Anexo:História do Clube Atlético Mineiro

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Belo Horizonte foi fundada em 1897 para ser a nova capital do Estado de Minas Gerais.[1] Nos primeiros anos do século XX, havia poucas opções de lazer para a população, principalmente nas áreas periféricas da capital.

Em 1903 chegou à cidade Vitor Serpa, acadêmico de direito que havia aprendido jogar futebol na Suiça.[2] Junto a outros companheiros, Serpa fundou o Sport Belo Horizonte,[3] o primeiro clube de futebol do estado. O clube refletia a hierarquia social e só aceitava como sócios ou jogadores os membros da alta classe local.

Era amadora (1908-1933)[editar | editar código-fonte]

Em 25 de março de 1908, 22 estudantes de classe média fundaram o Atlético Mineiro Futebol Clube.[2] Quase um ano depois, o Atlético enfrentaria o Sport Belo Horizonte em sua primeira partida oficial: em 21 de março de 1909 venceu por 3x0 com Aníbal Machado marcando o primeiro gol da historia do clube. Pouco tempo depois, os jovens fundadores adotaram o nome de Clube Atlético Mineiro e também o famoso uniforme atual, com listras alvinegras.[2]

Em 1914 o Atlético conquistaria seu primeiro título oficial, a Taça Bueno Brandão, torneio patrocinado pelo governador Júlio Bueno Brandão.[4] No ano seguinte foi realizado o primeiro Campeonato Mineiro da história, também vencido pelo Atlético. No entanto, seria o América que dominaria o futebol do estado por aqueles anos, conquistando todos os campeonatos estaduais de 1916 a 1925. A torcida do Atlético esperava por um herói, e os torcedores acreditaram tê-lo encontrado quando Mário de Castro liderou o time na conquista do primeiro bi-campeonato da história do clube nos anos 1926 e 1927. Neste último, o título veio depois de uma goleada por 9x2 sobre o Cruzeiro, até hoje, a maior goleada do clássico. Foi por esse tempo que surgiu o Trio Maldito, formado por Mário de Castro, Jairo e Said, que juntos formaram umas das mais famosas linhas de ataque do período amador do futebol brasileiro.[5] [6]

Em 1929 o Atlético realizaria um antigo sonho: construiu o Estádio Presidente Antônio Carlos, seu estádio particular, que recebeu o nome do governador do estado e sócio do clube, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (IV). O estádio foi inaugurado em 30 de maio daquele ano com uma vitória por 4x2 sobre o Corinthians Paulista.[7] Meses depois da festa de inauguração, no dia 1 de setembro, o Atlético protagonizou um feito pioneiro do futebol local: derrotou por 3x1 o Vitória Futebol Clube de Portugal,[8] na primeira partida internacional realizada nas alterosas.[9] O estádio do Atlético possibilitou aos cidadãos da região assistir a um jogo noturno pela primeira vez. A inauguração da iluminação do estádio aconteceu em 9 de agosto de 1930 e contou com a ilustre presença de Jules Rimet,[10] presidente da FIFA. Ainda na etapa amadora, o Atlético seria outra vez bi-campeão estadual nos anos 1931 e 1932.

Era profissional (1933-presente)[editar | editar código-fonte]

Nos primeiros anos do profissionalismo, o Atlético contaria com a categoria de Guará, que manteve a mística goleadora dos atacantes do Atlético; e a segurança de Kafunga, considerado o maior goleiro da história atleticana. Através da excelência de Guará e Kafunga, entre outros tantos craques daquele período, o Atlético se consagraria campeão dos estaduais de 1936, 1938 e 1939. Mas aquela geração iria mais além das montanhas mineiras: em 1937 o Atlético conquistaria a Copa dos Campeões (FBF),[11] o primeiro título nacional oficial da história do clube.

A década de 1940 seria ainda mais prospera para o Atlético. O time conquistou os títulos estaduais de 1941, 1942, 1946, 1947 e 1949. A torcida atleticana ainda vibrou com jogadores de muito talento, como Carlyle Guimarães Cardoso,[12] artífice do título de 1947. Na década seguinte, o Atlético - já com o status de maior campeão de Minas Gerais e também como campeão nacional oficial[13] - empreenderia sua primeira grande aventura internacional. Em 1950 o clube realizou uma pioneira excursão à Europa, e depois de conquistar grandes vitórias, recebeu de Peco Bauwens,[14] - presidente da DFB - o troféu de campeão do inverno europeu, título simbólico que ficaria famoso no Brasil como Campeão do Gelo.[15] Naquela mesma década, o Atlético ampliaria a hegemonia no estado, conquistando os campeonatos de 1950, 1952, 1953, 1954, 1955, 1956 e 1958, sete títulos em dez anos.

