Anglocatolicismo
| Anglicanismo | |
| Bases | |
|---|---|
|
King James Version · Cristianismo · Catolicismo · Calvinismo · Sucessão apostólica · Reforma Inglesa · Protestantismo |
|
| Pessoas | |
|
Mártires · John Wycliffe · William Tyndale · Henrique VIII · Thomas Cranmer · Thomas Cromwell · Isabel I · Richard Hooker · William Laud · Carlos I · J.C.Ryle · Santos |
|
| Liturgia e Culto | |
|
Livro de Oração Comum · Alta Igreja · Baixa Igreja · Movimento de Oxford · Trinta e Nove Artigos de Religião · Homilias · Doutrina · Ministério · Sacramentos |
|
| Organização | |
|
Comunhão Anglicana |
|
O termo anglo-catolicismo descreve pessoas, grupos, idéias, costumes e práticas dentro da Comunhão Anglicana que enfatizam a continuidade com a tradição católica.
O Anglicanismo, sendo embora uma única Igreja, está na prática dividido em três ramos: os "Anglicanos da Alta Igreja", também chamados Anglo-Católicos, os "Anglicanos da Baixa Igreja", também conhecidos como Evangélicos e os "Anglicanos da Igreja Ampla", que caem no meio das duas correntes (e que hoje provavelmente são a maioria dos anglicanos ao redor do mundo). Embora todos os elementos da Comunhão Anglicana recitem os mesmos credos, os Anglicanos da Baixa Igreja tratam a palavra Católico no credo como um mero sinónimo antigo para universal, ao passo que os Anglicanos da Alta Igreja a tratam como o nome da Igreja de Cristo à qual pertencem eles, a Igreja Católica Romana, as Igrejas Ortodoxas e outras igrejas da Sucessão Apostólica.
O Anglo-Catolicismo tem crenças e pratica rituais religiosos semelhantes às da Igreja Católica Romana. Os elementos semelhantes incluem na celebração de sete sacramentos, a devoção à Virgem Maria e aos santos (dulia, porém não hiperdulia), a descrição do seu clero ordenado como padres e madres, a criação de ordens religiosas, o uso de vestes eucarísticas (como a casula e a dalmática) em lugar de apenas estola e alva, e a descrição das suas celebrações Eucarísticas como Missa. Além disso, enfatizam a crença na Real Presença de Cristo na Eucaristia (tida pelo anglicanos em geral como mistério que se crê sem ser possível explicar; alguns anglo-católicos até mesmo defendem correntes como a da transubstanciação). Enxergam a crença e aderência aos 39 Artigos de Religião (de tendências evangélicas) como fato histórico, e não como realidade contemporânea. Preferem o Quadrilátero de Lambeth como declaração suficiente de fé. Usam, assim como os demais anglicanos, o Livro de Oração Comum em sua liturgia.
A sua principal divergência em relação aos católicos romanos reside no estatuto, poder e influência do Bispo de Roma, pois a estrutura da Comunhão Anglicana assemelha-se mais à da Igreja Ortodoxa, com uma autoridade dispersa em que o Arcebispo de Cantuária é tido como "símbolo de unidade" e "primeiro entre iguais".
Anglicanos refletem teologicamente segundo o "Tripé de Hooker": Bíblia, Tradição católica e razão. Enquanto os evangélicos dão mais valor às Escrituras e latitudinários à razão, anglo-católicos ressaltam o valor da Tradição, com especial ênfase nos sete concílios ecumênicos da Igreja.
Após o Concílio Vaticano II, com a simplificação da prática litúrgica da Igreja Católica Romana, é muito difícil para um observador leigo perceber a diferença entre uma igreja romana e a maioria das igrejas anglicanas. Nesse aspecto, igrejas anglo-católicas se sobressaem por preservarem uma identidade litúrgica que é até mesmo mais formal que uma missa romana contemporânea, e que se assemelha esteticamente à missa tridentina. Um observador mais atencioso, contudo, consegue distinguir certas diferenças entre católicos tradicionalistas e anglo-católicos. Há diferenças sutis nas vestes e atos litúrgicos, bem como entre o Missal Romano e o Livro de Oração Comum Anglicano. Tais diferenças refletem peculiaridades do cristianismo nas Ilhas Britânicas que predatam à Reforma protestante, e até mesmo a submissão da Igreja Celta à Missão Romana do século VII. Além disso, teologicamente, o Anglicanismo tem se liberalizado mais rapidamente que outras denominações e até em regiões onde é tido como conservador, comparativamente o é muito menos que outras igrejas locais.
O desenvolvimento da ala Anglo-Católica do Anglicanismo teve lugar principalmente no Século XIX e está fortemente associado ao Movimento de Oxford. Dois dos seus líderes, John Henry Newman e Henry Edward Manning, ambos ordenados clérigos anglicanos, acabaram por aderir à Igreja Católica e por se tornarem Cardeais.
Embora o termo Catolicismo seja geralmente usado para designar apenas a Igreja Católica Apostólica Romana, muitos anglicanos (e outras igrejas protestantes) usam-no para se referirem também a si próprios, como parte da Igreja Católica geral (e não apenas Romana). Na verdade, algumas igrejas anglicanas, como a Catedral de St. Patrick em Dublin ou a "Catedral Nacional" da Igreja da Irlanda (anglicana), referem-se a si próprias como parte da "Comunhão Católica" e como "Igrejas Católicas" em anúncios dentro e em torno delas.
Em 2009, devido à constituição apostólica Anglicanorum Coetibus, do Papa Bento XVI, os anglicanos que quisessem entrar "na plena comunhão com a Igreja Católica" seriam organizados em ordinariatos pessoais. 1 Devido a este facto histórico, vários grupos anglo-católicos, querendo juntar-se à Igreja Católica, solicitaram à Congregação para a Doutrina da Fé para serem ingressados em ordinariatos pessoais. 2
Referências
- ↑ PAPA BENTO XVI (2009). Anglicanorum Coetibus (em português). Santa Sé. Página visitada em 4 de Outubro de 2010.
- ↑ [1]