Antigo eslavo eclesiástico

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Antigo eslavo eclesiástico (Ѩзыкъ словѣньскъ)
Pronúncia: / językŭ slověnĭskŭ/
Falado em: Áreas eslavas que estavam sob a influência de Bizâncio
Região: Europa do Leste
Total de falantes: Língua morta, utilizada apenas como língua litúrgica
Família: Indo-européia
 Eslava
  Eslava meridional
   Eslava meridional do leste
    Antigo eslavo eclesiástico
Escrita: Alfabeto glagolítico, alfabeto cirílico
Códigos de língua
ISO 639-1: cu
ISO 639-2: chu
ISO 639-3: chu

O antigo eslavo eclesiástico, também conhecido como antigo eslavônico ou antigo búlgaro[1] [2] [3] ,[4] [5] [6] foi a primeira língua eslava literária. Baseada no antigo dialeto eslavo falado na região de Tessalônica, usado pelos missionários bizantinos[7] São Cirilo e São Metódio em suas traduções da Bíblia e de outros textos eclesiásticos gregos, desempenhou um papel crucial na história dos idiomas eslavos, e serviu como base e modelo para as tradições posteriores do eslavo eclesiástico, que é usado até hoje como língua litúrgica por algumas igrejas ortodoxas e greco-católicas dos povos eslavos.

História[editar | editar código-fonte]

É uma língua eslava expandida a partir de um pequeno grupo de documentos do século X, consistindo de traduções feitas a partir do grego de textos eclesiásticos. Estes textos eslavos, contendo características dialetais principalmente balcânicas, possui também uma mescla de moravianismos, pois as primeiras traduções foram usadas pelos missionários em sua atividade na Morávia. Os primeiros textos foram copiados no alfabeto glagolítico, uma escrita inventada por São Cirilo e São Metódio, já que o cirílico só viria a ser criado posteriormente, nos Bálcãs, após a expulsão destes missionários da Morávia, em 885.

Em um primeiro momento, o eslavo eclesiástico se converteu em veículo de tradução de textos bíblicos, litúrgicos e teológicos em grego. Seguindo o princípio da máxima fidelidade ao texto original, se mostrou evidente a influência grega no vocabulário, na formação das palavras e na sintaxe, influência que aumentou com o tempo em posteriores revisões que pretendiam se aproximar cada vez mais do original. Sem dúvida, os eslavos ortodoxos fizeram também uso do eslavo eclesiástico, desde finais do século IX até quase o século XVIII, como língua literária para a criação de obras originais, sobretudo, ainda que não exclusivamente, de caráter religioso. Durante este período se desenvolveu toda uma série de variantes, como o eslavo eclesiástico da Bulgária (utilizado a partir do século XVI, inclusive por romenos ortodoxos), da Croácia, da Rússia e da Sérvia, cuja pronúncia (e portanto a ortografia) e formas gramaticais eram reflexo, de certo modo, das peculiaridades lingüísticas das línguas eslavas vernáculas locais.

Os principais textos existentes em eslavo eclesiástico são duas traduções dos evangelhos, o Codex Zogrephensis e o Codex Marianus (ambos em glagolítico); o Psalterium Sinaiticum (em glagolítico); e o maior dos textos liturgicos, o Codex Suprasliensis (em cirílico).

A partir do século XVII, tanto o caráter quanto o papel do eslavo eclesiástico experimentaram um dupla mudança: por um lado, na Ucrânia, procedeu-se uma codificação gramatical da língua, que também se adotaria, com algumas modificações, na Rússia. Ao mesmo tempo que a Rússia assumia o papel central na conservação da ortodoxia oriental, os livros eclesiásticos ali revisados e publicados se converteram em uma autoridade e passram a ser utilizados como tal entre os eslavos ortodoxos, inclusive os que habitavam os Bálcãs, de forma que o eslavo eclesiástico russo desbancou as antigas normas do eslavo eclesiástico local; por outro lado, o uso do eslavo eclesiástico diminuiu como conseqüência do florescimento de línguas literárias nacionais utilizadas em composições seculares durante os séculos XVIII e XIX, perdendo assim seu elevado papel literário e se tornando restrita tão somente à esfera religiosa. Inclusive já apareciam sinais deste retrocesso antes do crescente uso das línguas eslavas modernas, como por exemplo no caso das traduções das Escrituras.

Dados[editar | editar código-fonte]

É difícil fazer um cálculo do número de pessoas que utilizam o eslavo eclesiástico como língua litúrgica na atualidade, e mais complicado ainda é determinar seu grau de conhecimento, geralmente restrito e de caráter passivo. Por um lado, a diáspora da Europa oriental durante os últimos anos do século XIX e no século XX tem estendido a presença dos eslavos por todo o globo.

Por outro lado, a atual pressão secularizante da Europa do Leste, assim como a tendência por parte dos filhos dos emigrados a usar as línguas dos países de adoção, tem contribuído para reduzir o grau de familiaridade com o eslavo eclesiástico.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

O eslavo eclesiástico é uma língua literária eslava baseada originalmente nos dialetos eslavos dos sul da Bulgária e Macedônia, sendo adicionados termos lingüísticos próprios do eslavo ocidental. Em sua forma atual russificada, seu uso se reduz a motivos litúrgicos por parte dos membros eslavos da Igreja Ortodoxa oriental e por eslavos católicos-romanos, em algumas ocasiões chamados uniatas, seguidores do rito oriental.

Escrita[editar | editar código-fonte]

O eslavo eclesiástico fez uso de dois sistemas de escrita: o alfabeto cirílico antigo e o alfabeto glagolítico. Este último sobreviveu muito tempo entre os católicos da Croácia e da Dalmácia, hoje estando em desuso. O cirílico, em parte baseado no glagolítico, em parte no alfabeto grego, ainda se usa na atualidade. Ambos alfabetos forma utilizados nos primeiros livros impressos em eslavo eclesiástico: o missal glagolítico de 1483 (possivelmente impresso em Veneza) e cinco livros litúrgicos impressos na Cracóvia em 1491.

Referências

  1. Routledge dictionary of language and linguistics, Hadumod Bussmann, Gregory Trauth, Kerstin Kazzazi, Taylor & Francis, 1998, ISBN 0415203198, p. 337.
  2. Lunt, Horace. Old Church Slavonic Grammar. [S.l.]: Mouton de Gruyter. 3–4 pp.
  3. Wien, Lysaght. Old Church Slavonic (Old Bulgarian)-Middle Greek-Modern English dictionary. [S.l.]: Verlag Bruder Hollinek, 1983.
  4. J P Mallory, D Q Adams. Encyclopaedia of Indo-European Culture. p. 301
  5. R. E. Asher, J. M. Y. Simpson. The Encyclopedia of Language and Linguistics, p. 429
  6. Dmitrij Cizevskij. Comparative History of Slavic Literatures, Vanderbilt University Press, (2000) p. 26
  7. Dmitrij Cizevskij. Comparative History of Slavic Literatures, Vanderbilt University Press (2000) p. 27
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