Análise financeira

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Para que o analista possa verificar a situação económico-financeira de uma empresa, torna-se fundamental o recurso a alguns indicadores, sendo que os mais utilizados são aqueles que assumem a forma de rácios. Estes apresentam uma vantagem, não só de tornar mais precisa a informação, como também de facilitar comparações, quer para a mesma empresa, ao longo de um certo período de tempo, quer entre empresas distintas, num mesmo referencial de tempo. Contudo, convém salientar que os rácios apenas constituem um instrumento de análise, que deve, ser complementado por outros tantos. Com efeito, a análise de indicadores, fornece apenas alguns indícios que o analista deverá procurar confirmar através do recurso a outras técnicas.

João Carvalho das Neves, Professor Catedrático, salientou o seguinte: “A técnica estabelecida pelos analistas financeiros consiste em estabelecer relações entre contas e agrupamentos de contas do Balanço e de Demonstração de resultados entre outras grandezas económico – financeiras”.

A Análise Financeira refere-se à avaliação ou estudo da viabilidade, estabilidade e lucratividade de um negócio ou projeto.

A técnica mais utilizada pela análise financeira é a que recorre aos rácios, um instrumento de apoio para sintetizar uma enorme quantidade de informação, e comparar o desempenho económico-financeiro das empresas ao longo do tempo. Constituem assim uma base da análise financeira, mas não dão respostas. Essas encontrar-se-ão nos aspectos qualitativos da gestão.

Os rácios financeiros contêm, como qualquer instrumento de medida, vantagens e inconvenientes.

No que concerne às vantagens dos rácios, estas podem sintetizar-se em:

a) A elaboração do diagnóstico financeiro de uma empresa baseia-se no triângulo da liquidez, estrutura financeira e rentabilidade que tem subjacente os rácios

b) Permitem tirar conclusões com base em dados quantificados

c) Possibilitam a utilização de grandes quantidades de informação de modo relativamente sintético, simples e objectivo

d) Permitem tratar uma amostra constituída por dados de várias empresas num só momento de tempo ou usar dados de uma só empresa reportados a vários anos

e) Contribuem para determinar a performance das empresas em termos de rentabilidade, solvabilidade, liquidez e equilíbrio financeiro

Quanto às desvantagens podemos resumi-las em:

a) Se tiver havido incorrecções ao nível dos Balanços, Demonstrações de Resultados e Anexos, os rácios reflectirão essas incorrecções

b) Em relação a determinados fenómenos, os relatórios financeiros podem não ser a base de dados mais adequada para a sua análise

c) As empresas podem realizar actividades em vários segmentos de negócios. Cada empresa tem uma classificação das actividades económicas que corresponde à área de negócio mais importante, se as conclusões disserem respeito a um só segmento e não à actividade global da empresa, os resultados dos rácios podem ser enviesados

d) As políticas de provisões e de amortizações adoptadas pelas empresas podem ser diferentes e conduzir a distorções ao nível dos rácios

e) Um grupo económico pode seguir uma política de transferência de preços entre empresas no seio do grupo, motivada por interesses de optimização fiscal. Esses preços podem não corresponder aos custos obtidos através da Contabilidade Analítica, conduzindo a que numa empresa os resultados sejam superiores e que noutra sejam inferiores aos que de facto se verificariam se o critério fosse somente o dos preços de mercado, sem que houvesse outras motivações.

f) Os rácios financeiros são apenas um instrumento de análise que pode e deve ser complementada por outros; tratam apenas dados quantitativos, não tendo em consideração factores qualitativos como a ética, motivação, etc..

A análise financeira através de rácios só tem sentido se existir uma base de comparação. Para tal, uma fonte de informação são as centrais de balanços (tais como Dun & Bradstreet, Banco Português do Atlântico e Banco de Portugal), bem como a informação publicada pelas associações de indústria e comércio. Outra fonte possível, são os relatórios de contas das empresas concorrentes.

Podem construir-se inúmeros rácios, mas a sua utilização vai depender sobretudo dos objectivos de análise: qual a natureza dos fenómenos que se pretende medir ou revelar, quais as fontes de informação que se vão utilizar, etc…

[editar] Fontes da Informação

Os dados utilizados para calcular os rácios são na sua grande maioria retirados dos principais documentos financeiros das empresas :

• O Balanço • A Demonstração de Resultados • Demonstração Fluxos Caixa.

