Aquis Querquennis

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Aquis Querquennis
A Cidá
Vista geral de Aquis Querquennis
Localização atual
País Galícia
Dados históricos
Fundação c. 75 a.D.
Abandono c. 150 a.D,
Romana
Notas
Acesso público

Aquis Querquennis, conhecido popularmente como A Cidá, foi um acampamento romano situado na paróquia de Os Baños no concelho ourensino de Bande, na Galiza, e ocupado entre o último quartel do século I e meados do século II. Provavelmente foi construído para vigiar a Via XVIII ou Via Nova, que comunicava Bracara Augusta e Astúrica Augusta. As primeiras escavações arqueológicas realizou-nas Florentino López Cuevillas na década de 1920. Em 1947 foi anegado pela barragem das Conchas, de Unión Fenosa. Esta empresa autorizou as escavações a partir de 1975. Antonio Rodríguez Colmenero dirigiu-as durante quase vinte anos, centrando-se especialmente no quadrante Noroeste.[1]

Descrição do sítio[editar | editar código-fonte]

O acampamento, que ocupava 3 hectares, é o clássico com forma retangular, muralha com esquinas arredondadas e torres defensivas quadrangulares entre as portas e nas esquinas. A muralha foi levantada com perpianhos pequenos de granito (opus vittattum), tem 3,20 m de largura e estava rematada por ameias semicilíndricas; dela sobressaem as torres uns 10 cm. para o exterior e 30 cm. para o interior. O fosso exterior tem forma de V, 4 m. de largura e 3 de fundo. Contava com quatro portas monumentais, das que se escavaram a principalis sinistra e a decumana. A primeira contava com uma via de 4 m. de largura com duas faixas separadas por dois grandes esteios; a segunda é semelhante, mas com uma única abertura. A muralha está separada das construções do interior por um intervallum de 11 m. de largura.[2]

Outra vista geral do campamento
Aquis Querquennis. Baños de Bande. Galiza. 2013-5.jpg

Acharam-se três construções para a tropa consistentes em alinhamentos enfrontados em torno a um pátio central com uma cisterna para juntar a água da chuva. As estâncias são de terra batida, medem 3x3m. divididas em duas partes e contam com lareiras e portas que miram para Sul. Em cada uma podiam viver oito soldados. Há dois celeiros retangulares que se elevam sobre linhas de esteios de pedra e estão delimitados por muros grossos com contrafortes externos. Pensa-se que a coberta era abobadada por estes contrafortes. Um edifício de planta quase quadrada pôde ser o hospital (valetudinário); consiste em várias estâncias quadradas arredor dum pátio central (implúvio). É possível que este pátio contasse com um peristilo de colunas de madeira assentes sobre um muro baixo de pedra.

O edifício central, que seria o quartel geral (principia) tem planta rectangular (34,8 m. de fachada x 32,1 m. de fundo) e consiste em um vestíbulo flanqueado por deambulatórios cobertos e abertos á fachada. A continuação há um pátio rectangular grande com peristilos em três dos lados. A continuação há uma basílica á que se acede por uma entrada central grande e duas laterais mais estreitas. No fundo estaria a área sacro-administrativa, o templo oficial do estabelecimento militar, em cujo centro está o aedes rodeado de cinco estâncias, duas pelo Norte e três pelo Sul, que puderam ser o tabularium ou arquivo. Este edifício tem o chão de argila, exceto o aedes e os quartos que o rodeiam, que são de areia grossa.

Não se sabe que unidade militar ocupava Aquis Querquennis, mas pôde ser a coorte I Gallaica, destacamento misto de infantaria e cavalaria.

Referências

  1. editado por Norbert Hanel,Ángel Morillo Cerdán,Esperanza Martín Hernández. Limes XX: Estudios sobre la frontera romana (Roman frontier studies). [S.l.]: Ed.Polifemo, 2009. 528 p. ISBN 978-84-96813-25-0 GB
  2. Antonio Rodríguez Colmenero, Santiago Ferrer Sierra. Excavaciones arqueológicas en Aquis Querquennis: Actuaciones en el campamento romano (1975-2005). [S.l.]: Grupo Arqueolóxico Larouco, 2006. 633 p. ISBN 9788461139736 GB