Anticomunismo
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O anticomunismo é um conjunto de idéias, correntes e tendências intelectuais que possuem em comum a negação dos princípios e idéias do comunismo e a oposição a todo governo ou organização que dê suporte prático ou teórico a esta ideologia.
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[editar] Características gerais
Classicamente, podem[carece de fontes] ser definidos como anticomunistas os conservadores, os liberais, os anarco-liberais e anarco-capitalistas, os libertários, os democratas cristãos, além de outras tendências políticas.
Esta definição, obviamente[carece de fontes], leva em consideração o antagonismo total de agendas e propostas, não incluindo, por exemplo, as divergências dos sociais-democratas com os comunistas que, segundo certos analistas, seriam fruto da disputa pelo poder e não de uma incompatibilidade programática propriamente dita.
Os partidários de idéias anticomunistas, via de regra[carece de fontes], conjugam seus esforços para evitar a eclosão de revoluções comunistas e repudiam conceitos fundamentais do comunismo, tais como: o historicismo e o materialismo como fatores preponderantes nas relações sociais, a luta de classes como motor da História e a idéia de inevitabilidade do comunismo como fruto dos processos históricos.
[editar] Dificuldades na delimitação do anticomunismo
A definição de certas pessoas, políticos ou intelectuais como anticomunistas está diretamente relacionada à presença, em seus escritos e declarações, de idéias que contrariem ou repudiem, de maneira inequívoca, os princípios comunistas. Encaixam-se nessa categoria, por exemplo, os políticos Ronald Reagan e Margaret Thatcher e os pensadores José Ortega y Gasset, Ludwig von Mises e Milton Friedman, entre outros.
Outro ponto a ser considerado é que é relativamente comum[carece de fontes] que anticomunistas de destaque já tenham integrado, no passado, as hostes do comunismo, alegando, a respeito, reflexões amadurecidas e até desapontamento com relação às idéias e princípios de tal ideologia. É o caso, no Brasil, do escritor e filósofo brasileiro Olavo de Carvalho e do jornalista Carlos Lacerda, ambos ex-militantes do Partido Comunista Brasileiro e, no final de sua vida, do cineasta Glauber Rocha.
Em contrapartida, é relativamente dificil[carece de fontes] - salvo raras exceções - definir claramente quais entidades, empresas e associações podem ser consideradas anticomunistas.
Por exemplo: logo após a eclosão da revolução bolchevique, em 1917, houve um maciço afluxo de investimentos de empresas estrangeiras na URSS. Segundo diversos historiadores, notadamente[carece de fontes] Richard Pipes, o regime não teria se consolidado sem tal apoio empresarial. Sob essa interpretação, associar automaticamente as empresas ao anticomunismo poderia implicar em uma categorização meramente ideológica.
Outro exemplo são os sindicatos. Enquanto é relativamente comum ver agremiações de trabalhadores (CUT, CGT etc.), harmonizarem seu discurso com as idéias propugnadas pelo comunismo, é importante lembrar que o sindicato polonês Solidarnosc (chefiado por Lech Walesa) foi o principal agente de oposição ao regime comunista, naquele país.
A Igreja Católica, por sua vez, é opositora habitual das concepções comunistas (especialmente no que se refere a caracterização marxista de que "a religião é o ópio do povo") e do materialismo como um todo. No entanto, diversos cônegos sulamericanos (alguns deles excomungados, integram a chamada Teologia da Libertação, de inspiração francamente comunista ou, no mínimo, socialista. Além disso, no Brasil, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil é tida por certos analistas como relativamente próxima ao comunismo e ao socialismo, especialmente no que se refere a políticas de caráter social.
Tais contradições são habituais e revelam as dificuldades de se categorizar com segurança pessoas, empresas ou entidades como anticomunistas, a não ser em casos em que isso esteja explícito nos fatos e atos que protagonizarem ou nos escritos e documentos que definem o espectro de seu pensamento. É o caso, por exemplo, do economista austríaco Friedrich Hayek que, em sua obra O caminho da Servidão, expõs contundente análise do comunismo e de suas idéias.
De uma forma mais simples, os comunistas tem o hábito[carece de fontes] de considerar como anticomunistas todos aqueles que, na sua visão, compõem as chamadas "elites" ou "a classe dominante". Para eles[carece de fontes], o anticomunismo não seria uma ideologia propriamente dita, mas consistiria unicamente numa manifestação reacionária, fruto da luta de classes.
Por fim, o anticomunismo não é apenas um fenômeno presente só em ideologias da direita. Muitos anarquistas são anticomunistas, como Bakunin e Emma Goldman, que divergiam principalmente no papel do Estado. Durante a Revolução Russa, comunidades anarquistas comunistas, como a de Nestor Makhno,um anarco-comunista, lutaram contra o exército vermelho de Trotsky, episódio que ficou conhecido como Revolução Ucraniana. Muitos socialistas se distanciam do comunismo de Estado, dizendo que ele presta um desserviço ao proletariado.
