Ana Pavlovna da Rússia

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Ana dos Países Baixos
Rainha-Consorte dos Países Baixos
Grã-Duquesa da Rússia
Rainha-Consorte dos Países Baixos
Período 7 de Outubro de 1840 - 7 de Março de 1849
Predecessor Guilhermina da Prússia
Sucessor Sofia de Württemberg
Cônjuge Guilherme II dos Países Baixos
Descendência
Guilherme III dos Países Baixos
Alexandre dos Países Baixos
Henrique dos Países Baixos
Ernesto Casimiro dos Países Baixos
Sofia dos Países Baixos
Pai Paulo I da Rússia
Mãe Sofia Doroteia de Württemberg
Nascimento 8 de Janeiro de 1795
São Petersburgo, Rússia
Morte 1 de março de 1865 (70 anos)
Haia, Países Baixos
Enterro Nieuwe Kerk, Delft, Países Baixos

A grã-duquesa Ana Pavlovna da Rússia (8 de Janeiro de 1795 - 1 de Março de 1865) foi uma rainha-consorte dos Países Baixos através do seu casamento com o rei Guilherme II.

Origens[editar | editar código-fonte]

Ana Pavlovna era a oitava filha do czar Paulo I da Rússia e da sua consorte, a imperatriz Maria Feodorovna (nascida duquesa Sofia Doroteia de Württemberg), e, assim, recebeu o título de Sua Alteza Imperial, a grã-duquesa Ana Pavlovna da Rússia. Devido às convenções de tradução em vigor nos Países Baixos durante o século XIX, a grã-duquesa é mais conhecida neste país como Anna Paulowna.

A certa altura, o imperador Napoleão I de França, pediu Ana em casamento, mas foi rejeitado.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ana, como rainha dos Países Baixos.

A 21 de Fevereiro de 1816, Ana casou-se na capela do Palácio de Inverno, em São Petersburgo, com o príncipe de Orange, que, mais tarde, se tornaria o rei Guilherme II dos Países Baixos. O casamento tinha sido sugerido pelo irmão da grã-duquesa, o czar Alexandre I, em 1815, como símbolo da aliança criada entre os dois países após o Congresso de Viena. Como tinha sido decidido que nenhum membro da família Romanov devia ser forçado a casar contra a sua vontade, Guilherme foi convidado a visitar a Rússia antes do casamento, para que Ana o pudesse conhecer e aceitasse a união, o que acabou por acontecer. Ana manteve a sua fé ortodoxa depois do casamento. O casal permaneceu na Rússia durante um ano.

Ana ficou chocada com as diferenças que existiam entre a Rússia e o seu novo país, principalmente no que dizia respeito ao sistema de classes e a sua separação que era muito menos severo nos Países Baixos, onde a distância entre a realeza e o público não era tão grande como na Rússia e a grã-duquesa teve grande dificuldade para se adaptar a esta nova realidade. O casal viveu em Bruxelas até ao rebentar da revolução belga, vendo-se forçados a abandonar a cidade em 1830. Ana gostava muito mais de Bruxelas do que do norte, já que era mais parecida com o seu país-natal. Abriu uma escola onde mulheres e meninas pobres eram ensinadas a coser, e um hospital para soldados feridos devido à revolução belga.

O seu casamento foi agitado. Desde o inicio que Ana considerava que tinha uma posição superior à de Guilherme. Em 1829, várias peças de joelharia da rainha foram roubadas e Ana desconfiou que tinha sido o seu marido o culpado, visto estar profundamente endividado e acompanhado de pessoas de quem Ana desconfiava. O adultério do rei também criou conflitos entre o casal. Viveram separadamente até 1843. Apesar de tudo, Ana foi uma mediadora entre o marido e o sogro e tentou acalmar as tensões que existiam entre eles durante conflitos políticos. De outras formas, Ana não se envolvia na política, apesar de ter convicções políticas fortes. Como pessoa, foi descrita como inteligente, sensível, leal à família e com um temperamento violento.

A 7 de Outubro de 1840, após a abdicação do seu sogro, Ana tornou-se rainha-consorte dos Países Baixos. Foi a 34.ª dama da Real Ordem da Rainha Maria Luísa a 1 de Fevereiro de 1842.

Como rainha, Ana foi digna, arrogante e distante para com o seu publico. Apesar de ter aprendido a falar holandês melhor do que o marido, que tinha como língua materna o francês, a rainha seguia uma etiqueta muito severa e nunca foi muito popular. Gostava de pompa, etiqueta e de cerimónias e rituais formais. Mantinha correspondência com a mãe e com os irmãos na Rússia e estimava muito a memória do seu país natal. Criou o coro de meninos russos, onde os membros tinham de se vestir com o traje tradicional russo e diz-se que sempre permaneceu mais uma grã-duquesa russa do que a rainha dos Países Baixos.

Quando ficou viúva, Ana deixou o palácio real e retirou-se da vida pública, passando a viver uma vida discreta. Não se dava bem com a sua nora e tinha planos para regressar à Rússia depois de entrar em conflito com o seu filho, o rei Guilherme III, em 1855, mas, no fim, acabou por ficar até à sua morte.

Descendência[editar | editar código-fonte]

  1. Guilherme III dos Países Baixos (19 de Fevereiro de 181723 de Novembro de 1890), casado primeiro com a duquesa Sofia de Württemberg; com descendência. Casado depois com a princesa Ema de Waldeck e Pyrmont; com descendência.
  2. Alexandre dos Países Baixos (2 de Agosto de 181820 de Fevereiro de 1848), soldado do exército holandês. Morreu solteiro e sem descendência.
  3. Henrique dos Países Baixos (13 de Junho de 182014 de Janeiro de 1879), casado primeiro com a princesa Amália de Saxe-Weimar-Eisenach; sem descendência. Casado depois com a princesa Maria da Prússia; sem descendência.
  4. Ernesto Casimiro dos Países Baixos (21 de Maio de 1822 - 22 de Outubro de 1822), morreu aos cinco meses de idade.
  5. Sofia dos Países Baixos (8 de Abril de 182423 de Março de 1897), casada com o duque Carlos Alexandre de Saxe-Weimar-Eisenach; com descendência.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Ana Pavlovna da Rússia em três gerações[1]
Ana Pavlovna da Rússia Pai:
Paulo I da Rússia
Avô paterno:
Pedro III da Rússia
Bisavô paterno:
Carlos Frederico de Holstein-Gottorp
Bisavó paterna:
Ana Petrovna da Rússia
Avó paterna:
Catarina, a Grande
Bisavô paterno:
Cristiano Augusto de Anhalt-Zerbst
Bisavó paterna:
Joana Isabel de Holstein-Gottorp
Mãe:
Maria Feodorovna (Sofia Doroteia de Württemberg)
Avô materno:
Frederico II Eugénio de Württemberg
Bisavô materno:
Carlos Alexandre de Württemberg
Bisavó materna:
Maria Augusta de Thurn e Taxis
Avó materna:
Sofia Doroteia de Brandemburgo-Schwedt
Bisavô materno:
Frederico Guilherme de Brandemburgo-Schwedt
Bisavó materna:
Sofia Doroteia da Prússia

Referências

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