Apócrifo de João

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O Evangelho Secreto de João (Apócrifo de João) é um texto com ensinamentos secretos do Gnosticismo Setiano e datado do século II dC. Descreve aparições de Jesus Cristo ao Apóstolo João onde lhe é passado conhecimentos Gnósticos (Gnose). Segundo o autor, essas aparições aconteceram após Jesus "ter voltado ao lugar de onde veio".

Visão Geral[editar | editar código-fonte]

A abertura do Evangelho Secreto de João é "Os ensinamentos do salvador e a revelação dos mistérios e das coisas ocultas em silêncio, mesmo aquelas que ele ensinou a João, seu discípulo".[1] O autor João é imediatamente identificado como "João, irmão de Tiago— que são filhos de Zebedeu"[1] . Existem quatro manuscritos sobreviventes do "Evangelho Secreto de João". Três deles foram encontrados nos códices da Biblioteca de Nag Hammadi (códices II, III e IV), enquanto o quarto foi encontrado independentemente cinqüenta anos antes em outro lugar no Egito. Todas as versões são do século IV dC.

Três deles parecem ter sido traduções coptas independentes de um texto original grego. Dois dos quatro são parecidos o suficiente para afirmar que são cópias de uma única fonte.

Muitos Cristãos no século II dC esperavam receber revelações transcendentais como a que Paulo pôde reportar à igreja em Corinto (II Coríntios 12:1-4) ou a que João experimentou na ilha de Patmos, que inspirou seu Apocalipse.[2] Assim como o Atos dos Apóstolos narra o que aconteceu depois que Jesus ascendeu ao Céu, o Apócrifo de João começa no mesmo ponto, mas relata como Cristo reapareceu à João.

O resto do texto é uma visão de reinos espirituais e da história espiritual anterior da humanidade.

História[editar | editar código-fonte]

São João Evangelista no Evangelário do Abade Wedricus

Um livro chamado Apócrifo de João foi citado por Ireneu em Adversus Haereses,[3] escrito por volta de 185 dC, dentre os escritos que os sábios das comunidades cristãs do século II dC estavam produzindo, "um número indescritível de escritos secretos e ilegítimos, que eles mesmos forjaram, para impressionar a mente de pessoas idiotas, que desconhecem as verdadeiras Escrituras"[4] — escrituras que Ireneu estava tentando demonstrar serem nem mais e nem menos do que quatro, os "quatro Evangelhos" que sua própria autoridade ajudou a transformar nos "Evangelhos Canônicos". Dentre os livros que ele cita com o objetivo de expor e refutar estão o Evangelho da Verdade, Evangelho de Judas e este Evangelho Secreto de João.[5]

Pouco se sabia deste texto até 1945, quando a Biblioteca de Nag Hammadi foi descoberta no Egito. Duas das três versões encontradas são traduções de uma mesma fonte e incorporam um longo trecho de um tal de Livro de Zoroastro (como capítulos 15:29 – 19:8 e seguintes)[1] . Uma versão mais curta do Apócrifo encontrada em Nag Hammadi não contém esta interpolação e representa uma tradição distinta. Uma quarta versão do texto foi descoberta num antigo códice Copta adquirido pelo Dr. Carl Reinhardt no Cairo em 1896. Este manuscrito (identificado como Códice Gnóstico de Berlim ou BG8502) foi utilizado em conjunto com os três encontrados em Nag Hammadi para produzir as traduções disponíveis. O fato de quatro versões deste texto terem sobrevivido, duas curtas e duas longas, sugere quão importante este texto era nos primitivos círculos Cristãos Gnósticos. Importante notar que o Apócrifo de João é o primeiro texto em cada um dos códices onde é encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi.

Influência[editar | editar código-fonte]

O Apócrifo, considerado no contexto da revelação do Cristo ressurreto à João, filho de Zebedeu, contém um dos mais completos e detalhados relatos da clássica mitologia Dualista Gnóstica que chegou até nós.

O Apócrifo de João se tornou o texto principal no estudo das tradições gnósticas da Antiguidade. A mitologia da criação exposta no texto foi objeto de estudo de escritores como Carl Jung and Eric Voegelin.

Referências na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Tori Amos se baseou na mitologia gnóstica descrita no Apócrifo de João no seu álbum The Beerkeeper.

Referências

  1. a b c Robinson, ed., James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: The Apocryphon of John (Trad. de Frederik Wisse) (em inglês). San Francisco: Harper Collins, 1990. ISBN 0-06-066929-2
  2. Pagels, Elaine. 'Beyond Belief' (em inglês). [S.l.: s.n.], 2003. pág. 97 e bibliografia na nota 69
  3. Ireneu de Lyon. Adversus Haereses. [S.l.: s.n.]. em inglês
  4. Ireneu de Lyon. Adversus Haereses. [S.l.: s.n.]. vol. I.20. em inglês
  5. Pagels, Elaine. 'Beyond Belief' (em inglês). [S.l.: s.n.], 2003., pág. 96 e seguintes.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Davies, Stevan. Secret Book of John: The Gnostic Gospel, Annotated and Explained (em inglês). [S.l.: s.n.]. ISBN 1-59473-082-2
  • Logan, Alastair H. B. Gnostic Truth and Christian Heresy. Based on the "Apocryphon of John." (em inglês). [S.l.: s.n.], 1996.