Anti-intelectualismo

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O anti-intelectualismo pode beirar a irracionalidade: livros "semitas" sendo queimados em Berlim, na queima de livros em 10 de maio de 1933.

Anti-intelectualismo descreve um sentimento de hostilidade em relação a, ou suspeição de, intelectuais e seus objetos de pesquisa. Isto pode ser expresso de várias formas, tais como ataques aos méritos da ciência, educação, arte ou literatura.

Em geral, o anti-intelectualismo se justifica mediante os argumentos de ideologias e pragmatistas. Entre as suas motivações mais comuns, podemos enumerar: ressentimento de pessoas pouco instruídas contra eruditos; hostilidade em relação ao trabalho realizado pelos intelectuais, como educação, pesquisa, crítica social e cultura, literatura; acusação de parasitismo social (os intelectuais não teriam uma "função" econômica na sociedade, sendo esta ultima compreendida, portanto, de maneira organicista; acusações de subversão e morbidez.

Demonstração[editar | editar código-fonte]

Anti-intelectualismo geralmente é expressado nas comunidades por declarações de "diferença", isto é, os intelectuais são ditos como "não sendo um dos nossos". Estes que desconfiam de intelectuais, os representam como um perigo para a normalidade, insistindo que se tratam de estranhos com pouca empatia pelas pessoas comuns. Isto historicamente resultou em intelectuais sendo retratados como membros arrogantes de um diferente grupo social. Em comunidades rurais, por exemplo, intelectuais talvez sejam vistos como "invejosos da cidade" que conhecem pouco do vilarejo e seus modos. É também comum para comunidades tachar intelectuais como estrangeiros ou membros de minorias étnicas, como por exemplo, Asiáticos. Juntamente com isto, intelectuais podem ser vistos como sujeitos a instabilidade mental, com seus críticos insistindo na existência de uma correlação médica entre insanidade e genialidade. Comunidades com forte religiosa talvez se aventurem em vincular intelectuais com a promoção do ateísmo, enquanto os modos sexuais dos intelectuais também são colocados em duvida, onde são suspeitos de promiscuidade, tendencias homossexuais ou falta de interesse por sexo. Notavelmente, quem condena intelectuais tende vincula-los não com apenas uma, mas uma combinação destas características.

Causas[editar | editar código-fonte]

Crenças anti-intelectuais podem surgir de uma variedade de fontes. Estas incluem:

Religião[editar | editar código-fonte]

Apesar de uma variedade de religiões promoverem o intelectualismo, existem algumas tendencias nos tempos modernos e clássicos de fomentar sentimentos anti-intelectuais. Isto ocorre primariamente em grupos fundamentalistas.

Quando uma doutrina religiosa inclui declarações sobre a história natural ou humana, dogmas sobre textos sagrados e outras matérias, estas declarações podem ser investigadas por um pesquisador externo. Por exemplo, uma declaração sobre a idade de um artefato religioso pode ser testada por testes de carbono ou um texto teológico ser lógicamente examinado. Se este tipo de investigação é promovida, o resultado pode ser conflito em relação ao quanto a doutrina percebe a investigação como estando em conformância ou não com a religião.

Porém, anti-intelectualismo religioso não se confina somente contra a ciência: quando movimentos como Boemia, Vanguarda e Romantismo se tornaram fatores importantes nas finas-artes, alguns religiosos perceberam estas tendencias como moralmente subversivas e pediram por censura. Este tem sido um tema bem comum nas Américas e na Europa desde os tempos da reforma protestante. Alguns podem argumentar, porém, que isto se trata apenas de conservadorismo moral, que é distinto de anti-intelectualismo, apesar que as duas posições são aliadas em muitos casos.

Políticas autoritárias[editar | editar código-fonte]

Anti-intelectualismo é às vezes utilizada por ditadores ou por aqueles que estão tentando estabelecer uma ditadura. Pessoas educadas vistas como grupos sociais muitas vezes são vistas por regimes totalitários como uma ameaça, graças a tendencia dos intelectuais de questionas as normas sociais existentes e de dissentir da opinião estabelecida. Portanto, retaliações, muitas vezes violentas, são comuns durante o inicio e a duração de um regime autoritário, como fascismo, stalinismo e teocracias. E mais, como muitos intelectuais se negam em apoiar o nacionalismo, eles também são retratados como não patrióticos e subversivos.

