Antônio de Castro Mayer

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D. Antônio de Castro Mayer
Bispo da Igreja Católica
Bispo da Diocese de Campos
Fotografia da década de 80 de Dom Antônio de Castro Mayer, após a missa, usando ainda os paramentos, na cerimônia de coroação da Virgem Maria.
Ordenação e nomeação
Dados pessoais
Nascimento 20 de julho de 1904 (110 anos)
Morte 25 de abril de 1991 (86 anos)
Nacionalidade  Brasileira
Assinatura Signature of Bishop Antônio de Castro Mayer.JPG
Bispos
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo

Antônio de Castro Mayer (Campinas, 20 de Junho de 190425 de Abril de 1991) foi bispo católico da Diocese de Campos, RJ, Brasil, e fundador e líder da "União Sacerdotal São João Maria Vianney". Nos anos 70 devido a sua resistência ao progressismo e ao modernismo teológico na Igreja Católica, foi apelidado de "Leão de Campos".[1]

Dom Mayer tornou-se inicialmente famoso como Bispo de Campos dos Goytacazes, devido às diversas "Cartas Pastorais" que escreveu, rechaçando o progressismo e defendendo os dogmas e a crença católica em sua diocese, sendo algumas de suas obras best-sellers no Brasil na época, e recebendo traduções em diversas línguas.

Dom Mayer tornou-se notório especialmente porque em 1969, com autorização do papa Paulo VI, preservou na diocese de Campos, a Missa de Pio V, não implantando a reforma litúrgica e editando várias cartas pastorais corrigindo novos erros doutrinários.

Depois de 1981, quando Dom Mayer torna-se Bispo emérito, seu sucessor na diocese, Dom Carlos Navarro, excluí e suspende todos os padres associados a missa do Rito de Pio V, que então, se reúnem na "União Sacerdotal São João Maria Vianney", chefiada e assistida por Dom Mayer. Posteriormente Dom Mayer e a União Sacerdotal tornam-se parceiros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e de Dom Marcel Lefebvre, e participam das sagrações dos Bispos em Écône, em 1988. Dom Mayer faleceu em 1991, e foi substituído na liderança da União Sacerdotal, por Licínio Rangel.

Infância e Ministério Presbiteral[editar | editar código-fonte]

Antônio como seminarista em Roma.

Filho de João Mayer e de Francisca de Castro Mayer, de uma família numerosa—12 filhos—e muito católica, ficou órfão de pai aos 7 anos incompletos. Entra para o Seminário Menor do Bom Jesus de Pirapora aos doze anos. Em 1922, inicia os estudos no Seminário Maior, em São Paulo, e, devido ao seu excelente desempenho, é enviado para Roma por Dom Duarte Leopoldo e Silva, a fim de completar seu curso eclesiástico na Universidade Gregoriana. No dia 30 de outubro de 1927, é ordenado sacerdote pelo Cardeal Basílio Pompilij, Vigário Geral de sua Santidade o Papa Pio XI. Pouco depois, recebe na mesma universidade o grau de doutor em teologia.

Após retorno ao Brasil, foi professor no Seminário em São Paulo, durante treze anos, leccionando Filosofia, História da Filosofia e Teologia Dogmática. Em 1940, é nomeado assistente geral da Acção Católica, cujo presidente era Plínio Corrrêa de Oliveira. Em 1941, é nomeado cônego catedralício do Cabido Metropolitano de São Paulo e, um ano depois, torna-se Vigário Geral. Em 1945, é Vigário Ecónomo da Paróquia de São José do Belém, ocupando-se ao mesmo tempo das cátedras de religião e Doutrina Social da Igreja, respectivamente na Faculdade de Direito e no Instituto Sedes Sapientiae, ambas pertencentes à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Episcopado[editar | editar código-fonte]

A 6 de Março de 1948, é elevado, pelo Papa Pio XII, a bispo titular de Priene coadjutor, isto é, com direito a sucessão do bispo de Campos, D. Octaviano Pereira de Albuquerque. No dia 23 de maio do mesmo ano, o Núncio Apostólico do Brasil, Dom Carlo Chiarlo, oficia a cerimônia de sagração, tendo como assistentes: Dom Ernesto de Paula, Bispo de Piracicaba e Dom Geraldo de Proença Sigaud, Bispo de Jacarezinho, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo. Em 1949, torna-se bispo diocesano de Campos.

