Anexo:História do Clube Atlético Mineiro

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Esse anexo apresenta a história do Clube Atlético Mineiro.

Índice

História[editar | editar código-fonte]

No longínquo ano de 1904, Vitor Serpa, José Gonçalves, Oscar Americano e outros, foram os precursores que plantaram a semente daquela que é, sem dúvida alguma, a maior paixão do povo mineiro. O Atlético é o mais antigo time de futebol de Belo Horizonte ainda em atividade e sua fundação está intimamente ligada com a onda de popularização do futebol na cidade, na segunda metade da primeira década do século XX. Nos primeiros anos do século passado, Belo Horizonte era uma cidade com o traçado claro: a Avenida do Contorno delimitava o espaço nobre, moderno, limpo e urbano destinado às classes altas. A área periférica abrigava as classes mais baixas e não atraía investimentos públicos. Nessa época, o futebol chegou ao Brasil como um esporte de elite.

Os clubes refletiam a hierarquia social e só aceitavam como sócios ou jogadores os membros da alta classe. Havia pouca opção de lazer para os mais pobres. O Atlético Mineiro Futebol Clube foi o primeiro time da capital mineira a aceitar em seus quadros qualquer pessoa, independente de sua classe social. Por isso, esse clube pode ser considerado um dos poucos pontos de integração social da Belo Horizonte do início do século. Havia poucas opções de lazer em Belo Horizonte no início do século e essas opções eram dirigidas à elite. O Clube Recreativo, fundado em 1894, o Hipódromo inaugurado em 1906 e as casas de diversões eram incentivados pela Prefeitura através de isenção de impostos e doações. Por essa época, o futebol começava a se popularizar no Brasil, introduzido por Charles Miller em São Paulo.

Em 1903, chegou à cidade o estudante carioca Vitor Serpa, que aprendera a jogar futebol na Suíça. No ano seguinte, Serpa começou a divulgá-lo entre alguns amigos. Em 10 de junho de 1904, Serpa e dezenas de companheiros fundaram o Sport Club Foot-ball, primeira agremiação de futebol criada em Belo Horizonte. O Clube era formado por membros da elite da capital: estudantes, funcionários públicos e comerciantes. O campo foi construído na Rua Sapucaí e, no dia três de outubro, aconteceu a primeira partida de futebol na capital, entre dois times do próprio Clube: o de Vitor Serpa e o do presidente da associação, Oscar Americano. Venceu o time de Serpa, por 2 a 1.

O futebol começava a ser praticado apenas pela elite da capital mineira, tendência que se refletia em todo o país. Em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, os primeiros clubes (Associação Atlética Mackenzie College, Fluminense Football Club, Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, respectivamente) eram times de elite, que só tinham jogadores e membros da diretoria que fossem universitários, profissionais liberais ou comerciantes. Pessoas de menor condição financeira não entravam.

Ainda em 1904 eram fundados em Belo Horizonte dois clubes: o Plínio Futebol Club e o Clube Atlético Mineiro, que não deve ser confundido com o atual. Esses clubes eram formados basicamente por estudantes. Criou-se, então, uma liga de futebol entre os três clubes e começaram a disputar um campeonato. O Sport Clube se inscreveu com dois times: o Vespúcio e o Colombo. O Atlético também se inscreveu com dois times: o Atlético e o Mineiro. O Plínio entrou no campeonato com apenas um time. O futebol começava a se destacar entre os membros da elite belorizontina: o campeonato vinha sendo noticiado com certo destaque pelo Jornal Minas Gerais, que inclusive publicou na edição de 6 de novembro de 1904 uma tabela da posição dos clubes nesse primeiro campeonato da cidade.

Infelizmente, o campeonato não foi concluído. As chuvas do mês de novembro estragaram os campos e os jogadores, em sua maioria estudantes, entraram em férias escolares e retornaram para suas cidades de origem, já que boa parte deles vinha para Belo Horizonte apenas para estudar. Vitor Serpa retornou ao Rio de Janeiro, aonde veio a falecer em 1905. A primeira experiência do futebol em Belo Horizonte foi intensa, porém fugaz. Em princípios de 1905, a cidade tinha sete associações de futebol: o Sport Club, o Estrada Futebol Clube, o Atlético Mineiro Futebol Club (novo nome do Clube Atlético Mineiro, não devendo ser confundido com o atual) o Brasil Futebol Clube e o Viserpa Futebol Clube (nome homenageando Vitor Serpa). Apesar de tantos clubes, os jogos foram rareando e o interesse foi diminuindo. Todos esses clubes tiveram vida curtíssima, com exceção do Sport, que sobreviveu até 1909. Os fãs do futebol foram ficando descontentes com a situação. O máximo que se organizava agora eram "peladas" esporádicas. Nos encontros no Parque Municipal, os estudantes se reuniam para os passeios de domingo ou para as corridas de bicicletas, também realizadas nos fins de semana. O futebol ficou, durante algum tempo, relegado a segundo plano.

Em março de 1908, um grupo de estudantes se reunia como de costume, no Parque Municipal. Liderados por Margival Mendes Leal e Mário Toledo, estavam decididos a fundar um novo clube de futebol em Belo Horizonte. Em 25 de março, os rapazes mataram aula e, numa quarta-feira ensolarada, nascia o Atlético Mineiro Futebol Clube, "para sufocar todos os outros". Seguiram-se outras reuniões, realizadas sempre no Parque, nessa época frequentado apenas pela elite da capital. O Atlético nasceu como sendo um time de estudantes. O que diferenciava o Atlético dos outros clubes é o fato de que, desde os primeiros tempos, seus quadros estavam abertos a qualquer pessoa. Pouco a pouco, o Atlético se firmava como o time do povo. E, em suas primeiras partidas, o time já acumulava vitórias.

O escritor Aníbal Machado participou do primeiro time titular do Clube Atlético Mineiro, em 1909, entrando para a história do clube por ter marcado o primeiro gol da história do Atlético Mineiro. Jogou por três anos, até se formar em Direito, participando também da diretoria do clube.

Em 1909, derrotou o Sport Club três vezes consecutivas, o que determinou a dissolução do time fundado por Vitor Serpa.

Na década de 10, Belo Horizonte tinha uma população crescendo ininterruptamente. E, graças à fundação do Atlético, o futebol na cidade ganhou um novo ímpeto. Nos três jogos disputados contra o Sport, em 1909, o público presente no campo (local onde hoje fica a Secretaria de Agricultura) foi de cerca de 3 mil pessoas, quando a capital tinha cerca de 30 mil habitantes. Nessa nova "onda" futebolística, viriam a surgir outros dois importantes clubes: o Yale Atlético Clube, em 1910, e o América Futebol Clube, em 1912. O futebol se enraizava definitivamente na capital. O começo, no entanto, foi difícil. A primeira diretoria do Atlético era composta pelos próprios atletas: ao mesmo tempo em que cuidavam da parte administrativa, tinham que treinar e jogar no time. Para se ter uma ideia da precariedade do clube, o Atlético ganhou da Prefeitura um terreno para construir seu campo e sede na rua Guajajaras, entre São Paulo e Curitiba. O campo não tinha mais que uns 30 metros de largura por uns 75 metros de comprimento, bem abaixo das medidas oficiais. Não havia marcas laterais e a bola saía de jogo quando rolava pelo barranco abaixo. As traves eram dois paus colocados verticalmente e o travessão era uma corda esticada. Já nos primeiros dias, roubaram as traves.

Posteriormente, o Atlético passou a ocupar o campo que foi do Sport Club, ao lado da estação ferroviária. Enfrentando tantas dificuldades numa cidade tão carente de recursos (a diretoria do Atlético teve que procurar muito para comprar uma bola, e assim mesmo teve que se contentar com uma usada, pois nenhuma outra foi encontrada em todo o comércio), o futebol começava a tomar gosto não só da elite, mas do povo em geral. Os jogos atraíam um crescente interesse e o Atlético já contava com uma grande torcida por motivos óbvios: dos três times da capital, o Atlético era o único clube que não impunha restrições à entrada de jogadores ou sócios. O Yale, clube da colônia italiana cuja dissidência daria origem em 1921 ao Palestra Itália (atual Cruzeiro Esporte Clube, que teve vários nomes até chegar ao presente), não via com bons olhos a inclusão de não italianos ou descendentes em seus quadros. E o América Mineiro só aceitava estudantes ou pessoas de posse, sendo um clube altamente elitista.

Em 1914, já com o nome atual de Clube Atlético Mineiro, o time se inscreveu no primeiro torneio de futebol oficial realizado em Belo Horizonte: a Taça Bueno Brandão. Invicto, conquistou o título. No ano seguinte, seria disputado o primeiro Campeonato Mineiro e o Atlético novamente venceu. Nesses primeiros anos, o Atlético começaria a se impor como o clube mais popular da capital mineira. É interessante constatar que, apesar de o América ter sido campeão mineiro por dez vezes consecutivas (de 1916 a 1925), o Atlético era o time que mais crescia em Belo Horizonte, sendo inclusive convidado para jogar em outras cidades, o que era bastante raro na época. A discriminação existente nos outros clubes iria perdurar nos anos vinte e trinta. Só em 1927 o Palestra Itália permitiria o ingresso de não italianos em seus quadros como sócios ou como jogadores, mas ainda assim os não "oriundi" eram quase sempre barrados no time de futebol, dando-se preferência aos "italliani". Nos anos 30, o América ainda restringia o acesso de jogadores pobres durante os testes aos quais eram submetidos os atletas. Nos anos 20 e 30, o Atlético consolidou sua posição de maior clube de Minas Gerais e o mais popular. O Atlético ofereceu à população mais pobre de Belo Horizonte uma oportunidade de inserção no lazer da capital. Era um caminho sem volta. Isso porque o futebol passou a fazer parte do gosto popular e o povo já se identificava com ele.

As massas suburbanas segregadas pelo Poder Público se identificaram com a agremiação que as escolhia sem fazer distinções: o Clube Atlético Mineiro. A razão de ser dos clubes mineiros bem como a própria prática do futebol no estado deve-se ao surgimento do Atlético, que é, sem injustiça nenhuma, o maior representante mineiro para o Brasil e o resto do mundo.

O Galo em seu Terreiro[editar | editar código-fonte]

Said, circulado de amarelo; Jairo, de azul; e Mário de Castro, de vermelho, formavam o "Trio Maldito" do Atlético-MG na década de 1930.

1915 e 1926: o primeiro título e a fila[editar | editar código-fonte]

O Atlético ganhou o seu primeiro título em 1914 e, no ano seguinte, foi campeão do primeiro Campeonato Mineiro da história. A conquista, no entanto, não significou o prenúncio de uma supremacia no estado, papel que na época coube ao América Mineiro, vencedor das dez edições posteriores do torneio. O Galo precisava de um ídolo, e os torcedores acreditaram tê-lo encontrado quando Mário de Castro anotou três gols na sua estreia, no ano de 1925. Os títulos estaduais que o atacante ganhou para o time em 1926 e 1927 só confirmaram essa expectativa.

Décadas de 30, 40 e 50: domínio[editar | editar código-fonte]

Até então, Atlético e América Mineiro protagonizavam o grande duelo pelo domínio de Minas Gerais (conhecido como o Clássico das Multidões). O Cruzeiro Esporte Clube, que na época se chamava Palestra Itália e contava com os irmãos Fantoni, chegou a conseguir o seu primeiro tricampeonato mineiro em 1928, 29 e 30.

O Galo, desde que destronara o América Mineiro, se firmou como o maior time do estado e, em momentos variados, alternava-se no topo ou com o Villa Nova ou com o Palestra Itália. Mas, por volta da década de 1940, a rivalidade com o Cruzeiro Esporte Clube começou a dar sinais de que poderia se tornar uma das mais intensas da América do Sul.

Foi a partir dos anos 50 que a rivalidade Atlético x Cruzeiro explodiu como a mais forte do estado. Nos anos 50, o Galo conseguiu um pentacampeonato estadual: de 1952 a 1956, numa era dourada em sua história, talvez a mais gloriosa. O fato de terem de dividir a taça do estadual de 1956 só fez crescer a rivalidade entre Galo e Raposa, que explodiu nove anos depois com a construção do majestoso Mineirão.

A inauguração do estádio aconteceu no dia 5 de setembro de 1965, com a partida entre a seleção mineira e o CA River Plate da Argentina. Apesar de apoiarem a mesma equipe, atleticanos e cruzeirenses torciam para que fosse um dos seus jogadores que marcasse o primeiro gol no novo templo do futebol mineiro — honra que acabou indo para o atleticano Buglê aos dois minutos do segundo tempo, gol que garantiu a vitória por 1 a 0.

Anos 60, 70 e 80: dos dias difíceis aos dias de glórias[editar | editar código-fonte]

O surgimento da “Era Mineirão” coincidiu com um período de domínio cruzeirense. Com uma equipe altamente talentosa, composta por nomes como Raul Plassmann, Piazza, Dirceu Lopes, Natal e Tostão, o rival levou cinco títulos consecutivos de 1965 a 1969 e teve o Galo como vice-campeão em todos eles.

