André de Longjumeau

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
André de Longjumeau
Nascimento ca. 1200
Morte ca. 1271 (71 anos)
Nacionalidade Royal Standard of the Kingdom of France.svg francesa
Ocupação missionário, diplomata

André de Longjumeau (Longumeau, Lonjumel, etc.) foi um missionário dominicano francês e um dos diplomatas ocidentais mais ativos no Oriente no século XIII. Chefiou duas embaixadas ao território mongol: a primeira encarregada das cartas do Papa Inocêncio IV e a segunda dos presentes e cartas de Luís IX de França para Güyük Khan. Bem familiarizado com o Oriente Médio, tinha domínio da língua árabe e "caldeia" (talvez fosse siríaca ou persa).1

Missão pela Santa Coroa de Espinhos[editar | editar código-fonte]

André foi a Constantinopla para buscar a Coroa de Espinhos comprada por Luís IX junto a Balduíno II. Ela está preservada atualmente em um relicário do século XIX, na Catedral de Notre-Dame de Paris.

A primeira missão de André no Oriente ocorreu quando o rei francês Luís IX o incumbiu de buscar a Coroa de Espinhos que lhe havia vendido o imperador latino de Constantinopla Balduíno II em 1238, que estava ansioso para obter apoio para o seu império cambaleante.1 André foi acompanhado nesta missão pelo irmão Jacques.

Missão papal junto aos mongóis (1245–1247)[editar | editar código-fonte]

André de Longjumeau liderou uma das quatro missões enviadas aos mongóis pelo Papa Inocêncio IV. Partiu de Lyon na primavera de 1245 em direção ao Levante.2 Visitou os principados muçulmanos na Síria e representantes das igrejas nestoriana e jacobita na Pérsia, finalmente, entregou a correspondência papal a um general mongol perto de Tabriz.3 Em Tabriz, André de Longjumeau reuniu-se com um monge do Extremo Oriente, chamado Simeão Rabban Ata, que tinha sido encarregado pelo de proteger os cristãos no Oriente Médio.4

Segunda missão junto aos mongóis (1249–1251)[editar | editar código-fonte]

No acampamento mongol próximo à cidade de Kars, André se encontrou com certo Davi, que em dezembro de 1248 apareceu na corte do rei Luís IX de França em Chipre. André, que já estava com Luís, traduziu a mensagem de Davi para o Rei, uma oferta real ou pretensa de aliança do general mongol Eljigidei, e uma proposta de um ataque conjunto contra as forças islâmicas na Síria.

Em resposta a esta, o soberano francês enviou André como seu embaixador para se encontrar com Güyük Khan; com Longjumeau foi seu irmão Guilherme (também um dominicano) e vários outros - John Goderiche, João de Carcassonne, Herbert "Le Sommelier," Gerbert de Sens, Robert (um funcionário), certo William, e um funcionário não identificado de Poissy.

O pequeno destacamento partiu em 27 de janeiro de 1249, com cartas do rei Luís e do legado papal, e ricos presentes, incluindo uma tenda que serviria de capela, forrada com um pano vermelho e bordada com imagens sagradas. De Chipre eles foram para o porto de Antioquia, na Síria, e de lá viajaram por um ano até chegarem à corte do , fazendo dez léguas (55,56 quilômetros) por dia. Sua rota os levou através da Pérsia, ao longo das margens sul e leste do mar Cáspio e, certamente, através de Talas, a nordeste de Tashkent.

Na chegada à suprema corte mongol - aquela do rio Imyl (perto do lago Alakol e da fronteira atual russo-chinesa nas montanhas Altai), ou mais provavelmente em, ou perto de Caracórum, a sudoeste do lago Baikal - André encontrou Güyük Khan morto, envenenado, como supôs o enviado, por agentes de Batu Khan. A mãe-regente Oghul Qaimish (o "Camus" de Guilherme de Rubruck) parece tê-lo recebido e dispensado com presentes e uma carta para Luís IX, a última um belo exemplar de insolência mongol. Mas é certo que bem antes do que desejava o frade, o "tártaro" Möngke, sucessor Güyük, havia sido eleito.

O relatório de André para seu soberano, a quem ele se juntou em 1251 em Cesareia na Palestina, parece ter sido uma mistura de história e fábula; esta última afeta sua narrativa no que diz respeito ao surgimento do poder mongol, e às lutas de seu líder Gengis Khan contra Preste João; é ainda mais evidente na posição atribuída à terra natal dos mongóis, próximo à prisão de Gogue e Magogue. Por outro lado, o relato do enviado com relação aos costumes mongóis é bastante preciso, e suas declarações sobre o cristianismo entre os mongóis e seu progresso, embora talvez exagerado (por exemplo, para as 800 capelas sobre rodas nas tribos nômades), são baseados em fatos.

Montes de ossos marcavam seu caminho, testemunhos da devastação que outros historiadores registram em detalhes. Encontrou prisioneiros cristãos da Alemanha, no coração da "Tartária" (em Talas), e foi obrigado a assistir à cerimônia de passagem entre dois fogos, como um portador de presentes para um morto Khan, presentes que eram, naturalmente, vistos pelos mongóis como prova de submissão. Este comportamento insultuoso, e a linguagem da carta com que André reapareceu, marcou o fracasso de sua missão: o rei Luís, conta João de Joinville, "se repenti fort" ("fiquei muito triste").

Morte[editar | editar código-fonte]

André morreu algum tempo depois de 1253, quando participava de uma missão na Palestina. O missionário franciscano, Guilherme de Rubruck, em seu trabalho sobre os costumes asiáticos, declara que tudo o que ouviu de André sobre o assunto foi plenamente confirmado por suas próprias observações pessoais.

Notas

  1. a b Roux, "Les explorateurs", p.96
  2. Gregory G. Guzman, "Simon of Saint-Quentin and the Dominican Mission to the Mongol Baiju: A Reappraisal" Speculum, Vol. 46, No. 2. (Abril., 1971), p. 235.
  3. Igor de Rachewiltz, Papal Envoys to the Great Khans (Stanford University Press, 1971), p. 113.
  4. Richard, "Histoire des Croisades", p.376

Referências