Antonín Dvořák

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Antonín Dvorak
Antonín Dvořák.
Nome completo Antonín Leopold Dvořák
Nascimento 8 de setembro de 1841
Nelahozeves
Morte 1 de maio de 1904 (62 anos)
Praga
Nacionalidade  República Checa
Ocupação compositor

Antonín Leopold Dvořák (Nelahozeves 8 de Setembro de 1841 - Praga, 1 de Maio de 1904) foi um compositor da Boémia do período Romântico. De forma semelhante ao compositor nacionalista Bedřich Smetana, Dvořák também aplicou algumas das características da música popular da Morávia e da sua terra-natal, a Boémia (então parte integrante do Império Austríaco e actualmente parte República Checa). O estilo próprio de Dvořák tem sido descrito como o expoente máximo que conjugou o idioma nacional com a tradição sinfónica, integrando influências populares e encontrando formas eficazes de as utilizar.[1]

Nascido em Nelahozeves, Dvořák cedo demonstrou os seus dotes musicais. O seu primeiro trabalho conhecido, Forget-Me-Not Polka in C (Polka pomněnka) terá sido escrito em 1854.[2] Em 1859, terminou o curso de órgão em Praga.[3] Na década de 1860, tocou como violist na Orquestra do Teatro Bohemian Provisional e deu formação em piano. Em 1873, casou-se com Anna Čermáková, e deixou a orquestra para seguir a carreira de organista de igreja. Escreveu várias composições durante este período. A música de Dvořák atraiu o interesse de Johannes Brahms, que o ajudou na sua carreira; também recebeu a ajuda do crítico Eduard Hanslick.

Depois da estreia da sua cantata Stabat Mater (1880), Dvořák visitou o Reino Unido tornado-se, aí, muito popular; a sua Sinfonia n.º 7 foi escrita para Londres. Depois After a brief conducting stint na Rússia em 1890, Dvořák foi escolhido para professor no Conservatório de Praga em 1891. No ano seguinte, Dvořák mudou-se para os Estados Unidos para ser o director do Conservatório Nacional de Música da América em New York City, onde também compôs. No entanto, questões relacionadas com o seu ordenado, juntamente com um crescente reconhecimento na Europa e saudades da sua terra-natal, fizeram-no regressar à Boémia. De 1895 até à sua morte, compôs, principalmente, música de câmara e operatic. Quando morreu, eram vários os trabalhos por terminar.

Dentre as composições mais conhecidas de Dvořák destacam-se a Sinfonia do Novo Mundo, o Quarteto de Cordas Americano, a ópera Rusalka e o Concerto para Violoncelo em Si meno. Dos seus trabalhos menos divulgados, salientam-se o sétimo Humoresque e as Canções Que Minha Mãe Me Ensinou. Compôs óperas, música coral, várias música de câmara, concertos e outras peças orquestrais, vocais e instrumentais. É caracterizado como 'sem dúvida o mais versátil...compositor do seu tempo'.[4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estátua de Dvořák em Praga.

Antonín Dvořák nasceu em 8 de setembro de 1841 na aldeia boêmia de Nelahozeves, perto de Praga (então parte da Boêmia no Império Austríaco, atual República Tcheca), onde passou a maior parte de sua vida. Foi batizado na igreja católica de St. Andrew na mesma aldeia. Os anos que Dvořák passou em Nelahozeves nutriram a forte fé cristã e o amor pela sua herança boêmia que tão fortemente influenciou a sua música.[5] Seu pai Frantisek Dvořák (1814-1894) foi um taberneiro, instrumentista profissional de cítara e açougueiro. Embora seu pai quisesse que ele também fosse um açougueiro, Dvořák passou a buscar um futuro na música. Recebeu sua primeira educação musical na escola da aldeia, onde ingressou em 1847, aos seis anos. De 1857 a 1859[6] estudou música na única escola para organistas de Praga e, gradualmente desenvolveu-se, tornando-se um excelente instrumentista de violino e viola. Escreveu seu primeiro quarteto de cordas quando tinha vinte anos, dois anos após a graduação.

