Andaluzia

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Espanha Andaluzia
Andalucía
 
—  Comunidade autónoma  —
Bandeira de Andaluzia
Bandeira
Brasão de armas de Andaluzia
Brasão de armas
lema Dominator Hercules Fundator
Andalucía por sí, para España y la humanidad

(Fundado por Hércules governador: Andaluzia por si, para Espanha e para a humanidade.)

Locator map of Andalusia.png
hino Hino da Andaluzia
Capital Sevilha (legislativa e executiva) e Granada (judicial)
Administração
 - Presidente Susana Díaz (PSOE)
Área
 - Total 87 268 § km²
População (2007)
 - Total 8 059 431
    • Densidade 92,12/km2 
Gentílico: Andaluz, -a
Províncias
Idioma oficial Castelhano
Estatuto de autonomia 11 de Janeiro de 1982
ISO 3166-2 AN
Congresso
Senado
61 assentos
40 assentos
Sítio Junta de Andaluzia
§ 17,2% da área total de Espanha
17,82% da população total de Espanha

A Andaluzia (em espanhol: Andalucía) é uma comunidade autônoma de Espanha. Está localizada na parte meridional do país. É limitada, a Oeste, por Portugal; a norte, pela Estremadura, Castilla-La Mancha e Múrcia; e, a Sul, pelo Oceano Atlântico e Mar Mediterrâneo, numa costa com cerca de 910 quilômetros. A sua capital é a cidade de Sevilha, onde tem, a sua sede, a Junta de Andaluzia, enquanto que o Tribunal Superior de Justiça de Andaluzia tem a sua sede na cidade de Granada.

O seu nome provém de Al-Andalus, nome que os muçulmanos davam à Península Ibérica no século VIII. É a segunda maior comunidade autônoma espanhola e a mais populosa. Tornou-se comunidade autónoma em 1982. Segundo o seu estatuto autonômico, possui a condição de "nacionalidade histórica".

História[editar | editar código-fonte]

A sua origem remonta à Pré-História: o primeiro povoamento da Andaluzia data do período paleolítico. Por volta de 1000 a.C., estabeleceram-se diversos povos na região, entre eles os fenícios, gregos e cartagineses. Reino de Tartessos foi o nome pelo qual os gregos denominaram a região que tinha, por linha central, o vale do rio Tartessos, que, depois, os romanos chamaram de Bétis e os árabes de Guadalquivir. No século VI a.C., Tartessos desapareceu abruptamente e, quando os romanos lá chegaram, o reino já não existia mais. Os cartagineses abandonaram a região quando Cartago foi derrotada pelos romanos na Segunda guerra púnica.

Os romanos dominaram a região e lhe deram o nome de Bética, ficando ali até as invasões dos vândalos e visigodos. Na época do domínio romano, a região era rica e exportava vinho e, principalmente, azeite de oliva. Enquanto os vândalos permaneceram por pouco tempo na região, os visigodos fundaram um reino que durou até a chegada dos muçulmanos oriundos do Norte de África e do Próximo Oriente.

Em 711, os árabes invadiram a região, num domínio que durou oito séculos e que deixou marcas na população e na cultura da Andaluzia. Estabeleceram um emirado com capital em Córdoba que se tornou independente de Damasco no ano de 929. Este período foi de grande prosperidade sociocultural. A agricultura desenvolveu-se muito, tal como as indústrias naval, de papel, do vidro, dos tecidos e da cerâmica. Provavelmente o nome Andaluzia seria uma denominação dos árabes relacionada aos vândalos.

Durante o século XI, o califado debilitou-se em guerras civis, sendo a região conquistada pelos Reis Católicos, facto conhecido como a conquista de Granada, em 1492. A presença árabe na região pode ser constatada por vários monumentos (como as fortalezas de Alhambra e mesquitas como a de Córdoba), assim como palavras incorporadas ao dicionário espanhol.

Depois da conquista castelhana, o território da atual Andaluzia estava ocupado por quatro reinos: Sevilha, Córdoba, Jaén e Granada. Porém, na época o termo Andaluzia só designava os reinos de Jaén, Sevilha e Córdoba. O que é conhecido como território actual só se formou após a Guerra das Alpujarras de 1570-72, quando se deu a total expulsão dos mouros da região. Primeiro, os mouros se dispersaram pelo Reino de Castela, sendo depois totalmente expulsos da península Ibérica em 1609.

