Angústia (livro)

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Angústia é um romance publicado por Graciliano Ramos em 1936. À época Graciliano estava preso pelo governo de Vargas e contou com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, para a publicação.

A obra apresenta um narrador em primeira pessoa, Luís da Silva, funcionário público de 35 anos, solitário, desgostoso da vida e que acaba se envolvendo com sua vizinha, Marina. Com traços existencialistas, Luís mistura fatos do passado e do presente, narra num ritmo frenético como um grande monólogo intetior.

Segundo o crítico Alfredo Bosi "tudo nesse romance sufocante lembra o adjetivo “degradado” que se apõe ao universo do herói problemático; estamos no limite entre o romance de tensão crítica e o romance intimista. Foi a experiência mais moderna, e até certo ponto marginal, de Graciliano. Mas a sua descendência na prosa brasileira está viva até hoje".

O leitor de Angústia certamente lembrará de Crime e Castigo, de Dostoiévski, pois em ambos há as angústias de um crime, o medo de ser pego, a febre; em Angústia o crime é o clímax, enquanto em Crime e Castigo é o ponto de partida para a história, e a personagem consegue a redenção. Outra influência marcante é a dos naturalistas brasileiros, especialmente à Aluízio Azevedo, o determinismo e a animalização do homem. O narrador não quer ser um rato, luta contra isso; compara-se o tempo todo os homens aos bichos, porcos, formigas, ratos, e usa-se verbos de animais para as reações humanas.


[editar] Ficha de Leitura

  • Título: Angústia
  • Autor: Graciliano Ramos
  • Ano de Publicação: 1936
  • Local de Publicação: Brasil
  • Contexto Histórico: Estado Novo, auge do Romance de 30, com temáticas nordestinas; Graciliano está preso pelo governo de Vargas
  • Modo/gênero/subgênero: Narrativo / Romance
  • Período literário: Romance de 30
  • Obras anteriores do autor: Caetés (1933); São Bernardo (1934)
  • Obras posteriores do autor: Vidas Secas (1938); Memórias do Cárcere (1953)
  • Temas: angústia, solidão, ausência de sentido para a vida
  • Tempo: narrado no pretérito
  • Espaço: Maceió (Alagoas)
  • Narrador: Onisciente autodiegético, 1ª pessoa, Luís da Silva

[editar] Personagens

  • Luís da Silva: 35 anos, funcionário público, fora muito pobre, homem solitário, acha-se feio
  • Julião Tavares: filho de negociante, patriota; gordo, mulherengo, antagonista; é morto por Luís
  • Marina: graciosa vizinha por quem Luís se apaixonaria
  • D. Adélia: mãe de Marina
  • Seu Ramalho: pai de Marina
  • D. Vitória: empregada de Luís da Silva
  • Moisés e Pimentel: amigos do jornal
  • Vizinhos: Lobisomen, D. Rosália e o marido caixeiro-viajante, datilógrafa


[editar] Trechos

“Certos lugares que me davam prazer tornaram-se odiosos. Passo diante de uma livraria, olho com desgosto as vitrinas, tenho a impressão de que se acham ali pessoas, exibindo títulos e preços nos rostos, vendendo-se. É uma espécie de prostituição.” Cap. 1

“Os defeitos, porém, só me pareceram censuráveis no começo das nossas relações. Logo que se juntaram para formar com o resto uma criatura completa, achei-os naturais, e não poderia imaginar Marina sem eles, como não a poderia imaginar sem corpo.” Cap. 14

“Escolher marido por dinheiro. Que miséria! Não há pior espécie de prostituição.” Cap. 17

“É uma tristeza. A senhora lavando, engomando, cozinhando, e seu Ramalho na quentura da usina elétrica, matando-se para sustentar os luxos daquela tonta. Sua filha não tem coração.” Cap. 18

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