Ao longo da década de 1860, tocou viola na Orquestra Provisória do Teatro da Boêmia, que em 1866 era regida por Bedřich Smetana. Quando tinha dezoito anos, Dvořák era um músico em tempo integral. Recebia cerca de 7,50 dólares por mês. A constante necessidade de complementar sua renda levou-o a ensinar lições de piano. Foi através dessas aulas de piano que conheceu sua esposa. A princípio, ele se apaixonou por sua pupila Josefina Čermáková, para quem ele compôs Cypress Trees. No entanto, ela nunca correspondeu a esse amor e acabou casando com outro homem. Em 1873, Dvořák casou-se com a irmã de Josefina, Anna.

Seu primeiro sucesso foi um hino baseado numa obra de Vítězslav Hálek, famoso poeta de seu país. Assim conseguiu a colocação de organista na Igreja de Saint-Ethelbert, que ocupou até 1877. Datam desses anos Stabat Mater e outras obras sinfónicas, vocais e, sobretudo, de câmara. Em 1875 obteve uma renda do Estado.

A obra de Dvořák conheceu um sucesso cada vez maior: surgiram as Danças eslavas (1878), Quarteto op. 51 (1879) e as primeiras sinfonias. O compositor foi diversas vezes para a Inglaterra, onde recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade de Cambridge em 1891. Obteve o mesmo título também da Universidade de Viena e da Universidade de Praga.

Em 1892 aceitou o convite para dirigir o Conservatório de Nova York. Escreveu então algumas de suas obras mais famosas, como a Sinfonia do novo mundo (1893). No entanto, a saudade de seu país fez com que o compositor retornasse para o lugar de professor de composição que obtivera em 1891.

A obra de Dvořák constitui uma síntese do pós-romantismo alemão de Brahms (que o admirava) e da tradição folclórica eslava.

Na relação de suas obras encontram-se nove sinfonias, um concerto para piano, um concerto para violino, um concerto para violoncelo (o mais famoso dos seus concertos), poemas sinfónicos (O espírito das águas, Meu Lar, Waldesruhe), aberturas (Othello, Na natureza, Trágica), danças sinfônicas, suites (Tcheca, Americana) e as danças checas.

As composições de Dvořák têm estilos muito próprios, com grande riqueza melódica e colorido orquestral.

Obras[editar | editar código-fonte]

Dvořák foi um compositor muito talentoso, tanto o foi que Brahms fez o seguinte comentário: "Fico fora de mim de inveja, com as ideias que ocorrem tão naturalmente a esse camarada". De fato, Dvořák tinha a capacidade de inventar belos temas e incorporar harmonias complexas às obras que finalmente, faziam muito bem aos ouvidos. Ele impressionou a Brahms de tal maneira, que se pode reparar que suas sinfonias têm a influência marcante de Dvořák.

Um exemplo claro sobre esta influência pode ser notado na quarta sinfonia de Brahms de 1884/1885. Ela possui as formas tão características nas sinfonias do compositor tcheco, inclusive o tema inicial do quarto movimento é um "plágio" do tema inicial do quarto movimento da sexta sinfonia (1880) de Dvořák. Só neste aspecto vê-se claramente o quanto forte foi a influencia de um sobre o outro.

É difícil sair de uma audição de obras de Dvořák sem que uma melodia ou outra não fique "insistindo" na mente. Mas Dvořák não banalizava as belas melodias, cada tema tinha uma importância estética na composição e ele não exagerava na imposição delas. Sua habilidade estava nas perfeitas transposições entre um tema e outro.

Grande contrapontista, Dvořák elaborava três ou quatro vozes conversando ao mesmo tempo com uma harmonia perfeita. Grande orquestrador, tinha no brilho e no colorido instrumental as características mais marcantes, apesar de que suas obras principalmente as sinfonias, estejam predominantes as cordas. Instrumentos como flautas, oboés, clarinetes e fagotes entram como coadjuvantes às cordas dando um agradável ar eslavo, não esquecendo que ele gostava bastante das percussões e da música intensa e forte.

Sobre as sinfonias, com exceção da terceira que possui apenas 3 movimentos, as outras 8 sinfonias de Dvořák têm 4 movimentos, geralmente um allegro, um adagio, um scherzo e outro allegro. Elas seguem mais ou menos um mesmo padrão formal, um pouco diferente da forma-sonata: nos seus primeiros e últimos movimentos são formados de três partes: Uma exposição de temas, uma re-exposição dos mesmos temas nas mesmas seqüências de compasso com pequenas alterações orquestrais e finalmente o desenvolvimento dos temas apresentados anteriormente, apresentando também novos temas.

