Ana Maria Nacinovic Correa

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Ana Maria Nacinovic
Nascimento 25 de março de 1947
Rio de Janeiro, Brasil
Morte 14 de junho de 1972 (25 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação guerrilheira
Influências

Ana Maria Nacinovic Correa (Rio de Janeiro, 25 de março de 1947 - São Paulo, 14 de junho de 1972) foi uma guerrilheira, militante da ALN e da GTA (Grupo Tático Armado), que participou da luta armada durante os Anos de Chumbo contra a ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Criada na Zona Sul carioca, Ana Maria Nacinovic Correa estudou na escola de freiras, Colégio São Paulo, em Ipanema, no Rio de Janeiro. Aprendeu piano antes da maioridade, e aos 17 anos começou a freqüentar o curso pré-vestibular. Casou-se muito cedo e separou-se logo depois. Ingressou, aos 21 anos, em 2ª lugar na Faculdade de Belas Artes da UFRJ.[1] Durante a vida universitária, tornou-se integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), grupamento político clandestino criado por Carlos Marighella. Através de Grupos Táticos Armados (GTA) – dos quais Ana Maria fazia parte – o grupo combatia a ditadura militar instalada no país em 1964, com o objetivo de implantar um regime socialista no Brasil.

Recrutada pela ALN no Rio de Janeiro, foi transferida para São Paulo onde participou de diversas ações armadas em 1971–1972. Em setembro de 1971, foi a única sobrevivente de uma emboscada do DOI-CODI a um comando da ALN na rua João Moura, no Sumarezinho, onde outros três companheiros de organização foram fuzilados.[2]

Morte[editar | editar código-fonte]

No dia 14 de junho de 1972, Ana Maria Nacinovic Correa e mais dois jovens militantes da ALN – Antônio Carlos Bicalho Lana e Marcos Nonato da Fonseca- tinham marcado uma reunião no restaurante Varella, localizado no bairro da Mooca, na capital paulista, para tratar de assuntos da organização com outro companheiro, Iuri Xavier Pereira.

O dono do estabelecimento, Manoel Henrique de Oliveira, havia reconhecido o grupo de jovens que almoçavam no local através de cartazes de terroristas procurados pelo governo, que se espalhavam pelo país na época[3] e os denunciou para o DOI-CODI, situado na Rua Tutóia.

A versão oficial sobre a morte dos três jovens informou que os agentes de segurança armaram uma emboscada para os militantes e travaram um tiroteiro, em que Ana Maria, Marcos Nonato e Iuri Xavier foram mortos no local, e Antônio Carlos Bicalho Lana fora ferido e conseguiu escapar. O confronto teria ferido mais dois transeuntes e dois agentes policiais, todos não identificados e não localizados.

Segundo depoimentos, os agentes do DOI-CODI, fuzilaram de imediato Iúri Xavier e Marcos Nonato. Ana Maria, após muitos ferimentos, ainda vivia caída no chão, e foi fuzilada sob gritos de agonia à queima-roupa por um agente com um fuzil FAL. Depois, seu corpo ensanguentado foi jogado de um lado para o outro pelos agentes policiais na frente da multidão que se formou diante da cena.[4] .

A partir da abertura dos arquivos do DOPS/SP, outra versão do fatídico confronto surgiu, já que alguns elementos encontrados colocaram em dúvida a versão oficial do acontecimento.

A CEMDP apurou que os três militantes não foram levados diretamente ao IML, e sim ao DOI- CODI do II Exército, onde foram vistos no pátio pelo preso político Francisco Carlos de Andrade. Francisco reconheceu Ana Maria e Iuri Xavier dentre os três corpos no pátio da 36ª DP, sede do DOI-CODI/SP.

Exumação[editar | editar código-fonte]

Na CEMDP, o voto do processo referente a Ana Maria pediu a exumação e o exame pericial do cadáver, considerando que a má qualidade das fotos anexadas ao processo não permitia análise detalhada dos ferimentos. A exumação foi feita pelos técnicos da Equipe Argentina de Antropologia Forense, graças aos familiares, que os trouxeram do país vizinho.

O tiroteiro de 1972 ganhou grandes proporções na época, e a falta de evidências, como fotos dos corpos no local onde foram abatidos; referências às armas apreendidas; e exames residuais de pólvora ou balística, criou muitas suspeitas pela CEMDP.

Apesar de os jornais informarem que do local os corpos teriam sido levados para o necrotério, registros comprovam que os três militantes não foram levados diretamente ao IML, mas sim ao DOI-CODI do II Exército. Os três teriam sido reconhecido pelo então preso político Francisco Carlos de Andrade, conforme declaração apresentada à CEMDP. Houve também a comprovação do fato por meio das fichas de identificação de Iuri e Ana Maria, feitas no DOI-CODI do II Exército no mesmo dia 14. Porém, as necropsias, realizadas no IML/SP em 20/06/1972, assinadas pelos legistas Isaac Abramovitc e Abeylard de Queiroz Orsini, confirmam as mortes em tiroteio.

Para cada um dos três militantes, a CEMDP discutiu separadamente as circunstâncias da morte. Para Ana Maria, a análise dos peritos Luís Fondebrider e Celso Nenevê apontou a inexistência de qualquer referência no laudo do IML das fraturas ou lesões que eram visíveis na foto do corpo da jovem. Analisando o esqueleto, o perito constatou que somente no fêmur esquerdo detectara fratura peri-mortem - por estarem diretamente ligadas a causa da morte e não apresentar sinais de cicatrização, essas fraturas denominadas 'peri-mortem' são as mais díficies de serem diagnosticadas - não sendo esse ferimento responsável pela morte de Ana. Juntamente aos ossos, foram localizados três projéteis de arma de fogo, enquanto o laudo indicava apenas dois tiros.

A CEMDP concluiu que a morte de Iuri Xavier, Ana Maria e Marcos Nonato ocorrera quando estavam em poder dos agentes do Estado, aprovando por maioria de votos os três requerimentos em 24/04/1997. [5] Na época, mesmo considerada oficialmente morta pelo governo militar, um ano depois, em 1973, foi condenada a doze anos de prisão in absentia.[4]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Passados quase quarenta anos, alguns moradores do bairro da Mooca ainda se lembram do confronto. Moradores estes que, dias depois, tentaram elaborar um abaixo-assinado para o Governador do Estado como forma de protesto e que, em 1992, sugeriram a construção da creche Ana Maria Nacinovic Corrêa. O prédio onde se localizava o Varella ainda existe.

Hoje, seu nome batiza uma praça no subúrbio de Bangu, na cidade do Rio de Janeiro[6] e uma creche municipal em São Paulo, inaugurada em março de 1992.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. ANA MARIA NACINOVIC CORRÊA UFRJ. Visitado em 15/03/2013.
  2. Ana Maria Nacinovic comunistas.spruz.com. Visitado em 22/05/2013.
  3. GTNM/Projeto Memória
  4. a b ANA MARIA NACINOVIC CORRÊ DOSSIÊ DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS A PARTIR DE 1964. Visitado em 16/06/2011.
  5. http://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/184
  6. Praça Ana Maria Nacinovic Brasilão. Visitado em 15/03/2013.
  7. Desaparecidos políticos

Ligações externas[editar | editar código-fonte]