Anjo caído

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Quadro de Mihály Zichy, "Lúcifer". Mostra o banimento de Lúcifer do Céu por Deus.

Um 'Anjo caído é um demónioPE ou demônioPB, do grego δαίμων (o que divide), que na tradição judaico-cristão, é um ser intermediário entre o homem e Deus, um anjo que, após uma guerra nos céus[1] , afastou-se do plano divino, tornando-se voluntariamente um espírito do Mal.
Na teologia cristã (católica, ortodoxa e protestante) e o Anjo Caído ou Anjo Decaído é um anjo que cobiçando um maior poder, acaba se entregando "às trevas e ao pecado". O termo "anjo caído" indica que é um anjo que caiu do Paraíso. O Anjo Caído mais famoso é o próprio Lúcifer. Os Anjos Caídos são bastante comuns em histórias de conflitos entre o bem e o mal.

Doutrina[editar | editar código-fonte]

Para os cristãos, os demônios são anjos maus que, chefiados por Lúcifer ou Satanás, se rebelaram contra Deus, pecando por orgulho, como se pudessem tornar iguais ao Criador e foram, por isso, condenados e precipitados, para sempre, no inferno. O cristianismo ensina que Deus não criou seres propensos ao mal e nem os condenou ao Inferno, foram eles que usando de seu Livre Arbítrio se rebelaram e condenaram a si próprios. O Credo e a Sagrada Escritura nos ensinam que Deus criou todas as coisas, visíveis e invisíveis. Assim, os primeiros seres que Ele criou foram os puros espíritos, ditos Anjos, dos quais alguns se revoltaram contra o Criador, tornando-se demônios, condenados eternamente . A Escritura e a Tradição afirmam que o Diabo foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. Em 1215, o Quarto Concílio de Latrão afirmou: “De fato, o Diabo e os outros demônios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus”. A Bíblia fala do pecado destes anjos caídos . O ‘’Catecismo da Igreja Católica’’ ensina que “a queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: ‘Sereis como Deus’ . O Diabo é ‘pecador desde o princípio’ (1 Jo 3, 8), ‘pai da mentira’ (Jo 8, 44). É o caráter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado” (CEC art. 392 e 393). São João Damasceno em sua obra “A fé Ortodoxa” (II, 4: PG 94, 877) afirma: “Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte”. Assim, por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (Gn 3, 1-5) a qual, por inveja, os faz cair na morte (cf. Sb 2, 24). A Escritura e a Tradição vêm neste ser um anjo decaído, chamado de satanel (cf. CEC art. 391). Ensina a doutrina que os demônios, sendo inimigos da natureza humana assumida pelo Verbo de Deus, agindo por ódio contra Deus e pela inveja que têm ao gênero humano (cf. Mt 8,16; Ef 6,12; 1 Pd 5, 8), procura induzir o homem ao mal, podendo mesmo, com permissão divina, causar-lhe algum dano ao corpo e aos bens que possui, como aconteceu com Jó. O Papa Paulo VI, tratando do assunto, reafirmou que "Os demônios estão na origem da primeira desgraça da humanidade: foi o tentador pérfido e fatal do primeiro pecado, o pecado original (Gn 3; Sb 1, 24). Com a queda do homem, o Diabo adquiriu um certo poder sobre o homem, do qual só a redenção de Cristo pode libertar. É história que dura ainda hoje. Recordemos os exorcismos do Batismo e as frequentes referências da Sagrada Escritura e da Liturgia ao agressivo e premente poder das trevas (Cf. Lc 22, 53; Cl 1, 13). O Diabo é o 'adversário número um', é o tentador por excelência. Sabemos, portanto, que este ser obscuro e perturbador existe realmente e que ainda atua com astúcia traiçoeira. É o adversário oculto que semeia erros e desgraças na história humana ... O 'Anjo Mau' é o homicida desde o princípio ... e o 'Pai da Mentira', como o define Cristo (Cf. Jo 8, 44-45); é o insidiador sofista do equilíbrio moral do homem. É ele o pérfido e astuto encantador que sabe insinuar-se em nós, através dos sentidos, da fantasia, da concupiscência, da lógica utopista, ou dos desordenados contatos sociais na realização de nossas obras para introduzir-lhes desvios, tão nocivos quanto, na aparência, conformes com as nossas estruturas físicas ou psíquicas, ou com as nossas profundas e instintivas aspirações". O mesmo pontífice afirmou que "A fumaça de Satanás está entrando pelas frestas da Igreja", ou seja, o Diabo e seus demônios não deixam de perseguir e atacar os membros da Igreja, sejam leigos ou clérigos, do mesmo modo ameaçador que tentou a São Pedro e os demais apóstolos (Cf. Lc 22, 31). Mas, os poderes infernais jamais prevalecerão contra a Igreja, em sua organização e doutrina (Mt 16, 18). Em sua providência, Deus não permite que sejamos tentados acima de nossas forças, de sorte que sempre podemos e devemos resistir aos demônios, como fez Cristo e nos exorta o apóstolo São Tiago (Cf. MT 4; Tg 4,7; 1 Cor 10,13. A doutrina ensina que os demônios procuram arrastar ao inferno as almas humanas, empregando para isto as tentações e as obsessões. As tentações são más inspirações e ciladas armadas contra as almas dos homens, devido à natureza perversa dos homens, da qual os demônios se aproveitam. As obsessões são os tormentos sensíveis que os demônios exercem no corpos. Contudo, sabe-se pelos Evangelhos que , além das tentações ordinárias e obsessões malignas, pode haver raros casos de possessão diabólica (Mt 8, 28-32; 12,22), ou seja, um demônio se apodera da ação humana, tomando posse do corpo do homem, usando-o como instrumento para blasfêmias e maldições. A doutrina ensina que “A graça é a defesa decisiva contra os ataques dos demônios. O cristão deve ser militante; deve ser vigilante e forte, recorrendo às vezes a algum exercício ascético especial, para afastar determinadas invasões diabólicas. Jesus ensina isto, indicando como remédio a oração e o jejum (Cf. Mc 9,29) e a Igreja recomenda a confiante devoção de cada homem ao seu Anjo da Guarda. O ‘Catecismo da Igreja Católica’ conclui que: “o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa, pelo fato de ser puro espírito, mas, de qualquer modo, criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. Embora satanás exerça no mundo a sua ação, por ódio contra Deus e o seu reinado em Jesus Cristo, e embora a sua ação cause graves prejuízos – de natureza espiritual e indiretamente, também, de natureza física – a cada homem e à sociedade, essa ação é permitida pela Divina Providência, que com força e suavidade dirige a história do homem e do mundo. A permissão divina da atividade diabólica é um grande mistério. Mas, ‘nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam’ (Rm 8, 28)”.

