Antônio Delfim Netto
| Antônio Delfim Netto | |
|---|---|
| Antônio Delfim Netto | |
| Ex-Deputado federal por São Paulo |
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| Mandato | cinco mandatos consecutivos (1987-2007) |
| Ministro da Fazenda do |
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| Mandato | 17 de março de 1967 até 15 de março de 1974 |
| Antecessor(a) | Octavio Gouvêa de Bulhões |
| Sucessor(a) | Mário Henrique Simonsen |
| Ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão do |
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| Mandato | 15 de agosto de 1979 até 14 de março de 1985 |
| Antecessor(a) | Mário Henrique Simonsen |
| Sucessor(a) | João Sayad |
| Vida | |
| Nascimento | 1º de maio de 1928 (83 anos) São Paulo |
| Partido | PMDB / PP / PPR / PPB / PDS / ARENA |
| Profissão | professor e economista |
Antônio Delfim Neto (São Paulo, 1 de maio de 1928) é economista, professor universitário e político brasileiro.
Índice |
[editar] Vida pessoal
Nascido no Cambuci, bairro industrial e de classe média de São Paulo, foi contínuo da fábrica de sabonetes Gessy e conseguiu se formar em Economia pela USP.
Professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, onde fez sua carreira acadêmica, tornou-se professor titular de análise macroeconômica em 1983.
[editar] Vida profissional
Depois de formado, foi contratado como assessor da Confederação Nacional da Indústria.
Participou do Conselho Técnico de Economia Sociologia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Atuou também na Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai do Conselho Universitário da USP no Conselho Nacional de Economia.
Participou do Grupo de Planejamento do governo Carvalho Pinto e do Conselho do Fundo de Expansão da Indústria de Base de São Paulo. Entre 1966 e 1967, Delfim Netto foi secretário de Fazenda em São Paulo[1], no primeiro governo Laudo Natel.
Em 1967 Delfim foi convidado por Costa e Silva para ocupar o cargo de Ministro da Fazenda. Em 13 de dezembro de 1968 votou a favor do AI-5, sugerindo inclusive um aprofundamento do poder do presidente de intervir na economia.
Durante o regime Militar, entre 1967 e 1974, foi ministro da fazenda e, no governo do presidente João Figueiredo, foi sucessivamente Ministro da Agricultura em 1979, Ministro do Planejamento entre 1979 e 1985 e embaixador do Brasil na França. Após a redemocratização do Brasil foi eleito cinco vezes consecutivas deputado federal, pelo PDS e por siglas que o sucederam - PPR, PPB e PP.
O Banco Central era autônomo e independente quando foi criado em 1966, no primeiro governo militar do marechal Castello Branco, e seus diretores não podiam ser demitidos, a não ser por motivo grave. Quando o general Costa e Silva assumiu, em 1967, o ministro Delfim Netto queria indicar o amigo e sócio Ruy Leme para a presidência do Banco Central [carece de fontes]. A imprensa começou a publicar suspeitas de que os integrantes da equipe econômica do general Castello Branco - Roberto Campos, Otávio Gouvêa de Bulhões e Denio Nogueira, este presidente do BC — teriam tirado proveito pessoal de uma desvalorização cambial [carece de fontes] . Foi instalada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados e a diretoria do BC acabou afastada [carece de fontes]. A manobra foi revelada por Denio Nogueira, em 1993, em depoimento/livro ao Centro de Pesquisa e Documentação da História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getúlio Vargas [carece de fontes].
Ao assumir a presidência, em 1974, o general Ernesto Geisel nomeu Delfim embaixador do Brasil na França. Incentivado por Geisel, o novo ministro da Economia, Mário Henrique Simonsen, surpreendeu o país ao denunciar a farsa da baixa inflação no período Médici [carece de fontes]. Embora até então impedida de tocar no assunto, a imprensa já sabia que os índices de inflação eram falsos [carece de fontes], uma vez que a pesquisa de preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV) simplesmente transportava para os índices oficiais os valores estabelecidos por um congelamento decretado por Delfim Netto — e desrespeitado por todos, produtores, industriais e comerciantes [carece de fontes]. Os produtos eram tabelados em um valor fixo, as lojas exibiam o preço oficial na parede, mas o vendiam pelo triplo dele. Com esta manobra, Delfim Netto manipulou o índice oficial de inflação, sempre inferior aos preços reais praticados na economia, em mais um triunfo do "milagre brasileiro". Ao assumir o ministério da Fazenda de Geisel, Simonsen denunciou publicamente a falsa inflação e a corrigiu.