Afresco do Brasão de Dom Antônio Mayer, pintado na "Igreja de Nossa Senhora do Carmo", atendida pela Administração Apostólica em Campos dos Goytacazes. Sua ortodoxia e seu brasão, tornaram Dom Mayer conhecido como o "Leão de Campos".

Desde que foi investido de sua missão episcopal em 1948, Dom Antônio percorreu toda a diocese para conhecer in loco a situação espiritual e material de seus diocesanos. Pôde ele dirigir assim a reorganização da vida das paróquias, tanto no interior como nas cidades. Conseguiu também resolver velhos problemas que paralisavam a atividade das Ordens Terceiras Franciscana e Carmelita, dando assim novo esplendor às Igrejas situadas em suas propriedades.

Em 1950, fundou o mensário "Catolicismo", que se tornou conhecido no Brasil e no exterior como exemplo de imprensa católica em combate contra o comunismo e liberalismo, na ordem política e contra o modernismo e o progressismo, na ordem religiosa. Nele colaboravam Plínio Corrêa de Oliveira, José Azeredo dos Santos, Fernando Furquim de Almeida, ao lado de sacerdotes como Geraldo de Proença Sigaud, futuro arcebispo de Diamantina. Escreveu então uma "Carta Pastoral sobre problemas do Apostolado Moderno" que teve repercussão no Brasil e no mundo, pois mostrava as raízes de uma futura crise da Igreja.

Em 1956, abriu o Seminário Menor da Diocese na vila, hoje cidade, de São Sebastião de Varre-Sai. Em 1967, Dom Antônio obtém a permissão do funcionamento do Seminário Maior, com os cursos de Filosofia e Teologia (posteriormente transferida para Campos)[2] .

Cquote1.svg Tal obra começou sob a proteção e as bênçãos de Nossa Senhora?

Não há de fracassar!

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Dom Antônio a seus padres.

Suas Pastorais sobre Nossa Senhora, a insistência em suas homilias e retiros sobre a recitação do Rosário, ou, pelo menos, do terço cotidiano, a campanha do terço contínuo, a devoção às três Ave Marias, a ênfase na pregação da oração e da penitência, da Consagração ao Imaculado Coração de Maria e da devoção aos Primeiros Sábados atestam a importância que ele sempre atribuiu ao papel de Maria Santíssima na economia da salvação, na solução da crise contemporânea e na sua atividade episcopal. Aliás, como primeiro ato episcopal, instituiu em Campos a obrigatoriedade de se rezar 3 Ave-Marias após cada Sacrifício Incruento da Missa.

Durante o Concílio Vaticano II, D. António de Castro Mayer assumiu-se como um dos líderes da ala conservadora - "Coetus Internationalis Patrum". Depois de ter participado no Concílio, regressou à diocese onde foi irredutível na manutenção da Tradição;especialmente no campo da ortodoxia, mas também, na ortopráxis: esta é a manifestação prática daquela, por isso tanto empenho em se resguardar as formas, a fim de se transmitir os conceitos. Campos foi a única diocese a manter, depois da promulgação do Novos Ordo Missae de Paulo VI, o Ordo Missae Gregoriano como rito oficial da diocese.

Placa de 1981, após a última Missa Pontifical Solene de Dom Mayer na Catedral de Campos, em sua fachada, homenageando-o.

No dia 1 de Novembro de 1981, celebra pela última vez, Pontifical da Catedral de Campos:

Cquote1.svg A Dom Antonio de Castro Mayer, zeloso, sábio e prudente Bispo de Campos,

a gratidão dos fiéis pelos 33 anos dedicados à causa da fé e à salvação das almas.
Campos, 1o. de novembro de 1981

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Placa Comemorativa doada pelos fiéis em sua última Missa Pontifical.

Tradidi...quod et accepi[editar | editar código-fonte]

Com a chegada do novo Bispo Dom Carlos Alberto Navarro, mais tarde arcebispo de Niterói, os padres que se mantiveram tradicionais foram afastados. À pedido destes padres, D. Antônio decidiu apoiá-los e fundou assim a União Sacerdotal São João Maria Vianney.

Juntamente com Monsenhor Marcel Lefebvre fez diversas advertências ao Papa sobre a crise que a Igreja vivia e será co-sagrante nas consagrações episcopais levadas a cabo por Monsenhor Lefebvre, em 30 de Junho de 1988, em Écône, na Suíça. Sofreu a excomunhão latae setentiae (visto não haver mandato pontifício[3] ), que o Papa declarou, através do Motu Proprio Ecclesia Dei, ter incorrido sobre Marcel Lefebvre, D. Antônio e os 4 bispos sagrados[4] .

