Anastácio Sinaíta

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São Anastácio do Sinai
"O copista", por Rembrandt. O monge é por vezes creditado como sendo Santo Anastácio.
Bispo de Atenas, Apologista, Padre Apostólico
Nascimento  ? em Alexandria, Egito
Morte depois de 700 d.C.
Veneração por Igreja Católica e Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 26 de abril
Gloriole.svg Portal dos Santos

Anastácio Sinaíta ou Anastácio do Sinai foi um prolífico escritor esclesiástico, padre, monge e abade do Mosteiro de Santa Catarina no Monte Sinai.

O pouco que se sabe sobre a vida de Anastácio foi obtido a partir de suas próprias obras [1] :p. IX. Na antiguidade, ele era frequentemente confundido com o presbítero e escritor Anastácio I de Antioquia (559 - 598) [2] e a autoria de várias das obras atribuídas a Anastácio do Sinai tem sido fortemente disputadas. Um cânone foi aceito provisoriamente entre os acadêmicos modernos, mas mesmo nestas obras há seções espúrias[1] :p. XIII - XXIII. Os textos são na forma de perguntas e respostas sobre os dogmas, rituais e estilos de vida cristãos, sermões e exegese. Ele também gostava de rastrear a etimologia de termos importantes do cristianismo e era um erudito tanto sobre a Bíblia quanto sobre a literatura patrística. Além disso, ele tinha um amplo interesse na natureza de Deus e do homem, especialmente em cristologia[3] :p. 326-330. Ele também não relutava em desenvolver e expressar suas próprias teorias sobre assuntos eclesiásticos chave, o que provocou comentários, emendas e até censuras posteriores a partes de suas obras[1] :p. IX.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

Suas principais obras incluem a Viae Dux, Qaestiones et Responsiones, Hexaemeron, Homilia i, ii, iii de creatione hominis, and the Narrationes. A Viae Dux - também chamada de Hodegos (transliteração do grego) e "Guia do caminho certo" - foi escrita em defesa do credo calcedoniano contra os ataques heréticos, principalmente dos monofisitas[3] :p. 313-4..

Suas Qaestiones et Responsiones ("Perguntas e Respostas") caem na categoria da teologia pastoral e foram muito populares[4] . Nelas, Anastácio oferece conselhos, principalmente para a comunidade laica, sobre assuntos espirituais e sacramentais, sobre doações caridosas, casamento e outros. Ele também revela um tom distintamente pessoal e oferece uma visão da vida diária de pessoas comuns[5] [6] :p. 124-5. Esta obra é particularmente importante por ser uma testemunha primária da expansão do Islã no Sinai e no Egito, que eram predominantemente cristãos na época e o efeito que a dominação muçulmana teve na vida e a crença da população local[6] :p. 115-6, 130-2.

Anastácio foi provavelmente o autor do Haxaemeron, um comentário em doze livros sobre a narrativa de criação do Gênesis (Hexaemeron, chamado também de Hexamerão, significa "seis dias"). Ele argumenta que enquanto Moisés estava no Monte Sinai, ele foi inspirado pelo Espírito Santo a escrever não apenas sobre a narrativa da criação, mas também, no mesmo texto, sobre a profecia de uma nova criação através de Cristo. Assim, segundo ele, Adão representaria Cristo e Eva, a Igreja. Esta extensa exegese sobre o começo do Gênesis se inspirou em comentários anteriores escritos por muitos padres da Igreja, incluindo Clemente de Alexandria, Orígenes, Gregório de Nissa, Gregório de Nazianzo e Dionísio Areopagita. As interpretações alegóricas no Hexaemeron de Anastácio são, em muitos pontos, um contraponto às mais literais encontradas na obra homônima (e mais famosa) de Basílio Magno[1] :p. XIII.

Referências

  1. a b c d J. J. Munitiz. (2007). "Anastasius of Sinai. Hexaemeron" (em inglês). Orientalia Christiana Analecta (278). Roma: Pontificio Istituto Orientale.
  2. Weiss, Günter. Studien zum Leben, zu den Schriften und zur Theologie des Patriarchen Anastasius I. von Antiochien (559 - 598). (em alemão). Munich: Institut für Byzantinistik, 1965. vol. XX.
  3. a b Uthemann, Karl-Heinz. In: Angelo Di Berardino et al. Patrology. The Eastern Fathers from the Council of Chalcedon (451) to John of Damascus (†750): Anastasius the Sinaite (em inglês). Cambridge: James Clark, 2006.
  4. Haldon 1992, 116-8.
  5. (2006) "Anastasii Sinaïtae: Quaestiones et responsiones" (em inglês). CCSG (59) p. LI. Brepols: Turnhout.
  6. a b Haldon, John. In: A. Cameron e L. Conrad. The Byzantine and Early Islamic Near East: The Works of Anastasius of Sinai : A Key Source for the History of Seventh-Century East Mediterranean Society and Belief. (em inglês). Princeton: Darwin Press, 1992. vol. I.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Kuehn, Clement A. Review of Patrology: The Eastern Fathers from the Council of Chalcedon (451) to John of Damascus (†750), ed. by Angelo Di Berardino et al. In Byzantinische Zeitschrift 101/2 (2008): n.p.
  • Uthemann, Karl-Heinz, ed. Anastasii Sinaïtae: Viae dux. CCSG 8. Turnhout: Brepols, 1981.
  • Uthemann, Karl-Heinz, ed. Anastasii Sinaïtae: Sermones duo in constitutionem hominis secundum imaginem Dei necnon opuscula adversus monotheletas. CCSG 12. Turnhout: Brepols, 1985.
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