Em ditaduras mais extremas, como a do comunista Khmer Vermelho, simplesmente assassinou qualquer um com mais que a educação rudimentar. Outras expressões de anti-intelectualismo variam desde o fechamento de bibliotecas públicas e locais de estudo, isolar intelectuais e cientistas do mundo e até mesmo declarações oficiais que intelectuais são sujeitos a problemas mentais e os isolar em instituições psiquiátricas. Adicionalmente, intelectuais em países com regimes autoritários estão sujeitos a condenações populares e são usados como bode expiatório para canalizar a raiva do povo.

Anti-intelectualismo não é necessariamente violento e nem necessariamente opressivo. Atitudes anti-intelectuais podem ser utilizadas por qualquer grupo, incluindo os não violentos, além de pessoas que meramente não gosta de intelectuais ou aprendizado no geral.

Populismo[editar | editar código-fonte]

Populismo pode ser visto como outra fonte de anti-intelectualismo. Neste contexto, intelectuais são apresentados como elitistas e enganadores cujo conhecimento e habilidades retóricas devem ser temidos, já que podem ser utilizados para manipular as pessoas médias, que por sua vez são tidas como a idealização do regime e fonte de virtude. Pessoas com ideais populistas geralmente apoiam que as necessidades de conhecimento sejam reguladas pelas pessoas, alegando que educadores precisam trabalhar em linha com as políticas de mandatários.

De maneira similar, a curiosidade e a objetividade dos intelectuais sobre países estrangeiros e crenças são retratados como falta de patriotismo ou honestidade moral, e intelectuais são muitas vezes tidos como suspeitos por ter opiniões estrangeiras, possivelmente subversivas.

Fascismo[editar | editar código-fonte]

O fascismo, em suas diversas variações nacionais, incluindo o nazismo alemão e o integralismo brasileiro, possui uma forte elemento anti-intelectualismo. Em geral, os políticos e ideólogos fascistas reprovam os intelectuais por não possuírem "função", e, portanto, não contribuírem para o poder e a unidade do estado nacional; por participarem, de maneira dissimulada, da oposição política ou serem antipatriotas; nos movimentos fascistas que também são antissemitas, a figura do intelectual também é sempre associada ao do judeu. O fascismo, em razão do seu culto da ação, reprova os intelectuais por se dedicarem ao estudo e ao ensino, e, pelas tendências irracionalistas destes movimentos, também ataca a defesa da razão por parte de vários intelectuais, opondo à racionalidade a apologia da pátria, do poder, da força e da "vida". Resumindo: junto à minorias étnicas e oposição política, a figura do intelectual serve, no fascismo, como um eterno culpado por todos os conflitos e fracassos internos da nação, que, concebida como organismo perfeito e harmonioso pelos fascistas, não poderia sofrer de contradições, a não ser pela interferência de um corpo estranho, do qual os próprios intelectuais, minorias étnicas e oposição política fazem o papel.

Problemas com o sistema educacional[editar | editar código-fonte]

O sistema educacional pode servir como ferramenta poderosa em formar a cultura de uma nação. Em países de língua inglesa, particularmente Estados Unidos e Reino Unido, as escolas e universidades são algumas vezes criticadas por serem excessivamente 'intelectualistas', portanto, falhando em preparar os jovens propriamente para serem membros da sociedade.

Escola fundamental e secundária[editar | editar código-fonte]

Alguns comentadores, como John Tierney[1] , acredita que as escolas fundamentais e secundárias, pelo menos nos Estados Unidos, colocam um excesso de ênfase na igualdade de resultados em detrimento da capacidade de produção intelectual do indivíduo. Nesta visão, a ênfase acaba por levar a mentalidade "Harrison Bergeron" e um excesso de simplificação do currículo escolar.