O segundo movimento geralmente é um adágio, com pontos fortes novamente nas belas melodias e em momentos onde a orquestra parece esquecer o tema lento e carregado, de repente explodindo em acordes fortes, notadas principalmente nas sinfonias de número 2, 6, 7 e 9.

O terceiro movimento geralmente é um scherzo. São movimentos bastante interessantes do ponto de vista contrapontísticos, onde sobressaem os instrumentos de percussão, as madeiras e é claro, as cordas. Uma curiosidade sobre o scherzo da Sinfonia n.9: O tema de abertura deste movimento é claramente uma homenagem ao segundo movimento da Nona Sinfonia de Beethoven.

As nove sinfonias são obras primas do conjunto sinfônico romântico do século XIX.

Elas mantêm certo conservadorismo, não se notam mudanças formais entre uma obra e outra (diferente de Beethoven, que reinventava a sinfonia em cada criação). Talvez Dvořák não tenha sido um inovador da forma, mas sim um grande idealizador da ideia musical. Ele sabia como criar horas de música cativante.

Sinfonias[editar | editar código-fonte]

  • Sinfonia No. 1 em Dó maior "Os Sinos de Zlonice"
  • Sinfonia No. 2 em Si bemol maior, Op. 4
  • Sinfonia No. 3 em Mi bemol maior, Op. 10
  • Sinfonia No. 4 em Ré menor, Op. 13
  • Sinfonia No. 5 em Fá maior, Op. 76
  • Sinfonia No. 6 em Ré maior, Op. 60
  • Sinfonia No. 7 em Ré menor, Op. 70
  • Sinfonia No. 8 em Sol maior, Op. 88
  • Sinfonia No. 9 em Mi menor "Do Novo Mundo", Op. 95

Óperas[editar | editar código-fonte]

  • Alfred (unpublished), 1870
  • King and Charcoal Burner (Král a uhlíř), 1871, recomposed 1874, revised 1887, Op.14
  • The Stubborn Lovers (Tvrdé palice), 1874, Op.17
  • Vanda, 1875, revised 1879 and 1883, Op.25
  • The Cunning Peasant (Šelma sedlák), 1877, Op.35
  • Dimitrij, 1881/1882, revised 1883, 1885, 1894/1895, Op.64
  • The Jacobin, 1887/1888, revised 1897, Op.84
  • The Devil and Kate (Čert a Káča), 1898/1889, Op.112
  • Rusalka, 1900, Op.114
  • Armida, 1902/1903, Op.115

Estudantes de Dvořák[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Clapham (1995), 765
  2. Jarmil Burghauser, Antonín Dvořák Thematický Katalog, Bärenreiter Edition Supraphon 1966, pp49-50.
  3. Jarmil Burghauser, Antonín Dvořák Thematický Katalog, Bärenreiter Edition Supraphon 1996 p.501.
  4. Taruskin (2010), 754
  5. Suk relatou em suas memórias sobre uma visita a Brahms em março de 1896, quando Brahms, ao referir-se a Schopenhauer, falou de seu próprio agnosticismo. Essa pode não ter sido a primeira vez que Dvořák tenha ouvido seu amigo expressar tais pontos de vista, mas ele deixou seu apartamento em silêncio, chocado. Quando finalmente ele falou, disse: 'esse homem, uma alma tão fina e ele não acredita em nada, não acredita em nada!' (John Clapham: Dvořák, Musician and Craftsman, página 23)
  6. New Grove Dictionary of Music and Musicians: Dvořák, Antonín

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Černušák, Gracián; Štědroň, Bohumír; Nováček, Zdenko. Československý hudební slovník I. A-L (em tcheco/checo). Praga: Státní hudební vydavatelství, 1963).
  • Clapham, John. Dvořák, Musician and Craftsman (em inglês). Londres/Nova Iorque: Faber and Faber Ltd./St. Martin's Press, 1966.
  • John, Clapham. Dvořák (em inglês). [S.l.: s.n.], 1979. ISBN 0-7153-7790-6
  • New Grove Dictionary of Music and Musicians: Dvořák, Antonín
  • Gervase, Hughes. Dvořák, His Life & Music (em inglês). Londres: Casell, 1967.
  • Smaczny, Jan. Dvořák: Cello Concerto (em inglês). Cambridge: Cambridge University Press/Cambridge Music Handbooks, 1999.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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