A campanha de expansão castelhana na América durante o século XVI causará um período de esplendor na Andaluzia ocidental, especialmente em Huelva, Sevilha e Cádiz, devido a sua situação como porta de saída até a América. O Reino de Granada, pelo contrário, tinha seus interesses no Mediterrâneo. No século XVIII, algumas partes da Andaluzia foram repovoadas por povos vindos de diversas partes de outros países europeus e da região atualmente conhecida como Espanha.

Até o século XIX, a Andaluzia viveu um período dourado, porém a Guerra pela Independência Espanhola (ou Guerra Peninsular) e a independência das colônias espanholas foram fatais. Várias revoltas surgem no território da Andaluzia, entre eles o bandoleirismo (quadrilhas que atacavam viajantes). A grave crise econômica conduziu aos andaluzes a apoiar a revolução de 1868 ("la Gloriosa" ou "la Setembrina") que acabou por destronar a rainha Isabel II. A Primeira República Espanhola fracassa, a monarquia é restituída, assumindo Afonso XII, filho de Isabel II.

Em 1883, é aprovada a Constituição Federal de Antequera, que foi um intento falido por dotar a Andaluzia de um estado independente que se integraria voluntariamente como estado federal em uma federação hispânica. Foi fruto das convulsões vividas desde a revolução de 1868. É neste momento que muitos situam o nascimento do nacionalismo andaluz.

Com apoio do rei Afonso XIII, o general Primo de Rivera inicia uma ditadura na Espanha que durou de 1923 a 1930 mas foi só com a proclamação da Segunda República Espanhola que se tentou resolver alguns problemas da Andaluzia (analfabetismo e reforma agrária). Em 1939 após a Guerra Civil Espanhola, o General Francisco Franco assumiu o poder espanhol e os pequenos avanços feitos a favor da reforma agrária se perderam. Houve avanços na região com desenvolvimento da indústria, turismo e transporte. Com a morte de Franco, a Espanha institui o regime de monarquia parlamentarista e começou uma transição para a democracia.

Em 1980, a Andaluzia adquiriu sua condição atual de comunidade autônoma espanhola e começou sua lenta recuperação. Em 1992, inaugurou-se o trem de alta velocidade entre Sevilha e Madri e se celebrou a Exposição Universal de Sevilha.

Geografia[editar | editar código-fonte]

É a segunda comunidade autônoma espanhola em extensão territorial, perdendo apenas para Castela e Leão.

Clima[editar | editar código-fonte]

A região é influenciada por um clima temperado mediterrânico cujas características variam conforme o relevo. Na Costa do Sol, é o mediterrânico subtropical, com temperaturas amenas no Inverno e não muito elevadas no Verão. A área de Almeria é a mais árida de toda a Europa e, nas montanhas, a temperatura é muito baixa no Inverno, sendo acompanhada de precipitação abundante em forma de neve.

Relevo[editar | editar código-fonte]

Porta Ragua, Sierra Nevada.

Compreende quatro unidades fundamentais:

  • Serra Morena;
  • Cordilheiras Béticas: paralela ao mediterrâneo, seu ponto mais alto é Serra Nevada;
  • Vale de Guadalquivir;
  • Rio Zezere.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

O maior rio da Andaluzia é o Guadalquivir (657 km), que nasce na serra de Cazorla (Jaén), passa pelas cidades de Córdoba e Sevilha, e desemboca em Sanlúcar de Barrameda (Cádiz). Outros rios importantes: Guadiana, Odiel-Tinto e Guadalete-Barbate.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A Andaluzia é a primeira comunidade autónoma espanhola quanto à população, que, em 2006, era de 7 975 672 habitantes. Esta concentra-se sobretudo nas capitais provinciais e na costa, pelo que o nível de urbanização da Andaluzia é bastante alto: metade da população andaluza concentra-se nas 26 cidades com mais de 50 000 habitantes. Em termos de população, é importante demarcar as seguintes áreas (em 2006):