[editar] Nazismo e Fascismo no contexto do anticomunismo
Os comunistas consideram que, nas primeiras décadas do século XX, o fascismo e o nazismo teriam personificado o anticomunismo de forma arquetípica, argumentando que, em seus regimes, tanto Hitler quanto Mussolini combateram ferozmente o comunismo e seus próceres e que, portanto, só poderiam ser considerados anticomunistas.
Outros analistas e historiadores, em contrapartida, argumentam que o fascismo e o nazismo só foram oponentes por razões secundárias de luta política (v.g. a dominação territorial da Europa), havendo intensa proximidade ideológica e programática do nazismo e do fascismo com o comunismo, como por exemplo: um pesado controle estatal sobre os indivíduos e sobre a economia, a intervenção do partido em todas as relações sociais, o sobrepujamento do individualismo pelo coletivismo e um matiz autoritário e violento no processo de tomada de decisões. A oposição existente entre nazismo e comunismo, sob essa interpretação, seria similar à que existe entre stalinismo e trotskismo.
De acordo com definições clássicas em ciência política, só poderiam ser considerados anticomunistas as tendências mencionadas no início deste artigo, ou seja, os conservadores, os liberais, os anarco-liberais e anarco-capitalistas, os libertários, os democratas cristãos, em razão da absoluta incompatibilidade entre as agendas e programas de tais correntes políticas e as do comunismo, mormente no que se refere à intervenção do Estado na economia, aos direitos e liberdades civis, a propriedade privada, a livre-concorrência e outros princípios.
[editar] O anticomunismo ao longo da história
Nas décadas subseqüentes à Segunda Guerra Mundial, a política externa dos EUA assumiu explicitamente sua posição anticomunista, especialmente na presidência de Ronald Reagan, ainda que, nestes anos, jamais tenham cessado os diálogos diplomáticos entre este país e a URSS, muito menos a ajuda econômica a esta última, quando atravessou sérias crises agrícolas.
O anticomunismo nas igrejas evangélicas norte-americanas teve como um de seus principais representantes o evangelista Billy Sunday que, em certa oportunidade, defendeu o fuzilamento de comunistas.
O conservador Pat Robertson também pode ser considerado anticomunista. Alguns analistas entendem que a origem desse sentimento residiria no fato de que o protestantismo foi duramente perseguido durante os regimes comunistas do Leste Europeu. Isso aconteceu, por exemplo, com o pastor romeno Richard Wurmbrand e com refugiados batistas e mennonitas que fugiram da antiga União Soviética.
[editar] Anticomunismo no Brasil
No Brasil, o escritor Olavo de Carvalho é considerado um notório anticomunista. Com o texto A escória do mundo, publicado no editorial do jornal Diário do Comércio em 20 de maio de 2008, Carvalho repudia veementemente os comunistas: "Nenhum comunista merece consideração, nenhum comunista é pessoa decente, nenhum comunista é digno de crédito. São todos [...] a escória da espécie humana. Devemos respeitar seu direito à vida e à liberdade, como respeitamos o dos cães e das lagartixas, mas não devemos lhes conceder nada mais que isso" [1].
[editar] Anticomunistas de destaque
- Alexander Soljenítsin
- Arthur Koestler
- Ayn Rand
- Eugen von Böhm-Bawerk
- Fernando Pessoa
- Friedrich Hayek
- Isaiah Berlin
- João Paulo II
- Joseph MacCarthy
- Karl Popper
- Ludwig von Mises
- Margaret Thatcher
- Milton Friedman
- Pat Robertson
- Paul Johnson
- Richard Pipes
- Robert Conquest
- Ronald Reagan
- Winston Churchill
- Benedetto Croce
- Luigi Einaudi
- Alcide De Gasperi
- Camillo Berneri
- Gaetano Salvemini
- Giovanni Gentile
- Julius Evola
- Silvio Berlusconi
- No Brasil
[editar] Ver também
- Anti-anticomunismo
- Anticastrismo
- Arquipélago de Gulag
- Grande Terror
- Grande Salto em Frente
- Gulag
- Holodomor
- Khmers Vermelhos
- Massacre de Katyn
- Muro de Berlim
- Protesto na Praça da Paz Celestial em 1989
- Primavera de Praga
- Revolução Cultural Chinesa
- Revolução Húngara de 1956
- Revolução Romena de 1989
- Revolução de Veludo
Referências
- ↑ A escória do mundo por Olavo de Carvalho (Diário do Comércio, 20 de maio de 2008)
[editar] Ligações externas
- Sitio Web do Filme "The Soviet Story", uma crítica à União Soviética e seu regime comunista.
- Site de Olavo de Carvalho