São também utilizados outros dados externos como:

• Dados macroeconómicos • Cotações • Taxas de juro • Valores de referência de empresas concorrentes para comparação.

Os rácios são fundamentais para o conhecimento da situação e evolução economico-financeira de uma empresa ao longo do tempo, servem também para perceber a sua evolução futura. Existem muitos rácios que podem ser calculados mas só interessa calcular aqueles que tenham interesse para a análise pretendida, só assim é que terão sentido e serão úteis.

A utilidade dos rácios na análise da situação das empresas faz-se sentir através da comparação com rácios calculados nos anos anteriores e rácios de empresas similares.

Para os analistas é importante saberem escolher bem os rácios que satisfaçam os objectivos da análise que pretendem fazer.

Os principais utilizadores e interessados dos rácios na análise financeira são:

• Investidores • Accionistas • Gestores • Instituições Financeiras • Bolsa de valores • Fisco.

Os rácios são uma forma de observar aritmeticamente as relações entre os diversos valores extraídos dos documentos financeiros, são de extrema importância para analise da situação das empresas, no entanto devem ser utilizados com o máximo de cuidado, pois podem levar a conclusões erradas.

[editar] Métodos

Os analistas financeiros geralmente comparam índices financeiros de solvência, lucratividade, crescimento entre outros.

A ESTRUTURA: bens e direitos de que dispõe a empresa e meios para os financiar;

A SOLVABILIDADE: meios para fazer face aos compromissos a Médio e Longo prazo;

A LIQUIDEZ: meios para fazer face aos compromissos a Curto prazo;

A técnica mais utilizada pela análise financeira consiste em estabelecer relações entre conta e agrupamento de contas do Balanço, da Demonstração de resultado e da Demonstração dos fluxos de caixa, ou ainda entre outras grandezas económico-financeiras. Estas relações têm várias designações, tais como rácios, índices, coeficiente, indicadores, etc.

Rácios de Rendibilidade Chama-se rácio de rendibilidade ao indicador (expresso em %) da relação entre o resultado (lucro ou prejuízo) e as vendas ou uma grandeza de capital. Podem ter - se assim vários indicadores de rendibilidade. Numa empresa, a rendibilidade toma três dimensões distintas segundo os objectivos da análise: rendibilidade comercial, rendibilidade económica e rendibilidade financeira.

Rendibilidade comercial Está estreitamente relacionada com a política de preços da empresa e a margem bruta que esta reserva sobre o preço de custo das mercadorias vendidas.É o Rácio que analisa a relação entre os resultados e as vendas. Consoante o tipo de numerador, assim se tem uma diferente noção de rendibilidade das vendas.

A Rendibilidade operacional das vendas É independente da política financeira adoptada pela empresa (antes de encargos financeiros) e a incidência fiscal resultante da sua política de investimento (dotações às amortizações), dependendo evidentemente, do sector de actividade em causa e do grau de integração vertical do ciclo de produção.

Rendibilidade líquida das vendas Obtém-se a partir da margem líquida obtida pela empresa após a dedução de todos os encargos.

Rendibilidade financeira A rendibilidade dos capitais próprios analisa a remuneração que eles geram. Este rácio pode considerar-se o mais importante em finanças empresariais. Mede a rentabilidade absoluta entregue aos accionistas. Um bom número traz êxito ao negócio, tornando fácil atrair novos fundos que permitirão à empresa crescer, havendo condições favoráveis de mercado, e isso, por sua vez, conduz a maiores proveitos.É a medida de eficiência privilegiada dos accionistas e investidores.

Rendibilidade Económica Caso se queira analisar a rendibilidade, separadamente das decisões financeiras, tem de se recorrer ao rácio Rendibilidade do Activo, que é um rácio de avaliação do desempenho dos capitais totais investidos na empresa, independentemente da sua origem (próprios ou alheios): A rendibilidade do investimento total permite avaliar a eficácia da aplicação de capital na operação. Este é o melhor indicador para comparações entre empresas. Pode ainda ser comparado com o custo do capital alheio, podendo concluir-se se o endividamento pesa favorável ou desfavoravelmente na rendibilidade dos capitais próprios. É um rácio que de avaliação do desempenho dos capitais totais investidos na empresa.