Demandas da cultura jovem[editar | editar código-fonte]

Um exemplo de grande, apesar que dificilmente militante ou mesmo organizado, anti-intelectualismo no mundo contemporâneo está na subcultura jovem, geralmente associada com estudantes mais interessados em sua vida social ou atletismo, do que nos seus estudos. Estas subculturas, geralmente marcadas por sinais, existem em estudantes de todos os grupos. A cultura comercial jovem também gera uma enorme variedade de tendencias. Se manter nestas tendencias é difícil, e seu conteúdo é geralmente criticado por críticos culturais de várias correntes por ser excessivamente simplista e tendendo para falta de sofisticação. Manter a popularidade, de acordo com Paul Graham é um trabalho de tempo integral que deixa pouco tempo para interesses intelectuais[2] .

Universidades[editar | editar código-fonte]

No ambiente das Universidades, os problemas se dividem em três:

Vícios políticos[editar | editar código-fonte]

Um tipo de critica é baseada na percepção de que alguns professores universitários e outros acadêmicos tem forçado suas próprias ideologias políticas nas interações pedagógicas e pesquisa profissional, em detrimento da qualidade, objetividade, ou mesmo utilidade. Nos Estados Unidos, este argumento é mais praticado por indivíduos do lado conservativo do espectro político contra liberais, radicais e esquerdistas.

Geralmente, estas criticas são direcionadas para pessoas trabalhando no campo de Humanas, especialmente as Ciências sociais. Entre os campos mais contestados estão Estudos da Mulher, Estudos Culturais e Estudos raciais. Se esta atenção é merecida, isto, novamente é fonte de debate.

Programas deficientes[editar | editar código-fonte]

Outro campo de preocupação é a percepção da falta de educação geral no currículo.

Falta de utilidade[editar | editar código-fonte]

Uma terceira linha de criticas, que algumas vezes contradiz a segunda, é a falta de utilidade "na vida real" de alguns estudos de humanas. Isto também tem contribuído para o anti-intelectualismo, particularmente entre os que estudam, ou estudaram, assuntos técnicos. Isto é muitas vezes chamado de rivalidade em vez de anti-intelectualismo real, já que pessoas que receberam diplomas universitários técnicos estão também envolvidas em estudos intelectuais de alta complexidade. Este tipo de antagonismo às vezes é exacerbado nas universidades quando se trata da divisão dos fundos limitados. Enquanto é mais caro e de alta manutenção empregar ou financiar departamentos de engenharia e técnicos, muitas vezes o próprio comitê universitário os coloca como tendo maior importância. Ainda mais, bonificações para a universidade às vezes é acompanhado de requerimentos que o dinheiro vá para programas vistos pelos beneficiados como uteis.

Anti-intelectualismo nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Cultura do século 19[editar | editar código-fonte]

A cultura popular do século XIX é importante na história do antiintelectualismo americano. Naquela época, quando a vasta maioria da população vivia no campo, executando trabalho manual e agricultura, educação pelos livros, que na época era voltada para os clássicos, era visto como de pouco valor.

O século XIX predominantemente valorizava o homem de sucesso, com estudo da vida e experiencia, em vez de intelectuais onde o conhecimento foi adquirido por estudos formais e livros. Em 1843, Bayard R. Hall escreveu sobre Indiana, que "nós sempre preferimos um homem ruim ignorante do que um talento, dai as tentativas usualmente feitas para arruinar o moral de um candidato inteligente; já que a inteligencia infeliz e a imoralidade supostamente andam juntas, assim como incompetência e bondade". Ainda assim, existia a possibilidade de "perdão" de alguém inteligente adotasse a "inteligencia popular". Um personagem de O. Henry notou que quando um graduado da Costa Leste dos Estados Unidos larga de ser orgulhoso, ele daria um bom cowboy como qualquer outro jovem homem.

Um estereótipo relacionado é o de uma pessoa "lenta" com coração de ouro, que se tornou popular nos teatros do século XIX, e ainda reaparece na cultura americana, como em 1985 no livro e em 1994 no filme Forrest Gump.