Em 2005, ingressou no PMDB, o que gerou protestos da base peemedebista [carece de fontes], em parte pela forte ligação de seu nome com a ditadura militar. Não se reelegeu em 2006 e não se candidatou a cargos eletivos em 2010.
[editar] Milagre econômico
Durante o período no qual Delfim Netto ocupou a pasta da Fazenda ocorreu o chamado "milagre econômico brasileiro". Naquela época foi executado um forte controle dos salários — que ficou conhecido como "arrocho salarial" — e dos preços de todos os produtos industrializados, que era feito através da CIP, ou comissão interministerial de preços.
[editar] O Ato Complementar nº 40
Delfim foi o Ministro da Fazenda que presidiu o período de crescimento mais acelerado e mais longo da história do Brasil. Esse resultado, em partes, decorreu do fato de os terem sidos concecidos maiores poderes de decisão. No período em que foi ministro o Brasil tornou-se a oitava maior economia do mundo.
Participou, como Ministro da Fazenda do Presidente Costa e Silva, da reunião do Conselho de Segurança Nacional realizada em 1968, da qual deciciu-se por dar maior autonomia às entidades econômicas para valer uma das propostas iniciais do governo militar, que era o saneamento e crescimento da economia brasileira. Nessa reunião, Delfim sugeriu mudanças tributárias e administrativas que alterariam substancialmente o sistema governamental brasileiro, afim de retirar encargos do detor empresarial brasileiro, antigo problema brasileiro, e que possibilitaria o empreendedorismo da iniciativa privada e que, a longo prazo, geraria uma cadeia de crescimento produtivo e econômico.
Poucas semanas depois impôs severa contenção nos gastos públicos e decretou uma redução de 10% na folha de pessoal de 1968. Baixou em seguida o Ato Complementar nº 40, que alterava a política de distribuição dos tributos federais, reduzindo a participação dos Estados e Municípios nos impostos concentrando-os nas mãos do governo central, o que facilitaria o redirecionamento dos recursos financeiros às obras desenvolvimentistas.
As estruturas da administração fazendária foram submetidas a um rígido controle, e sofreram sua influência centralizadora. Foi executada a Reforma Administrativa que extinguiu a Direção Geral da Fazenda Nacional e os Departamentos de Rendas Internas, Rendas Aduaneiras, Departamento de Imposto de Renda e de Arrecadação, além da eliminação da Comissão de Eficiência e da Seção de Organização que foram substituídas em suas funções pela Secretaria da Receita Federal.
Na esteira das alterações administrativas executadas por Delfim Netto a Caixa Econômica Federal e a Casa da Moeda passaram a ser empresas públicas. Ainda foi criado um Conselho Interministeríal de Preços – CIP, e isso introduziu profundas mudanças na sistemática de acompanhamento de preços em todos os setores da economia brasileira.
Ainda para gerar um maior controle da economia foi criado o "Banco Multinacional Brasileiro" dirigido por integrantes do Banco do Brasil e do "European Brazilian Bank, cuja sede em Londres.
Para aumentar o investimento externo no Brasil, foram lançados títulos do Tesouro Brasileiro nos mercados de capitais europeus no valor de cem milhões de marcos. Durante a época de Delfim, foram criadas a Loteria Esportiva e a Comissão de Planejamento e Coordenação de Combate ao Contrabando.
Para aumentar a arrecadação e favorecer as construções, manutenção e ampliação de estradas, foi criada a Taxa Rodoviária Federal sobre todos os proprietários de veículos automotores.
Delfim Netto, durante o período em que foi ministro, enfatizou a criação de centros de estudos de economia fazendária, entre estes, destaca-se o "Centro de Treinamento e Desenvolvimento de Pessoal" que foi em seguida substituído pela ESAF (Escola de Administração Fazendária).
