Anastásia Nikolaevna Romanova
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| Anastásia Nikolaevna | ||
|---|---|---|
| Grã-duquesa da Rússia (Velikaya Knyaginya) | ||
| Anastásia em 1910 | ||
| Nascimento | 18 de Junho de 1901 | |
| São Petersburgo, |
||
| Morte | 17 de Julho de 1918 (17 anos) | |
| Ekaterinburgo, |
||
| Casa Real | Romanov | |
| Pai | Nicolau II da Rússia | |
| Mãe | Alexandra Feodorovna | |
Grã-duquesa Anastásia Nikolaevna da Rússia; em russo (Великая Княжна Анастасия Николаевна Романова, Velikaya Knyaginya Anastásia Nikolaevna Romanova), nascida a 18 de Junho de 1901 (5 de junho de acordo com o Calendário Antigo) no Palácio de Peterhof em São Petersburgo. Era a filha mais nova do Czar Nicolau II da Rússia e da Imperatriz Alexandra Feodorovna de Hesse, os últimos governantes autocráticos da Rússia Imperial.
Era irmã mais nova das Grã-duquesas Olga Nikolaevna, Tatiana Nikolaevna e Maria Nikolaevna, e irmã mais velha de Alexei Romanov, Czarevich da Rússia.
Rumores de sua possível sobrevivência circularam desde a sua morte em 1918. No entanto, em janeiro de 2008, cientistas russos anunciaram que restos de um garoto e de uma jovem mulher, encontrados perto de Ekaterimburgo em agosto de 2007, eram provavelmente do czarevich de treze anos e de uma das quatro Grã-duquesas. Cientistas forenses russos, confirmaram em 30 de abril de 2008 que os restos eram do czarevich Alexei e de uma das suas irmãs. [1]
Depois da sua morte em 1918, várias mulheres disseram ser Anastásia, sendo as mais famosas Anna Anderson e Eugenia Smith. O corpo de Anderson foi cremado na ocasião de sua morte, em 1984. O exame de DNA (ADN) em 1994 com fragmentos disponíveis de seus tecidos e cabelos não mostrou nenhuma relação com o DNA da Grã-duquesa.[2]
Anastásia e sua família, foram canonizados pela Igreja Ortodoxa Russa em 2000 como Portadores da Paz.
Índice |
[editar] Biografia
[editar] Infância
Quando Anastásia nasceu os seus pais e família ficaram desapontados por terem tido uma quarta menina e não o desejado herdeiro. O czar Nicolau II deu um longo passeio para se recompor antes de visitar a czarina Alexandra e a infante Anastásia.[3]
De acordo com o diário de Nicolau:
Já a sua tia, a Grã-duquesa Xenia Alexandrovna resumiu a decepção geral:
Ela partilhava o nome com a czarina Anastásia da Rússia, uma aristocrata russa do século XVI cujo casamento com o primeiro czar, Ivan o Terrível, providenciou à família Romanov o seu direito ao trono. O nome tem vários significados, entre eles "aquela que se liberta das correntes" ou "ela reerguer-se-á". A Grã-duquesa mais nova recebeu este nome porque, para celebrar o seu nascimento, o pai, Nicolau II, libertou um grupo de estudantes presos no Inverno anterior.[5] O seu dia do nome era comemorado a 4 de janeiro (22 de dezembro de acordo com o Calendário antigo).
