Antoinismo

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Antoinismo é um movimento religioso recente Cristão e curandeiro, fundado em 1910 por Louis-Joseph Antoine (1846–1912), natural da Valónia, em Jemeppe-sur-Meuse, Seraing.[1] [2] Beit-Hallahmi, Benjamin. The Illustrated Encyclopedia of Active New Religions, Sects and Cults. New York: Rosen Pub. Group, 1993. ISBN 0-8239-1505-0. </ref> Com um total de 64 templos, mais de quarenta salas de leitura em todo o mundo e milhares de membros, continua a ser a única religião estabelecida na Bélgica cuja notoriedade e sucesso se expandiu para fora do país.[3] [4] Muito activa em França, o movimento religioso é caracterizado por uma estrutura descentralizada, rituais simples, discrição e tolerância face a outras crenças.

Criado como católico, Antoine trabalhou como mineiro na sua juventude, na secção de aciaria, antes de cumprir o serviço militar em 1866. Depois de casar com Catherine em 1873, mudou de morada por várias vezes por razões profissionais. Profundamente impressionado pelos trabalhos de Allan Kardec, organizou um grupo espiritual na década de 1890. Em 1893, a morte do seu filho representou a sua total perda de fé no catolicismo. Em 1896, explicou as suas perspectivas espíritas num livro, e descobriu o seu dom como curandeiro. Rapidamente conhecido como curandeiro, conseguiu juntar vários seguidores, principalmente entre trabalhadores descontentes com o catolicismo ou com a medicina. Em 1906, separou-se do Espiritismo e deu início a uma religião, publicando três livros onde descrevia a sua doutrina e onde consagrava o primeiro templo. Depois da sua morte em 1912, Catherine assegurou a continuidade da religião, promovendo uma adoração centralizada na pessoa do seu marido, e acrescentando mais regras na organização. Quando morreu em 1940, os templos de França e da Bélgica mostraram as suas diferenças.

As crenças do Antoinismo combinam alguns elementos do Catolicismo, reencarnação, e healing. Segundo o Antoinismo, o homem deve atingir o conhecimento ao afastar-se da ilusão material produzida pela sua inteligência — a fonte do mal e do sofrimento. O sentido da vida é sair do ciclo da reencarnação através da progressão moral apoiada pelos "fluidos" — todas as acções humanas, adquiridas pela oração silenciosa e pelo mal causado pelas doenças e inimigos. Como a liberdade de pensamento e a livre vontade são consideradas muito importantes do Antoinismo, a religião não pratica o proselitismo e é não-exclusiva. Não emite qualquer orientação sobre problemas sociais. Embora focada na cura, o Antoinismo não interfere com o campo médico, e não é contra a utilização da medicina tradicional.

Simples e breves, os serviços religiosos são realizados nos templos, habitualmente duas vezes por dia, e são constituídos por duas formas de oração: "A Operação Geral", que consiste na transmissão do fluido aos frequentadores do templo; e "A Leitura" dos escritos de Antoine. Os membros que realizam os serviços vestem umas vestes totalmente negras, como sinal do seu total envolvimento na religião; não recebem qualquer pagamento. Os templos também servem de local para efectuar consultas de cura. As celebrações desta religião incluem os feriados cristão e mais outros três dias que comemoram o casal fundador e a dedicação ao primeiro templo. Registado como organismo de utilidade pública na Bélgica, e como associação religiosa em França, a religião é administrada por um colégio composto pelos membros mais activos designados por desservants. O Antoinismo é financiado por donativos anónimos, e não pede dinheiro aos seus seguidores. Em França, a classificação como culto do Antoinismo no Relatório Parlamentar de 1995 foi criticada pelos sociólogos que estudaram o grupo religioso, e muitas pessoas envolvidas na luta anti-cultos não relataram qualquer tipo de acções desviantes.

Referências

  1. Gascoin, Eugène. Les religions inconnues (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Gallimard, 1928. 155–61 pp.
  2. Quid. [S.l.]: Robert Laffont, 2002. p. 553. ISBN 2-221-09758-0.
  3. Samuel, Albert. Para comprender las religiones de nuestro tiempo (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Editorial Verbo Divino, 1989. p. 194.
  4. (2000) "La seule religion belge: L'Antoinisme" (em French). Temps Jadis 66.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Perspectiva histórica
    • Boffy, Jean-Marc. Historique du Culte antoiniste. Louis Antoine et l'antoinisme (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Culte antoiniste, 1997.
    • Debouxhtay, Pierre. Antoine le guérisseur et l'Antoinisme (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Fernand Gothier, 1934.
    • Debouxhtay, Pierre. L'Antoinisme (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: La Pensée catholique, 1945.
    • Delorme, Philippe. Les Aventuriers de Dieu (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Jean Picollec, 2002. 193–226 pp. ISBN 2-86477-190-X.
    • Vivier, Robert. Délivrez-nous du mal—Antoine le guérisseur (em <Língua não reconhecida>). 1989. ed. [S.l.]: Labor, 1936. ISBN 978-2-246-02082-0.
  • Perspectiva filosófica
    • Cécius, Jacques. Une religion de guérison : l'Antoinisme (em <Língua não reconhecida>). [S.l.: s.n.], 2009.
    • Guénon, René. L'Erreur spirite (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Éditions traditionnelles, 1977. ISBN 2-7138-0059-5.
    • Lesourd, Paul. Solutions religieuses autres que les grandes religions pour les âmes à la recherche de Dieu—Les religions minoritaires et les mouvements philosophico-spiritualistes (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Presses de la Cité, 1973.
  • Perspectiva religiosa
    • Bourguet, Hubert. Antoine de Jemeppe et l'Antoinisme (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Vaillant-Carmanne, 1918.
    • Chéry, Henri-Charles. L'Offensive des sectes (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Cerf, 1954.
    • Colinon, Maurice. Faux prophètes et sectes d'aujourd'hui (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Plon, 1953.
    • Giltay, René. (February 2011). "Sectes d'hier et d'aujourd'hui (13) - Le culte antoiniste" (pdf). Le Protestant Liégeois: 6–9. Église Protestante Unie de Belgique.
    • Michel, Jacques. Antoine, l'Antoinisme, les Antoinistes (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Librairie Saint-Paul, 1949.
    • Roure, Lucien. Au pays de l'occultisme ou par delà le catholicisme (em <Língua não reconhecida>). [S.l.]: Gabriel Beauchesne, 1925.
    • Van der Naillen, Albert. Most sacred revelations given to the world by Antoine the wonderful Belgian healer. [S.l.]: The Park Printing Co, 1927.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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