  • Área de Sevilha (1 332 669 habitantes)
  • Área de Málaga (1 099 004 habitantes)
  • Baía de Cádis (621 712 habitantes)

A cidade mais populosa da Andaluzia é Sevilha, com 704 414 habitantes, seguida por Málaga (560 631 habitantes), Córdoba (322 867 habitantes), Granada (237 929 habitantes) e Jerez de la Frontera (206 274 habitantes). A Andaluzia concentra a atual população cigana na Espanha, que é calculada entre 500 000 e 800 000 indivíduos, população esta que teve grande influência na criação de um dos principais elementos da cultura espanhola contemporânea: o flamenco.[1] [2]

Política[editar | editar código-fonte]

O seu Estatuto de Autonomia estabelecem de governa da região a Junta da Andaluzia, o Parlamento da Andaluzia e o Tribunal Superior de Justiça da Andaluzia. O órgão executivo é o Conselho de Governo da Andaluzia e o Parlamento elege 109 deputados.

Divisão política-administrativa[editar | editar código-fonte]

A Andaluzia adquiriu sua autonomia em 1980 após recorrer ao artigo 151 da Constituição espanhola de 1978.

Províncias[editar | editar código-fonte]

Províncias da Andaluzia

A comunidade da Andaluzia divide-se em oito províncias (atualmente são 50 províncias espanholas), segundo o Decreto de 1833 de División Provincial, planejada por Javier de Burgos. Estas províncias, por sua vez, dividem-se em 774 municípios. As províncias são as seguintes:

  • Almeria (635 850 habitantes, 102 municípios)
  • Cádis (1 194 062 habitantes, 44 municípios)
  • Córdoba (788 287 habitantes, 75 municípios)
  • Granada (876 184 habitantes, 170 municípios)
  • Huelva (492 174 habitantes, 79 municípios)
  • Jaén (662 751 habitantes, 97 municípios)
  • Málaga (1 491 287 habitantes, 102 municípios)
  • Sevilha (1 835 077 habitantes, 105 municípios)

Economia[editar | editar código-fonte]

A Andaluzia é rica em recursos minerais como carvão, chumbo, cobre, ferro, quartzo, prata, mármore e também exporta sal a partir de Cádiz e Huelva. Os recursos pesqueiros estão quase esgotados e a indústria está pouco desenvolvida, exceptuando a do turismo, que é a mais rentável. É sobretudo forte na produção de azeite (70% do total espanhol), arroz, frutas, trigo, plantas industriais e na produção de gado. Os vinhos finos de Jerez são muito famosos e de grande qualidade. O comércio está muito desenvolvido e ocupa mais de 50% da população activa.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Situada ao sul da Espanha em uma das regiões mais quentes e com várias praias, a Andaluzia proporciona turismo de "sol e praia". A sua costa é dividida em Costa da Luz (Huelva e Cádiz), banhada pelo oceano Atlântico, Costa do Sol (parte de Cádiz e Málaga), Costa Tropical (Granada e parte de Almería) e Costa de Almería, banhadas pelo mar Mediterrâneo. O turismo cultural mais conhecidos são Alhambra (Granada), a Giralda e a Catedral de Santa Maria (que é a maior catedral da Espanha) em Sevilha e a mesquita de Córdoba. A tourada e o flamenco também atraem a muitos turistas ao Sul de Espanha. Ainda incluem algumas catedrais, igrejas, castelos e fortalezas.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O Comércio com o exterior faz-se por via marítima através dos portos de Cádis, Málaga, Algeciras, Huelva e Sevilha. As auto-estradas asseguram a sua acessibilidade ao resto do país. Através da linha ferroviária de alta velocidade - AVE -, a Andaluzia estabelece ligação directa com o centro do território e num futuro breve fá-lo-á com toda a Europa. Os aeroportos de Málaga e de Sevilha concentram 70% do tráfego aéreo. Em Sevilha, o metro é uma realidade desde 2009, e em Málaga e em Granada está também a ser construído.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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  1. Presseurop. Disponível em http://www.presseurop.eu/pt/content/article/332281-o-pais-dos-ciganos-felizes. Acesso em 13 de abril de 2014.
  2. Flamenco (origem). Disponível em http://www.carmenromero.com.br/origem.html. Acesso em 13 de abril de 2014.