A terceira dessas disputas foi especialmente difícil para os atleticanos. O Galo havia segurado dois empates contra os defensores do título durante a campanha, um deles sem gols e o outro em 3 a 3. Mas a final acabou sendo controlada pelo Cruzeiro, que venceu por 3 a 1 e 3 a 0 os dois primeiros jogos da melhor de três e saiu campeão,

A partir dos anos 70 foi a vez de o Atlético montar um elenco impressionante. Nomes como João Leite, Luizinho, Toninho Cerezo, Paulo Isidoro, Nelinho, Éder Aleixo e principalmente o inigualável centroavante José Reinaldo de Lima – o “Rei” – fizeram do Galo uma das forças mais temidas no Brasil.

Durante esse período, os atleticanos superaram os rivais seguidas vezes em confrontos diretos e conquistaram 11 títulos estaduais em 14 edições do torneio. Destaque para o hexacampeonato de 1978 a 1983.

Dos anos 90 ao presente: da fila ao título invicto[editar | editar código-fonte]

Depois da virada do século, o Cruzeiro teve melhor desempenho no Campeonato Mineiro, vencendo cinco vezes contra duas do Atlético. Por outro lado, o Galo terminou o antigo milênio como o Campeão do Século XX em Minas Gerais.

Depois de retornar à glória em 2007, quebrando um jejum de sete anos sem o estadual (algo que não ocorria desde o deca do América Mineiro), o Galo venceu o torneio em 2010.

Em 2012, sem fazer muita força, foi novamente campeão, mas desta vez de forma invicta, algo que não ocorria desde 1976. Assim, o Galo espera reviver os dias de glória quando depois de conquistar o campeonato de 1976, emendou um hexa de 1978 a 1983, a maior sequência de títulos mineiros desde a era do futebol amador.

O Galo no Brasil[editar | editar código-fonte]

1937: primeiro campeão brasileiro[editar | editar código-fonte]

A Copa dos Campeões Estaduais, foi organizado pela Federação Brasileira de Futebol (FBF), precursora da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), disputado no começo do ano de 1937, reunia os vencedores dos campeonatos de Minas Gerais (Atlético), São Paulo (Portuguesa de Desportos), Distrito Federal (Rio de Janeiro) (Fluminense FC) e Espírito Santo (Rio Branco Atlético Clube).

Foi a primeira competição interestadual profissional realizada no Brasil. As equipes se enfrentaram em jogos de turno e returno. Quem somasse mais pontos, levaria a taça. Depois de uma estreia decepcionante, sendo goleado pelo Fluminense por 6 a 0, no Estádio das Laranjeiras, o Atlético ainda empatou por 1 a 1 com o Rio Branco, em Vitória, até engrenar e atropelar os adversários.

Nas três rodadas seguintes, o Galo, jogando no extinto Estádio Antônio Carlos, em Lourdes, aplicou três goleadas: 5 a 0 na Portuguesa, 4 a 1 no Fluminense e 5 a 1 no Rio Branco. Ao superar o time capixaba, o Alvinegro assegurou antecipadamente o título. A campanha vitoriosa terminou com triunfo por 3 a 2 sobre a Portuguesa, no Estádio do Canindé, em São Paulo, no dia 14 de fevereiro de 1937.

O time da conquista contava com o goleiro Kafunga e o atacante Guará, ícones da história alvinegra, sob o comando de Floriano Peixoto, o “Marechal das Vitórias”. O artilheiro do Atlético e da competição foi Paulista, com oito gols.

Se o “Nós somos Campeão dos Campeões” foi eternizado em 1969 no hino composto por Vicente Motta, em 1937, outra música embalou a conquista alvinegra. Por aquele tempo, o primeiro hino do Galo - música de Augusto César Moreira e letra de Djalma Andrade - exaltava o clube como o "o mais forte, o mais nobre, o mais bravo e leal".

1959 a 1970: afirmação como um grande no país[editar | editar código-fonte]

O Torneio Roberto Gomes Pedrosa era, até o inicio do Brasileirão, a competição de maior expressão no Brasil. Em 1967 participaram clubes de Minas Gerais (Atlético e Cruzeiro), Rio Grande do Sul (Grêmio e SC Internacional) e Paraná (Ferroviário), além dos clubes que disputavam o Torneio Rio São Paulo.

A última edição foi a de 1970, que se chamou Taça de Prata. Na primeira fase do torneio o Galo terminou em segundo lugar em seu grupo atrás somente do Palmeiras. Na fase semifinal estavam o Cruzeiro e o Fluminense, além do Palmeiras. O Galo não repetiu a boa campanha na primeira fase e terminou a competição num honroso terceiro lugar. Outra competição anterior ao Brasileirão foi a Taça Brasil, que foi criada em 1959 pela CBF para se definir o representante brasileiro na Copa Libertadores.

A Taça do Brasil era disputada entre os campeões estaduais. A grande diferença é que clubes de São Paulo e do Rio de Janeiro, entravam nas semifinais, com os clubes que sobrevivessem ao mata-mata das fases anteriores. Estas fases eram divididas em outros sub-campeonatos como: Taça Brasil Zona Norte, Zona Central, Zona Sudeste e etc.

O Atlético foi campeão da Taça Brasil do Sudeste em 1959, da Taça Brasil Sudoeste/Central em 1964 e da Taça Brasil Central em 1963, 1964 e 1967, neste último derrotou o Botafogo do Rio de Janeiro, que por aquela época possuía uma grande equipe.

1971: primeiro campeão do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

O futebol do Brasil vivia uma época de ouro quando o Campeonato Brasileiro foi criado, em 1971. A Seleção havia acabado de ganhar de forma espetacular o terceiro título da Copa do Mundo da FIFA, em que Rivelino, Jairzinho, Tostão e Pelé brilharam mais do que o sol mexicano. No entanto, não foi o Santos FC de Pelé, o Corinthians de Rivelino, o Botafogo de Jairzinho nem o Cruzeiro de Tostão que venceu a primeira edição do torneio nacional. A glória coube ao Atlético Mineiro.

Os principais responsáveis pela surpreendente conquista foram Telê Santana (“o Mestre”) e Dadá Maravilha, o folclórico atacante também conhecido como “peito de aço” e “beija-flor”. Dadá Maravilha tinha esquentado o banco de reservas quando o quarteto supracitado conduziu o Brasil ao tricampeonato de 1970, mas, apenas um ano depois, foi o atleticano que roubou a cena, ofuscando todos os companheiros de seleção e garantindo o título ao clube mineiro.

1977: melhor campanha do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

Em 1977 o Atlético construiu vários recordes naquela edição do Brasileirão, alguns deles foram quebrados, como o caso de seu artilheiro, Reinaldo, que marcou 28 gols, e só seria superado por Edmundo em 1997 (20 anos depois) com 29 gols, igualado por Guilherme (também do Atlético) em 1999 e, também superado por Washington do Atlético-PR em 2004.

Mas alguns recordes se mantiveram até hoje, por exemplo, o melhor inicio de Brasileirão ainda é do Galo: venceu suas oito primeiras partidas no Brasileiro de 1977, batendo inclusive os rivais Cruzeiro e América.[1] Se a Seleção de 1982 ficou marcada por jogar um futebol bonito, mas ter falhado na tentativa de ganhar o título mundial, cinco anos antes, o Atlético já construía história semelhante no Brasileirão. Contudo, o time alvinegro, comandado por Barbatana, chegou muito mais perto de erguer a taça. Depois de uma campanha impecável, o Galo, que não perdeu naquela competição, chegou até a final com ampla vantagem sobre o rival.

Contra o São Paulo FC, a decisão foi para as penalidades após um 0 a 0, no Mineirão. Toninho Cerezo, Joãozinho Paulista e Márcio falharam com a camisa alvinegra e viram o Tricolor Paulista se dar melhor com o resultado de 3 a 2. O atacante Reinaldo, craque do Galo na campanha, ficou fora da decisão, suspenso:[2]

“O Reinaldo era o diferencial do time. Era referência da torcida e do time. O cara como o Rei faz falta sem a menor dúvida”, afirma Toninho Cerezo.


O camisa 9 marcou 28 gols em 18 partidas naquele Brasileiro e poderia ter sido decisivo no jogo final. Até hoje, ele é dono da maior artilharia, no quesito médio de gols, de uma edição do Brasileirão. Mas, mesmo sem Reinaldo, por que o Atlético não conseguiu sucesso? Pergunta difícil de ser respondida,[2]

“São perguntas que os anos passam, passam, passam e você nunca acha uma justificativa”, diz Toninho Cerezo.


“É difícil dizer por que a gente não venceu esse campeonato. Tínhamos 12 pontos à frente do São Paulo FC. Ser vice-campeão com essa vantagem é atípico”, completa o goleiro João Leite.


Para o camisa 1, a ausência de Reinaldo não foi o único fator que pesou,[2]

“É claro que um jogador como o Reinaldo não jogar a final de um campeonato influencia. Mas tem outros fatores naquela derrota nos pênaltis. Até porque foi um jogo violentíssimo e nosso time era muito técnico. Com o campeonato de 1977 dá para escrever um livro. O Atlético teve o artilheiro, mas por causa de um regulamento estranho, perdemos o título. No mínimo, deveríamos jogar pelo empate, pois éramos o time com mais pontos. A nossa única vantagem foi jogar no Mineirão, mas os 12 pontos não contaram em nada a nosso favor. Foi totalmente injusto”.


Esses são relatos de dois atores daquela decisão, o Galo terminou a competição bem à frente dos outros 66 clubes, e com 12 pontos a mais que o “campeão” São Paulo FC.

1978: campeão da Copa dos Campeões da Copa Brasil[editar | editar código-fonte]

A Copa dos Campeões da Copa Brasil foi um torneio de futebol oficial organizado pela CBD (atual CBF), realizado no ano de 1978, disputado por três dos primeiros campeões brasileiros da história: São Paulo FC, Vasco da Gama além do Atlético.

O Galo foi o campeão. Assim, o Atlético pode ser considerado bicampeão dos campeões.

1980: melhor campanha do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

Mais uma vez o Galo chegava à final como o favorito depois de golear o campeão vigente – SC Internacional no Estádio Beira-Rio. A final seria contra o Flamengo, com quem o Galo travaria uma rivalidade intensa nos anos 80.

Dois esquadrões e a final mais emocionante de todos os Campeonatos Brasileiros, segundo muitos jornalistas que acompanharam o duelo. Atlético e Flamengo tinham a base da Seleção Brasileira e, no auge da rivalidade entre os dois clubes, disputavam o título nacional. Na primeira partida, vitória alvinegra por 1 a 0. Reinaldo foi o autor do gol, no Mineirão.

Mas a equipe rubro-negra tinha a vantagem de precisar vencer por apenas um gol de diferença na volta. No Maracanã, na presença de mais de 150.000 pessoas dos quais muitos eram atleticanos, o Galo segurava um 2 a 2, emocionante até o fim da partida. O craque Reinaldo havia marcado os dois tentos alvinegros, mesmo atuando machucado. Mas, aos 38 minutos da etapa final, Nunes fez um lance improvável no canto da área, passou por Silvestre e bateu entre a trave e o goleiro João Leite.

O camisa 1 destaca que as três expulsões sofridas pelo Galo naquele jogo foram influentes no resultado final.[2]

Até mesmo o primeiro jogo é motivo de queixas do Atlético, por conta de uma arbitragem tendenciosa, segundo o olhar de João Leite:[2]

“No primeiro, onde precisávamos fazer o resultado em casa, a CBF escala Romualdo Arppi Filho, um árbitro com toda a característica de segurar muito o jogo. A loteria esportiva na época era muito acompanhada e dava prêmios atrativos. O apelido do árbitro Romualdo Arppi Filho era 'Coluna do Meio'. Quando era ele no apito, os jornalistas, que acompanhavam os jogos, falavam que a oportunidade de dar empate era grande. Foi um jogo tumultuado, parado. Fizemos 1 a 0 e fomos jogar pelo empate no Rio de Janeiro”.


O volante Toninho Cerezo lamenta a chance perdida pelo clube:[2]

“Na decisão de 80, o Reinaldo jogou machucado. O Atlético chegou à final porque tinha capacidade, jogadores, qualidade, toda uma somatória para ganhar o título. A equipe que nós tínhamos era preparada para ser campeã. Se você fizer um levantamento, vai ver que nosso aproveitamento foi superior a 70% nos dois campeonatos, de 77 e 80”.


O Galo terminou a competição com os mesmos 34 pontos do rival rubro-negro, mas levaria vantagem no saldo de gols.

1983: melhor campanha do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

Até antes do mata-mata final, o Galo fizera a melhor campanha do Brasileirão. Mas uma vez mais o time seria prejudicado pela confusão do futebol brasileiro.

O Santos FC participou do campeonato como convidado, já que fora nono no Campeonato Paulista do ano anterior. Naquela época os estaduais eram o critério de classificação para o Brasileirão, em outras palavras o Santos FC não deveria ter jogado aquela edição.

O Galo havia eliminado o Sport Club do Recife e nas semifinais enfrentou o Santos FC. No primeiro jogo o Galo perdeu por 2 a 1. Com uma vitória simples o Galo avançaria até as finais. Mas no jogo da volta o Peixe segurou um empate suado no Mineirão e chegou até à final onde terminou como vice-campeão.

