Apolônio de Éfeso
Apolônio de Éfeso (em latim: Apollonius Ephesus) (fl. 180-210) foi um escritor eclesiástico grego anti-montanista, provavelmente da Ásia Menor.
Vida e obra [editar]
Ele estava completamente familiarizado com a história de Éfeso e com os feitos dos montanistas frísios. O autor desconhecido de Praedestinatus afirma que ele era um bispo de Éfeso.1 Porém, a falta de apoio de outros escritores cristãos torna seu relato duvidoso. Ele se dedicou a defender a igreja contra Montano e seguiu os passos de Zoticus Comanus, Julianus Apamaea, Sotas Anchialus e Apolinário Cláudio.
Sua obra foi citada por Eusébio em História Eclesiástica2 e foi louvada por São Jerônimo em De Viris Illustribus (Sobre Homens Ilustres),3 mas não sobreviveu e não sabemos sequer como se chamava. Ela provavelmente tratava de erros nas profecias de Montano e recontava as histórias pouco edificantes de Montano e suas profetisas. Ela também deu crédito ao boato de que ele teria se suicidado por enforcamento e lançou alguma luz sobre os seguidores da seita, incluindo o o apóstata Temiso e o pseudo-mártir Alexandre.
Temiso, tendo escapado do martírio com dinheiro, se colocou como inovador endereçando uma epístola aos seus partidários copiando a forma dos Doze apóstolos e finalmente blasfemou contra Jesus e a Igreja Católica. Alexandre, um notório ladrão, condenado publicamente em Éfeso, era adorado como um deus por muitos2 .
Baseado em Eusébio, sabemos que Apolônio falou em sua obra sobre Zoticus, que havia tentado exorcizar Maximilla, mas teria sido impedido por Temiso, e sobre o bispo-mártir Thraseas, outro adversário do Montanismo2 . É provável que sua obra tenha dado o primeiro passo sobre o qual o movimento de oposição ao montanismo organizou a primeira reunião do sínodo.
De toda forma, ele relembra a tradição que afirmava que Jesus teria recomendado aos apóstolos que não viajassem para muito longe de Jerusalém durante os doze anos seguintes à Sua ascensão, uma tradição que já era conhecida de Clemente de Alexandria pelo apócrifo Praedicatio Petri. Além disso, ele reconta também a ressurreição de um morto em Éfeso pelo apóstolo São João, cujo Apocalipse ele conhecia e cita2 .
Ele é colocado ombro-a-ombro com os demais oponentes do montanismo, assim como o "anônimo" de Eusébio de Cesareia,4 5 Miltíades e com Apolinário Cláudio. Eusébio diz que sua obra é "uma refutação abundante e suficiente do montanismo". São Jerônimo a qualificou como "um volume comprido e admirável"3 . Entretanto, ela não passou despercebida e gerou alguma reação entre os montanistas dado que Tertuliano achou necessário responder3 .
Após seis livros peri ekstaseos, em que ele apologizou sobre os êxtases em que as profetisas montanistas entravam antes de profetizar, Tertuliano compôs um sétimo especialmente para refutar Apolônio; ele o escreveu também em grego para que pudesse ser utilizado também pelos montanistas da Ásia menor.6
Referências
- ↑ Desconhecido. Praedestinatus. I, 26, 27, 28; P.L., LIII, 596.
- ↑ a b c d Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: The Manner in which Apollonius refuted the Phrygians, and the Persons whom he Mentions. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 18, vol. V.
- ↑ a b c
"De Viris Illustribus - Apollonius", em inglês. - ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: The Circumstances related of Montanus and his False Prophets. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 16, vol. V.
- ↑ Eusébio de Cesaréia. História Eclesiástica: Miltiades and His Works. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 17, vol. V.
- ↑
"Apollonius of Ephesus" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.