António de Macedo
António de Macedo (Lisboa, 5 de Julho de 1931) exerceu a actividade de cineasta entre 1961 e 1996, tendo sido um dos realizadores mais activos do Novo Cinema Português. Explorou as técnicas do cinema directo além de outros experimentalismos de natureza estética e técnica, nos seus filmes de longa-metragem, de curta-metragem e de séries de televisão. É escritor e ensaista.
Abandonou o cinema no fim dos anos noventa por se sentir marginalizado. Depois disso, dedicou-se inteiramente à escrita e à actividade docente.
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Biografia[editar]
Frequentou a ESBAL (Escola Superior de Belas Artes de Lisboa), onde se graduou como arquitecto em 1958. Exerceu a profissão de arquitecto na Câmara Municipal de Lisboa até 1964, dedicando-se, por fim, ao audiovisual e à literatura. Assinou uma das primeiras obras teóricas e didácticas sobre cinema editadas em Portugal: A Evolução Estética do Cinema (Clube Bibliográfico Editex, 2 vols. 1959-1960).
Foi cofundador das cooperativas Centro Português de Cinema (1970) e Cinequanon (1974).
Especializou-se na investigação e estudo das religiões comparadas, de esoterologia, de história da filosofia e da estética audiovisual, das formas literárias e fílmicas de speculative fiction, temas que tem abordado em inúmeros colóquios, conferências e em diversas publicações. Na sequência destes trabalhos e investigações, doutorou-se em Sociologia da Cultura, com distinção e louvor, em 2010 (Universidade Nova de Lisboa).
Dedicado ao ensino desde 1970, foi professor no Instituto de Artes Decorativas (IADE), Instituto de Novas Profissões (INP), Universidade Lusófona, Universidade Moderna e na Universidade Nova de Lisboa, regendo cadeiras como Teoria e Prática do Cinema, Análise de Imagem, Arte Narrativa e Esoterismo Bíblico.
Macedo é mais conhecido como realizador, actividade que abandonou em 1996. Apesar da sua vasta e original filmografia, apesar da vertente cultural do cinema que pratica, viu recusados vários projectos que apresentou nos concursos oficiais para o financiamento de filmes portugueses. Salvo algumas raras excepções, o cinema português é financiado pelo Estado, que nomeia júris que decidem quais os projectos a apoiar.
Numa entrevista publicada na revista Autores, editada pela Sociedade Portuguesa de Autores (n.º 14, Abril / Junho 2007), entrevista intitulada Nos Interstícios da Realidade, a propósito de um prémio que lhe foi atribuído (Consagração de Carreira da SPA), explica o porquê do seu abandono:
«AUTORES — Quando se reformou [em 1996] largou definitivamente o cinema… «A. DE MACEDO — Tive de largar antes, foi em 93, embora tivesse continuado na Cinequanon — cooperativa da qual ainda hoje sou sócio —, porque houve uma espécie de conflito estético-cultural, o que lhe quiserem chamar, com os júris que atribuem os apoios financeiros para se fazerem filmes de fundo e que eram facilmente manipuláveis. A verdade é que alguns membros dos júris me disseram, mais tarde, que o meu tipo de cinema era “um cinema que não interessava” — um cinema fantástico, um cinema “desligado das realidades”, um bocado fantasioso, e esse tipo de imaginário não interessava para o cinema português. E por isso comecei a ser censurado num regime onde, constitucionalmente, não há censura».
Censurado no tempo da ditadura e em tempo de democracia, Macedo parece ser um dos casos ilustrativos de atitudes de um poder que tem (ou teve) preferência de autores.
Em Junho e Julho de 2012 a Cinemateca Portuguesa realizou uma retrospectiva com a totalidade da obra deste cineasta, editando um volumoso catálogo de 192 páginas totalmente dedicado aos seus filmes de curta e de longa metragem, intitulado O Cinema de António de Macedo, com textos, entrevistas, recensões críticas, etc. de vários autores. Em 2013, foi a vez do Fantasporto lhe dedicar uma homenagem com atribuição do troféu Prémio de Carreira, com textos subordinados ao tema “António de Macedo - O Fantástico no Cinema Português”, inseridos no catálogo do 33.º Festival Internacional de Cinema do Porto - Fantasporto 2013.