1987: melhor campanha do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

Na manhã de sábado, dia 4 de julho de 1987, no Morumbi foi fundada a "União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro - Clube dos Treze" que reunia os treze principais clubes de futebol do país, que de acordo com um levantamento feito pelo Jornal do Brasil representavam juntos na época 95% de todas as torcidas do futebol brasileiro, e de acordo com o ranking da CBF, eram (e ainda são) os treze primeiros clubes catalogados pela classificação da entidade. Assim, o Clube dos 13 organizou a Copa União, que representaria o Campeonato Brasileiro daquele ano. A criação da Copa União surgiu após uma conciliação entre a CBF e o Clube dos 13, já que uma desobediência à entidade poderia provocar reações da FIFA.

Flamengo e Sport Recife brigam na justiça até hoje pelo título de campeão brasileiro de 1987, pois o rubro-negro (campeão do módulo verde) se recusou em disputar a partida final contra o clube pernambucano (campeão do módulo amarelo). Mas se não fosse por erros de arbitragem nas partidas semifinais entre Atlético e Flamengo, a história hoje contada poderia ter sido bem diferente.

Na primeira fase o Galo se classificou em primeiríssimo lugar com uma campanha irretocável: seis vitórias e dois empates em oito jogos disputados. Estavam em seu grupo times como Grêmio, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e Corinthians. Na segunda fase outra grande campanha: terminou em primeiro lugar com quatro vitórias e três empates em sete jogos. Assim, o Galo, primeiro colocado, enfrentaria o Flamengo, segundo na chave, nas semifinais.

No primeiro jogo, o rubro-negro, além de seus grandes jogadores (Zico, Bebeto e Renato Gaúcho, entre outros), contou com grande colaboração da arbitragem, e conseguiu vencer o Galo por 1 a 0 no Maracanã, quebrando assim a invencibilidade alvinegra. No jogo de volta, mais confusão e erros. O Flamengo abriu 2 a 0 no placar, mas o Galo foi buscar o empate e só não virou o jogo porque Renato Gaúcho aproveitou o erro da zaga atleticano e decretou uma grande injustiça: Flamengo classificado à final, eliminando o melhor time do Brasil.

No geral o Atlético terminou o campeonato com a melhor campanha: vinte cinco pontos, dez vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas, justamente nas semifinais.

1999: vice-campeão do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

Desacreditado como 1971, o Atlético teve um personagem em comum nas duas campanhas. Em 1999, Humberto Ramos assumiu o comando do time na reta final do Campeonato Brasileiro, mas não conseguiu o bicampeonato. Ele foi o técnico do time após a demissão do uruguaio Dario Pereyra.

Mas quem comandava a massa atleticana era a dupla de ataque, formada por Guilherme e Marques. Municiados por Robert e Belletti, eles tinham a segurança de uma defesa bem encaixada, formada por jogadores como Velloso, Caçapa, Galván e Gallo.

No meio da campanha, o Atlético chegou a eliminar o Cruzeiro em dois jogos na melhor de três. A final foi contra o Corinthians. Depois de vencer o primeiro jogo por 3 a 2, no Mineirão, o Atlético foi derrotado no Estádio do Morumbi por 2 a 0. O regulamento previa uma terceira partida, com vantagem para a equipe paulista, dona de melhor campanha na primeira fase.

Contudo, o Atlético não teve o seu garçom Marques nos dois jogos finais. Ele se machucou no Mineirão, na primeira partida.[2]

“Estivemos muito próximos da conquista em 1999. Tivemos uma perda muito importante. O Marques representava 40% do elenco. O elenco era restrito, não tinha substitutos à altura. Além disso, tivemos um pênalti não marcado pelo Márcio Rezende de Freitas, no segundo jogo que poderia ser decisivo”, comenta Humberto Ramos.


O atacante Guilherme aponta a falta de um grupo mais forte como problema para fazer frente ao Corinthians. Marques foi substituído por Curê na segunda partida e depois Lincoln, no duelo final:[2]

De fato o Timão possuía um grande elenco que contava com nomes de peso como Dida, Vampeta, Freddy Rincón, Ricardinho, Marcelinho Carioca, Edilson e Luizão.

2005: crise e ressurgimento[editar | editar código-fonte]

Depois de rivalizar por décadas anteriores com as principais forças do futebol brasileiro, o Galo conheceria a página mais vergonhosa da sua história no ano de 2005 quando o clube foi rebaixado à Série B do Brasileirão. De fato o time vinha numa decadência desde a virada do século e no ano anterior havia se salvado da condenação na última rodada.

O Campeonato Brasileiro de Futebol de 2006 - Série B, foi o primeiro a ser disputa na forma de pontos corridos.

O Atlético foi o campeão com vinte vitórias, onze empates e sete derrotas nas trinta e oito rodadas do campeonato. O que marcou a trajetório vitoriosa do Alvinegro foi a fidelidade de sua fiel e fanática torcida, que bateu todos os recordes de público nas três edições do Campeonato (Séries A, B e C).

2012: vice-campeão do Brasileirão[editar | editar código-fonte]

O Atlético Mineiro voltaria a vivenciar grandes anos, que entrariam para a histórias do Clube, na era moderna do futebol. Apostou em jovens talentos da base e boas contratações, reformulando seu elenco para a temporada de 2012, e formando um time com jogadores de qualidade como o goleiro Victor, o zagueiro Réver, e os atacantes Bernard e , os três últimos convocados recentemente para a disputa da Copa das Confederações pela Seleção Brasileira de Futebol, além do já consagrado meia Ronaldinho Gaúcho, que depois de uma passagem com pouco brilho pelo Clube de Regatas do Flamengo e desentendimentos com diretoria e torcida, acabou sem clube e fora contratado pelo Galo Mineiro, e o também atacante Diego Tardelli, ídolo da torcida atleticana alguns anos antes.

Iniciou-se assim aquele que viria ser o melhor momento do Alvinegro no cenário futebolístico nacional e internacional, com a conquista de um bicampeonato mineiro em 2012 e 2013. O primeiro, numa final contra o América de Minas, em que o Atlético empatou o primeiro jogo em 1 a 1, e goleou o adversário no segundo pelo placar de 3 a 0, ambos os jogos foram realizados no Estádio Independência. O segundo campeonato foi conquistado em cima do arquirrival, o Cruzeiro Esporte Clube, que contava com bons jogadores como os atacantes Borges e Dagoberto, e o zagueiro Dedé, vindo do Vasco da Gama, com uma goleada de 3 a 0 no Independência, e uma derrota por 2 a 1 no mineirão. Este último jogo foi tenso, com a equipe Celeste chegando a abrir 2 a 0 no marcador, mas a esperança cruzeirense acabaria quando Ronaldinho marcou um gol de pênalti aos 32 minutos do 2º tempo, assim sendo, a vitória do rival por 2 a 1 não foi suficiente para encobrir o saldo de três gols criado pelo Alvinegro Mineiro no primeiro jogo.

Além do bicampeonato estadual, o Galão da Massa conseguiu chegar ao Vice-Campeonato brasileiro no ano de 2012, tendo como campeão o carioca Fluminense Football Club, em disputa acirrada pela liderança do começo ao fim do torneio. Assim a equipe se classificou automaticamente para a Copa Libertadores da América de 2013, título tão almejado pela torcida atleticana, que mal sabia, estava por vivenciar estes momentos históricos.

O Galo na América do Sul[editar | editar código-fonte]

O Atlético Mineiro vence o Palmeiras e garante vaga para a Copa Sul-americana de 2008, no Estádio Palestra Itália.

Taça Libertadores da América de 1972: debut[editar | editar código-fonte]

A Taça Libertadores da América de 1972 foi a 13ª edição da Taça Libertadores da América. Participaram vinte equipes de dez países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela.

O Atlético fez sua estreia nesse ano como legítimo campeão brasileiro. Estavam em seu grupo o vice-campeão brasileiro São Paulo FC e os paraguaios Club Olimpia e Club Cerro Porteño, os dois gigantes do futebol do país vizinho.

A primeira participação atleticana na principal competição sul-americana não foi boa: em seis jogos amargou uma derrota e cinco empates (em um deles foi declarado derrota, já que no empate em 2 a 2 com o Club Olimpia o Galo perdeu os pontos por ter tido cinco jogadores expulsos).

Os atleticanos teriam que esperar seis anos para comemorar a primeira vitória em um jogo internacional oficial.

Taça Libertadores da América de 1978: semifinal[editar | editar código-fonte]

A edição de 1978 da Copa Libertadores da América foi a 19ª disputada ao longo da história. Pelo segundo ano consecutivo, a taça foi conquistada pelo Club Atlético Boca Juniors, da Argentina. No ano anterior, o ‘Xeneize’ já havia derrotado o também time mineiro Cruzeiro Esporte Clube na final.

Em 1978 seria a vez do Atlético sentir a força dos argentinos. A fama do Boca Juniors de carrasco do futebol brasileiro se agigantou a partir dos anos 90, mas muito desse mito, segundo os próprios argentinos, se formou quando o gigante portenho deixou para trás os dois gigantes belo-horizontinos para coroar-se bicampeão da América,[3]

O Galo chegou a ser apontado como um dos favoritos ao título. Classificou-se como o segundo melhor time da primeira fase com apenas um ponto abaixo do primeiro. No seu grupo além do São Paulo FC, estavam os chilenos Unión Española e Club Deportivo Palestino. O Atlético foi o “campeão” do grupo com dois empates e quatro vitórias nos quatro últimos jogos.

Mas na semifinal o Galo caiu num grupo que tinha o River Plate da Argentina e o Boca Juniors, justamente o campeão de 1977. O Galo perdeu duas vezes com o Boca: 2 a 1 no Estádio Mineirão e 3 a 1 no Estádio La Bombonera. Contra o River Plate venceu um e perdeu outro nos dois jogos que realizou.

No geral o Galo terminou num honroso quinto lugar, onde só teve uma classificação melhor que essa apenas na Copa Libertadores da América de 2013, quando o time alcançou sua primeira final e se sagrou campeão.

Taça Libertadores da América de 1981: polêmica[editar | editar código-fonte]

Mais uma vez o Brasil deveria enfrentar o Paraguai através de seus representantes na primeira fase da competição (estavam no grupo o Club Olimpia e o Cerro Porteño). Mais uma vez o Galo teria o Flamengo pela frente. Ninguém havia esquecido a final do Brasileirão de um ano antes. Por isso, esses seriam os jogos mais esperados da competição. Os dois jogos realizados entre Atlético e Flamengo na fase de grupos terminaram em empate no Mineirão e no Maracanã. E se não bastasse isso, os dois terminaram empatados em primeiro lugar no grupo.

A Conmebol marcou um jogo extra no Estádio Serra Dourada, Goiânia. Mais de 70 mil torcedores compareceram ao jogo daqueles que eram por aquela época, as duas principais forças do futebol nacional. Toda a rivalidade entre Galo e Flamengo foi posta em campo. Mas infelizmente o jogo terminou aos 38 minutos do primeiro tempo, pois José Roberto Wright expulsou a cinco jogadores do Atlético. O Flamengo seguiria na competição onde foi o campeão derrotando a times como Club Jorge Wilstermann (Bolívia), Deportivo Cali (Colômbia) e Cobreloa (Chile). Sem dúvida nenhuma, foi o jogo mais polêmico da história do futebol nacional.

Copa Conmebol de 1992: primeiro título oficial[editar | editar código-fonte]

A Copa Conmebol, disputada de 1992 a 1999, era uma competição sul-americana oficial de futebol, que envolvia vários clubes do continente bem classificados nos seus respectivos campeonatos nacionais e não se classificaram para a Copa Libertadores da América, além de clubes definidos por outros critérios.[4]

A classificação para a competição era similar a Copa da UEFA, no caso de países considerados 'grandes' como Brasil e Argentina, os clubes desses países teriam mais vagas. No caso do Brasil, o vice campeão da Copa do Brasil junto com os clubes obtivessem que uma colocação do 2º ao 4º lugar no campeonato nacional[4] . É considerada uma precursora da Copa Sul-Americana, pelas formas muito similares de classificação, e por imitar seu formato em jogos de ida e volta.[5] [6] [7] [8] [9] A Copa Conmebol de 1992 foi a primeira edição deste torneio de futebol. O campeão foi o Atlético Mineiro, do Brasil, que na final venceu a equipe do Club Olimpia do Paraguai. Nas fases anteriores o Galo deixou para trás ao Fluminense FC, Atlético Junior (Colômbia), e El Nacional (Equador). O adversário da final, o Club Olímpia, viva uma época bem sucedida em sua história no cenário internacional, pois havia sido campeão da Taça Libertadores da América de 1990, da Supercopa Libertadores também em 1990 e da Recopa Sul-Americana em 1991. Contra o Galo o Rey de Copas foi derrotado por um placar agregado de 2 a 1.

