Aracy de Carvalho Guimarães Rosa

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Aracy de Carvalho Guimarães Rosa
Nascimento 5 de Dezembro de 1908
Rio Negro, Paraná
Morte 3 de março de 2011 (102 anos)
São Paulo
Nacionalidade Brasil brasileira
Justos
entre as nações
Artigo principal
O Holocausto
As sete leis de Noé
O Museu Yad Vashem
Pessoas notórias

O Arcebispo Damaskinós
Feng-Shan Ho
Carl Lutz
Oskar Schindler
Irena Sendler
Raoul Wallenberg

Nações e grupos

Croatas
Dinamarqueses
Noruegueses
Poloneses


Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa (Rio Negro, Paraná, 5 de dezembro de 1908São Paulo, 3 de março de 2011) foi uma poliglota brasileira que prestou serviços ao Itamaraty, tornando-se a segunda esposa do escritor João Guimarães Rosa.[1]

Aracy também é conhecida por ter seu nome escrito no Jardim dos Justos entre as Nações, no Museu do Holocausto (Yad Vashem), em Israel, por ter ajudado muitos judeus a entrarem ilegalmente no Brasil durante o governo de Getúlio Vargas. A homenagem foi prestada em 8 de julho de 1982, ocasião em que também foi homenageado o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas. Ela é uma das pessoas homenageadas também no Museu do Holocausto de Washington (EUA). É conhecida pela alcunha de O Anjo de Hamburgo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Paranaense, nasceu em Rio Negro, filha de pai português e mãe alemã[2] e ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. Em 1930, Aracy casou com o alemão Johann Eduard Ludwig Tess[3] , com quem teve o filho Eduardo Carvalho Tess, mas cinco anos depois se separou, indo morar com uma irmã de sua mãe na Alemanha. Por falar quatro línguas (português, inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde passou a ser chefe da Secção de Passaportes.

No ano de 1938, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou a circular e continuou preparando vistos para judeus, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, ela colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu.

Nessa época, João Guimarães Rosa era cônsul adjunto (ainda não eram casados). Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte.

Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados da Segunda Guerra Mundial. Seu retorno ao Brasil, porém, não foi tranquilo. Ela e Guimarães Rosa ficaram quatro meses sob custódia do governo alemão, até serem trocados por diplomatas alemães. Aracy e Guimarães Rosa casaram-se, então, no México, por não haver ainda, no Brasil, o divórcio. O livro de Guimarães Rosa "Grande Sertão: Veredas", de 1956, foi dedicado a Aracy.

Sua biografia inclui também ajuda a compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em 1964, entre eles Geraldo Vandré, de cuja tia Aracy era amiga[4] .

Aracy enviuvou no ano de 1967 e não se casou novamente. Sofria de Mal de Alzheimer e morreu no dia 3 de março de 2011 em São Paulo, de causas naturais, aos 102 anos.[5] Foi sepultada no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, ao lado de seu marido, no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências[editar | editar código-fonte]

  1. Esposa de Guimarães Rosa morreu
  2. ROSA, Aracy Moebius de Carvalho Guimaraes. Página visitada em 25 de maio de 2013.
  3. MILAN, Pollianna. A heroína que o Paraná não conhece. Gazeta do Povo, 09/10/2010, Vida e Cidadania, p. 8
  4. LEAHY, Anthony. Instituto da Memória. In: Gazeta do Povo, 9/10/2010
  5. Morre aos 102 anos viúva de Guimarães Rosa (em português). Folha.com (03/03/2011).