Antônio Candido de Mello e Souza
| Antonio Candido | |
|---|---|
| Antonio Candido na 9ª edição da Flip. Foto: André Gomes de Melo. | |
| Nome completo | Antonio Candido de Mello e Souza |
| Nascimento | 24 de julho de 1918 (94 anos) Rio de Janeiro, RJ |
| Nacionalidade | |
| Ocupação | Crítico literário, ensaísta, sociólogo, professor |
Antonio Candido de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 24 de julho de 1918) é um sociólogo, literato e professor universitário brasileiro. Estudioso da literatura brasileira e estrangeira, possui uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. À atividade de crítico literário soma-se a atividade acadêmica, como professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
É professor-emérito da USP e da UNESP, e doutor honoris causa da Unicamp.
Índice |
Estudos [editar]
Tendo concluído os estudos secundários na cidade de Poços de Caldas, Minas Gerais, Antonio Candido ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, simultaneamente nos cursos de Ciências Sociais na recém-fundada Faculdade de Filosofia e Letras e Direito, não chegando a colar grau neste último. Nos anos de estudo universitário, conheceu Décio de Almeida Prado, Paulo Emílio Salles Gomes, Florestan Fernandes, Lourival Gomes Machado, Alfredo Mesquita, Ruy Coelho e Gilda de Moraes Rocha - posteriormente chamada Gilda de Mello e Souza, sobrinha de Mário de Andrade e sua futura esposa - com os quais funda a revista Clima, cabendo a Antonio Candido escrever sobre literatura. Graduou-se em 1941 e iniciou sua carreira de professor universitário como professor auxiliar na cátedra de Sociologia II, regida por Fernando de Azevedo. Em 1941 disputou uma vaga de professor de Literatura Brasileira na mesma Universidade, o que, pelas regras então vigentes, garantiu-lhe o título de livre docente em Literatura Brasileira. Obteve o título de doutor em Sociologia em 1954, quando defendeu a tese Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre a crise nos meios de subsistência do caipira paulista.
Titulação acadêmica [editar]
Doutor em Sociologia
Política [editar]
Paralelo às atividades literárias, Candido militou no Partido Socialista Brasileiro e participou do Grupo Radical de Ação Popular, integrado também por Paulo Emílio Salles Gomes, Germinal Feijó, Paulo Zingg e Antônio Costa Correia, editando um jornal clandestino, de oposição ao governo Getúlio Vargas, chamado Resistência. Posteriormente, participou do processo de fundação do Partido dos Trabalhadores, onde, entre outras funções, foi Presidente do 1º Conselho Curador da Fundação Wilson Pinheiro, fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 19811 , antecessora da Fundação Perseu Abramo. Ainda hoje é filiado ao partido, tendo apoiado a candidatura de Dilma Rousseff em 2010.2
Professor [editar]
Em 1942 ingressou no corpo docente da Universidade de São Paulo (USP) como assistente de ensino do professor Fernando de Azevedo, na cadeira de Sociologia II, onde foi colega de Florestan Fernandes. A partir de 1943 passou a colaborar com o jornal Folha da Manhã, em que escreveu diversos artigos e resenhou os primeiros livros de João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector.
Em 1945, obteve o título de livre-docente com a tese Introdução ao Método Crítico de Sílvio Romero e, em 1954, o grau de doutor em Ciências Sociais com a tese Parceiros do Rio Bonito, ainda hoje um marco nos estudos brasileiros sobre sociedades tradicionais. Entre 1958 e 1960 foi professor de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia de Assis, hoje integrada à Universidade Estadual Paulista.
Em 1961 regressou à USP e, a partir de 1974, torna-se professor-titular de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (assim denominada a partir de 1970) da USP, sendo responsável pela formação de grande parte da intelectualidade nacional, direta ou indiretamente. Entre os seus discípulos estão Antônio Lázaro de Almeida Prado, Fernando Henrique Cardoso, Roberto Schwarz, Davi Arrigucci Jr., Walnice Nogueira Galvão, João Luiz Lafetá e Antônio Arnoni Prado, entre outros.
Aposentou-se em 1978, todavia manteve-se ainda como professor do curso de pós-graduação até 1992, ano em que orientou a última tese, a do crítico mexicano Jorge Ruedas de La Serna 3 e crítico atuante não só na vida literária, como também na política, tendo sido um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Recebeu o Prémio Camões em 1998.
Vida pessoal [editar]
Antonio Candido foi casado com Gilda de Mello e Souza, professora de Estética no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Falecida em 25 de dezembro de 2005, Gilda era sobrinha do escritor Mário de Andrade, cuja obra ela estudou, especialmente em O Tupi e o Alaúde.