Copa Ouro: finalista[editar | editar código-fonte]

A Copa Ouro ou Copa de Ouro Nicolás Leoz foi um torneio oficial da Conmebol disputado entre 1993 e 1997 (com exceção de 1994, com a parada para a realização da Copa do Mundo), pelos campeões da Copa Conmebol, Copa Master da Supercopa, Supercopa Sul-Americana e Copa Libertadores. A edição de 1993 foi disputada pelos campeões de 1992: Atlético Mineiro (Copa Conmebol), Boca Juniors (Copa Master da Supercopa), Cruzeiro (Supercopa Sul-Americana) e São Paulo (Copa Libertadores).

Na semifinal, jogando no Mineirão, o Galo venceu o Cruzeiro: o Cruzeiro Esporte Clube. O Galo venceu nos pênaltis a única partida da decisão. Esta foi a única vez que os dois grandes de Belo Horizonte se enfrentaram em uma competição internacional oficial.

Na finalíssima, o Alvinegro Mineiro se reencontraria com o Club Atlético Boca Juniors, time que havia enfrentado quinze anos antes pela semifinal da Taça Libertadores da América de 1978. Naquela ocasião os xeneizes levaram a melhor contra os atleticanos, por isso o Galo queria dar o troco, mas teria que esperar por mais sete anos até esse dia.

No primeiro jogo da final, o Mineirão recebeu um público de mais de 70 mil alvinegros, um dos maiores públicos da história de uma decisão sul-americana. O Galo pressionou, mas os argentinos se fecharam e levaram a decisão para a Argentina. Em La Bombonera o jogo foi muito igual, mas o Boca Juniors fez 1 a 0, segurou o resultado e ficou com a taça.

Copa Conmebol de 1995: finalista[editar | editar código-fonte]

A Copa Conmebol de 1995, foi a quarta edicão deste torneio internacional de futebol a nível de clubes organizado pela Confederacão Sul-americana de Futebol. Participaram desseseis equipes de dez países: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Na semifinal o Galo superou o América de Cali e na final jogaria contra o Club Atlético Rosario Central. No primeiro jogo no Mineirão o Galo fez 4 a 0, e para muitas havia colocado as mãos na taça. Mas no jogo de volta, no estádio mundialista Estádio Gigante de Arroyito, os argentinos devolveram a goleada no tempo normal e venceram o Galo nas penalidades.

Copa Master da Conmebol: finalista[editar | editar código-fonte]

A Copa Master da Conmebol ou Copa Conmebol Master (ou ainda Supercopa Conmebol) foi um torneio de futebol disputado no ano de 1996, pelos campeões da Copa Conmebol (dos anos anteriores - ou seja de 1992 a 1995). Não deve ser confundida com a Copa Master, que foi disputada por poucas ocasiões entre os vencedores da Supercopa dos Campeões. A competição, disputada uma única vez e por interesse da emissora de TV brasileira SBT, contou com as equipes do Atlético Mineiro, Botafogo, São Paulo e Rosário Central (ARG). Todos os jogos foram disputados na cidade de Cuiabá/MT em fevereiro de 1996. Na semifinal o Galo derrotou por penalidades o Rosário Central, e na final enfrentaria o São Paulo FC onde foi derrotado por 3 a 0.

Copa Conmebol de 1997: bicampeão[editar | editar código-fonte]

A Copa Conmebol de 1997, foi a sexta edição de este torneio internacional de futebol a nível de clubes organizado por la Confederação Sul-americana de Futebol. Participaram 18 equipes de dez países: Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. O Galo foi o campeão invicto, e o detalhe é que venceu todos os jogos na condição de visitante. O Galo foi o único clube a ser bicampeão da Conmebol, competição que à época tinha estrutura e condições para acesso às vagas similares à atual Copa Sul-americana ou Sudamericana[10] [11] [12] [13] [14] [15] .

Taça Libertadores da América de 2000: quartas-de-final[editar | editar código-fonte]

O Galo voltaria a jogar uma Taça Libertadores da América 19 anos depois. A última havia sido no distante 1981, e os atleticanos sempre se recordam da maneira covarde como o time foi eliminado da competição. No seu grupo estavam adversários teoricamente inferiores ao Galo: Cobreloa (Chile), Club Atlético Bella Vista (Uruguai) e Club Bolívar (Bolívia). O Galo classificou-se em segundo lugar e foi enfrentar o time que até então era a sensação da competição: o Clube Atlético Paranaense.

No primeiro jogo no Mineirão o Galo acabou com a invencibilidade do xará paranaense: 1 a 0, em um jogo muito difícil. Na volta, em Curitiba, foi registrado recorde de público na Arena da Baixada. Muito superior no jogo, de cara o Furacão fez 2 a 0. Nos últimos minutos o Galo empatou e eliminou o Atlético Paranaense nos pênaltis. Na fase seguinte, o Galo enfrentou o Corinthians. Paulistas e mineiros haviam se enfrentado na final do Brasileirão em 1999, e os atleticanos queriam a revanche. No primeiro jogo, com uma arbitragem muito duvidosa, o jogo terminou em 1 a 1. No Estádio do Morumbi, o Timão fez 2 a 0, o Galo diminuiu e pressionou até o último minuto, mas não deu, o Atlético foi eliminado e os paulistas seguiram.

Copa Mercosul de 2000: semifinais[editar | editar código-fonte]

A Copa Mercosul (espanhol: Copa Mercosur) foi uma competição oficial da Conmebol disputada entre os anos de 1998 e 2001 por clubes do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. A competição foi criada para substituir a Copa Conmebol[16] [17] [18] [19] [20] e os integrantes eram escolhidos pela emissora de televisão que patrocinava o torneio. Foi substituída pela Copa Sul-Americana em 2002. O Galo participou da terceira edição da competição em 2000.

O Atlético caiu num grupo que tinha ao Clube de Regatas Vasco da Gama, o Club Atlético Peñarol (Uruguai) e o Club Atlético San Lorenzo de Almagro (Argentina). Dos argentinos o Galo ganhou as duas vezes em que se enfrentaram. Dos uruguaios ganhou uma e empatou outra. Já contra o Vasco (time que seria o campeão) o Galo ganhou uma e perdeu a outra. Assim o Atlético se classificaria como o melhor time da primeira fase: quatro vitórias, um empate e uma derrota. Mas de cara o Galo teve que enfrentar um grande adversário: o Boca Juniors, time que era o campeão vigente da Taça Libertadores da América de 2000.

No primeiro jogo no Mineirão o Alvinegro não tomou conhecimento dos argentinos e venceu por 2 a 0. A imprensa argentina exaltou a atuação mineira e até mencionou que si o Atlético tivesse convertido a superioridade em gols, o Boca teria sido goleado. O diário La Nación postou em destaque: “No Brasil, Boca sofre uma derrota que poderia ter sido pior”:[21]

”O plano alternativo do Boca afundou no Mineirão. A idéia de jogar o compromisso com os suplentes afundou com uma perda de 2 a 0, o que poderia ter afundado definitivamente na Copa Mercosul se o Atlético Mineiro cristalizasse em gol a vasta superioridade no campo. Foi um mal para o Boca nas quartas de final mas é claro que uma revanche na próxima terça-feira em La Bombonera, que deverá desempenhar-se com um time titular para evitar ser eliminado. A equipe de Bianchi fazia quatro meses que não perdia (desde 2 de Julho, por 2-1 contra o Gimnasia, em La Plata). E ontem à noite caiu sem circunstâncias atenuantes. (...) A diferença foi um pouco mais em linha com a produção de cada um, mas foi igualmente mesquinho com Mineiro, que se renderam para comemorar uma vitória”.


No jogo da volta em La Bombonera, com a presença de Diego Maradona nas arquibancadas, o Galo apenas administrou o resultado e classificou-se depois de empatar em 2 a 2. Mas na semifinal, os graves problemas do Atlético, tanto a nível administrativo como dentro de campo, se evidenciaram. Contra o Palmeiras o Galo foi derrotado por 4 a 1 no primeiro jogo e ainda perdeu na revanche no Mineirão por 2 a 0, e deu adeus à Copa Mercosul.

Copa Sul-americana: participações modestas[editar | editar código-fonte]

A Copa Sul-Americana (Copa Sudamericana em espanhol), é uma competição internacional de clubes de futebol da América do Sul, organizada pela Confederação Sul-Americana de Futebol (CONMEBOL). Substituiu, em 2002, as copas Mercosul e Merconorte, que por sua vez substituíram, em 1998, a Copa Conmebol e a Supercopa. Disputada no segundo semestre, é a segunda competição mais importante entre clubes no continente sul-americano, inferior apenas à Copa Libertadores da América.

Na primeira edição em que os clubes brasileiros participaram (Copa Sul-Americana de 2003), o Galo caiu num grupo que tinha a Fluminense e Corinthians. Dos paulistas o Alvinegro ganhou por 2 a 0, jogando em São Paulo, e dos cariocas foi derrotado por 2 a 0 em Belo Horizonte.

Nas edições seguintes, o Galo sempre ficaria ainda na fase nacional sendo eliminado por times como Goiás e Botafogo. Na Copa Sul-Americana de 2010, o Galo chegou até as quartas-de-finais, onde caiu diante do Palmeiras.

Campeão da Taça Libertadores da América de 2013[editar | editar código-fonte]

A campanha da equipe mineira na primeira fase foi avassaladora, com cinco vitórias em seis jogos disputados e apenas uma derrota, totalizando 15 pontos em seis jogos e terminando a fase de grupos com a melhor campanha. Nesta fase também, o Atlético sagrou-se como a equipe a aplicar a maior goleada de um time brasileiro sobre uma equipe argentina, ao vencer o Arsenal de Sarandí por 5 a 2 fora de casa, mesmo resultado do jogo disputado no Independência, com grande atuação de Bernard, que fez três dos cinco gols. A única derrota do time de Minas Gerais até então aconteceu no jogo alcunhado de "jogo treino", pois o Atlético já estava classificado, embora o jogo fosse decisivo para seu adversário, o São Paulo Futebol Clube, que estava na parte de baixo da tabela. A equipe paulista venceu por 2 a 0 em casa, no Estádio do Morumbi.

Nas Oitavas-de-Final, o Atlético pega novamente o São Paulo, desta vez vencendo o primeiro jogo no Morumbi por 2 a 1, e goleando o Tricolor por 4 a 1 no jogo de volta, em esplêndidas atuações de Ronaldinho Gaúcho, que orquestrou o time nas duas partidas.

Nas Quartas-de-Final o Galão pega o Club Tijuana, do México. No primeiro jogo, no Estádio Caliente, a equipe mexicana chegou a estar vencendo pelo placar de 2 a 0, mas o Atlético corre atrás do prejuízo, em grande dia de Tardelli, que inicia a reação aos 20 minutos do 2º tempo, com gol depois de cobrança de escanteio feita por Ronaldinho Gaúcho, e dando o passe para Luan empatar nos acréscimos, aos 46 do 2º tempo. No Independência, em jogo épico, o Atlético-MG empata por 1 a 1 com importantíssimo gol assinalado pelo zagueiro Réver, com uma penalidade máxima defendida pelo goleiro Victor com o pé esquerdo no final da partida, conseguindo assim, a classificação suada pelo critério de gols fora.

Na Semi-Final, um embate dramático. A primeira partida foi contra o Club Atlético Newell's Old Boys, da Argentina, no Estádio Marcelo Bielsa, casa do Newell's. O Atlético é derrotado por 2 a 0, jogando mal e sem conseguir criar grandes oportunidades. No Independência, a história é outra, e o Alvinegro com muita raça consegue a vitória também por 2 a 0, com gols de Bernard, logo aos 2 minutos de jogo no tempo normal, e Guilherme, aos 50 minutos do 2º tempo, levando assim o jogo para as penalidades máximas, e sagrando-se vencedor depois do goleiro Victor defender o chute de Maxi Rodríguez para o Newell's.