Ela era ocasionalmente chamada pela versão francesa de seu nome, "Anastasie" ou pelas suas alcunhas Russas "Nastya", "Nastas" ou "Nastenka". Outras alcunhas de família eram "Malenkaya" que significa pequena ou ""Shvibzik" o equivalente Russo a diabinho.[6]
A pequena Anastásia era uma criança vivaz e energética; descrita como baixa e com tendência a engordar, com olhos azuis e cabelos loiro-avermelhados.[7] Margaretta Eagar, a governanta das quatro Grã-duquesas disse que a pequena Anastásia tinha um charme que ela nunca havia visto em nenhuma outra criança.[5] Enquanto frequentemente é descrita como dotada e brilhante, nunca esteve interessada nas restrições da escola.[8]
Sobre a beleza de Anastásia, Gleb Botkin, filho do médico da corte Eugene Botkin, que mais tarde morreu com a família em Ekaterimburgo, lembrou:
Foi dito que ela tinha um talento especial para imitações maldosas daqueles à sua volta, e que possuía resposta rápida e apreciava piadas sarcásticas.[9] Teimosa, travessa e impertinente, Anastásia era uma admirável mímica. Com muita comicidade e de forma cortante, a garota imitava exatamente a fala e o jeito das pessoas ao seu redor.[10] Diz-se também que ela era astuta e observadora, e tinha um apurado sentido de humor. Ao contrário das irmãs, não sabia o significado da palavra timidez.[11] Os seus tutores, Sydney Gibbes e Pierre Gilliard, e as damas de companhia Lili Dehn e Anna Vyrubova disseram que Anastásia era viva, travessa e uma talentosa actriz. Ela adorava animais e tinha sempre os seus dois cães, Shvibzik e Jimmy, ao seu lado.[12]
Anastásia às vezes, excedia os limites de comportamento aceitável. Gleb Botkin disse que ela bateu o recorde de castigos na família, e era um verdadeiro génio a pregar partidas.[13]
Anastásia era uma "maria-rapaz" que raramente chorava. Sua tia Olga Alexandrovna recordou que, certa vez ela estava a importuná-la tão excessivamente, que deu-lhe uma bofetada. O rosto da menina ficou vermelho claro, mas ela saiu correndo silenciosamente do quarto.[10]
Quando o canhão de salva do iate Imperial disparava, Anastásia fugia para um canto, metia os dedos nos ouvidos, arregalava os olhos, e pendia a língua numa expressão trocista de terror.[10]
Uma vez, durante uma guerra de bolas de neve na Polónia, Anastásia escondeu uma pedra dentro de uma bola de neve e atirou-a à sua irmã mais velha, Tatiana, atingindo-a no rosto e fazendo com que caísse ao chão. Finalmente, lágrimas brotaram de seus olhos. [14] Após esse incidente, Anastásia ficou aflita e horrorizada por muitos dias, e isso a curou das propensões de praticar outras brincadeiras.[15]
Seu tutor Pierre Gilliard escreveu:
Anastásia e a sua irmã mais velha, Maria, eram conhecidas na família como "O Par Pequeno", partilhavam o mesmo quarto, usavam variações do mesmo vestido e passavam a maior parte do tempo juntas. As suas irmãs mais velhas, Olga e Tatiana também dividiam um quarto e eram conhecidas como "O Par Grande". As quatro meninas assinavam suas cartas usando a alcunha "OTMA", formada pelas inicias de seus nomes.[10][17] Anastásia também era muito ligada ao irmão hemofílico , czarevich Alexei ou Bebê. Diz-se que um adivinhava o que o outro estava pensando sem usarem de palavras. E era ela quem conseguia diverti-lo quando ele sofria ataques de hemofilia. [18]
Desde pequena Anastásia usava de sua influência sobre a boa natureza de Maria. O quarto das duas garotas em Czarkoe Selo era diretamente acima do quarto de recepção da Imperatriz. Elas esperavam, escutando silenciosamente, até que a Imperatriz levasse um convidado para dentro, então, ouviam seu fonográfo o mais alto que a música podia tocar. Pulavam nas suas camas de armar e sobre o chão, dançando e gritando, e geralmente fazendo o maior barulho possível.[19]
Ao contrário da sua energia, a saúde de Anastásia era pobre. A Grã-duquesa sofria do doloroso estado médico hallux valgus (joanetes), que afectavam as juntas de ambos os seus dedos grandes do pé. Ela também tinha um músculo fraco nas costas que tinha de ser massajado duas vezes por mês. Ocasionalmente ela escondia-se debaixo da cama ou dentro de um guarda-roupa para escapar à massagem.[20]
[editar] Personalidade
Anastásia tinha uma personalidade diferente das de suas femininas e bem-comportadas irmãs. Ela, às vezes fazia rasteiras aos empregados e pregava partidas aos seus tutores. Quando criança, subia às árvores e recusava-se a descer. O único que conseguia convencê-la a fazê-lo era o seu pai, Nicolau. Anna Vyrubova referiu-se à Anastásia como "perspicaz e esperta, uma macaca para brincadeiras."[21]
Gleb Botkin recordou da simplicidade que Anastásia demonstrou em uma ocasião, em que seu pai havia dito à Grã-duquesa que ela era feita de ouro. Ao que a jovem respondeu: "De forma alguma, sou feita do mais ordinário couro."
