Anatomia da Crítica

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A Anatomia da crítica: Quatro ensaios (Princeton University Press, 1957) de Herman Northrop Frye busca formular uma visão geral do escopo, teoria, princípios e técnicas da Crítica literária derivada exclusivamente da literatura. Frye omite conscientemente qualquer crítica específica, oferecendo ao invés disso uma teoria de inspiração clássica dos modos, símbolos, mitos e gêneros, que ele chamou de "um grupo orgânico de sugestões".

A abordagem literária proposta por Frye foi bastante influente na décadas anteriores ao Desconstrutivismo literário e outras expressões do Pósmodernismo[1]

Os quatro ensaios de Frye estão entre uma introdução polêmica e uma conclusão provisória. Os quatro ensaios têm os seguintes títulos:

  • Crítica histórica: uma teoria dos modos
  • Crítica ética: uma teoria dos símbolos
  • Crítica arquetípica:uma teoria dos mitos
  • Crítica retórica: uma teoria dos gêneros

Introdução polêmica[editar | editar código-fonte]

A intenção da introdução é defender a necessidade da crítica literária, distinguir a natureza da crítica literária de outras formas de crítica e esclarecer a diferença entre a experiência direta com a literatura e o estudo sistemático da crítica.

Algumas razões justificam chamar a introdução de 'polêmica'. Ao defender a necessidade da crítica literária, Frye opõe-se à noção, comum a Tolstoy e ao pensamento romântico, de que o 'sabor natural' é superior ao estudo acadêmico (e por extensão, à crítica).

Frye também acusa uma série de métodos (eg. marxista, freudiano, Junguiano, neoclássico, etc) como sendo representantes de uma falsidade determinista. Ele não se opunha a nenhuma dessas ideologias em particular, mas via a aplicação de qualquer ideologia à literatura como um desvio da crítica genuína. Segundo ele, isso seria submeter um trabalho literário ao gosto filosófico individual e glorificação ou demonização de um autor conforme sua preferência ideológica.

Outra razão é distinguir o gosto pessoal da crítica genuína. O gosto pessoal é muito facilmente influenciado pelo moral vigente, valores e costumes da sociedade num determinado período histórico. Se o gosto sucumbe inteiramente a essas forças sociais, o resultado é mesmo que se adotar pontos de vista condicionados por preferências ideológicas, conforme dito acima. Assim. se há um consenso entre os críticos de que o trabalho de John Milton é melhor que de R. D. Blackmore (para usar um exemplo do próprio Fraye), a crítica contribui pouco ao afirmar isso. Em outras palavras, julgamentos de valor contribuem pouco para a crítica inteligente.

Em lugar da crítica sem sentido, Frye propõe uma crítica genuína que baseia seu método no corpo literário propriamente dito. A crítica literária deve ser o estudo sistemático dos trabalhos literários, exatamente com a física estuda a natureza e as história estuda os acontecimentos e ações humanos. Frye assume explicitamente que para ser possível um estudo sistemático, o livro já deve possuir uma natureza sistemêmica. Frye argumenta que sabe-se pouco sobre essa sistematização da literatura e que o seu estudo progrediu pouco desde Aristóteles.

Frye conclui a sua introdução abordando os pontos fracos das suas idéias. Ele menciona que a introdução é polêmica, mas que é escrita na primeira pessoa para reconhecer a natureza pessoal dos seus argumentos. Ele admite que os ensaios que se seguem podem apenas dar uma noção preliminar e provavelmente inexata do sistema literário. Ele concede que faz generalizações geralmente falsas à luz de exemplos específicos. Finalmente, ele reafirma que enquanto muitos sentem uma "repugnância emicional" contra a esquematização poética, esse esquematização deve ser considerada um aspecto da crítica, não a vibrante, pessoal e direta experiência do trabalho em si - assim como o geólogo abstrai do seu trabalho sistemático para desfrutar a beleza da montanha.

Primeiro ensaio - Crítica histórica: uma teoria dos modos[editar | editar código-fonte]

Faye inicia sua sistematização da literatura com três aspectos da poesia dados por Aristóteles em sua Poética: mito (enredo), ethos (caracterização e definição) e dianóia (tema/idéia).

Segundo ensaio - Crítica ética: uma teoria dos símbolos[editar | editar código-fonte]

Terceiro ensaio - Crítica arquetípica: uma teoria dos mitos[editar | editar código-fonte]

Quarto ensaio - Crítica retórica: uma teoria dos gêneros[editar | editar código-fonte]

Diversos[editar | editar código-fonte]

  • A dedicatória em latim no início ("Helenae Uxori") é para esposa de Northrop, Helen.
  • Desenvolvida a Teoria do mundo verde de Frye

Notas

  1. Veja After the New Criticism (1980), de Frank Lentricchia, cujo capítulo um, O lugar da Anatomia da crítica de Northrop Frye, começa chamando o livro 'monumental'.

Referêcias[editar | editar código-fonte]

  • Northrop Frye, Herman. Anatomy of Criticism. New Jersey: Princeton U. Press, 1957.
  • Hamilton, A. C. Northrop Frye: Anatomy of his Criticism. Toronto: University of Toronto Press,1990.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]