Assim chegou o momento que o torcedor do Galo esperou por mais de 100 anos, decidir uma Grande Final de Libertadores da América. O seu oponente seria a equipe paraguaia do Club Olimpia. No primeiro jogo, derrota por 2 a 0, assim como nas semi-finais contra o Old Boys, com dramático gol de falta assinalado no fim do jogo pela equipe do Paraguai, dificultando em muito a vida do Galão, que teve um rendimento muito abaixo do esperado, visto que o Olimpia era considerada uma equipe inferior. Na Finalíssima, no jogo de volta, a partida aconteceu no estádio do Mineirão, por problemas de capacidade no Independência, que segundo a CONMEBOL não tinha espaço suficiente para receber uma final de Libertadores. O Atlético, depois de uma primeira etapa fraca, com chances de gol da equipe paraguaia, fez um segundo tempo no nível de sua equipe, o primeiro tento foi marcado por Jô, o artilheiro da competição, logo no primeiro minuto, depois de falha de marcação do zagueiro da equipe adversária e uma finalização potente e precisa no canto esquerdo, e o segundo pelo zagueiro Leonardo Silva, depois de cabeçada colocada faltando 4 minutos para o fim do tempo regulamentar, abrindo 2 a 0 e levando o jogo para a prorrogação, o Olimpia ainda teria um de seus jogadores expulsos, ficando só com dez em campo. Na primeira etapa do extra jogo, o Galo foi ofensivo e buscou o gol a todo minuto, conseguindo boas finalizações, mas todas parando no excelente goleiro uruguaio Martín Silva da equipe Olimpiana. No segundo tempo da prorrogação, o jogo torna-se mais difícil com o visível cansaço dos dois times, e as jogadas de perigo tornam-se escassas dos dois lados. O atacante Bernard sente câimbras muito fortes na panturrilha, mas como o técnico Cuca já havia efetuado três alterações, não poderia tirar o garoto, que aguentou ficar até o fim, mesmo no sacrifício. Assim sendo, o jogo foi para as penalidades máximas, a decisão foi tensa, mas com uma defesa do iluminado goleiro Victor com os pés na primeira cobrança, os jogadores atleticanos ganharam confiança e converteram todas as suas penalidades, com Alecsandro, Jô, Guilherme e Leonardo Silva. O jogo foi decidido quando o zagueiro Giménez do Olimpia errou seu pênalti, acertando o travessão, e assim o Atlético pôde finalmente sagrar-se como um dos campeões continentais, consagrando o técnico Cuca, que anteriormente tinha fama de "Azarado" por nunca lograr êxito em competições de grande porte, Ronaldinho Gaúcho, como um dos únicos jogadores a serem campeões da Liga dos Campeões da UEFA e da Copa Libertadores da América, e o próprio Galo Mineiro, que por toda sua história sempre foi um dos times mais prejudicados pela arbitragem e pela injustiça dos gramados. Enfim, a justiça foi feita, e a torcida alvinegra foi presenteada com o título mais importante da história de seu time de coração. O Galo disputa, no final do ano, a Copa do Mundo de Clubes da FIFA com os outros campeões continentais.

O Galo no Mundo[editar | editar código-fonte]

1950: Europa[editar | editar código-fonte]

Na fria Europa do pós-guerra, os atleticanos encontraram os estádios lotados para assistir seus jogos, pois havia por parte dos europeus muita curiosidade em torno dos brasileiros, que, segundo notícias recentes, praticavam um futebol revolucionário. E em campo o Galo confirmou as expectativas.

Na Alemanha, o Atlético faria três jogos valendo pelo Torneio de Inverno: contra TSV 1860 München, Hamburger SV e Werder Bremen. Todos os jogos seriam na casa dos adversários.[22] O primeiro jogo foi contra o TSV 1860 München, uma das agremiações esportivas mais antigas do mundo. Foi fundado em 25 de abril de 1860, e tem por rival o Bayern, clube contra o qual faz o clássico de Munique, na Baviera . O clube bávaro havia sido campeão da Copa da Alemanha em 1942. O Galo o derrotou por 4 a 3.

Logo em seguida enfrentou o Hamburger SV, um clube poderoso durante o Terceiro Reich, de um grande sucesso regional. Na Gauliga Nordmark, conseguiu cinco títulos entre 1937 a 1945. Após a guerra, a equipe jogou a Stadtliga Hamburg onde foi campeão em 1946, tendo sido também campeão do campeonato da Zona de Ocupação Britânica em 1947 e 1948, onde apenas estas duas temporadas foram jogadas. Jogando a Oberliga Nord em 16 temporadas, de 1947 até 1963, o Hamburger SV ganhou 15 títulos. O Atlético massacrou o colossal time alemão: 4 a 0, o jogo foi no Bahrenfelder Stadion, campo que depois de uma série de reformas seria palco da Copa do Mundo FIFA de 1974.

No terceiro e último jogo da série, o Galo enfrentou o Werder Bremen. Durante o domínio de Hitler, o time de Bremen prosperou. Com o fim desta era, o clube esteve próximo da extinção, já que o novo governo alemão proibiu a reestruturação de agremiações que tivessem funcionado durante o período nazista. Mas isso não durou muito e em dezembro de 1945 se recuperou. Em 1950, se tratava de uma equipe fortíssima, e derrotou o Galo por 3 a 1.

No final da série de jogos, o Atlético recebeu das mãos do presidente da Federação Alemã de Futebol, Peco Bauwens, o troféu de “campeão do inverno europeu” na presença do embaixador do Brasil na Alemanha.[23]

Depois do inicio vitorioso, o Galo partiu para Gelsenkirchen, onde enfrentaria a um poderoso rival por aquele tempo: o Schalke 04. O clube possui grandes semelhanças com o Galo: tem a fama de possuir uma grande e fiel torcida. Um dos motivos da popularidade do Schalke 04, é que no passado muitos de seus jogadores eram também mineiros, numa cidade em que esta atividade econômica foi muito importante no seu desenvolvimento.

Desde sua fundação, o clube, conquistou sete campeonatos alemães. Seis destes títulos foram conquistados durante os doze anos do regime nazista na Alemanha. O Atlético não tomou conhecimento do clube alemão: 3 a 1 para os mineiros do Brasil. Depois da Alemanha, o Galo partiu para Viena (Áustria), onde jogou com o SK Rapid Wien. O clube austríaco é o maior campeão da Austrian Bundesliga (o campeonato nacional), e um ano depois de enfrentar o Galo, venceria o bicampeonato da precursora da UEFA Champions League: a Copa Mitropa. Lá, o Galo sofreria sua segunda e última derrota na turnê: 3 a 0. O clube austríaco seria a base da Seleção da Áustria na Copa do Mundo FIFA de 1954, sediada na Suíça, na qual terminou na terceira colocação.[24]

A próxima parada seria para jogar contra o 1. FC Saarbrücken. Atualmente o clube joga a 3. Fußball-Liga (terceira divisão alemã), mas no passado o 1. FC Saarbrücken seria o primeiro time alemão a afrontar o Milan na Itália. Foi na primeira UEFA Champions League em 1955. Como representante do Sarre, derrotou os italianos por 4 a 3, jogando no Estádio Giuseppe Meazza, o San Siro. Mas outras considerações históricas devem ser feitas.

Por motivos de disputa entre a França e a Alemanha pela região do Sarre, foi criado um campeonato, a Saarland Ehrenliga. O 1. FC Saarbrücken não quis disputar, preferindo se transferir para a segunda divisão francesa. Venceu facilmente a divisão, mas não pôde disputar o campeonato. Por conta desse fato, durante a temporada 1949-1950, organizou a Internationaler Saarlandpokal (Copa Internacional do Sarre). O clube jogou várias partidas contra equipes provenientes da Áustria, Chile, Dinamarca, França, Suécia, Suiça e Iugoslávia.

O Galo venceu o 1. FC Saarbrücken por 2 a 0, e esse jogo gera dúvidas nos historiadores se foi válido pela Copa Internacional do Sarre, ao que tudo indica sim.[25]

O Atlético jogaria também em Bruxelas na Bélgica. Lá derrotou o RSC Anderlecht, maior clube do país, e que por aquele tempo havia conseguido um tetra nacional. O Galo venceu por 2 a 1, jogando no Stade Emile Versé (atual Constant Vanden Stock Stadium). O RSC Anderlecht possuía a base da Seleção Belga de Futebol que disputaria a Copa do Mundo FIFA de 1954, e contava com o atacante Joseph Mermans (Le Bombardier), um dos maiores atacantes da história daquele país.

Depois foi a Braunschweig, jogar com o Eintracht Braunschweig, uma das equipes mais amadas da Alemanha setentrional. Sob o regime do Terceiro Reich, atuou na Gauliga, um reagrupamento regional, fazendo uma aparição na fase final. Depois da guerra, continuou a jogar a máxima série. Brasileiros e alemães empataram em 3 a 3.

Depois de atuar na Alemanha, Áustria e Bélgica, o Galo foi ao Grão-Ducado do Luxemburgo, pequeno pais de muita importância histórica e estratégica, que remonta a sua fundação como uma fortaleza romana no início da Idade Média. O Galo ficou no empate com a Seleção Luxemburguesa de Futebol (conhecidos na época como De Roude Léiw – Leões Vermelhos): 3 a 3.

A última parada foi em Paris, França. Lá, derrotou o Stade Français por 2 a 1. Este clube teve seu apogeu durante o período do pós-guerra quando disputou a semifinal da Copa da França em 1949. Por esse tempo, o clube parisiense estava fundido com o Red Star (clube fundado por Jules Rimet e que havia sido campeão da Copa da França por cinco vezes).[26] Atualmente, o Stade Français joga profissionalmente apenas o Campeonato Francês de Rugby (o Top 14), onde é um dos times mais importantes.

1972: México[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1972 o Galo embarcaria em uma nova aventura internacional: disputar amistosos no México, país que trazia boas lembranças aos brasileiros. Há menos de dois anos a Seleção Brasileira de Futebol alcançara a glória na Copa do Mundo FIFA de 1970.

No primeiro jogo, o Atlético empataria em 0 a 0 com o time B da Seleção Mexicana de Futebol. Dias depois também ficaria no empate em 1 a 1 com o 1. FC Köln, campeão vigente da Copa da Alemanha. Todos os jogos realizados na cidade de Guadalajara, no Estádio Jalisco, palco de cinco dos seis jogos da Seleção Brasileira na Copa de 70.

Logo depois viajaria para a cidade de León, lá o Galo goleou a equipe principal da Seleção Mexicana de Futebol por 4 a 2. E derrotaria o time B da mesma seleção por 2 a 0. O Galo retornou do México com o troféu do Torneio de León na bagagem.

1976: África, Leste Europeu, Península Itálica e Ibérica[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1976 o time mineiro atravessou o Oceano Atlântico em direção à África, onde conseguiria grandes vitórias contra equipes fortes daquele continente.

Derrotou duas vezes o Union Sportive de Douala, campeão vigente do Campeonato Camaronês de Futebol, por 3 a 2 e 1 a 0. Goleou a seleção de Kumba, que estava representando o Camarões, por 6 a 1.

Derrotou o Tonnerre Yaoundé, que era o campeão vigente da Copa das Confederações da CAF (equivalente a UEFA Europa League e da Copa Sul-Americana) por 4 a 0. Jogadores como George Weah (jogador FIFA em 1995) e Roger Milla (melhor jogador africano do século XX) atuaram no clube camaronês antes de serem famosos na Europa.

Depois da África, o Atlético iria para o Leste Europeu, e na cidade de Bucareste (capital da Romênia), derrotaria o FC Steaua București, maior campeão do Campeonato Romeno de Futebol, por 3 a 0. O jogo foi no recém-inaugurado Estádio Ghencea.

Depois de jogar no leste o Atlético iria à “cittá di Roma”, onde foi derrotado pelo Lazio pelo placar mínimo. O jogo foi no Estádio Olímpico de Roma, que foi usado para Copa do Mundo de 1934 como Stadio Mussolini, em homenagem ao ditador Benito Mussolini.

Dias depois o Galo jogaria o Troféu Conde de Fenosa na Espanha, no Estádio de Riazor. A presença do time mineiro causou grande repercussão na mídia local. Na abertura o Galo derrotou o Real Club Celta de Vigo nos pênaltis, ainda que tenha sido bem superior em todo o jogo, a imprensa espanhola fez o seguinte comentário:[27]

“O torneio Conde de Fenosa continuava seu oitavo ano após a disputa da segunda semifinal. Este foi considerado tão espetacular, já que o Atlético Mineiro Belo Horizonte deu um grande concerto de futebol contra o Celta, apesar de que simplesmente pode classificar-se através das penalidades. No que respeita ao Deportivo e na atual expectativa da final contra os brasileiros, se esperava com curiosidade para o partido de velhas glórias entre Deportivo e Real Madrid dado o fato de que os blanquiazules entraram com Amâncio e Luis Suárez”.


Na partida final goleou o anfitrião Deportivo por 4 a 2 no Estádio de Riazor. A imprensa local exaltou a vitória mineira:[28]

“Tanto por sua apresentação frente ao Celta, como a de ontem contra o nosso Deportivo, o Atlético Mineiro de Belo Horizonte, mostrou que não houve exagero quando se publicou sua história e seus triunfos sobre o Cruzeiro. Pois se trata de uma equipe extraordinária, não apenas no domínio da "pelota" com este ato de equilíbrio, com a intuição habitual dos times do Brasil, mas com grande força física, com clareza sobre o passe longo com a velocidade e um tiro e arranque com tanta força, que são um claro exemplo dos últimos dois gols que fizeram no Deportivo. Claro que para testar este valor, o Atlético Mineiro deveria enfrentar uma das melhores equipes do futebol espanhol, pois nem o Celta e nem Deportivo são pedras de toque para as reais possibilidades do time do técnico Barbatana. Mas, de qualquer maneira, é uma delícia ver essas mudanças rítmicas dos "mineiros" que tecem e retecem um futebol em espera da arrancada, a penetração super rápido, para coroar com um tiro forte”.


Ao final, a imprensa espanhola pede de maneira cômica que os torcedores do Deportivo não precisam rasgar suas camisas já que eles perderam para um “dos melhores times do Mundo”:[28]

”Nosso Deportivo perdeu, e é natural contra tal equipe que é claramente superior ao nosso (...). Mas o 4 a 2 na final do VIII Troféu "Conde de Fenosa" não pode supor que os fãs azul e branco tem que rasgar suas camisas, quando se olha a distância dos melhores times do mundo e o time coruñes”.