Memorial a Dom Mayer em Bom Jesus, expondo suas "vestes corais", isto é, a batina roxa (com o barrete, solidéu e faixa roxa no chão do memorial, ao lado de uma mitra), a mozeta, e a sobrepeliz. Dom Mayer usou entre outras ocasiões, estas roupas nas sagrações de Écône, na Suiça, em 1988.

Seu último ato público foi a ordenação sacerdotal de Pe. Manoel Macêdo de Farias, em Varre-Sai, a 18 de dezembro de 1988, após retornar das Sagrações de Écône. Depois, a debilidade das forças não permitiriam mais. Faleceu em 25 de abril de 1991 e foi sepultado na cripta da Capela da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo.

Cquote1.svg Vivemos –- ninguém nega –- uma terrível crise na Igreja, que atinge profundamente o sacerdócio católico.

A perpetuidade do Santo Sacrifício da Missa, a administração dos Sacramentos,
a guarda e a transmissão fiel da fé católica estão hoje séria e gravemente ameaçadas.
Por tudo isso é inegável o gravíssimo estado de crise na Igreja.
Necessidade de padres católicos para o Santo Sacrifício, para a doutrina.
Quando as autoridades da Igreja se recusam a dar-lhe destes padres verdadeiramente católicos,
um bispo não pode pretender ter cumprido seu dever, se se limita a resistir na fé, como um leigo.
Diante de Deus, de Quem recebi, na sagração episcopal, a plenitude do poder de ordem, afirmo que,
na presente crise, não só é lícito, mas urge mesmo como dever impostergável utilizar destes poderes para o bem das almas.
Declaro, por fim, que só realizo esta ordenação sacerdotal por sabê-la inteiramente lícita
e de acordo com a vontade da Igreja perene. Cumpro a missão que me foi confiada:
Tradidi...quod et accepi! Transmito o sacerdócio católico que recebi!

Cquote2.svg
Homilia da sua última Ordenação Presbiteral.

D. Licínio Rangel sucedeu a D. António de Castro Mayer como superior da União Sacerdotal São João Maria Vianney. A excomunhão em que incorrera D. Antônio não foi revogada quando da regularização da União Sacerdotal São João Maria Vianney, em 2001, que passou a ser a Administração Apostólica São João Maria Vianney; mas foi, quando, por decreto emitido aos 21 de janeiro de 2009 (protocolo nº 126/2009), o Santo Padre Bento XVI revogou as excomunhões[5] dos quatro bispos sagrados pelos bispos Lefebvre e Castro Mayer.

Como se lê na última parte do último parágrafo do Decreto sobre o Levantamento das Excomunhões, quando se declara "desprovido de efeitos jurídicos" "o decreto àquele tempo publicado". In verbis:

"Em virtude das faculdades que me foram expressamente concedidas pelo Santo Padre, Bento XVI, em virtude do presente Decreto, retiro dos bispos Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta a pena de excomunhão latae sententiae declarada por esta Congregação a 1 de julho de 1988 e declaro desprovido de efeitos jurídicos a partir do dia de hoje o decreto àquele tempo publicado."

Aquele Decreto excomunga os 4 (quatro) Bispos consagrados, Dom Lefebvre e Dom Castro y Mayer. Logo que aquele decreto está "desprovido de efeitos jurídicos" houve o levantamento das excomunhões de Dom Lefebvre e Dom Castro y Mayer. A Santa Sé ciente do impacto que causaria citar nominalmente Dom Lefebvre e Dom Mayer usou desta linguagem jurídica sutil.


Ver Também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. White, David Allen. "The Mouth of the Lion": Bishop Antonio de Castro Mayer and the last Catholic Diocese”. Angelus Press, 1993 – pág. 124-126, 128-129, 142.
  2. Biografia de D. Antônio no site do Mosteiro da Santa Cruz
  3. C.I.C. 1382 - O bispo que confere a alguém a consagração episcopal sem mandato pontifício, assim como aquele que recebe dele a consagração, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Santa Sé.
  4. Motu Proprio Ecclesia Dei Aflicta
  5. Decreto da Santa Sé para Retirar a Excomunhão de Quatro Bispos