Filmografia[editar]
Longas-metragens[editar]
- 1965 – Domingo à Tarde
- 1967 – Sete Balas para Selma
- 1970 – Nojo aos Cães
- 1972 – A Promessa
- 1975 - O Rico, o Camelo e o Reino ou O Princípio da Sabedoria
- 1976 – As Horas de Maria
- 1979 – O Príncipe com Orelhas de Burro
- 1983 – Os Abismos da Meia-Noite
- 1988 – Os Emissários de Khalom
- 1989 – A Maldição de Marialva
- 1993 – Chá Forte com Limão
Curtas e médias-metragens[editar]
- 1961 - A Primeira Mensagem
- 1962 – Verão Coincidente
- 1963 – Nicotiana
- 1963 – 1X2
- 1966 - Afonso Lopes Vieira
- 1966 - Crónica do Esforço Perdido
- 1966 - Fernão Mendes Pinto
- 1967 - Alta Velocidade
- 1968 - Albufeira
- 1968 - Fado - Lisboa-68
- 1968 - A Ginástica na Prevenção dos Acidentes
- 1968 - A Revelação
- 1969 – Almada Negreiros, Vivo Hoje - Prémio Paz dos Reis (que recusou)
- 1969 - Cine-Riso nº 1
- 1970 - História Breve da Madeira Aglomerada
- 1970 - Totobola — Relatório e Contas
- 1971 - Cinco Temas para Refinaria e Quarteto
- 1971 - Do Outro Lado do Rio — Almada
- 1972 - Inauguração da Doca Alfredo da Silva
- 1972 - O Leite
- 1972 - Lisboa — Jardim da Europa
- 1973 - Cenas de Caça no Baixo Alentejo
- 1973 - A Criança e a Justiça
- 1973 - Marconi — Via Satélite
- 1973 - Um Milhão de Vóltios
- 1974 - Arquitectura e Habitação
- 1974 - A Arte Culinária
- 1974 - A Profissão de Produtor de Cinema em Portugal
- 1974 - Vendedores Ambulantes
- 1975 - Candidinha
- 1975 - A Cooperativa Cesteira de Gonçalo
- 1975 - Hotel das Arribas — Um Ano de Auto-Gestão
- 1975 - Ocupação de Terras na Beira Baixa
- 1975 - A Penteadora
- 1975 - Peter Lilienthal filma em Setúbal
- 1975 - Teatro Português
- 1975 - Unhais da Serra — Tomada de Consciência Política numa Aldeia Beirã
- 1976 - Os Encadernadores
- 1976 - Os Tipógrafos
- 1977 - Cooperativa de Ópera
- 1978 - A Bicha das Sete Cabeças
- 1978 - O Encontro
- 1979 - Encontros Imediatos do Nosso Grau
- 1979 - Ano Internacional da Criança
- 1982 - O Futuro do Mondego
- 1982 - Para uma Vida Melhor, numa Cidade Melhor
- 1985 - 50 Anos de um Complexo Escolar Universitário de Engenharia
Na televisão[editar]
- 1975 – Fatima Story
- 1976 – O Outro Teatro - As Coisas Pertencem a Quem as Torna Melhores
- 1979 - Recuperação de Deficientes (série)
- 1979-1980 - XX-XXI Ciência e Técnica, Hoje e Amanhã (série)
- 1981 - A Magia das Bonecas (série)
- 1988 – Fernando Lanhas - Os Sete Rostos
- 1992 – O Altar dos Holocaustos (série)
- 1996 – Santo António de Todo o Mundo
Literatura[editar]
A nível do ensaísmo, tem abordado as religiões comparadas, tradições esotéricas e a história da filosofia e da estética audio-visual. A nível da ficção, especializou-se na literatura fantástica e da ficção científica. Inclusivamente, foi um dos promotores dos Encontros Internacionais de Ficção Científica & Fantástico de Cascais, cuja primeira edição ocorreu em 1996, sendo um dos seus coordenadores. Dentre os diversos livros de ensaios que publicou, salienta-se a sua tese de doutoramento em Sociologia da Cultura, um denso volume de 670 páginas de investigação sociocultural e esoterológica dos textos bíblicos, intitulado Cristianismo Iniciático. Neste estudo Macedo aprofunda em termos de História e Sociologia os conteúdos e os textos da Bíblia, discutindo especialmente a decisiva importância das interpretações esotéricas e heterodoxas da Bíblia, e respectivos autores e correntes, desde a produção dos antigos textos bíblicos até hoje, bem como o profundo significado dessas interpretações para o desenvolvimento da mentalidade, da cultura e da ciência na civilização ocidental.
Ensaios[editar]
- 1959 - A Evolução Estética do Cinema, vol. 1
- 1960 - A Evolução Estética do Cinema, vol. 2
- 1961 - Da Essência da Libertação
- 1999 - Instruções Iniciáticas
- 2002 - Laboratório Mágico
- 2003 - O Neoprofetismo e a Nova Gnose
- 2006 - Esoterismo da Bíblia
- 2006 - Textos Neo-Gnósticos
- 2011 - Cristianismo Iniciático
Ficção[editar]
- 1992 - O Limite de Rudzky (contos)
- 1993 - Contos de Androthélys (romance)
- 1995 - Sulphira e Lucyphur (romance)
- 1996 - A Sonata de Cristal (romance)
- 1998 - Erotosofia (romance)
- 2000 - O Cipreste Apaixonado (romance)
- 2004 - As Furtivas Pegadas da Serpente (romance)
- 2007 - A Conspiração dos Abandonados (contos)
Teatro[editar]
Bibliografia[editar]
- José de Matos-Cruz - António de Macedo: Cinema - A Viragem de Uma Época, Ed. Publicações Dom Quixote (Lisboa, 2000)
Ver também[editar]
Ligações externas[editar]
- António de Macedo em Novo Cinema Português.
- Artigo biográfico de Alcides Murtinheira, no Centro de Língua Portuguesa da Universidade de Hamburgo.
- O Percurso Singular de António de Macedo em Bissaide, blogue.
- António de Macedo em Projecto Vercial.
- António de Macedo no Triplov
- António de Macedo, alquimista (Triplov)
- António de Macedo no Dicionário de Autores do Triplov.
- Os reinos mágicos estão aqui mesmo – entrevista (Triplov).
- Entrevista em Intempol.
- Entrevista em Lusophia.
- Entrevista -: Nos Interstícios da Realidade (SPA)
- António de Macedo na Editorial Caminho.
- Páginas Esotéricas por António de Macedo
- A Alquimia Espiritual dos Rosacruzes e Outros Ensaios