Uma prima distante, a Princesa Nina Georgievna recordou que "Anastásia era uma má perdedora a ponto de ser malvada" e trapaceava, protestava e arranhava o seu companheiro em jogos. E zangava-se por Nina ser mais mais nova, mas mais alta do que ela.[22] Ela também se preocupava menos com a aparência do que as suas irmãs. Hallie Erminie Rives, autora de um best-seller Americano e mulher de um diplomata, lembra como Anastásia aos 10 anos de idade comia chocolates sem se preocupar em retirar suas longas luvas brancas na Ópera de São Petersburgo.[23]
Mas à medida que foi crescendo, o comportamento travesso de Anastásia diminiui, como observou Pierre Gilliard:
A baronesa Shopie Buxhoeveden, escreveu sobre Anastásia:
Ela gostava de passar o seu tempo livre a ouvir música no seu gira-discos, escrevendo cartas, vendo filmes, tirando fotos (um passatempo de família), brincando às escondias com Alexei e estendida ao sol sem fazer nada.[26] O seu perfume era o Violette de Coty. [27]
A tia de Anastásia, a Grã-duquesa Olga Alexandrovna levava as garotas aos sábados para São Petersburgo. Lá se dirigiam ao palácio da avó onde havia festas especialmente feitas para elas, com danças e pessoas jovens para conhecerem.[28] A Grã-duquesa lembrou que nestas festas, Anastásia era a que mais aproveitava. Ela lançáva-se fervorosamente às danças, música e jogos. Anos depois, Olga, ainda conseguia ouvir seu riso, murmurando através do quarto. Contudo com a chegada da guerra, estas festas foram interrompidas.
[editar] Primeira Guerra Mundial e Revolução
Durante a Primeira Guerra Mundial,Anastásia juntamente com a sua irmã Maria, visitava soldados feridos num hospital privado em Czarskoe Selo. As duas adolescentes, muito novas para serem enfermeiras da Cruz Vermelha, como a sua mãe e as suas irmãs mais velhas, jogavam xadrez e bilhar com os soldados e tentavam animar seus espíritos. Felix Dassel, que foi tratado no hospital e conheceu Anastásia, relembra que a Grã-duquesa "ria como um esquilo" e andava rápido "tropeçando no caminho".[29]
Em Fevereiro de 1917, após a abdicação do Czar Nicolau II, Anastásia e a família foram colocados em prisão domiciliária no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo durante a Revolução Russa. À medida que os Bolcheviques se aproximavam, Alexander Kerensky do Governo Provisório mandou-os para Tobolsk, na Sibéria.[30] Pouco depois dos Bolcheviques se terem apoderado da maioria da Rússia, ela, a família, alguns servos e o médico da família foram enviados para a cidade mineira de Ekaterinburgo, nos Montes Urais.[31]
[editar] Cativeiro e Execução
A ansiedade e a incerteza do cativeiro trouxeram sofrimento para Anastásia e para a família. "Adeus" ela escreveu a um amigo no inverno de 1917. "Não te esqueças de nós".[32]
Em Tobolsk , ela escreveu uma canção para o seu tutor de Inglês, cheia de erros ortográficos sobre Evelyn Hope , um poema de Robert Browning , que falava sobre uma jovem da idade de Anastásia : "Quando ela morreu tinha apenas 16 anos. Havia um homem que a amava, sem alguma vez a ter visto, mas conhecia-a muito bem. E ela também tinha ouvido falar dele. Ele nunca lhe conseguiu dizer que a amava, e agora ela estava morta. Mas mesmo assim ele pensou que quando ele e ela vivessem [a sua] próxima vida, quando isso acontecesse (.)"[32]