Séculos 20 e 21[editar | editar código-fonte]

Correntes de direita[editar | editar código-fonte]

Críticos conservadores da academia[editar | editar código-fonte]

Robert Warshow avançou com a hipótese de que o Partido Comunista dos EUA havia se tornado o centro da vida intelectual americana durante a década de 1930:

Para a maioria dos intelectuais americanos, o movimento comunista de 1930 era uma experiencia crucial. Na Europa, onde o movimento era mais sério e popular, ela ainda era apenas uma corrente da vida intelectual; os comunistas podem jamais ajustar completamente o tom do pensamento. Mas neste país existiu um tempo em que virtualmente toda a vitalidade intelectual derivava de uma maneira ou de outra do Partido Comunista. Se você não era dos grandes círculos do partido, você possivelmente era da oposição, o que significava que boa parte de suas energias e reflexão era para se manter devotado para a oposição.[3]

Uma variante mais recente desta tendencia é o tão falando "movimento da liberdade acadêmica", liderado por David Horowitz pelo Centro para o Estudo da Cultura Popular, que analisa as tendencia de certos acadêmicos de esquerda de indoutrinar os estudantes universitários para visões antiamericanas.[4]

O conservador brasileiro Olavo de Carvalho critica severamente o meio acadêmico nacional, onde, segundo ele, "a propaganda marxista se instalou".[5]

Fundamentalismo religioso[editar | editar código-fonte]

Algum anti-intelectualismo moderno americano vem da visão sustentada por cristãos conservadores que a forma atual da educação pública subverte as crenças religiosas. A validade desta visão é substanciada pela repercussão do ateísmo e agnósticos entre os educados durante a era do Iluminismo, e esta profundamente enraizado antes mesmo destes tempos. Um exemplo era o autor Puritano John Cotton redigiu em 1642, "Quanto mais educado e articulado você se tornar, mais adequado para agir por Satã você estará".

Outros cristãos também objecionam o que eles percebem como elementos não cristãos do sistema educacional americano. O ponto focal dos fundamentalistas são Educação Sexual e Evolucionismo.

Correntes de esquerda[editar | editar código-fonte]

Cultura estudantil da década de 1960[editar | editar código-fonte]

Especialmente durante a década de 1960 muitos ativistas estudantis romantizaram as populações pobres dos Apalaches e Delta do Mississippi. A falta de educação formal nestas regiões era vista como um tipo de liberdade dos valores conformistas da sociedade, que permitia as pessoas levarem uma vida mais genuína.

Os movimentos antiguerra também desprezavam os altamente educados e objetivos tecnocratas de Washington, D.C., idealizados por Robert McNamara, que não se emocionava por emoções irracionais e subjetivas. McNamara alegava tomar decisões baseados somente em números e probabilidades e não podia ver indivíduos vivos ou mortos como nada além de estatística. A contagem de corpos do Vietnã é visto como um exemplo desta objetividade.

Theodor Adorno, ele mesmo um marxista, pesadamente criticava essa moda da esquerda dos anos 60, que ele chamava de Ativismo, definindo isto como sendo a crença em que ações como protestos e greves podiam mudar a estrutura política, sem que eles mesmo fossem suportados por uma teoria sólida e um programa organizado.

Intelectuais como apologistas pagos do status quo[editar | editar código-fonte]

Muitos da esquerda já proclamaram que o status dos intelectuais como "pensadores profissionais" requerem suporte da classe dominante disposta a financiá-los. Portanto, a maioria dos intelectuais, de modo a manter sua profissão, precisam assumir uma postura subserviente em relação às pessoas no poder mesmo quando suas ideias são radicais. Estes críticos apontam que muitos professores já clamaram pela revolução, mas poucos tomaram posturas concretas para promover uma. Isto tem o efeito de descreditar a ideia da mudança social por associar ela com acadêmicos hipócritas, portanto servindo o status quo.

Em troca de seus serviços retóricos, a teoria dita, intelectuais são premiados com o poder de se posicionar acima do proletariado na escala social e são dotados de um certo grau de controle sobre como as pessoas normais podem viver suas vidas. Além disso, quando alguma ação do governo sai de controle, intelectuais proveem os líderes com um bode expiatório conveniente - os que são pagos para promover uma política podem ser facilmente culpados por criá-la.

