood / They wanna make it in the neighbourhood / They like the smell of it in Hollywood / How could it hurt when it looks so good?".
  3. No original: "Push the button, don't push the button / Trip the station, change the channel".
  4. No original: "I used to live in a fuzzy dream".
  5. No original: "It was just greed".
  6. No original: "Stupider than stupid".
  7. No original: "Everybody's stupid".
  8. No original: "I got you under my skin".
  9. No original: "Feel good".
  10. No original: "I'm not religious".
  11. No original: "The road looks lonely but that's just Satan's game".
  12. No original: "Jesus Christ will you look at me, don't know who I'm supposed to be".

Referências

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