Rácios de Funcionamento Os rácios de funcionamento servem para analisar a eficiência das decisões na gestão dos recursos aplicados. Os rácios de funcionamento apuram - se em termos. Devem utilizar - se valores médios de balanço de forma a não serem afectados pelos valores acidentais em determinadas datam do balanço. Estes rácios só têm sentido se comparados dentro do mesmo sector e entre empresas com características tecnológicas e de mercado semelhante.

Rácios Rotação do Activo É o rácio que indica o grau de utilização dos activos. Um rácio muito elevado pode significar que a empresa está a trabalhar perto do limite de capacidade. O inverso pode significar subutilização de recurso

Rotação das Existências Evidencia os efeitos da gestão ao nível dos armazéns.


Prazo médio de Recebimentos É o rácio que mede a celeridade com os seus clientes com que os clientes costumam pagar suas dívidas

Prazo médio de Pagamentos É o rácio que mede a celeridade com que a empresa costuma pagar as suas dívidas aos fornecedores.


Rácios Baseados no Mercado É muito útil ao director de marketing e ao director de produção, a fim de definirem as suas estratégias e linhas de actuação, conhecerem respectivamente, os preços e o custo unitário dos produtos concorrentes. O mesmo acontece com o director financeiro relativamente aos indicadores de mercado. São rácios fundamentais para todos os investimentos e credores da empresa.

Liquidez Geral Esse índice mostra se a empresa tem a capacidade de honrar os seus compromissos em curto e longo prazo.

(Liquidez Corrente Simples divisão entre ativo circulante e Passivo Circulante produz o Índice de Liquidez Corrente, que reflete a capacidade de pagamento da empresa no curto prazo. O crescimento exagerado das contas a receber, principalmente quando ocasionado por aumento de inadimplência, ou ainda o aumento dos estoques, devido a falhas em linhas de produção ou obsolescência, devem ser expurgados do cálculo desse índice.

Liquidez Reduzida A liquidez reduzida é uma medida mais severa da posição líquida da empresa. Dá a ideia clara da capacidade da empresa para, sem grandes riscos, ser capaz de solver os seus compromissos de curto prazo. É utilizado com a mesma finalidade do rácio de liquidez geral, mas admite que as existências não poderão ser transformadas de imediato em dinheiro.

Liquidez Imediata Um terceiro indicador de liquidez é aquele que restringe ainda mais o conceito de activos líquidos, cingindo-os às disponibilidades e aplicações financeiras de curto prazo de uma empresa. É utilizada pelos analistas que pretendem conhecer o grau de cobertura dos passivos circulantes por disponibilidades:(Depósitos Bancários+Caixa+Títulos Negociáveis) / Passivo Circulante

Endividamento Geral Mede o montante da dívida em relação ao patrimônio líquido da empresa, quanto menor, melhor.

Solvência Geral A solvência geral mostra a base da situação financeira da empresa, ou seja, a capacidade da mesma em satisfazer suas obrigações de curto prazo, na data do vencimento. Quanto maior, melhor.

Capital de Giro O capital de giro precisa de acompanhamento permanente, pois está continuamente sofrendo o impacto das diversas mudanças enfrentadas pela empresa. Solução definitiva para o problema do capital de giro consiste na recuperação da lucratividade da empresa e a conseqüente recomposição de seu fluxo de caixa. Esta solução exige a adoção de medidas estratégicas de grande alcance que vão desde o lançamento de novos produtos ou serviços e a eliminação de outros, adoção de novos canais de venda ou até mesmo a reconfiguração do negócio como um todo. Desse modo, a solução dos problemas de capital de giro de uma empresa requer muito mais do que medidas financeiras. Estratégias, operações e práticas gerenciais, entre outras, precisarão ser repensadas para que o capital de giro volte ao estado de normalidade.