Foram também substituídas as delegacias fiscais pelas delegacias do Ministério da Fazenda nos Estados.
[editar] Política fiscal
Visando um aumento na arrecadação do imposto de renda para financiar parte dos investimentos executados pelo Estado no salto desenvolvimentista do Brasil durante o regime militar, Delfim Netto se empenhou pessoalmente para que houvesse uma maximização da produtividade da máquina fisco-tributária.
Exerceu um forte controle na difusão tributária, ampliando assim quantidade de contribuintes através da geração de incentivos fiscais e ao mesmo tempo aumentando progressivamente a arrecadação do imposto de renda reduzindo assim na mesma proporção a cobrança do IPI. Com estas medidas houve uma redução da carga tributária do cidadão comum, porém um aumento substancial do recolhimento de impostos através da criação de taxas e contribuições obrigatórias.
[editar] Política monetária
Para o controle estreito da inflação, as bandas de crescimento e realimentação inflacionária foram redimensionadas com a criação de mecanismos de controle e neutralização através da realimentação negativa gerada pela nova correção monetária. Estes mecanismos procuravam manter o equilíbrio entre os créditos externo e interno.
[editar] Política cambial
Com a constante centralização econômica e interferências ocasionadas pelos mecanismos de realimentação negativa, houve a introdução da taxa flexível de câmbio, que ocasionou a formação de patamares de reservas em divisas, compra e venda de moeda para controle do câmbio.
As compras/vendas de moeda procuravam regular o mercado cambial minimizando assim os efeitos de alterações cambiais sobre o mercado interno.
[editar] Cargos
Como ministro da Fazenda, Delfim Netto acumulou muitos cargos além de ser presidente do Conselho Monetário Nacional e da Comissão de Programação Financeira, foi membro do Conselho de Segurança Nacional e Conselho InterministeriaI de Preços.
Também exerceu o cargo de governador pelo Brasil do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Participou da direção do Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento.
Foi embaixador do Brasil na França entre 1975 e 1978, retornando em 1979, quando foi nomeado ministro da Agricultura e também ministro-chefe da SEPLAN (Secretaria de Planejamento da Presidência da República). Ficou no cargo até o dia 15 de março de 1985.
[editar] Atualidade
Delfim tem seus artigos constantemente divulgados pela mídia nacional, e assina a coluna Sextante, publicada regularmente na Revista CartaCapital.
Após o fim de seu mandato parlamentar e a reeleição de Lula, Delfim passou a aconselhar o presidente com bastante frequência, o que gerou, no início do segundo mandato de Lula, especulações de que o ex-deputado estaria sendo sondado para ocupar algum ministério ou a presidência do BNDES, o que posteriormente foi descartado. [2]
[editar] Referências
- ↑ Ministros de Estado da Fazenda - Antônio Delfim Netto
- ↑ ZIMMERMANN, Patrícia. PMDB pode indicar Delfim para a Agricultura e elevar cota de ministérios. Brasília: Folha Online, 03/01/2007.
| Precedido por Otávio Gouveia de Bulhões |
Ministro da Fazenda do Brasil 1967 — 1974 |
Sucedido por Mário Henrique Simonsen |
| Precedido por Alysson Paulinelli |
Ministro da Agricultura do Brasil 1979 |
Sucedido por Ângelo Amaury Stábile |
| Precedido por Golbery do Couto e Silva |
Ministro do Planejamento do Brasil 1979 — 1985 |
Sucedido por João Sayad |
- Ministros do Governo Costa e Silva
- Ministros do Governo Provisório de 1969
- Ministros do Governo Médici
- Ministros do Governo Figueiredo
- Ministros da Fazenda do Brasil
- Ministros do Planejamento do Brasil
- Ministros da Agricultura do Brasil
- Membros do Conselho Monetário Nacional
- Embaixadores do Brasil na França
- Deputados federais de São Paulo
- Economistas de São Paulo
- Escola keynesiana
- Professores da Universidade de São Paulo
- Ex-alunos da Universidade de São Paulo
- Membros do Partido do Movimento Democrático Brasileiro
- Membros do Partido Progressista
- Colunistas da Folha de S.Paulo
- Ítalo-brasileiros
- Naturais de São Paulo (cidade)