Em Tobolsk, ela e suas irmãs costuraram jóias dentro de seus espartilhos, para elas não serem roubadas pelos seus captores. [33] Anastásia, Olga e Tatiana foram assediadas sexualmente por guardas procurando pelas jóias escondidas, à bordo do Rus, um navio à vapor que as transportou à Ekaterimburgo para se juntarem aos pais e à irmã Maria em maio de 1918. Seu tutor inglês, Sidney Gibbes recordou ter escutado as Grã-duquesas gritando de terror, e foi assombrado pelo resto da vida pela sua inabilidade em ajudá-las.[34] Menos de dois meses depois, em 14 de julho de 1918, padres locais de Ekaterimburgo conduziram um serviço religioso privado para a família, e relataram que Anastásia e sua família, contrariando o costume, caíram de joelhos durante as preces pelos mortos.[35]
No entanto, nos seus últimos meses de vida, Anastásia procurou sempre maneiras de se divertir. Ela e outros membros da casa faziam peças de teatro para entreter os pais e os outros habitantes da casa, na Primavera de 1918. As representações de Anastásia faziam todos caírem no chão de rir, lembra o tutor Sidney Gibbes. No dia 7 de maio de 1918, numa carta de Tobolsk para sua irmã Maria em Ekaterimburgo, Anastásia descreveu um momento de alegria apesar da tristeza, solidão e medo pelo doente Alexei:
Nas suas memórias, um dos guardas da Casa Ipatiev, Alexander Strekotin relembra Anastásia como "muito amigável e divertida" enquanto outro guarda disse que Anastásia era
| um demónio muito charmoso. Ela era travessa e, penso que raramente se cansava. Ela era traquinas e fazia imitações hilariantes com os cães, como se fossem cães de Circo | — '
|
.[13]
Outro guarda, contudo, disse que Grã-duquesa mais nova era '"ofensiva e terrorista" e reclamou que ela ocasionalmente fazia comentários provocantes que causavam tensão no grupo.[37]
Negociações para a sua libertação foram feitas entre os bolcheviques e os seus parentes, muitos deles sendo membros proeminentes das Famílias Reais da Europa, mas demoraram-se. Lenine pensou pedir favores à Alemanha em troca da vida da Czarina Alexandra e do Czar Nicolau II, primos do Kaiser Alemão, mas ele não se mostrou interessado em negociar.[38] À medida que o exército Branco, formado por seguidores ainda leais ao czar a aos princípios da autocracia, avançava para Ekaterimburgo os Vermelhos estavam numa situação precária. Os comunistas sabiam que Ekaterimburgo cairia perante o exército Branco, melhor comandado e equipado.[39]
A História sempre assumiu que Anastásia foi assassinada com o pai e o resto da sua família na madrugada do dia 17 de Julho, de 1918 numa cave na Casa Ipatiev (também chamada de 'A Casa Para Fins Especiais'), onde estiveram isolados durante a sua detenção em Ekaterimburgo. A execução extra-judicial foi feita pelas forças da polícia secreta Bolchevique sob o comando de Yakov Yurovski.