Necessidade de Capital de Giro - A necessidade de capital de giro é função do ciclo de caixa da empresa. Quando o ciclo de caixa é longo, a necessidade de capital de giro é maior e vice-versa. Assim, a redução do ciclo de caixa - em resumo, significa receber mais cedo e pagar mais tarde - deve ser uma meta da administração financeira. Entretanto, a redução do ciclo de caixa requer a adoção de medidas de natureza operacional, envolvendo o encurtamento dos prazos de estocagem, produção, operação e vendas. O cálculo através do ciclo financeiro possibilita mais facilmente prever a necessidade de capital de giro em função de uma alteração nas políticas de prazos médios ou no volume de vendas.


Perante os factos e noções a tomar em conta, salienta-se os cálculos de maior relevância para a obtenção dos rácios e comparações precisas, daí:


Rácios de Liquidez:

Liquidez Geral = Activo Circulante / Passivo Circulante

Liquidez Reduzida = (Activo Circulante - Existências) / Passivo Circulante

Liquidez imediata = (Depósitos Bancários + Caixa + Títulos Negociáveis) / Passivo Circulante

Estes rácios de Liquidez irão permitir aos analistas de crédito analisar a capacidade de reembolso dos empréstimos para um curto prazo.


Rácios de Funcionamento: Rotação do Activo = Volume de negócios / Activo médio

Rotação das Existências = Volume de negócios / Existências médias

P.M.M.P.A = Existências Médias de M.P.*360 / CMVMC

P.M.M.P.A.A = Existências M. de P.A.*360 / CMVMC

P.M.M.A = Existências Médias de Mercadorias*360 / CMVMV

Prazo médio de Recebimento = Créditos Comerciais*360 / Volume de Negócios c/ IVA

Prazo médio de Pagamento = Débitos Comerciais*360 / Compras c/IVA

Estes rácios de funcionamento servem para analisar a eficiência das decisões na gestão de recursos aplicados. Apuram-se consoante a rotação ou em dias de funcionamento.


Rácios de rentabilidade:

Rentabilidade dos Capitais Próprios O rácio de Rentabilidade dos Capitais Próprios (RCP), constitui o indicador de rentabilidade mais utilizado pelos analistas financeiros, e é calculado da seguinte forma:

RCP = RL / CP, em que RL = Resultados Líquidos e CP = Capitais Próprios.

Este rácio permite aferir a capacidade da empresa em remunerar os seus accionistas/sócios.


Rácios de Endividamento:

Endividamento = Capitais Alheios / Capitais Totais

Debt to Equity Ratio = Capitais Alheios / Capitais Próprios

Peso do Endividamento Longo Prazo = Capitais alheios a longo prazo / Capitais Totais

Debt to Equity ratio de estrutura = Capitais alheios de longo prazo / Capital Próprio

Estrutura de Endividamento = Capitais alheios de curto prazo / Capitais alheios

Estes rácios de alavanca financeira e risco, servem para analisar as dívidas da empresa.


Rácios de Estrutura: Autonomia Financeira = Capital Próprio / Activo Total Liquido

Solvabilidade = Capital Próprio / (Passivo+Interes.Mintr)

Estrutura de capitais = Capitais Alheios / Capitais Próprios

Estes rácios analisam o peso do capital próprio relativamente a capitais alheios, passivos e activos.

-- TIPOS DE INDICADORES --

Os indicadores/rácios financeiros podem ser agrupados em várias classes:


1- INDICADORES DE LIQUIDEZ

Estes indicadores têm por objectivo analisar a capacidade que a empresa tem para honrar os seus compromissos financeiros no curto prazo, isto é, analisam em que medida a empresa está em condições de cumprir as obrigações de natureza financeira, tais como o pagamento das matérias-primas, dos salários, da energia, etc. Podemos salientar como indicadores de liquidez:

Grau de Liquidez Geral = Activo Circulante/Passivo de curto prazo

Através dele compara-se a capacidade que a empresa tem para realizar liquidez, à excepção do activo fixo, com as dívidas da empresa exigíveis no curto prazo. Quando o seu valor é superior a um é frequentemente assumido que a empresa possui uma boa situação financeira no curto prazo. Há no entanto que tomar em consideração o ciclo de exploração da empresa e os tempos médios de recebimento e pagamento.

Grau de Liquidez Reduzida (“Acid Test”) = Activo maneável/Passivo de curto prazo

Relativamente ao anterior exclui as existências do numerador. O seu valor para uma empresa que honra os compromissos é normalmente inferior a um.