O torneio foi disputado entre os anos de 1968 a 1976, exceto em 1970. A partir de sua extinção, o Deportivo passou a ser o principal anfitrião do Troféu Teresa Herrera.

1977: Sudeste Asiático, Oriente Médio e Europa[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1977, o Galo estrearia no Sudeste Asiático (e também na Oceania, considerando que algumas ilhas indonésias estão no continente oceânico).

Na cidade de Jacarta, capital da Indonésia, o Galo foi derrotado pela Seleção Indonésia de Futebol num jogo bastante equilibrado: 3 a 2. Ainda na mesma cidade, o Alvinegro ficou só no 0 a 0 com o Lechia Gdańsk da Polônia. Depois venceu a Seleção Iugoslava de Futebol pelo placar mínimo.

Depois o Galo faria uma gira pelo país asiático jogando contra seleções regionais. O Alvinegro goleou todos os jogos: 7 a 0 na seleção de Bandung, 4 a 0 na seleção de Surabaia e 5 a 0 na seleção de Padang. Depois retornou à Jacarta e derrotou o Persija Jacarta, um dos grandes times daquele país, por 2 a 1.

Depois da Indonésia, foi a vez de atuar no Bahrein, o Galo ficou só no empate com a seleção daquele país: 2 a 2, jogando em Manama. Em Doha no Qatar faria dois amistosos contra a Seleção Qatariana de Futebol, venceu os dois por 4 a 1.

Mas a aventura pelo Oriente Médio não parou, pois o Galo partiu em direção a outro destino: Kuwait. Lá derrotou a seleção local por 2 a 0. A Seleção Kuwaitiana de Futebol havia sido vice-campeã da Copa da Ásia um ano antes, e em 1980 seria a campeã. A excursão finalizaria com uma vitória pelo mesmo placar contra a seleção de Giba na Arábia Saudita.

Sendo um time de grande destaque no Brasil, o Atlético foi convidado a participar do Troféu Cidade de Vigo (realizado em Vigo, Espanha). No jogo de abertura aplicou uma goleada no campeão vigente do Campeonato Soviético de Futebol, o Torpedo Moscou: 4 a 2. Na final derrotou o Sporting Lisboa, um dos mais famosos clubes de Portugal, por 1 a 0.

Dias depois o Alvinegro foi desafiado pelo FC Porto para um amistoso no Estádio das Antas (atual Estádio do Dragão), em Portugal. Embora o jogo tivesse sido de grandes oportunidades para as duas equipes, o Galo foi derrotado por 1 a 0. Para finalizar a turnê, uma passada por Paris, onde ficou no empate em 1 a 1 com o Association Sportive Nancy-Lorraine, time que seria o campeão da Copa da França naquela temporada.

1980: Leste e Oeste da Europa[editar | editar código-fonte]

O Galo chegou à Lille em julho de 1980 e sofreu uma derrota por 2 a 0, jogando contra o Football Club de Nantes, time que por aquele tempo era o campeão vigente do Campeonato Francês (título que obteve por oito vezes e é o terceiro na tabela histórica) e da Copa da França. Quem ‘’pagou o pato’’ foi o Hamburgo SV, que foi derrotado por 4 a 1, na mesma cidade. Em Vittel, o Galo derrotou o FC Sochaux-Montbéliard por 2 a 1.

Da França o Galo viajou até a Romênia, onde disputou amistosos contra dois grandes clubes romenos: perdeu de 1 a 0 para o FC Universitatea Craiova, o popular "campeão de um grande amor", e um dos clubes mais vitoriosos daquele país: possui 4 (quatro) títulos do Divizia A (campeonato nacional) e 6 (seis) da Copa da Romênia. Logo depois empatou por 3 a 3 com o Fotbal Club Timişoara. Do leste europeu para os Países Baixos. Lá, na casa do adversário, o Galo se impôs e goleou o FC Twente por 4 a 1. O time havia sido vice-campeão da Copa da UEFA de 1974-75, e campeão da Copa dos Países Baixos em 1976.

Depois do amistoso nos Países Baixos, o Galo desce até a Península Ibérica, mas especificamente na Espanha, para jogar o Torneio da Costa do Sol. No jogo de abertura derrotou um rival do leste europeu, onde havia estado anteriormente: 3 a 0 no Slavia Sofia, um dos três maiores campeões da Bulgária. Na final derrotou o anfitrião: 1 a 0 contra o Málaga CF. Assim o Galo levantou mais um troféu internacional.

Da Espanha o Alvinegro foi à Itália: na cidade de Nápoles, o Galo derrotou o Napoli por 1 a 0, jogando no Estádio San Paolo. Depois retornou à Espanha para jogar mais uma edição do Troféu Cidade de Vigo. Empatou em 1 a 1 com o FC Barcelona, perdeu nos pênaltis e foi eliminado.

1982: Magreb e Europa[editar | editar código-fonte]

Em 1982 a primeira parada foi no Magrebe africano, mas especificamente na Argélia, lá sofreu o primeiro susto: derrotado pela Seleção Argelina de Futebol por 1 a 0. A seleção da Argélia vivia uma época dourada em sua história: conseguiria se classificar duas vezes seguidas para a Copa do Mundo FIFA em 1982 e em 1986.

Daí partiu para a França, para jogar o Torneio de Paris de Futebol, disputado no famoso Estádio Parc des Princes. No jogo de abertura o Galo goleou o anfitrião, Paris Saint-Germain Football Club, por 3 a 0, com um gol de placa de Reinaldo. Na final derrotou o maior campeão da Prva HNL (a primeira divisão da Croácia), Dínamo Zagreb, por 1 a 0.

O Galo iria à Itália, onde perderia por por 3 a 1 para uma equipe dos Países Baixos, o AZ Alkmaar, que participava naquela temporada pela primeira vez da UEFA Champions League, onde seria eliminado pelo Liverpool FC. Por aquele tempo, o AZ Alkmaar era dirigido por George Kessler, e era o campeão vigente da Eredivisie. Na Copa da UEFA de 1980-81 foi vice-campeão.

Da Itália, o Galo iria ao País Basco (Espanha), disputar o Troféu Villa de Bilbao, no famoso Estádio de San Mamés (“La Catedral”). No primeiro jogo empatou no tempo normal com o Hamburgo SV por 2 a 2, e derrotou os alemães nos pênaltis. Na final, outro empate, desta vez com os donos da casa: 0 a 0 com o Athletic Bilbao, e uma nova vitória por penalidades deu a taça ao Galo.

Depois da vitória na Espanha, o Atlético partiu para a Áustria, e lá ficou no empate com o que hoje é conhecido por Fußball Club Red Bull Salzburg (na época se chamava SV Cassino Salzburg), o jogo foi em Salzburgo.

A viagem continuou e o Galo foi à Mannheim, uma cidade independente da Alemanha, no estado de Baden-Württemberg. Lá ficou no empate em 1 a 1 com o combinado local. Depois massacrou o Wehen Wiesbaden: 8 a 2. A breve turnê na Alemanha terminou em outro empate com o 1. FC Saarbrücken, jogando no Ludwigspark Stadion.

Esses apenas foram jogos preparatórios para a disputa do Troféu Villa de Madrid, um dos torneios mais famosos do mundo. A competição tem o Atlético de Madrid como anfitrião, e por tanto é realizada em sua casa, o Estádio Vicente Calderón, palco de grandes jogos na Copa do Mundo FIFA de 1982.

Na década de 80, a história do Atlético no Brasil seria marcada por erros de arbitragem que prejudicaram o time a alcançar os títulos do Brasileirão e da Copa Libertadores da América. Parece que o fantasma apareceu também na Europa. Convidado para jogar o Troféu Villa de Madrid, o Galo foi apresentado como a principal atração do evento:[29]

”O torneio que em outras edições foi deficitário, nesta edição terá o incentivo das atrações do Atlético Mineiro do Brasil, e o próprio clube organizador, com novos diretores, treinador e jogadores. (...) De qualquer forma, apenas uma equipe brasileira, o Atlético Mineiro, é outra atração no troféu deste ano, ele irá enfrentar o Borussia Dortmund nesta terça-feira, o ex-equipe de Votava. O time de Belo Horizonte reúne em suas fileiras jogadores que encantaram no Mundial: Luizinho, Toninho Cerezo e Éder Aleixo”.


Mas no jogo de abertura contra o Borussia Dortmund, o árbitro cometeu graves erros que acabaram determinando um revés para o time atleticano, que saiu derrotado por 1 a 0 pelos alemães. A imprensa espanhola não se calou, diferente da brasileira, o diário El País publicou em destaque: ”Um mau árbitro ao ponto de provocar um escândalo”,[30]

”A experiência de outro Troféu Villa de Madrid jogado em três dias não é muito apropriado para que o Atlético tente novamente. (...) Uns tantos poderosos tiros de Nelinho e Éder Aleixo, e o amargo escândalo causado por um árbitro ruim, que anulou a falta em dois minutos, por um suposto fora de jogo, que teria sido empate do Atlético Mineiro, não pode tratar do tédio ou justificar o interesse. Em um futebol espanhol (e internacional) que se desloca a base de fãs e televisão, não vale a pena para jogos polêmicos, porque a decepção é generalizada. O Borussia Dortmund jogará a final de hoje contra o Atlético, embora fosse o time brasileiro que merecesse jogar a final”.


O Atlético ainda seria derrotado pelo Pumas do México por 1 a 0. O time mexicano era o campeão vigente do Campeonato Mexicano de Futebol e da Liga dos Campeões da CONCACAF (equivalente da Copa Libertadores da América).

1983: Alemanha, Bélgica, Suíça e Itália[editar | editar código-fonte]

No primeiro jogo da excursão, o Galo se vingaria do Borussia Dortmund derrotando a equipe alemã em seu estádio, o Signal Iduna Park, palco da Copa do Mundo FIFA de 1974, por 2 a1.

Da Alemanha partiu para a Bélgica, onde disputou amistosos em Liège. No jogo de abertura derrotou no Stade du Pairay por 2 a 1, o RFC Liège. Fundado em 1892, no passado ganhou cinco campeonatos da primeira divisão e é um dos fundadores da Federação Belga de Futebol.

Depois da vitória no primeiro jogo, o Galo foi goleado no Stade Maurice Dufrasne por 4 a 2 pelo Standard de Liège, clube que ganhou dez vezes o Campeonato Belga de Futebol. Um ponto alto da história do clube ocorreu um ano antes quando alcançou a final da Taça das Taças, em que perdeu para o FC Barcelona.

Da Bélgica o Galo foi para a Suiça jogar o Torneio de Berna. O Estádio Wankdorf, onde seriam realizados os jogos, não trazia boas lembranças aos brasileiros, lá o Brasil foi eliminado pela Hungria nas quartas-de-final da Copa do Mundo FIFA de 1954.

Mas o Galo Vingador não se importou com a mística negativa do futebol brasileiro naquele ambiente, foi campeão derrotando a dois dos maiores times daquele país: aplicou um 5 a 2 no BSC Young Boys, time que possui 11 (onze) títulos da Swiss Super League (campeonato nacional) e é, ao lado do FC Zürich, o único time suíço que chegou às semifinais da UEFA Champions League.

Na final o Galo derrotou por 6 a 5 nos pênaltis (depois de empatar por 2 a 2 no tempo normal) o Grasshopper Club, clube que é o maior vencedor do futebol suíço, com o maior número de títulos conquistados no país. Duas passagens do Grasshopper Club pelo Brasil ficaram marcadas. Uma foi em 1952 quando o time suíço veio disputar a Copa Rio Internacional e a outra foi em 1993 quando venceu o Flamengo por 2 a 0 em jogo amistoso no Estádio da Gávea.

Da Suíça, outra vez o Galo pisaria em solo italiano para disputar alguns amistosos. Primeiro, jogou contra dois clubes modestos do país: Unione Sportiva Triestina (participou 26 vezes da Série A) e Calcio Padova (participou 16 vezes da Série A), ambos derrotados por 2 a 1 pelo Galo.

No último amistoso, enfrentou a um grande clube, o AS Roma, com quem empatou em 2 a 2, jogando no Estádio Olímpico de Roma. O AS Roma era o campeão vigente da Série A e da Copa da Itália.

1984: Suíça, Itália e Países Baixos[editar | editar código-fonte]

Como campeão vigente do Torneio de Berna, o Galo outra vez apareceria na Suiça, mas ficou sem o título: empatou com o Grasshopper Club e BSC Young Boys pelo mesmo placar: 2 a 2, perdendo nos pênaltis.

Depois partiu outra vez para a Itália onde derrotou o Rimini Calcio Football Club por 5 a 0. A maior goleada que o Galo aplicou num amistoso internacional aconteceria por aquelas datas: na cidade de Cingoli, o Atlético encontraria um clube empolgado, pois havia batido todos os recordes na temporada 1982-83, não só a nível regional, mas também nacional. Mas o Galo não perdoou, e aplicou um 11 a 1 no AS Cingolana 1963. O clube atualmente se desempenha apenas em torneios regionais.