De acordo com a “Nota Yurovski”, um relato sobre o evento escrito por Yurovsky aos seus superiores Bolcheviques, imediatamente antes da alvorada do dia dos assassínios, a família foi acordada e foi-lhe dito para se vestir. Quando perguntaram o porquê dessa ordem, foi-lhes dito que precisariam bater algumas fotos para provar que ainda estavam vivos (existe outra explicação: há também relatos de que foi dito a família Romanov que havia um tiroteio, o que tornava os quartos superiores, onde dormiam, inseguros, e teriam que se mudar imediatamente para a cave). Uma vez vestidos, a família e o pequeno círculo de servos e profissionais da área de saúde que permaneceram com eles, foram juntados no porão e foi-lhes dito para esperarem. Anastásia seguiu a família, levando o seu cão Jimmy nos braços. Foi permitido a Nicolau, Alexandra e Alexei (no colo da mãe) que se sentassem em cadeiras providenciadas pelos guardas a pedido da imperatriz. Após vários minutos, os carrascos entraram na sala, guiados por Yurovski. Sem hesitação, Yurovski informou rapidamente o czar e a sua família que iam todos ser executados. O czar teve apenas tempo de dizer "O quê?" e de se virar para a sua família, antes de ser executado com uma bala na cabeça. A Imperatriz e a filha Olga tentaram fazer o sinal da cruz, mas foram mortas na saraivada inicial de balas, atiradas pelos executores. Ambas foram feridas por tiros na cabeça. O resto da família e comitiva, foram mortos logo depois. [40]
A "Nota Yurovski" diz ainda que depois do fumo de tantas armas terem sido disparadas a tão curta distância, foi descoberto que as balas dos executores tinham feito ricochete nos espartilhos das Grã-duquesas. Os espartilhos funcionaram como uma espécie de “armadura” contra as balas, o que assustou os soldados, fazendo-os crer que se tratava de alguma providênica divina. Mas mais tarde descobriram que isso era devido as jóias da família terem sido costuradas dentro dos espartilhos para serem escondidas de seus captores. Anastásia e Maria se abaixaram contra uma parede, aterrorizadas, até que foram atingidas por balas, lembrou Yurovsky. Outro guarda, Pedro Ermakov, disse à sua mulher que Anastásia foi morta com golpes de baioneta. Quando os corpos foram levados embora, uma ou mais garotas choraram e foram golpeadas na cabeça, escreveu Yurovsky.[41]
[editar] Falsos rumores de sobrevivência
Foi dito por quase todas as “aspirantes” a Anastásia que a ajuda de um guarda compadecido a salvou dentre os corpos após notar que ela ainda estava viva que ela teria sido capaz de fugir. Estes rumores foram ajudados por relatórios posteriores de comboios e casas revistados por soldados Bolcheviques e pela polícia secreta, à procura de "Anastásia Romanova".
Estranhamente, também houve relatos de uma mulher que dizia ser filha do czar ser encontrada a pedir ajuda nas pequenas vilas à volta de Ekaterimburgo. Diz-se que ela alegava ter estado nas mãos de guardas que a tinham salvo após o massacre, mas que também a tinham espancado e violado. Pouco depois, diz-se que desapareceu.
Em 1991, corpos acreditados como sendo os da Família Imperial e os seus servos foram finalmente exumados de uma sepultura maciça que tinha sido descoberta nos bosques próximos a de Ekaterimburgo quase uma década antes – uma sepultura escondida pelos seus descobridores dos Bolcheviques que governavam a Rússia quando foi encontrada. Uma vez aberta, foi descoberto que em vez de onze conjuntos de restos (o czar Nicolau II, a czarina Alexandra, o czarevich Alexei, as quatro grã-duquesas, Olga, Tatiana, Maria e Anastásia, o médico de família, Eugene Botkin, o criado, Aleksei Trupp, o cozinheiro, Ivan Kharinotov e uma dama de companhia da imperatriz, Anna Demidova), a sepultura só tinha nove.