Grau de Liquidez Imediata = Disponibilidades/ Passivo de curto prazo

Este indicador difere do anterior porque exclui do numerador as dívidas de terceiros. Apesar da grande homogeneidade das rubricas que figuram no activo a sua utilidade prática é muito reduzida visto que as empresas se esforçam por terem uma tesouraria nula. Portanto o valor do rácio ou é zero, ou aproxima-se dele.


2- INDICADORES DE RENTABILIDADE

Podemos salientar:

Rentab.das Vendas (ou margem das vendas)=Resultados Líquidos/Vendas+Prest Serviços

Analisa a relação entre os resultados e as vendas.

Rentab. da Produção = Resultado Liquido/Produção

Exprime a geração de fundos que a produção proporciona após remunerar os diferentes factores produtivos e pagar os impostos que incidem sobre o rendimento das sociedades. É mais usual nas empresas industriais.

Rentab. do Activo = RAIEF*/Activo

  • resultados antes de impostos e encargos financeiros

Exprime a rentabilidade do activo da empresa. É um rácio útil quando se quer analisar a rentabilidade de forma separada das decisões financeiras. A maioria das empresas está interessada que com um mínimo de activos seja gerado o maior resultado possível. É o chamado “Earning Power). Este indicador além de ser útil ao cálculo da rentabilidade, é importante para a definição da estrutura de capitais ou do endividamento das empresas., permitindo aferir se um aumento de endividamento potencia ou amortece a rentabilidade dos capitais próprios de uma empresa. Se o custo do capital alheio for inferior a este rácio, um aumento de dívida melhora a rentabilidade dos capitais próprios da empresa; se for superior, um aumento de endividamento deteriora a rentabilidade dos capitais próprios da empresa, isto é, diminui a sua rentabilidade financeira.

Rentab. dos Cap Próprios = Resultado Líquido / Capitais Próprios

É o chamado ROE ou “return on equity”. É um rácio de grande utilidade para os investidores porque pretendem conhecer a rentabilidade das suas aplicações. Em muitas empresas, a adopção de um valor alvo a atingir para este indicador afigura-se muitas vezes como um dos objectivos de gestão da empresa.

Análise Dupont Esta análise consiste em desdobrar a rentabilidade financeira em diversos indicadores a fim de a melhor compreender. Assume duas modalidades:

Sintética RCP = (RL/Vnd).(Vnd/A).(A/SL)

Considera três factores explicativos na formação da rentabilidade dos capitais próprios: a rentabilidade das vendas, as vendas por unidade de activo, e a autonomia financeira.

Desenvolvida RCP=(RAIEFRE/Vnd).(Vnd/A).(RAIRE/RAIEFRE).(A/SL).(RAI/RAIRE).(RL/RAI)

Notas: RCP= rentabilidade dos capitais próprios RL = resultados líquidos Vnd = vendas A = activo RAIEFRE = resultados antes de impostos, encargos financeiros, resultados extraordinários SL = situação líquida RAI = resultados antes de impostos

Na análise desenvolvida é considerado o resultado operacional (RAIEFRE) sobre as vendas, a rotação do activo, o efeito dos custos financeiros, a alavancagem, os efeitos dos resultados extraordinários e dos impostos no cálculo dos resultados líquidos. Tomando em consideração a rentabilidade ao nível operacional e analisando detalhadamente os custos que intervêm até à formação dos resultados líquidos, para além da rotação do activo e da alavancagem da empresa, é assim mais fácil compreender a rentabilidade financeira.


3- INDICADORES DE ESTRUTURA OU ENDIVIDAMENTO

Estes indicadores procuram dar indicações sobre o grau de intensidade de recurso a capitais alheios no financiamento de uma empresa. Dentro dos mais importantes:

Autonomia Financeira = Capitais próprios / (Capitais Próprios + Passivo)

Este rácio é um dos rácios de endividamento mais populares, e exprime em que medida o activo está a ser financiado por capitais próprios e por capitais alheios, ou seja pelo esforço financeiro dos accionistas e dos credores.

“Debt do Equity Ratio”=Passivo total/Capitais próprios ou Passivo MLPrazo/Capitais Próprios

É usado para analisar a relação entre as dívidas e os capitais próprios.

