Ammaia

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Praça da cidade romana de Ammaia

Ammaia, no Alentejo, localiza-se na freguesia de São Salvador da Aramenha, concelho de Marvão, distrito de Portalegre, em Portugal.

Trata-se das ruínas de uma antiga cidade romana situada num vale hoje no coração do Parque Natural da Serra de São Mamede. Em sua época, "Ammaia", na província romana da Lusitânia, possuía um território administrativo que englobava uma grande parte do atual distrito de Portalegre e que se estendia também para território hoje espanhol. Identificada e estudada a partir de meados da década de 1930, as suas ruínas encontram-se classificadas como Monumento Nacional desde 1949.

História[editar | editar código-fonte]

A povoação foi fundada provavelmente nos finais do século I a.C., ao tempo de Augusto, e obteve o estatuto de "Civitas" durante o reinado de Cláudio. A florescente cidade em breve receberia o estatuto de Municipium ("terminus ante quem") sob o reinado de Lúcio Vero - mais provavelmente durante a época de Vespasiano -, e viria a desenvolver-se como um importante núcleo urbano devido à sua localização e à exploração dos recursos minerais e naturais da região, como o quartzo e o ouro. Um outro fator determinante terá sido a sua localização num ponto de cruzamento de vias romanas que uniam importantes núcleos urbanos na altura, ligando uma dessas vias a de "Ammaia" à capital da província, "Emerita Augusta" (atual Mérida).

Investigação arqueológica[editar | editar código-fonte]

Em 1994 tiveram início as primeiras escavações arqueológicas sistemáticas. A partir de 1997, os trabalhos de estudo, escavação e conservação passaram a ser organizados pela Fundação Cidade de Ammaia. Desta instituição fazem parte diversas entidades, das quais se destacam o Município de Marvão e a Universidade de Évora. A Universidade de Évora tem a seu cargo desde o início a coordenação científica do projeto. Todas as escavações arqueológicas efetuadas até ao presente momento foram realizadas em locais onde algumas ruínas visíveis indicavam a presença de construções do período romano e possivelmente de períodos mais tardios. Estas estruturas arqueológicas consistem principalmente em partes da muralha da antiga cidade romana, com torres e uma porta na zona sul, exibindo vestígios de áreas residenciais, uma praça monumental pavimentada e uma importante via, o Cardo Maximus, que seguia em direção à zona central da cidade, à área do Forum. Existem ainda as ruínas de uma área habitacional que se encontra parcialmente encoberta pelo atual edifício do Museu, antiga habitação da Quinta do Deão. Também se podem ver in loco os vestígios de umas termas públicas e do fórum, este último com uma localização central seguindo os cânones da arquitetura clássica, com o podium de um templo ainda parcialmente preservado e as paredes de um criptopórtico e de um pórtico que circundava a área do templo, para além de outros vestígios deste importante edifício romano.

As investigações arqueológicas dos últimos dez anos demonstram que a cidade se encontrava já intensamente povoada durante o reinado de Augusto (fim do século I a.C./início do século I d.C.). Nos séculos II e III d.C., Ammaia era uma cidade próspera. O seu declínio teve início provavelmente durante o século V. No século IX, altura em que esta região da Península Ibérica esteve sob domínio árabe, a cidade parece ter sido utilizada por Ibn Marwan, mas rapidamente abandonada em favor de Marvão, povoação que teve origem neste período conturbado da história da região.

Graças ao recente levantamento geofísico, é hoje possível reconstituir a planta da cidade, dotada de um traçado regular organizado ao longo dos dois eixos perpendiculares, o Cardo e o Decumanus Maximus que ligam o Forum às portas principais da muralha, nomeadamente à zona da Porta Sul. A muralha da cidade envolve uma área sensivelmente quadrangular, com cerca de vinte hectares. Vários outros edifícios e espaços existentes na área extra-muros, tais como necrópoles e vias de acesso, constituem a área suburbana.

Na Quinta do Deão existe um Museu de Sítio onde os achados mais interessantes de Ammaia se encontram expostos.

O sítio de Ammaia foi escolhido como ‘laboratório aberto’ pelo projeto Radio-Past (www.radiopast.eu), projeto financiado pela União Europeia, e presentemente utilizado como local de experimentação para a inovação e integração de abordagens não-destrutivas em sítios arqueológicos complexos (prospeção de superfície, levantamentos geofísicos e geoarqueológicos, deteção remota e fotografia aérea...).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Borges, S. (2003). A cidada romana de Ammaia: as termas do forum (notícia preliminar). Ibn Maruan 12: 85-97.
  • Corsi, C., De Dapper, M., Deprez, S., Vermeulen, F. (2005). Geoarchaeological Observations on the Roman Town of Ammaia (Alentejo, Portugal). Internet Archaeology 19.
  • Corsi, C., Taelman, D., De Dapper, M., Deprez, S., Verdonck, L., Vermeulen, F. (2008). "Geoarchaeological Research in the Roman Town of Ammaia (Alentejo, Portugal)". In: Multudisciplinary Approaches to Classical Archaeology - Approcci Multidisciplinari per l'Archeologia Classica. Proceedings of the 17th International Congress of Classical Archaeology, Rome 22-26 sept. 2008. Bollettino Archeologia Online: 58-70.
  • Corsi, C., Vermeulen, F. (2006). Elementi per la ricostruzione del paesaggio urbano e suburbano della città romana di Ammaia in Lusitania. Archeologia Aerea III: 13-30.
  • Guerra, A. (1995). Plínio-o-Velho e a Lusitânia. Lisboa.
  • Mantas, V. G. (2000). "A sociedade luso-romana do município de Ammaia". In: Sociedad y Cultura en Lusitania Romana, IV Mesa Redonda Internacional. Mérida: 391-420.
  • Pereira, S. (2009). A Cidade Romana de Ammaia. Escavações Arqueológicas 2000-2006. Ibn Maruán, Nº. Especial, Marvão.
  • Sidarus, A. (1991). Ammaia de Ibn Maruán: Marvão. Ibn Maruán 1: 13-26.
  • Vasconcelos, J., de Leite, J. (1935) Localização da Cidade de Ammaia. Ethnos I: 5-9.
  • Vermeulen, F., Taelman, D. (2010). "From cityscape to landscape in Roman Lusitania: the municipium of Ammaia". In: C. Corsi, F. Vermeulen (eds.) Changing Landscapes. The impact of Roman towns in the Western Mediterranean (Proceedings of the International Colloquium, Castelo de Vide - Marvão 15th-17th May 2008). Bologna: 311-324.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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