Anti-intelectualismo na União Soviética[editar | editar código-fonte]

Na União Soviética, durante a primeira década após a Revolução Russa de 1917, os Bolcheviques geralmente denegriam e suspeitavam dos educados como potenciais traidores da causa do proletariado. Tanto o núcleo do Partido Comunista como as pessoas que se tornavam ativista locais e oficiais governamentais e da indústria geralmente não possuíam nem mesmo a educação formal além de desdenhar aqueles que possuíam. Lênin uma vez chamou a intelligentsia, particularmente aqueles que se opunham a ele, como "podres" e "merda"[6] . A retórica, traduzida aproximadamente como "nós não completamos nenhuma academia" ("мы академиев не кончали") se tornou o slogan da nova elite dominante. Membros das antigas classes donas de propriedades eram classificados como Lishentsy e seus filhos eram proibidas de estudar. Em 1922 grandes grupos de intelectuais russos eram isolados nos "Navios de filósofos".

Mais tarde, o governo soviético passou a ver educação como importante e dedicou grandes recursos para a alfabetização de um lado e profissionalização do outro. Porém, como política social, o governo promoveu a classe trabalhadores acima da elite intelectual. De acordo, trabalhadores industriais geralmente recebiam salários maiores que de profissionais treinados em universidade como professores, médicos e engenheiros. Além disso, os trabalhadores eram doutrinados com a noção de que apenas o trabalho manual produziam valor real para a economia, sendo que pessoas educadas simplesmente sentavam em qualquer lugar para escrever em papéis.

É preciso notar, porém, que o anti-intelectualismo da elite política soviética era associado ao fato de que os círculos acadêmicos russos, como parte do estado tsarista, eram hostis à revolução de 1917 por definição. Porém, quando tendo que tomar parte de assuntos práticos como gerenciamento econômico e cientifico, o sistema soviético inicial tinham que se curvar para os "experts da burguesia", dai a relação tensa entre o Partido Comunista e os membros educados fora do partido. Apenas durante 1930 que Stálin tentou substituir a antiga intelligentsia por um grupo aprovado pelo partido. Este favoritismo do partinost - isto é, a instancia partidarista em todas as matérias intelectuais - acima da escolaridade formal, não importante o qual ruim fosse a instancia partidária, ao final, acabou por se tornar uma instancia anti-intelectual.

O tratamento soviético de certas ciências é um exemplo do anti-intelectualismo. As teorias pseudocientíficas de Lyssenko e a teoria Japhetic ganharam proeminência entre as décadas de 30 e 50 por razões políticas em vez de processos científicos normais. Elas causaram danos significativos a biologia soviética e a linguística antes de serem abandonadas.

Anti-intelectualismo na China, Camboja e Irã[editar | editar código-fonte]

O anti-intelectualismo asiático possui profundas raízes. Até Tao Te Ching orientava os líderes para manter seus servos "com a barriga cheia e mente vazia" e que "ignorância é melhor que o conhecimento" entre as pessoas. Adicionalmente, Qin Shi Huang, o primeiro imperador da China, foi responsável por uma das mais proeminentes demonstrações de anti-intelectualismo, por desconfiar dos escolares e forçando as pessoas educadas ao trabalho, além de queimar textos escritos por historiadores ou por escolares confucianos.

No Camboja, o regime do Khmer Vermelho era geralmente desdenhoso de intelectuais e os via como traidores ou inimigos. Em algum setores, qualquer um que estivesse de óculos era executado por guardas do Khmer, já que óculos eram vistos como marcas de educação e intelectualismo.

O regime revolucionário da nova República Islâmica do Irã também demonstrou grande anti-intelectualismo em suas políticas. Além da grande emigração de muitos intelectuais no inicio da revolução iraniana, o governo decretou em 1980 que todas as universidades fossem fechadas até que o currículo fosse "purificado" do legado de Reza Pahlavi. O banimento da educação superior persistiu até 1982. Também, a atitude repressiva do regime contra a intelligentsia iraniana é bem conhecida, incluindo a execução do poeta Said Soltanpour em 1981.

Revolução Cultural chinesa[editar | editar código-fonte]

Na China, muitos intelectuais foram perseguidos durante a Revolução Cultural chinesa, acusados de traição às raízes étnicas e excessiva ocidentalização degenerada. Foi uma espécie de vingança e revanchismo por parte da massa popular sem muita instrução, que viam nos pensadores uma espécie de parasitas do trabalho braçal alheio, já que associavam o ócio corporal da intelectualidade ao parasitismo das classes dominantes burguesas e semi-feudais que os haviam dominado e explorado.[7]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Em inglês[editar | editar código-fonte]

Em português[editar | editar código-fonte]