O rácio cobertura dos encargos financeiros mede o grau com que a exploração consegue cobrir os encargos financeiros. Existem duas versões:

Cobertura dos Encargos Financeiros = Resultados operacionais / Encargos financeiros

Cobertura dos Encargos Financeiros = Excedente Bruto de Exploração/Encargos financeiros


Período de recuperação da dívida =Empréstimos em dívida / Autofinanciamento*

  • = resultados líquidos + amortizações + provisões

Este rácio dá-nos uma estimativa do número de anos em que a empresa é capaz de pagar as suas dívidas, admitindo que tudo se mantém constante.

Variabilidade dos resultados operacionais = (Res operac t – Res operac em t-1)/média dos resultados operacionais

A análise da variabilidade dos resultados operacionais é útil para a análise de risco. Se o rácio de cobertura dos encargos financeiros indicam que ela á baixa, então é conveniente analisar a variabilidade dos resultados operacionais como forma de análise do risco.


4- INDICADORES DE ACTIVIDADE

Estes indicadores procuram caracterizar aspectos operacionais das actividades económicas de uma empresa, nomeadamente, os que procuram determinar a rapidez com que uma empresa cobra os seus créditos de clientes, regulariza as suas dívidas para com os fornecedores e faz “rodar” os seus stocks de existências.

Rotação do Activo = Vendas totais (inclui prest serv)/Activo

Este rácio indica-nos qual o grau de utilização dos activos. Podemos dizer que o aumento do valor deste rácio ao longo do tempo poderá significar uma melhor eficiência no aproveitamento dos activos da sociedade.

Tempo Médio de Recebimentos = (Clientes/(Vendas+Prest Serv).(1+IVAv)) . 365

O rácio procura evidenciar o prazo médio que os clientes da empresa estão a demorar a regularizar as suas responsabilidades. A empresa tem todo o interesse em estudar este rácio para analisar, por um lado, a sua política de crédito, e por outro lado, a eficácia dos serviços financeiros.

Tempo Médio de Pagamento = (Fornecedores/(Compras+FSE).(1+IVAv)).365

Este rácio dá-nos uma ideia do tempo que demoramos a pagar aos nossos fornecedores após fazermos as compras. Um valor muito elevado pode significar dificuldades da empresa em satisfazer as suas obrigações.

Tempo médio de rotação das existências

Numa empresa comercial ou de serviços = (Existências/ CEVMC*) . 365

  • custo das existências vendidas e matérias consumidas

Numa empresa industrial = (Existências/CEVMC+Desp c/pessoal+FSE) . 365

Este rácio exprime o número de vezes que as existências em armazém têm de rodar para satisfazerem os consumos anuais da empresa.


5- INDICADORES BASEADOS NO MERCADO

Estes rácios são úteis para os investidores, credores da empresa, bem como para a direcção financeira da empresa. Todos os rácios de mercado são muito usados como instrumentos de comparação do valor das empresas.

Como exemplos de alguns rácios podemos salientar, entre muitos outros:

Price Earning Ratio (PER) = Preço de cotação/Resultados por acção

Price to Cash Earnings (PCE) = Preço de cotação/ Cash earnings por acção*

  • em Português designa-se por autofinanciamento bruto = RL+Amort do exerc+var de provisões no exercício

Rendimentos em dividendos = (Dividendo por acção/Preço de cotação)%

Market to Book Value = Preço de cotação/Valor contabilístico por acção

EV to EBIT = EV / Resultados operacionais

EV to EBITDA = EV / Excedente bruto de exploração

Nota:

EV = enterprise value = valor de mercado dos capitais investidos na empresa líquidos de disponibilidades

EBITDA = resultados operacionais mais amortizações do exercício e variação de provisões do exercício


De toda esta análise podemos facilmente concluir que um dos aspectos limitativos da análise dos rácios resulta principalmente da qualidade da informação que advém a contabilidade, logo, toda a cautela é pouca na sua utilização. De qualquer forma, um bom analista procura sempre determinar a qualidade dos dados em que baseou a sua análise, pois é uma garantia de validade das conclusões por si retiradas.


Fonte: Neves, João Carvalho das, Análise Financeira, Têxto Editora, Lda

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