Apolônio de Éfeso

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Apolônio de Éfeso (em latim: Apollonius Ephesus) (fl. 180-210) foi um escritor eclesiástico grego anti-montanista, provavelmente da Ásia Menor.

Vida e obra[editar | editar código-fonte]

Ele estava completamente familiarizado com a história de Éfeso e com os feitos dos montanistas frígios. O autor desconhecido de Praedestinatus afirma que ele era um bispo de Éfeso.[1] Porém, a falta de apoio de outros escritores cristãos torna seu relato duvidoso. Ele se dedicou a defender a igreja contra Montano e seguiu os passos de Zótico de Comana (Zoticus Comanus), Juliano de Apameia (Julianus Apamaea), Sotas de Anquíalo (Sotas Anchialus) e Apolinário Cláudio.

Sua obra foi citada por Eusébio em História Eclesiástica[2] e foi louvada por São Jerônimo em De Viris Illustribus (Sobre Homens Ilustres),[3] mas não sobreviveu e não sabemos sequer como se chamava. Ela provavelmente tratava de erros nas profecias de Montano e recontava as histórias pouco edificantes de Montano e suas profetisas. Ela também deu crédito ao boato de que ele teria se suicidado por enforcamento e lançou alguma luz sobre os seguidores da seita, incluindo o o apóstata Temiso e o pseudo-mártir Alexandre.

Temiso, tendo escapado do martírio com dinheiro, se colocou como inovador endereçando uma epístola aos seus partidários copiando a forma dos Doze apóstolos e finalmente blasfemou contra Jesus e a Igreja Católica. Alexandre, um notório ladrão, condenado publicamente em Éfeso, era adorado como um deus por muitos[2] .

Baseado em Eusébio, sabemos que Apolônio falou em sua obra sobre Zoticus, que havia tentado exorcizar Maximilla, mas teria sido impedido por Temiso, e sobre o bispo-mártir Thraseas, outro adversário do Montanismo[2] . É provável que sua obra tenha dado o primeiro passo sobre o qual o movimento de oposição ao montanismo organizou a primeira reunião do sínodo.

De toda forma, ele relembra a tradição que afirmava que Jesus teria recomendado aos apóstolos que não viajassem para muito longe de Jerusalém durante os doze anos seguintes à Sua ascensão, uma tradição que já era conhecida de Clemente de Alexandria pelo apócrifo Praedicatio Petri. Além disso, ele reconta também a ressurreição de um morto em Éfeso pelo apóstolo São João, cujo Apocalipse ele conhecia e cita[2] .

Ele é colocado ombro-a-ombro com os demais oponentes do montanismo, assim como o "anônimo" de Eusébio de Cesareia,[4] [5] Miltíades e com Apolinário Cláudio. Eusébio diz que sua obra é "uma refutação abundante e suficiente do montanismo". São Jerônimo a qualificou como "um volume comprido e admirável"[3] . Entretanto, ela não passou despercebida e gerou alguma reação entre os montanistas dado que Tertuliano achou necessário responder[3] .

Após seis livros peri ekstaseos, em que ele apologizou sobre os êxtases em que as profetisas montanistas entravam antes de profetizar, Tertuliano compôs um sétimo especialmente para refutar Apolônio; ele o escreveu também em grego para que pudesse ser utilizado também pelos montanistas da Ásia menor.[6]

Referências

  1. Desconhecido. Praedestinatus. I, 26, 27, 28; P.L., LIII, 596.
  2. a b c d Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica: The Manner in which Apollonius refuted the Phrygians, and the Persons whom he Mentions. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18. , vol. V.
  3. a b c Wikisource-logo.svg "De Viris Illustribus - Apollonius", em inglês.
  4. Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica: The Circumstances related of Montanus and his False Prophets. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 16. , vol. V.
  5. Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica: Miltiades and His Works. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17. , vol. V.
  6. Wikisource-logo.svg "Apollonius of Ephesus" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.