A década de 1960 seria um período difícil para o clube, que conquistou apenas os estaduais de 1962 e 1963. Mas, se em matéria de títulos a torcida alvinegra não teve tantos motivos para comemorar, no que se refere a grandes façanhas, o torcedor pode vibrar com grandes distinções: em 1965, na abertura do Estádio Mineirão, Bugle - jogador do Atlético - foi quem marcou o primeiro gol da história do Gigante da Pampulha;[16] em 1968, o Atlético representou a Seleção Brasileira e venceu por 3x2 a Seleção Iugoslava, vice-campeã da Eurocopa daquele ano;[17] no ano seguinte, o Atlético derrotou por 2x1 a Seleção Brasileira, a mesma que ganharia o tricampeonato mundial em 1970.[18]

Seria no final da década de 1960 e inicio dos anos 1970 que o Atlético ressurgiria com mais força. Treinado por Telê Santana e liderado pelo grande atacante Dadá Maravilha, o Atlético venceu o estadual de 1970 e se consagrou Campeão Brasileiro de 1971. Anos depois da grande conquista alvinegra, Reinaldo[19] - o maior craque da história do clube - estreou no time profissional. Reinaldo foi o líder de uma incrível geração de craques extraordinários[20] como Luisinho, Toninho Cerezo, Paulo Isidoro e Éder Aleixo, entre outros, que fizeram o Atlético famoso no mundo nas diversas excursões internacionais que o clube realizou no período. O Atlético recuperaria o domínio do Estado de Minas Gerais nas décadas de 1970 e 1980, quando conquistou onze títulos em quatorze anos (de 1976 a 1989), incluindo um hexa-campeonato de 1978 a 1983. Lamentavelmente, aquela geração não conseguiu transladar o domínio estadual para a dimensão nacional, ficando bem próximo do título do Campeonato Brasileiro de 1977 e 1980.

Cquote1.svg Tanto no jogo de apresentação, como no de ontem, o Clube Atlético Mineiro de Belo Horizonte, mostrou que não havia o menor exagero quando se publicou sua história e sua superioridade sobre o Cruzeiro.
Trata-se de um time extraordinário (...)
Cquote2.svg
Hoja de Lunes (A Coruña, 1976). Imprensa espanhola depois da conquista do Troféu Conde de Fenosa.[21]

A década de 1990 seria de altos e baixos para o Atlético: nos primeiros anos o time conquistou apenas os campeonatos de 1991 e 1995 a nível estadual, e a Copa Conmebol de 1992, a nível internacional. Na metade final daquela década, e no inicio da seguinte, o atacante Marques - o Xodó da Massa[22] - seria o principal responsável por levar o time ao bi-campeonato da Copa Conmebol em 1997, ao bi-campeonato estadual nos anos 1999 e 2000, e à final do Brasileirão de 1999, feito que classificou o Atlético para a Copa Libertadores da América de 2000.

O novo milênio parecia promissor, no entanto, o Atlético viveria uma crise sem precedentes que culminaria com o rebaixamento à Série B em 2005. A recuperação foi rápida, e o clube retornou à Série A em sua primeira tentativa. No ano seguinte conquistou o estadual com uma bela atuação contra seu rival. Mas as coisas seguiriam mal, o time sempre convivia com o risco de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

Na virada da última década, o Atlético conquistou o estadual de 2010, mas, foi a partir de 2012 que os frutos começariam a ser colhidos. Passando por uma reestruturação na gestão do presidente Alexandre Kalil, o Atlético foi bi-campeão estadual nos anos 2012 e 2013, vice-campeão do Brasileirão de 2012, campeão da Copa Libertadores de 2013, terceiro colocado no Mundial da FIFA de 2013, e campeão da Recopa de 2014. De quebra, a torcida ganhou um novo ídolo: Ronaldinho Gaúcho. Assim, a torcida do Atlético voltou a ter suas esperanças renovadas para os próximos anos.

Referências

  1. A cidade planejada FIEMG. Página visitada em 19 de janeiro de 2009.
  2. a b c História do Atlético Galo Digital. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  3. História do Sport Sport Club FC. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  4. Taça Bueno Brandão Galo Digital. Página visitada em 01 de julho de 2014.
  5. Mário de Castro e o Trio Maldito Folha de S.Paulo. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  6. O Trio Maldito Sul 21. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  7. Atlético 4x2 Corinthians-SP Galo Digital. Página visitada em 29 de julho de 2013.
  8. Atlético 3 x 1 Vitória de Setúbal Galo Digital. Página visitada em 29 de julho de 2013.
  9. Estádio Antônio Carlos Galo Digital. Página visitada em 09 de junho de 2013.
  10. Estádio Antônio Carlos Galo Digital. Página visitada em 09 de junho de 2013.
  11. Dossiê da unificação. Página visitada em 07 de Novembro de 2013.
  12. Carlyle sensacional Tardes de Pacaembu. Página visitada em 21 de fevereiro de 2013.
  13. Dossiê da unificação. Página visitada em 07 de Novembro de 2013.
  14. Dr. Peco Bauwens (1950-1962) DFB. Página visitada em 21 de fevereiro de 2014.
  15. Campeão do Gelo. Página visitada em 01 de Novembro de 2012.
  16. Bugle marca o primeiro gol do Mineirão Galo Digital. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  17. O Galo é Brasil Campeões do Futebol. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  18. Atlético 2x1 Brasil Superesportes. Página visitada em 19 de janeiro de 2013.
  19. Reinaldo, craque imortal Imortais do Futebol. Página visitada em 29 de janeiro de 2014.
  20. Esquadrão Imortal: Atlético 1978 a 1983 Imortais do Futebol. Página visitada em 29 de janeiro de 2014.
  21. Atlético canta y baila en el Conde de Fenosa Canal Deportivo. Página visitada em 3 de outubro de 2011.
  22. Xodó da Massa Terceiro Tempo. Página visitada em 21 de março de 2014.