Alexei e, segundo o especialista forense Dr. William Maples, Anastásia, não estavam na sepultura da família. Contudo, cientistas Russos contestaram isto, alegando que a Grã-duquesa Maria Nikolaevna Romanova era a que não estava na sepultura. Em 1998, quando os corpos da Família Imperial foram enterrados, um corpo que media cerca de 1,70 m foi enterrado sob o nome de Anastásia, apesar do facto de Anastásia ser a mais baixa das Grã-duquesas. Alguns historiadores acreditam no relato da "Nota Yurovsky" que diz que dois dos corpos foram removidos da sepultura principal e queimados num lugar secreto para criar uma certa suspeita de que estes não eram os corpos do czar, família e empregados, caso fossem descobertos, visto que a contagem dos corpos não estaria correta. Contudo, alguns peritos forenses acreditam que a queima completa de dois corpos em tão curto espaço de tempo seria impossível. Em 2000, a família foi canonizada pela Igreja Ortodoxa Russa. Em Agosto de 2007, o anúncio por um grupo de pesquisadores do achado dos restos mortais do czarevich Alexei e da Grã-duquesa Maria - as duas únicas vítimas oficialmente ainda desaparecidas - obrigou o governo russo a reabrir o processo. (Jornal O Globo, 1 de setembro de 2007, sábado, p. 43)
A possível sobrevivência de Anastásia foi um dos mistérios mais celebrados do século XX. Em 1922, à medida que se espalhava o rumor de que a Grã-duquesa sobrevivera, uma mulher que mais tarde se auto-denominou de Anna Anderson apareceu e alegou ser Anastásia. Ela criou uma controvérsia de uma vida e foi cabeçalho de jornais durante décadas, com alguns parentes sobreviventes a vê-la como Anastásia e outros a vê-la como uma impostora. A sua batalha por reconhecimento continua a ser o caso mais longo alguma vez feito nos tribunais alemães, onde o caso foi oficialmente feito.
A decisão final dos tribunais foi que enquanto não se podia provar que Anderson era de fato Anastásia, também não podia ser provado que ela não a era. Anderson morreu em 1984 e o seu corpo foi cremado. Após se terem feitos testes de ADN (DNA) numa amostra de tecido de Anderson, e se terem feito comparações com um descendente da Imperatriz Alexandra, os testes mostraram que Anna não era, de fato, Anastásia, mas muito provavelmente Franziska Schanzkowska, uma operária polaca (polonesa) que desaparecera por volta da mesma altura em que Anderson aparecera na Alemanha. Ainda assim, algumas pessoas questionam a validez das amostras testadas.
Outra “pretendente”, Eugenia Smith, apareceu em 1963, na altura da controvérsia Anastásia/Anna Anderson, mas a sua história tinha inconsistências e ela recusou mais testes.
[editar] Achados dos Romanov
No entanto, em Agosto de 2007, um arqueólogo Russo anunciou a descoberta de dois esqueletos, em um sítio perto de Ekaterimburgo. Os arqueólogos disseram que a ossada são de um garoto que está mais ou menos entre 10 e 13 anos e de uma jovem mulher, entre 18 e 23 anos. Anastásia tinha 17 anos, sua irmã, Maria tinha 19 anos e seu irmão, Alexei estava a dois meses para completar 14 anos. As duas irmãs mais velhas de Anastásia, Olga e Tatiana, tinham 22 e 21 anos respectivamente. Junto com os restos dos dois corpos foram achados "fragmentos de um recipiente contendo ácido sulfúrico, unhas, tiras de uma caixa de madeira e balas de vários calibres".
Testes preliminares indicaram "uma alta probabilidade" que os restos fossem do Czarevich Alexei e de uma de suas irmãs. No dia 30 de abril de 2008, cientistas Forenses Russos anunciaram que os testes de DNA provaram que os achados se tratavam mesmo do Czarevich Alexei e da Grã Duquesa Maria.
