Andrés Caicedo

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Andrés Caicedo
Nascimento 29 de Setembro de 1951
 Colômbia Cali, Valle
Morte 4 de março de 1977 (25 anos)
 Colômbia Cali, Valle
Nacionalidade Colombiano

Luis Andrés Caicedo Estela (Cáli, 29 de setembro de 1951 – Cáli, 4 de março de 1977) foi um escritor colombiano.

Apesar de sua morte prematura, sua obra é considerada como uma das mais originais da literatura colombiana. Caicedo liderou diferentes movimentos culturais na cidade vallecaucana como o grupo literário os Dialogantes, o Cineclub de Cali e a revista Ojo al Cine. Em 1970 ganhou o I Concurso Literario de Cuento de Caracas com sua obra "Los dientes de caperucita", o que lhe abriria as portas a um reconhecimento intelectual. Em sua obra ¡Que viva la música! afirmava que viver mais de 25 anos era uma vergonha, o que é visto por muito como a razão principal de seu suicídio, quando tinha somente 25 anos de idade e havia recebido uma cópia do livro editado por uma editora argentina.[1] [2] [3]

A relevância da obra de Caicedo refere-se à abordagem que faz sobre a sociedade urbana e seus problemas sociais, principalmente com questões contemporâneas. Ao contrário da escola literária do realismo mágico, a obra de Caicedo se inspira completamente na realidade social, o que faz que alguns estudiosos o valorizem como alternativa na América Latina a figuras proeminentes como a de Gabriel García Márquez. Especialmente o jornalista, escritor e cineasta chileno Alberto Fuguet segue a obra de Caicedo, a qual chama " o primeiro inimigo de Macondo".[4] A pesar de su fama en Colombia, Caicedo es poco conocido en América Latina, seguramente devido a sua morte prematura. Sem dúvida, a permanente organização de sua produção literária e a influência que tem em novas gerações de escritores como Rafael Chaparro, Efraím Medina, Octavio Escobar e Ricardo Abdahllah, fazem que cada vez mais se atribua grande valor ao aporte literário do escritor com cara de estrela pop, como se refere o chileno Alberto Fuguet.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Filho de Carlos Alberto Caicedo e Nellie Estela, Andrés foi o caçula das quatro crianças do casal, o único menino. Em 1958, nasceu seu irmão Francisco José, que morreu três anos depois. Na época, Andrés estudava no Colegio del Pilar, instituição a qual ingressou após sua passagem pelo Colegio Pío XII: "um grande estabelecimento de franciscanos”, comentaria alguns anos mais tarde. A raiz de seu mal comportamento na escola – o mesmo Caicedo cuenta que mentia desaforadamente a seus amigos, inventando uma fama e fortuna que não tinha, o que lhe trouxe vários problemas - é transferido em 1964 a outra instituição educativa, o Colégio Calasanz, na cidade de Medellín; nesse mesmo ano escreveria seu primeiro conto, intitulado El Silencio. Sua vida acadêmica logo que retornou a Cali seguiu igualmente turbulenta e intermitente: do Colégio Calasanz passou ao Colégio Berchmans (instituição que marcaria muito seu universo literário), de onde foi expulso, e dali ao San Luis em 1966, lugar do qual também o expulsaram por má conduta; finalmente, se formou no Colégio Camacho Perea, em 1968.

Entre as letras, o teatro e o cinema[editar | editar código-fonte]

Juntamente com seu gosto pela literatura, Andrés mostrava um grande interesse pelo teatro e o cinema. En 1966 escreveria sua primeira obra de teatro, intitulada Las curiosas conciencias; desse mesmo ano data sua história Infección. Um ano mis tarde dirige a obra La cantante calva, de Eugène Ionesco, e escreve as peças El fin de las vacaciones, Recibiendo al nuevo alumno, El Mar, Los imbéciles también son testigos, e La piel del otro héroe; com esta última obra ganharia o Primeiro Festival de Teatro Estudiantil de Cali. Em 1968, ingressa no Departamento de Teatro da Universidad del Valle - instituição que abandonaria en 1971 -; un ano mais tarde ingressa como ator no Teatro Experimental de Cali, onde conhece Enrique Buenaventura.

1969 vem a ser o ano mais prolífico de Andrés Caicedo. Seu início no exercício da crítica cinematográfica nos jornais El País, Occidente e El Pueblo vem a coincidir con vários prêmios literários: sua história Berenice é premiada no concurso de contos da Universidad del Valle, enquanto que Los dientes de Caperucita ocupa o segundo lugar no Concurso Latinoamericano de Cuento, organizado pela revista venezuelana Imagen. Adapta e dirige outra obra de Eugène Ionesco: Las Sillas. Escreve os contos Por eso yo regreso a mi ciudad, Vacíos, Los mensajeros, Besacalles, De arriba a abajo de izquierda a derecha, El espectador, Felices amistades e Lulita, ¿que no quiere abrir la puerta?.

