André Glucksmann

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André Glucksmann
Filósofo contemporâneo
Andre Glucksmann.jpg
Nome completo André Glucksmann
Escola/Tradição: Filosofia ocidental
Novos filósofos
Data de nascimento: 19 de junho de 1937
Local: Boulogne-Billancourt
Trabalhos notáveis
  • La cuisinière et le mangeur d’hommes
  • Les maîtres penseurs
  • Silence on tue.

André Glucksmann, (Boulogne-Billancourt, 19 de junho de 1937) é um filósofo e ensaísta francês, um dos principais membros do grupo conhecido como novos filósofos. Militante maoísta na sua juventude, evoluiu progressivamente para um atlantismo moderado. O Papa Bento XVI lhe outorgou o "Prêmio Auschwitz pelos Direitos Humanos João Paulo II" .[1]

Filho de judeus ashkenazi austríacos, André Glucksmann estudou em Lyon, na École normale supérieure de Saint-Cloud.

Em 1968, quando era assistente de Raymond Aron na Sorbonne, publicou seu primeiro livro, Le Discours de la Guerre, e participou dos acontecimentos de maio e do jornal estudantil Action. Em seguida, torna-se militante maoista. Ferrenho defensor da Revolução cultural chinesa frequentemente entra em confronto com os membros do Partido Comunista Francês (inclusive fisicamente), qualificando-os de revisionistas burgueses. Em 1972, classifica a França como uma ditadura fascista em artigo publicado na revista Les Temps modernes[2] e propõe incendiar a Europa, de Lisboa a Moscou. [3] .

Seu primeiro livro, Le Discours de la Guerre, foi publicado em 1968. Em 1975, publica La Cuisinière et le Mangeur d'Hommes - réflexions sur l'État, le marxisme et les camps de concentration, no qual afirma que o marxismo conduz inevitavelmente ao totalitarismo, e compara os crimes do nazismo e do stalinismo. No livro seguinte, Les Maîtres penseurs, publicado em 1977, procura mostrar a justificativa intelectual do totalitarismo contida nas ideias de vários filósofos alemães - Fichte, Hegel, Marx, e Nietzsche. Os dois livros têm grande sucesso. André Glucksmann passa então por uma notável transformação política, que o leva a romper com o marxismo e a associar-se à corrente dos chamados novos filósofos. Nos anos 1970, torna-se um grande contestador do regime soviético.

No fim da guerra do Vietnam, após a retirada das tropas americanas e a tomada de Saigon pelas forças do Vietnam do Norte, André Glucksmann, Jean-Paul Sartre e Raymond Aron lançaram, em janeiro de 1979, uma operação de salvação denominada Un bateau pour le Vietnam em favor dos boat-people, os civis que fugiam do Vietnam em barcos improvisados. A foto, feita nas escadarias do Palácio do Eliseu tornou-se célebre [4] .[5]

A conversão ao atlantismo[editar | editar código-fonte]

En 1985, Glucksmann, Revel e Bernard-Henri Lévy assinam uma petição para que Ronald Reagan continuasse a apoiar os Contras na Nicarágua. Ao longo dos anos 1980, publica outras obras e faz a cobertura da queda do muro de Berlim, para a imprensa francesa. En 1995, apóia a retomada dos testes nucleares por Jacques Chirac. Como Bernard-Henri Lévy, apóia a intervenção da OTAN na Sérvia, em 1999, e a causa independentista da Tchetchênia.

Apoio a Nicolas Sarkozy[editar | editar código-fonte]

Nas eleições presidenciais francesas de 2007, apoiou Nicolas Sarkozy e desafia a esquerda, que, segundo ele, "pensa que é moralmente infalível" mas renunciou ao combate de ideias e à solidariedade internacional. Em seguida, critica as relações amistosas entre Sarkozy e Vladimir Putin[6] . Uma réplica [7] de Jean-Marie Laclavetine coloca em discussão a credibilidade de Glucksmann, ao comparar seus compromissos políticos atuais com suas antigas posições maoístas.

Maio de 1968, segundo Glucksmann[editar | editar código-fonte]

André Glucksmann avalia que a percepção tradicional dos acontecimentos de maio de 1968 como um movimento de esquerda, antiautoritário, uma revolução cultural e dos costumes, é restrita, tanto em razão dos preconceitos como pela recuperação do evento pelos partidos de esquerda - em especial pelo Partido Socialista Francês. Ele analisa o maio de 1968 como uma revolução que se produz de maneira cíclica, a cada 25 anos, aproximadamente - como foi o existencialismo - e a percepção do fato é dificultada, pois é estudado como um objeto político - não como fato histórico. Segundo Glucksmann, o maio de 1968 foi uma revolução antitotalitária, uma forma de revolta nascida em 1956, com a revolução húngara, apoiada por grande parte da esquerda francesa da época. "Lembram-se quando, em 1968, Daniel Cohn-Bendit interpelava os « crápulas stalinistas », os chefes da CGT e Aragon, a quem perguntou: o que você fazia durante as deportações, as grandes fomes na URSS durante os anos 1930? Você tem sangue nos seus cabelos brancos." [8]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

No seu livro Lettre ouverte à ceux qui sont passés du col Mao au Rotary ("Carta aberta aos que passaram do colarinho Mao ao Rotary" [9] Guy Hocquenghem, traça, de maio de 1968 a maio de 1986, as carreiras e as traições dos « arrependidos » socialistas e esquerdistas, cometidas durante a era Mitterrand. Segundo o autor, André Glucksmann fez parte desse grupo de « renegados ».