Suma Teológica[editar | editar código-fonte]

Santo Tomás de Aquino, na primeira parte de sua Suma Teológica, nas questões 50 a 115 trata dos Anjos, e nesta parte aborda a questão dos demônios, a saber:

  • Questão 58 (Do modo do conhecimento angélico) – Artigo 5: “Se no intelecto do anjo pode haver falsidade”;
  • Questão 59 (da vontade dos anjos) – Artigo 1: “Se nos anjos há vontade própria”;
  • Questão 59 – Artigo 3: “Se nos anjos há livre arbítrio”;
  • Questão 63 (Da malícia dos anjos quanto à culpa) – Artigo 1: “Se pode haver nos anjos o mal da culpa”;
  • Questão 63 – Artigo 2: “Se nos anjos pode haver somente os pecados da soberba e da inveja”;
  • Questão 63 – Artigo 3: “Se o Diabo desejou ser como Deus”;
  • Questão 63 – Artigo 4: “Se alguns anjos são naturalmente maus”;
  • Questão 63 – Artigo 5: “Se Lúcifer, no primeiro instante da sua criação foi mau por culpa da própria vontade”;
  • Questão 63 – Artigo 6: “Se mediou algum tempo entre a criação e a queda do anjo”;
  • Questão 63 – Artigo 7: “Se o Anjo supremo, dentre os que pecaram, era o supremo de todos”;
  • Questão 63 – Artigo 8: “Se o pecado do primeiro anjo foi a causa dos outros pecarem também”;
  • Questão 63 – Artigo 9: “Se mais anjos pecaram do que preservaram”;
  • *Questão 64 (Da pena dos demônios) – Artigo 1: “Se o intelecto dos demônios ficou entenebrecido pela privação do conhecimento de toda a verdade”;
  • Questão 64 – Artigo 2: “Se a vontade dos demônios está obstinada no mal”;
  • Questão 64 – Artigo 3: “Se há dor nos demônios”;
  • Questão 64 – Artigo 4: “Se o nosso ar é o lugar da pena do demônios”;
  • Questão 109 (Da ordem dos anjos maus) – Artigo 1: “Se há ordem nos demônios”;
  • Questão 109 – Artigo 2: “Se entre os demônios há superiores
  • Questão 109 – Artigo 3: “Se nos demônios há iluminação”;
  • Questão 109 – Artigo 4: “Se os bons anjos têm superioridade sobre os maus”;
  • Questão 114 (do ataque dos demônios) – Artigo 1: “Se os homens são atacados pelos demônios”;
  • Questão 114 – Artigo 2: “Se tentar é próprio de Lúcifer”;
  • Questão 114 – Artigo 3: “Se todos os pecados procedem da tentação de Lúcifer”;
  • Questão 114 – Artigo 4: “Se os demônios podem seduzir os homens com milagres verdadeiros”;
  • Questão 114 – Artigo 5: “Se o demônio vencido fica por isso impedido de atacar”.

Aparência[editar | editar código-fonte]

A queda do Diabo, segundo Gustave Doré.

Existem várias imagens de um Anjo Caído, algumas muito parecidas com a de um "Anjo Luminoso". Entre elas, podemos citar: um homem com grandes e negras asas de morcego; um anjo sem a sua auréola e com as asas de penas negras; um homem com a metade direita com asas de anjo e a metade esquerda com asas de demônio, um anjo bom com uma asa quebrada e até mesmo como um anjo comum, porém sem o carisma e a graça angelical deste.

Referências musicais[editar | editar código-fonte]

Há letras de músicas que citam Anjo Decaído. Uma das mais famosas mas no entanto longe de ser a única que aborda o assunto tão explicitamente é a Sympathy for the Devil da banda inglesa Rolling Stones. Nesta música o anjo decaido era no Céu como um grande maestro que conduzia a orquestra de Deus. Zeca Baleiro cita na música Heavy metal do senhor, uma banda do diabo formada por anjos decaídos. Há também a música da consagrada banda de Heavy Metal Inglesa Iron Maiden "The Fallen Angel" que aborda a história da rebeldia de Azazel e sua cobiça pelo paraíso.

Livros[editar | editar código-fonte]

Há também alguns livros, cujo história são entorno de Anjos caídos. Os livros mais famosos são:

Referências

  1. Sociedade Gnóstica. A Guerra nos Céus e os Anjos Caídos. Página visitada em 28 de junho de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • A Alquimia de Saint Germain/ [transcritopor] Mark L. Phophet, Elizabeth Clare Prophet; tradução de Terezinha Batista dos Santos – 14 Ed. – Rio de Janeiro: Nova Era, 2009

Ligações externas[editar | editar código-fonte]