O Cineclube de Cali[editar | editar código-fonte]

Seu gosto pelo cinema o leva a fundar en 1969, junto a seus amigos Ramiro Arbeláez, Hernando Guerrero, Carlos Mayolo e Luis Ospina, o Cineclube de Cali, inicialmente em uma casa ou comuna chamada Cidade Solar, de propriedade de Guerrero. O cineclube se mudou logo para a sala do TEC, em seguida para o Teatro Alameda e finalmente para o Teatro San Fernando. O Cineclube de Cali atraiu uma grande diversidade de pessoas entre estudantes, intelectuais e cinéfilos, que vinham, interpretavam e criticavam aquilo que Andrés, o diretor do cineclube, desejava que vissem.

Em 1970 adapta e dirige La noche de los asesinos, de José Triana; nesse mesmo ano escreve o conto Antígona. Um ano mais tarde escreve Patricialinda, Calibanismo, Destinitos fatales, Angelita y Miguel Ángel e El atravesado; escreve ainda os ensaios Los héroes al principio, sobre a obra de Mario Vargas Llosa La ciudad y los perros, e El Mar, acerca de la obra de Harold Pinter.

Con seu amigo Carlos Mayolo tenta produzir um filme, sem sucesso, a partir do roteiro de Angelita y Miguel Ángel, em 1972. Nesse mesmo ano escreve o roteiro Un hombre bueno es difícil de encontrar, e as histórias El pretendiente e El tiempo de la ciénaga, este último premiado no concurso nacional de contos da Universidad Externado de Colombia.

[[Archivo:Angelitos008oc.jpg‎ |thumb|250px|left|Foto de la obra Angelitos empantanados, realizada por el Teatro matacandelas, de Medellín (2003).]]

A viagem aos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Em 1973, Andrés viaja a Los Angeles e logo a Nova York com a ilusão de vender a Roger Corman quatro roteiros de longa-metragem que havía escrito, e que sua irmã havia traduzido trabalhosamente; sua empreitada teve êxito e Corman nunca chegou a ter os roteiros en suas mãos. “[…] é um ambiente muito difícil e emaranhado, e as pessoas que estão metidas em Hollywood não se animam a colaborar por medo da concorrência […]”, escreveria a sua mãe numa carta, a propósito de seu fracaso. Nos EUA, Andrés começaria a escrever aquela que é considerada pela crítica sua melhor novela ¡Que viva la música! (la única novela que logró terminar), e inicia a redação de un diário que pretendia converter em novela, intitulado Pronto: memorias de una Cinesífilis; além disso, teve a oportunidade de entrevistar o director de cinema Sergio Leone. Sua estada nos Estados Unidos foi o período de sua vida em que mais assistiu cinema.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Maternidad, conto escrito em 1974, seria considerado por ele mesmo como sua melhor obra. Nesse mesmo ano aparece o primeiro número de Ojo al cine, revista especializada que se converteria na mais importante de Colômbia. Também viaja novamente aos Estados Unidos, esta vez para asistir à Mostra Internacional de Cinema. Um ano depois Ediciones Pirata de Calidad publica seu relato El atravesado, graças ao apoio econômico de sua mãe, conquistando certo êxito em nível local.

O suicídio[editar | editar código-fonte]

Fiel a sua idéia de que viver mais de 25 anos é uma insensatez, Andrés tenta suicidar-se duas vezes em 1976; apesar disso escreve mais dois contos: Pronto e Noche sin fortuna, e aparecem os números 3, 4 e 5 da revista Ojo al cine. Entrega a Colcultura o manuscrito final de ¡Que viva la música!, do qual receberia um exemplar editado em 4 de março de 1977; nesse mesmo dia ingere intencionalmente 60 pastilhas de secobarbital, ato que acaba com sua vida.