André Glucksmann é eventualmente citado como membro do PNAC. De fato, em 2004, foi um dos signatários (ao lado de personalidades tão diversas como Massimo D'Alema ou Joe Biden) de uma carta aberta apresentada pelo think tank neoconservador aos chefes de Estado e de governo da União Europeia e da OTAN [10] . Glucksmann é também membro do Cercle de l'Oratoire ("Círculo do Oratório"), um outro think tank neoconservador.

Em 6 de janeiro de 2009, durante o ataque israelense à Faixa de Gaza, publica um artigo no jornal Le Monde intitulado « Une riposte excessive » ("Uma resposta excessiva"), no qul defende a legitimidade da intervenção das forças armadas israelenses na Faixa de Gaza e lança uma questão retórica : "Qual seria a justa proporção que se deve respeitar para que Israel mereça opiniões favoráveis? (...) Seria conveniente que Israel espere pacientemente até que o Hamas, graças ao Irã e à Síria, "equilibre" seu poder de fogo ? (...) Será que desejamos, na verdade, implicitamente, que Israel se "proporcione" aos desejos exterminadores do Hamas?" E ele mesmo responde: "Não é desproporcional querer sobreviver." [11]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
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  • Les deux chemins de la philosophie (2009)
  • La Plus Belle Histoire de la Liberté, com Nicole Bacharan e Abdelwahab Meddeb (2009)
  • Mai 68 expliqué à Nicolas Sarkozy (2008)
  • Une rage d'enfant (2006)
  • Le Discours de la haine (outubro de 2004)
  • Ouest contre Ouest (agosto de 2003)
  • Descartes c'est la France (outubro de 1987)
  • Dostoievski à Manhattan (janeiro de 2002)
  • La Troisième Mort de Dieu (março de 2000)
  • Cynisme et passion (janeiro de 1999)
  • Le Bien et le mal (setembro de 1997)
  • De Gaulle où es-tu ? (março de 1995)
  • La Fêlure du monde (dezembro de 1993)
  • Le XIème commandement (janeiro de 1992)
  • Silence, on tue (outubro de 1986), com Thierry Wolton
  • L'Esprit post-totalitaire, precedido de Devant le bien et le mal (maio de 1986), com Petr Fidelus
  • La Bêtise (março de 1985)
  • La Force du vertige (novembro de 1983)
  • Cynisme et passion (outubro de 1981)
  • Les Maîtres penseurs (março de 1977)
  • La Cuisinière et le Mangeur d'Hommes - Réflexions sur l'État, le marxisme et les camps de concentration (1975)
  • Stratégie et Révolution en France (1968)
  • Discours de la guerre, théorie et stratégie (1967)

Filmes[editar | editar código-fonte]

  • Sauve qui pense - Rette sich wer denkt - Retrato de André Glucksmann. França/Alemanha, 1998. Filme produzido por ZDF/Arte, dirigido por Christoph Weinert[12] .

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. El Papa entrega a André Glucksmann el Premio para los derechos humanos. Zenit, 10 de dezembro de 2009.
  2. Les Temps modernes, n°310 bis (1972)
  3. Conforme relato de Raymond Aron, em Mémoires
  4. Foto de junho de 1979: Glucksmann, Sartre e Raymond Aron na escadaria do Palácio do Eliseu.
  5. La dernière rencontre. Por Michel-Antoine Burnier. L'Express, 28 de setembro de 1995.
  6. Glucksmann critique la politique étrangère de Sarkozy. Nouvel Observateur, 22 de junho de 2008.
  7. Glucksmann, ou l'amour du grand homme, por Jean-Marie Laclavetine, no jornal Le Monde
  8. Mai 68 vu par André Glucksmann. Conferência do Figaro, relatada por Astrid Eliard. Le Figaro, 12 de maio de 2008, p. 15.
  9. Lettre ouverte à ceux qui sont passés du col Mao au Rotary
  10. An Open Letter to the Heads of State and Government of the European Union and NATO, 28 de setembro de 2004
  11. Gaza, une riposte excessive ? par André Glucksmann.. Le Monde, 6 de janeiro de 2009.
  12. Christoph Weinert, diretor alemão
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