[editar] Canonização
Em 2000, Anastásia e sua família foram canonizados como Portadores da Paz pela Igreja Ortodoxa Russa. A família foi anteriormente canonizada em 1981 pela Igreja Ortodoxa Russa no estrangeiro como Santos Mártires. Os corpos do czar Nicolau II, da czarina Alexandra e de três filhas foram finalmente enterrados na Catedral de São Pedro e Paulo em São Petersburgo em 17 de julho de 1998, oitenta anos após seu assassinato.[42]
[editar] Influência na cultura
A possível sobrevivência de Anastásia tem sido assunto de vários filmes teatrais e televisivos. O mais antigo, feito em 1928, chamava-se Clothes Make the Woman (As Roupas Fazem a Mulher). A história é sobre uma mulher que aparece para fazer o papel de uma Anastásia salva para um filme de Hollywood, e acaba por ser reconhecida pelo soldado russo que a salvou originalmente dos seus assassinos.
O mais famoso é provavelmente o filme altamente fictício de 1956 Anastásia protagonizado por Ingrid Bergman que tinha o papel de Anna Anderson, Yul Brynner como General Bounine (uma personagem ficcional baseada num homem severo verdadeiro), e Helen Hayes como Dagmar da Dinamarca, avó paterna de Anastásia.
O filme conta a história de uma mulher de um asilo que aparece em Paris em 1928 e é capturada por emigrés russos, que lhe dão informação de maneira a enganar a avó de Anastásia e fazê-la pensar que Anderson é a sua neta, para obter a fortuna do czar. À medida que o tempo passa, eles começam a suspeitar que esta "Madame A. Anderson" é realmente a Grã-duquesa sobrevivente.
Em 1986, a NBC transmitiu uma mini-série baseada num livro publicado em 1983 por Peter Kurth, chamado Anastasia: The Riddle of Anna Anderson (Anastásia: O Enigma de Anna Anderson). O filme, Anastasia: The Mystery of Anna (Anastásia: O Mistério de Anna), era uma série de duas partes que começava com a jovem Anastásia Nikolaevna e a sua família a serem enviados para Ekaterimburgo, onde são executados por soldados bolcheviques. A história avança então para 1923, e, tomando grandes liberdades, segue ficcionalmente as alegações de uma mulher conhecida como Anna Anderson. Amy Irving faz o papel de Anna Anderson. O filme incorpora também muitos veteranos do cinema e atores de TV, mais notoriamente Omar Sharif como o czar Nicolau II.
O filme mais recente é Anastásia (desenho) de 1997, versão animada produzida pela 20th Century Fox da história da fuga da menina da Rússia e a sua busca subsequente por reconhecimento. Este filme toma ainda mais liberdades em relação aos fatos históricos do que o filme de 1956 do mesmo nome, a começar pelo fato de situar a Revolução Russa em 1916, não 1917.
A sobrevivência da Grã-duquesa russa também é tema a canção "Yes Anastasia" de Tori Amos. A banda Innocence Mission também canta sobre a lenda Anastásia/Anna Anderson na canção "I Remember Me." Anastásia é mencionada pelos Rolling Stones em 1968 na canção "Sympathy for the Devil" no verso "Anastasia screamed in vain" (Anastásia gritou em vão).
Anastásia aparece como uma personagem no jogo para a PlayStation 2 de 2004 Shadow Hearts: Covenant.
[editar] Referências
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- ↑ Massie (1995), pp. 194–229
- ↑ Massie (1967), p. 153
- ↑ Diários de Nicolau II de 1901
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[editar] Bibliografia
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- Vorres, Ian. The Last Grand Duchess. 1965. ISBN 1-5526-3302-0
- Vyrubova, Anna. Memories of the Russian Court.
- Zeepvat, Charlotte. The Camera and the Tsars: A Romanov Family Album. 2004. ISBN 0-7509-3049-7
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