Analisando sua morte, Alberto Fuguet disse:

“Caicedo é o elo perdido do boom. E o inimigo número um de Macondo. Não sei até que ponto se suicidou ou por acaso foi assassinado por García Márquez e a cultura vigente na época. Era muito menos o roqueiro que os colombianos queriam, e mais um intelectual. Um nerd super atormentado. Tinha desequilíbrios, angústia de viver. Não estava cômodo na vida. Tinha problemas de como manter-se em pé. E tinha que escrever para sobreviver. Se matou porque viu demasiado”, diz.[5]

Influência[editar | editar código-fonte]

O primeiro autor a retomar a linha de Caicedo foi ibaguereño Manuel Giraldo Magil em sua obra 'Conciertos del Desconcierto'. Nos anos 90, a obra Opio en las nubes, de Rafael Chaparro Madiedo, foi vista como uma versão ao extremo de várias histórias caicedianas; a influência do autor de Cali continúa em nossos dias com escritores como Octavio Escobar Giraldo, em seu livro De música lígera, Efraím Medina, que retoma o humor negro caicediano em partes de sua novela Era uma vez o amor mas tive de matá-lo, e Ricardo Abdahllah, que em seu primeiro livro de contos Noche de Quema incluiu várias histórias caicedianas adaptadas aos anos noventa. O Teatro matacandelas apresentou durante dez anos a obra 'Angelitos Empantanados', baseada no trabalho do autor.

Obra[editar | editar código-fonte]

A maioria de seus escritos foram publicados postumamente. Graças ao trabalho editorial de alguns de seus amigos, têm vindo à tona livros que reorganizam seus contos e peças para teatro, bem como seus ensaios críticos sobre cinema. Assim mesmo, foram publicadas algumas cartas que enviou a sua mãe, irmãs e amigos, que permitem evidenciar seus turbulentos estados emocionais. Algumas das recompilações mais conhecidas são:

  • El libro negro de Andres Caicedo (2008). Bogotá: Norma.
  • El cuento de mi vida (2007). Bogotá: Norma.
  • Noche sin fortuna / Antígona (2002). Bogotá: Norma.
  • Ojo al cine (1999). Bogotá: Norma.
  • Angelitos empantanados o historias para jovencitos / A propósito de Andrés Caicedo y su obra (1995). Bogotá: Norma.
  • Recibiendo al nuevo alumno (1995). Cali: Editorial de la Facultad de Humanidades de la Universidad del Valle.
  • Destinitos fatales (1984). Bogotá: Oveja Negra.
  • Berenice / El atravesado / Maternidad / El Tiempo de la ciénaga (1978). Cali: Editorial Andes.

Romances[editar | editar código-fonte]

  • ¡Que viva la música! (1977)
  • Noche sin fortuna (inconclusa) (1976)
  • La estatua del soldadito de plomo (inconclusa) (1967)

Contos[editar | editar código-fonte]

  • Pronto (1976)
  • En las garras del crimen (1975)
  • Maternidad (1974)
  • El pretendiente (1972)
  • El tiempo de la ciénaga (1972)
  • El atravesado (1971)
  • Destinitos fatales (1971)
  • Calibanismo (1971)
  • Patricialinda (1971)
  • Antígona (1970)
  • Berenice (1969)
  • Lulita, ¿qué no quiere abrir la puerta? (1969)
  • Felices amistades (1969)
  • El espectador (1969)
  • De arriba a abajo de izquierda a derecha (1969)
  • Besacalles (1969)
  • Vacíos (1969)
  • Por eso yo regreso a mi ciudad (1969)
  • Los mensajeros (1969)
  • Los dientes de Caperucita (1969)
  • Infección (1966)
  • Calicalabozo (1966), compuesto por quince relatos entre los cuales destaca "Infección"
  • El silencio (1964)

Roteiros de cinema e teatro[editar | editar código-fonte]

  • Un hombre bueno es difícil de encontrar (1972)
  • El fin de las vacaciones (1967)
  • Recibiendo al nuevo alumno (1967)
  • El mar (1967)
  • Los imbéciles están de testigos (1967)
  • La piel del otro héroe (1967)
  • Las curiosas conciencias (1966)

Referências[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. MEDELLÍN BECERRA, Jorge Alejandro y Diana Fajardo Rivera, Diccionario de Colombia, Ed. Norma, Bogotá, 2005-2006, p. 149, ISBN 958-04-8561-5
  2. Outras fontes asseguram que dizia "viver mais de vinte e cinco anos é uma insensatez", como esta biografía do Centro Virtual Isaacs da Universidad del Valle, link revisado em 14 de junho de 2008.
  3. ¡Qué viva la música!, sinopse by es.shvoong.com. Link revisado em 14 de junho de 2008.
  4. CAREAGA, Roberto, "Fuguet prepara antología de Andrés Caicedo, el primer enemigo de Macondo", La Tercera, Santiago de Chile, 22 de febrero de 2008, enlace revisado el 14 de junio de 2008.
  5. CAREAGA, Roberto, Fuguet prepara antología de Andrés Caicedo, el primer enemigo de Macondo, La Tercera, Santiago de Chile, 22 de febrero de 2008. Link retreaved on June 14, 2008.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]