No Estádio Olímpico de Roma, o Galo derrotaria o AS Roma por 2 a 1, no campo que foi palco da Copa do Mundo FIFA de 1934. Depois derrotaria o Modena Football Club por 4 a 1, clube que disputou por 13 (treze) vezes a Série A na Itália, e que revelou os jogadores Giuseppe Baresi e Luca Toni .

Da Itália o Galo partiu para os Países Baixos para disputar o Torneio de Amsterdã. No jogo de abertura vitória por 3 a 2 sobre o Feyenoord, campeão vigente da Eredivisie, e um dos três maiores clubes do país.

No jogo final, enfrentaria o dono da casa: AFC Ajax, clube poderoso no país, e um dos três clubes que ganharam todas as maiores competições europeias juntamente com a Juventus FC e o FC Bayern München. No tempo normal empate em 2 a 2, com Edivaldo marcando para o Galo, Van Basten e Koeman para os holandeses. O Galo venceu nas penalidades e ficou com a taça.

1985: Países Baixos, Espanha e Itália[editar | editar código-fonte]

O Galo retornaria aos Países Baixos em agosto de 1985 para jogar pela segunda vez o Torneio de Amsterdã. O Alvinegro era o campeão vigente. No jogo de abertura passou facilmente pelo Athletic Bilbao.

Mas na final reencontraria o AFC Ajax, time que vencera um ano antes. Os holandeses queriam a vingança, e num jogo que parecia uma final mundial, o Galo não suportou a pressão da equipe anfitriã que jogava em seu terreno, o Estádio Olímpico de Amsterdã. Em tarde inspirada de Rijkaard e Van Basten, o Atlético caiu por 4 a 1.

O Atlético teria mais uma chance desperdiçada de levantar um troféu internacional naquela temporada: o Torneio Cidade de La Linea, na Espanha. No jogo de abertura passou pelo Cádiz CF por 3 a 2. Na final foi derrotado por 3 a 1 para o FC Barcelona, que contou com o atacante Steve Archibald marcando os três gols.

O Galo finalizou a excursão na cidade de Roma, onde ficou num empate em 4 a 4 com o campeão vigente da Copa da Itália: AS Roma, jogando no mítico Estádio Olímpico de Roma.

1986: França, Dinamarca, Alemanha e Países Baixos[editar | editar código-fonte]

Mais uma vez o Galo estava na França, lá disputa dois jogos: 1 a 0 contra o Lille OSC e empata em 0 a 0 com o Budapest Honvéd FC. O clube húngaro é famoso no mundo por ter revelado a Ferenc Puskás, e por aquele tempo era o campeão da Copa da Hungria e do Campeonato Húngaro de Futebol.

Ainda na França, o alvinegro derrota o Boldklubben 1893 por 3 a 2, clube que possui 9 (nove) títulos da primeira divisão da Dinamarca. O curioso é que essa foi a primeira vez que o Atlético disputou um jogo contra um time da região nórdica da Europa.

Da França o Galo parte para o Atlântico Norte da Europa, pela primeira vez estaria naquela região do continente. Jogando nas Ilhas Feroe, derrota a Seleção Feroesa de Futebol por 4 a 1.

Depois da aventura nórdica, o Galo desce a um lugar bastante conhecido: Berlim, lá derrota por 4 a 2 o SV Blau-Weiss Berlin, clube que havia ascendido à Bundesliga naquela época como a sensação do país. Depois, mais uma vez estaria nos Países Baixos, onde derrotaria o FC Twente por 1 a 0, jogando na casa do adversário, o Stadion Het Diekman.

1987: Inglaterra, Países Baixos e Itália[editar | editar código-fonte]

A temporada de amistosos internacionais do Galo começaria contra um grande adversário: vitória sobre o PSV Eindhoven (mesmo time que se sagraria campeão da UEFA Champions League naquela temporada) por 3 a 1. O jogo foi no Old Trafford, na Inglaterra. Mas a alegria atleticana duraria até enfrentar o dono da casa: o poderoso Manchester United, que derrotou o time alvinegro por 3 a 1.

Da Inglaterra aos Países Baixos, o Galo teria um novo compromisso: jogar o Torneio de Rotterdam. No jogo de abertura empate em 2 a 2 com o Standard de Liège, mas perde nos pênaltis e assim teria que disputar o terceiro lugar, onde foi derrotado por 2 a 1 frente ao Feyenoord, o clube anfitrião e que jogava em seu Estádio De Kuip.

O Galo foi até a Itália, onde realizou um amistoso contra um tradicional clube do país: venceu por 3 a 0 o Torino FC, o jogo foi em Sanremo. O clube de Turim já teve uma das maiores equipes da história da Europa. Além de base da Seleção Italiana de Futebol, o clube dominou o futebol do seu país durante a década de 1940, vencendo quatro campeonatos italianos até a Tragédia de Superga.

No segundo e terceiro amistosos venceu por 1 a 0 o Reggina Calcio jogando em Reggio Calabria e, 2 a 1 no US Palermo, jogando no Estádio Renzo Barbera, palco da Copa do Mundo FIFA de 1934.

1990 a 1992: Espanha e Itália[editar | editar código-fonte]

No início dos anos 90, o Galo já não possuía aquele time poderoso que marcou época nos anos anteriores. Em agosto de 1990, partiu para a Espanha onde realizou jogos amistosos e conquistou seu último troféu jogando em solo europeu: o Troféu Ramón de Carranza.

No primeiro jogo, o Atlético Mineiro enfrentou seu xará espanhol, o Atlético de Madrid. O jogo ficou no 0 a 0, e a partida teve que ser decidida nas penalidades com vitória brasileira. A imprensa madrilenha, porém, reconheceu a superioridade mineira e publicou a declaração do presidente do time espanhol: “Deus nos protegeu mais que nunca”:[31]

”O Atlético de Madrid fica pelo terceiro ano consecutivo sem o Troféu Ramón de Carranza. Ontem, ele caiu na disputa de pênaltis depois de um encontro sofrível (...). Jesus Gil fez um bom resumo do encontro: "Deus nos protegeu mais do que nunca." Gil esqueceu-se de mencionar o desempenho do goleiro Abel, que repetidamente impediu que seu time fosse goleado no Carranza. (...) Nas penalidades erraram para o Atlético de Madrid, Julio Prieto e Rodax, enquanto o Atlético Mineiro transformou os quatro arremessos que fez. A equipe jogará hoje pelo terceiro lugar contra o Cádiz CF”.


O Atlético confirmou a conquista de um dos mais famosos torneios europeus (chamado de “O Troféu dos troféus”) ao vencer o Santos FC por 1 a 0.

Ainda naquele mesmo ano perdeu para o Osasuna na cidade de Pamplona por 2 a 1, jogo valendo pelo Troféu Reyno de Navarra. Empatou com o Athletic Bilbao sem gols na cidade de Cádiz.

Em 1991, jogando contra o Cádiz CF em seus domínios ficou no 1 a 1. Dois dias depois derrotou o Sevilla FC, por 1 a 0. O jogo foi no Estádio Ramón Sánchez Pizjuán, famoso por ter sido palco da final da UEFA Champions League em 1986, onde se enfrentaram o FC Barcelona e Steaua Bucareste. Depois em Albacete, derrotou o Albacete Balompié por 3 a 1, o clube havia ascendido recentemente à primeira divisão da La Liga, onde ficou por 15 rodadas invicto e finalizou num histórico sétimo lugar.

Em 1992, o Galo teve uma pífia participação internacional. Foi derrotado por 2 a 0 pelo Lazio Roma, no Estádio Olímpico de Roma. Derrotado pelo Unió Esportiva Lleida por 2 a 1. Em Logroño perdeu por 2 a 1 para o Club Deportivo Logroñés. E na mesma cidade perdeu feio para o Athletic Bilbao: 3 a 1. Essas foram as últimas participações alvinegras no Velho Continente.

Anos 1990: Ásia e Américas[editar | editar código-fonte]

Em 1993 o Galo partiu para um país que nunca havia estado antes: o Japão, onde venceu a Copa TDK Corporation.

No primeiro jogo o Galo enfrentou o Gamba Osaka, um dos times mais populares do país, venceu por 1 a 0, jogando na cidade de Osaka. Depois, na cidade de Sapporo, derrota o JEF United Ichihara Chiba, que como Furukawa Electic FC (seu antigo nome), havia sido um dos maiores campeões japoneses.

O último jogo foi na cidade de Aomori, contra o campeão da Liga dos Campeões da AFC (equivalente a Copa Libertadores), Yokohama F·Marinos, a quem o Galo derrotou por 2 a 0.

Em 1995, em Guadalajara (México), empatou em 3 a 3 com o Chivas Guadalajara, a equipe mais popular do país e um dos mais bem sucedidos times do México. Depois em San Francisco del Rincón, fez 2 a 1 no Atlético San Francisco, clube que foi fundado em 1994 e no primeiro torneio que disputou terminou em terceiro lugar na Liga de Ascenso.

Em 1996, o Galo volta ao extremo asiático, onde derrota o Kashima Antlers, maior campeão da J-League (campeonato japonês), por 1 a 0. Em 1997, o jogo foi em Hong Kong, contra o Golden Team, e o placar foi 2 a 0 para o Galo.

Ainda em 1997, o Atlético foi convidado a participar da inauguração do Estádio de Liga Deportiva Universitaria (Casa Blanca) no Equador. O jogo foi contra o anfitrião, a Liga Deportiva Universitaria de Quito (LDU), time que se tornaria famoso ao ganhar a Copa Libertadores 2007. A LDU derrotou o Galo por 3 a 1.

Em 1999, o Galo pisa em solo estadunidense, lá joga em uma única partida a Copa Millenium 1999, e vence nos pênaltis o Glasgow Rangers. O clube escocês era até então o clube que detinha o maior número de troféus no mundo, só na Premier League Escocesa obteve 57 títulos. Era o rival do Celtic FC, conotado com os escoceses católicos e os descendentes de irlandeses. O Glasgow Rangers, costumava ser associado aos escoceses protestantes (presbiterianos ou calvinistas), as equipes realizavam o The Old Firm, um dos maiores clássicos do mundo. Em julho de 2012 o clube, que devia 26 milhões, declarou falência e foi extinto.

Em fevereiro daquele ano, o Atlético retornaria ao Kuwait, onde é derrotado pelo SK Rapid Wien, o clube mais poderoso da Áustria, por 2 a 0, e derrota a Seleção Kuwaitiana de Futebol por 3 a 0.

Ainda em 1999, o Galo partiu para a Cidade de Ho Chi Minh, para jogar o Three Continent's Cup (Copa dos Três Continentes), que reuniu representantes da Europa, Ásia e América do Sul.

No primeiro encontro o Galo, representante do continente sul-americano, goleou o representante europeu, o AFC Ajax (tetra campeão da UEFA Champions League) por 3 a 0. E no jogo final goleou a Seleção Vietnamita de Futebol por 5 a 1, anfitriã da competição. Este foi o último título de um torneio internacional que o Atlético conquistou.

Amistosos Internacionais em Minas Gerais[editar | editar código-fonte]

Cquote1.svg "Honramos o nome de Minas no cenário esportivo mundial”. Cquote2.svg
Hino do CAM.

1929: primeiro jogo internacional[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1929, o futebol mineiro viveria um momento histórico: pela primeira vez um time de Minas Gerais enfrentaria uma equipe do exterior. Foi o Vitória Futebol Clube de Portugal.

A década de 20 foi talvez a mais áurea da equipe portuguesa. O clube havia sido campeão do campeonato de Lisboa nas temporadas de 1923-24 e 1926-27, quando destronou os poderosos SL Benfica e o Sporting Lisboa. Na temporada de 1926-27, o clube ainda seria vice da Taça de Portugal. Quando foi criado o Campeonato de Setúbal (liga divergente) o clube foi campeão em 1927-28 e 1928-29.

No Brasil o Vitória de Setúbal enfrentou a Corinthians e Palmeiras (na época se chamava Palestra Itália), campeão e vice do Campeonato Paulista, os jogos terminaram empatados. Contra o Galo, o Vitória de Setúbal não teve a mesma sorte, caiu por 3 a 1. O jogo foi no lendário estádio do clube, o Estádio Antônio Carlos.

1930 a 1950: contra argentinos, uruguaios e paraguaios[editar | editar código-fonte]

O Galo, o mais histórico clube de Minas Gerais, continuou na década de 30, outros jogos pioneiros de caráter internacional. Desta vez seria o primeiro clube mineiro a enfrentar times da Argentina e do Uruguai, países que rivalizam com o Brasil no futebol.

O primeiro jogo contra um time sul-americano foi em 1931 contra a Institución Atlética Sud América de Montevidéu. O clube uruguaio foi um dos fundadores do profissionalismo no Uruguai, que resultou no primeiro campeonato no país em 1932. O Galo venceu o jogo por 3 a 2.

Em 1940 mais um fato pioneiro: primeiro time mineiro a enfrentar um rival argentino. Foi contra o Club Atlético Independiente, um dos Cinco grandes do futebol argentino. O Galo derrotou os argentinos por 2 a 1. O clube de Avellaneda havia sido campeão argentino em 1939. No campeonato de 1940, foi vice, com o mesmo time que o Galo derrotou. O destaque daquele ano foram as goleadas contra seus rivais: 8x1 Estudiantes de La Plata; 5x0 Vélez Sársfield; 7x1 Boca Juniors e 7x0 Racing Club, a maior goleada do Superclásico de Avellaneda.