Principais obras [editar]
- Introdução ao método crítico de Sílvio Romero, 1945;
- Ficção e confissão: estudo sobre a obra de Graciliano Ramos, 1956;
- Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, 1959;
- O observador literário, 1959;
- Tese e antítese: ensaios, 1964;
- Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida, 1964;
- Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária, 1965;
- Vários escritos, 1970;
- Formação da literatura brasileira, 1975;
- Teresina etc., 1980;
- Na sala de aula: caderno de análise literária, 1985;
- A educação pela noite e outros ensaios, 1987;
- O estudo analítico do poema, 1987;
- Recortes, 1993;
- O discurso e a cidade, 1993;
- Teresina e seus amigos, 1996;
- Iniciação à literatura brasileira (Resumo para principiantes), 1997;
- O Romantismo no Brasil, 2002;
- Um funcionário da Monarquia: ensaio sobre o segundo escalão, 2002.
Obras em parceria [editar]
- Presença da literatura brasileira: história e antologia, 1964 (com José Aderaldo Castello);
- A personagem de ficção, 1968 (com Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e Anatol Rosenfeld);
- Política cultural, 1984 (com Marilena Chaui, Lélia Abramo e Edélcio Mostaço);
- USP: 1968-1969. Hélio Lourenço de Oliveira, 1995 (com Lólio Lourenço de Oliveira e Alberto Carvalho da Silva).
Obras sobre Antonio Candido [editar]
- Aguiar, Flávio (org.). Antonio Candido: pensamento e militância. Fundação Perseu Abramo e Humanitas FFLCH/USP, 1999.
- Antelo, Raúl (org.), Antonio Candido y los Estúdios Latinoamericanos, -Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana da Universidade de Pittsburgh, 2002.
- Arantes,Paulo Eduardo Arantes. Sentimento da Dialética. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
- Corpas, Danielle et al. (org.). 40 anos de Formação da literatura brasileira. v. 1. Rio de Janeiro: Fundação Universitária José Bonifácio (UFRJ), 2000.
- Dantas Vinícius, "Bibliografia de Antonio Candido", São Paulo, Duas Cidades / 34 Letras, 2004.
- Goto, Roberto. Malandragem revisitada. Campinas: Pontes, 1988.
- Jackson, Luiz Carlos. A tradição esquecida; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.
- Lafer, Celso. (org.). Esboço de Figura. São Paulo, Duas Cidades, 1979.
- Pontes, Heloísa. "Destinos Mistos. Companhia das Letras. 1998.
- Schwarz, Roberto. "Pressupostos, salvo engano, de Dialética da malandragem". In: ___ Que Horas São? São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
- Schwarz, Roberto. Sequências Brasileiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
- Serna, Jorge Ruedas de la (org.) "História e Literatura: Homenagem a Antonio Candido", Unicamp, 2003.
- http://cpd1.ufmt.br/ichs/territorios&fronteiras/artigos/2010-1-8.pdf
MARTINELLO, André Souza; SCHNEIDER, Sérgio. 'PARALELOS ENTRE ANTONIO CANDIDO E ALEXANDRE CHAYANOV: ECONOMIA FECHADA, EQUILIBRIO MÍNIMO E RUSTICIDADE.' Revista Territórios e Fronteiras (UFMT). V.3, número 02 - Jul/Dez 2010. p. 138-158, 2010. http://cpd1.ufmt.br/ichs/territorios&fronteiras/artigosedossies/2010-1-8.php
Prêmios [editar]
- Prêmio Jabuti (1960, 1965, 1966, 1993)
- Prêmio Juca Pato (2007)
- Prêmio Camões (1998)
- Prêmio Machado de Assis (1993)
Intelectual do Ano 2007, conferido pela UBE - União Brasileira de Escritores, em 2008. O Prêmio Juca Pato agracia o intelectual que mais se destacou no ano anterior.
Referências
- ↑ MENEGOZZO, C H M; MACIEL, A F; SILVA, P R; RAMIRES, M F; GÓES, W L. Centro Sérgio Buarque de Holanda: Guia de Acervo. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2009. 248 p. Disponível em: <www.fpabramo.org.br/uploads/guia_CSBH.pdf>. Acesso em 30 ago. 2012.
- ↑ "Leia declaração de Antonio Candido durante ato dos dois mil Pró-Dilma, na USP, nesta segunda (25)". Diretório Estadual do PT em São Paulo. 26 de outubro de 2010. Acesso em 8 de janeiro de 2011.
- ↑ http://www.fflch.usp.br/dtllc/teses.htm
Ver também [editar]
Ligações externas [editar]
| Precedido por Cecília Meireles / Herman Lima |
1965 |
Sucedido por Carlos Soulie do Amaral |
| Precedido por Pepetela |
Prêmio Camões 1998 |
Sucedido por Sophia de Mello Breyner |
- Nascidos em 1918
- Cientistas sociais
- Críticos literários do Brasil
- Ensaístas do Brasil
- Ex-alunos da Universidade de São Paulo
- Naturais do Rio de Janeiro (cidade)
- Membros do Partido dos Trabalhadores
- Poetas do Rio de Janeiro
- Estudiosos de Machado de Assis
- Prémio Camões
- Prêmio Jabuti
- Professores da Universidade de São Paulo
- Professores da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho