Anatta

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Anatta (em páli. Lê-se /anat-tá/.) ou anatman (em sânscrito) é um dos conceitos básicos da doutrina budista. Significa, literalmente, "não eu". Diz respeito à inexistência de um "eu" permanente e imutável nos elementos que compõe o universo, ou seja, descreve a insubstancialidade de todos os fenômenos do universo.[1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

De acordo com o budismo, todas as coisas componentes ou condicionadas são impermanentes e estão em constante "estado de fluxo". Segue-se, daí, a ideia de "não eu" (anatta), que nega a existência de uma essência pessoal imutável e independente - em oposição à doutrina hinduísta de atman.

Os budistas afirmam que a noção de um "eu" permanente é uma das principais causas das guerras e conflitos na história humana e que, vivendo de acordo com a noção de anatta ou não eu, podemos ir além de nossos desejos mundanos. Na linguagem cotidiana, fala-se em "alma", "eu" ou "self". Nos meios budistas, porém, existe o entendimento de que nós somos interdependentes e cambiantes, em vez de personalidades independentes e imutáveis.

Segundo a concepção budista, na morte, corpo e mente se desintegram, mas, se a mente desfeita contém quaisquer resíduos cármicos, ela causa uma continuidade de consciência que reverbera em uma mente nascente em outro ser (ou seja, em um feto em desenvolvimento). Portanto, o ensinamento budista é que seres renascidos não são completamente distintos nem completamente iguais a seus antecessores.

Essa noção contrasta com o conceito hinduísta de atman, que seria o ser que reencarna, representando a mais elevada centelha divina em cada ser humano. O pensamento budista nega essa ideia. Tanto o budismo quanto o hinduísmo concluem que há continuidade entre vidas. No entanto, suas doutrinas sobre o que continua de uma vida para outra divergem: no hinduísmo, há um "eu" transcendente (atman); no outro, há apenas tendências e processos mentais que renascem.

Referências

  1. Darmapada: a doutrina budista em versos. Tradução de Fernando Cacciatore de Garcia. Porto Alegre, RS. L&PM Editores. 2010. p. 23.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]