Em 1941 o Galo perderia com um combinado que representava a Seleção Argentina de Futebol por 2 a 1. Seis anos depois derrotaria o Club Libertad por 2 a 0, o time paraguaio era o campeão vigente do Campeonato Paraguaio de Futebol.

Depois da vitória sobre o Club Libertad, o Galo amargaria um sequência de derrotas contra times sul-americanos: 3x4 Club Atlético Rosario Central, que por aquele tempo era o maior vencedor do Campeonato de Futebol de Rosário; 0x1 Club Atlético Chacarita Juniors; 0x2 Club Nacional de Football, time que era o tricampeão uruguaio e campeão da internacional Copa Aldao; e duas derrotas com o Racing Club, 2x1 e 3x2, o time era o campeão nacional em seu país.

1960 a 1970: contra soviéticos e sul-americanos[editar | editar código-fonte]

Em novembro de 1959, o Atlético seria o primeiro clube mineiro a receber um adversário europeu. E era simplesmente o maior campeão da União Soviética: o poderoso FC Spartak Moscovo. No time que enfrentou o Galo, havia dez jogadores que haviam servido à Seleção Soviética que se sagrou campeã olímpica em 1956, em Melbourne. O Galo enfrentou o rival com igualdade, mas foi derrotado por 2 a 1.

Sete anos depois, o Atlético enfrentaria a outro rival do leste europeu, mas desta vez as proporções do adversário eram bem maiores, pois se tratava da Seleção Soviética de Futebol, o time representativo da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em circunstâncias internacionais.

Na década de 60, devido às divergências políticas existentes entre os países chaves da FIFA e a União Soviética, os soviéticos foram muitas vezes prejudicados pela arbitragem em jogos contra seleções ocidentais. Os constantes erros de arbitragem atrapalharam profundamente os planos dos soviéticos, que mesmo com a adversidade, foram campeões da Eurocopa 1960 e vice na Eurocopa 1964.

Contra um rival muito superior, o Galo caiu por 6 a 1. Foi a maior derrota sofrida em casa em duelos internacionais. Ainda em 1966, o Galo enfrentaria o Club Cerro Porteño, clube que vivia uma época dourada no cenário internacional e também era o campeão vigente do Campeonato Paraguaio de Futebol, o jogo terminou empatado em 1 a 1.

Em 1966 foi realizado em Belo Horizonte o Torneio Triangular Internacional, que teve a participação do Santos FC de Pelé e da Seleção Uruguaia de Futebol de Pedro Rocha. Dos paulistas o Galo ganhou por 3 a 0. O jogo contra a Celeste foi mais difícil, mas no final o Galo se impôs e derrotou os uruguaios por 3 a 2 e ficou com o troféu.

O Uruguai não se conformou com a derrota, pois afinal possuía um grande time (o mesmo que seria campeão da Copa América de 1967 e semifinalista da Copa do Mundo FIFA de 1970). Então, foi marcada uma revanche, seria no mítico Estádio Centenário, palco das maiores conquistas da Celeste (como o Mundial de 1930) e dos clubes uruguaios. Num estádio lotado, os uruguaios fizeram 5 a 1 contra os atleticanos. Três dias depois o Atlético venceu o mesmo time por 1 a 0, no mesmo estádio.

Ainda em 1966, o Atlético receberia a um “dos quatro grandes de Portugal”: o Clube de Futebol Os Belenenses. Fez 3 a 1 nos portugueses. Em 1967, ficou no empate em 1 a 1 com o Club Nacional de Football, vice-campeão da Copa Libertadores da América de 1966. Depois, faria 3 a 2 no Napoli, vice-campeão italiano na Serie A 1967-68, ficando atrás do campeão AC Milan.

Em 1968, já formando a base do time que seria campeão brasileiro em 1971, o Atlético derrotou a seleção nacional da antiga Jugoslávia por 3 a 2. O detalhe é que o Atlético usou a camisa da Seleção Brasileira, pois estava representando o Brasil mediante um convite oficial. A Seleção Iugoslava de Futebol era a vice-campeã da Eurocopa 1968, perdeu para a Itália na final.

Em 1969, o Galo ficou só no empate em 2 a 2 com a Seleção Húngara de Futebol, que havia derrotado a Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA de 1966. Depois, disputou um amistoso contra a poderosa Seleção Soviética de Futebol, que estaria presente na Copa do Mundo FIFA de 1970. O Galo devolveu a derrota de três anos antes, vencendo os soviéticos por 2 a 1.

Em 1969, Belo Horizonte foi sede do Torneio dos Gigantes, onde recebeu a presença de grandes clubes argentinos: Racing Club (campeão da Copa Libertadores e Copa Intercontinental em 1967), Club Atlético Vélez Sársfield (campeão argentino em 1968) e San Lorenzo de Almagro (que vivia a época dourada de sua história, campeão metropolitano em 1968).

No primeiro jogo, o Galo praticamente detonou o Racing Club, vencendo por 3 a 1, e devolvendo as duas derrotas que sofreu em 1941. Depois mais duas vitórias: 2 a 1 no Vélez Sársfield e 2 a 1 no San Lorenzo de Almagro. O Galo foi o campeão invicto.

1970 a 1980: contra grandes sul-americanos e europeus[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1970 o Galo abriu a temporada de jogos internacionais contra um grande adversário. O AC Sparta Praha era um dos maiores campeõs da antiga Tchecoslováquia ao lado de seu rival o Slavia Praga. O Galo fez 3 a 0 na equipe tcheca.

Três dias depois, o Galo recebeu a outra seleção do leste europeu: a Seleção Romena de Futebol. Os romenos viviam uma época de ouro em sua história, pois haviam se classificado para a Copa do Mundo FIFA de 1970, desde 1938 não jogavam um Mundial. Os romenos derrotaram os atleticanos por 1 a 0 em Belo Horizonte.

Em 1972, o Galo empatou em 1 a 1 com o Club Atlético Peñarol em Belo Horizonte. O time uruguaio havia sido campeão da Recopa dos Campeões Intercontinentais em 1969 e vice-campeão da Copa Libertadores da América de 1970.

Em 1974, jogando em Belo Horizonte, o Galo enfrentou dois gigantes de Portugal: empatou em 2 a 2 com o Sporting Lisboa, campeão português naquele ano. Perdeu por 1 a 0 com o poderoso SL Benfica de Eusébio, time que por aquele tempo havia se tornado o mais perfeito campeão da história do futebol português: 28 vitórias, dois empates, zero derrotas, 101 gols marcados, apenas 13 sofridos, o primeiro campeonato invicto da história do futebol português.

Em 1975, o Atlétio faria dois amistosos em casa, contra dois adversários sul-americanos. Primeiro, goleou o Danubio Fútbol Club por 4 a 0, vice-campeão da Liguilla Pré-Libertadores da América no Uruguai. Depois, aplicou 5 a 0 no Atlético Nacional da Colômbia, que jogaria a Copa Libertadores da América de 1975 e seria campeão do Campeonato Colombiano de Futebol em 1976.

Em 1977, o Galo enfrenta a Seleção da Búlgaria, que havia participado da Copa do Mundo FIFA de 1974 e a derrota por 3 a 2. No mesmo período empata com o Club Nacional de Football, campeão do Campeonato Uruguaio de Futebol.

Mas o jogo que ficaria marcado na memória dos atleticanos no ano de 1977 seria a grande vitória sobre a Seleção Francesa de Futebol, jogando no Mineirão. O jogo foi transmitido para toda à França direto de Belo Horizonte. O Galo simplesmente não deu chances ao time que já contava com Michel Platini e que dias antes havia empatado com a Seleção, venceu os franceses por 3 a 1.

Em 1978, derrotou o Landskrona BoIS da Suécia por 2 a 0. O time sueco havia sido campeão da Copa da Suécia em 1972, e em 1975 e 1976 havia alcançado o terceiro lugar da Allsvenskan.

1980 a 1990: contra rivais argentinos[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1981, o Galo recebeu novamente um time português, se tratava do FC Porto. O jogo terminou empatado em 1 a 1. Por aquele mesmo tempo, Atlético e a Seleção Colombiana realizaram um duelo de ida e volta entre os dois times. O primeiro jogo foi em Bogotá, capital da Colômbia, os colmbianos derrotaram os atleticanos por 1 a 0. No jogo da volta, no Mineirão, o Atlético simplesmente esmagou a Seleção Colombiana, e venceu por 6 a 1. Final no placar agregado: 6 a 2 para o Galo.

Em setembro de 1985, o Galo recebeu em Belo Horizonte os dois maiores clubes do futebol da Argentina: o Club Atlético River Plate, que havia sido campeão do Campeonato Argentino de Futebol guiado pelo atacante Enzo Francescoli e o Club Atlético Boca Juniors. Os dois jogos terminaram empatados: 1 a 1 com o River Plate e 0 a 0 com Boca Juniors.

1990 ao presente: vitrine internacional[editar | editar código-fonte]

Em junho de 1995, Galo e Lazio Roma fizeram um amistoso no Mineirão. A equipe romana havia terminado em segundo lugar na Serie A 1994-95, atrás somente do poderoso Juventus FC de Turim. O Galo havia sido campeão mineiro com antecipação. No jogo do campeão mineiro contra o vice-campeão italiano, o empate prevaleceu: 1 a 1.

Na preparação para a temporada de 1997, o Galo venceu o Defensor Sporting Club do Uruguai por 2 a 1 jogando no Mineirão. O clube uruguaio seria campeão do Torneo de Apertura, mas perderia a final do Campeonato Uruguaio para o CA Peñarol.

Em 1997, Belo Horizonte estava em festa, pois se celebrava os 100 anos da capital mineira, uma das maiores metrópoles da América do Sul. Para festejar tal instância no campo futebolístico, a Federação Mineira de Futebol organizou a Copa Centenário de Belo Horizonte. O torneio, de caráter amistoso, recebeu a presença de grandes clubes da Europa (AC Milan e SL Benfica) e um da América do Sul (Club Olimpia) além de Flamengo e Corinthians, que se juntaram com os três grandes da capital.

No primeiro jogo do Atlético no torneio, logo de cara enfrentou ao poderoso AC Milan da Itália, que havia sido campeão da Liga dos Campeões da UEFA de 1993-94 e campeão da Serie A 1995-96, e se não bastasse isso estava recheado de astros do futebol mundial. O rubro-negro italiano fez 2 a 0 no Galo, mas com muita raça o Alvinegro buscou o empate. O diário italiano Corriere Della Serra, publicou em destaque: “SuperWeah não foi o suficiente para o Milan”,[32]

Weah retornou e o Milan estreou no "Torneio do Centenário", em Belo Horizonte, dando uma lição de futebol no Atlético Mineiro por 80 minutos de duração. Mas não foi o suficiente, porque o Milan na liderança para 2 - 0, com a expulsão de Bogarde, o time brasileiro alcançou a igualdade, marcou com Jorginho (37' st) e Ernani (47 ').”


Depois de conquistar seu 38º título do Campeonato Mineiro, o Atlético realizou um amistoso para a entrega das faixas de campeão contra a Seleção Jamaicana de Futebol, uma seleção que havia ganhado destaque mundial com a participação na Copa do Mundo FIFA de 1998 e com o título da Copa do Caribe também em 1998. O Galo, jogando no Mineirão, ganhou por 2 a 1.

Em janeiro de 2009, Atlético e Cruzeiro Esporte Clube, seriam os primeiros rivais a protagonizarem um clássico brasileiro no exterior: foi pela Copa Bimbo 2009, que além dos rivais mineiros, reuniu os grandes rivais do futebol uruguaio: Peñarol e Nacional.

Depois da derrota para seu rival, o Galo enfrentou o Peñarol, que também havia perdido seu clássico, pela disputa do terceiro e quarto lugares. O Galo simplesmente esmagou o time uruguaio jogando no mítico Estádio Centenário: 4 a 1.

Em janeiro de 2011, o Galo realizou seu último jogo amistoso de caráter internacional. Jogando em Sete Lagoas, município mineiro, o Atlético empatou com o Club Atlético River Plate (Uruguai) em 1 a 1. O clube uruguaio vinha de êxitos recentes no cenário internacional, quando conseguiu alcançar as fases finais da Copa Sul-Americana.

2008: Centenário Internacional[editar | editar código-fonte]

Em 2008, o Atlético festejou seu 100º aniversário, sendo o primeiro clube mineiro a alcançar tal momento em sua história. Para comemorar tal data, o Clube Atlético Mineiro, convidou o Club Atlético Peñarol para uma partida amigável.

O amistoso celebrado em homenagem ao centenário alvinegro reuniu o Melhor Clube Mineiro do Século XX contra o Melhor Clube Sul-Americano do Século XX (segundo a IFFHS[33] . Pela história dos dois clubes, e pelo que mostraram em jogo, foi justo o 1 a 1. Se jogou diante de mais de 75.000 espectadores no Mineirão.

Linha do tempo[editar | editar código-fonte]

Referências