Aranha-marrom

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Como ler uma caixa taxonómicaAranha-marrom
Loxosceles gaucho

Loxosceles gaucho
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Arachnida
Ordem: Araneae
Família: Sicariidae
Género: Loxosceles
Heineken & Lowe, 1832
Espécies
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As aranhas-marrons (Brasil) ou aranhas-violino (Portugal), Loxosceles spp. são aracnídeos venenosos, conhecidas por sua picada necrosante. Elas são membros da família Sicariidae.

As aranhas-marrom têm um comprimento total de cerca de 3–4 cm (um terço disso sendo o corpo, de coloração típicamente marrom) e seis olhos na cor branca. Algumas apresentam o desenho de uma estrela no cefalotórax. De teias irregulares, têm como característica a peregrinação noturna e a alta atividade no verão. Durante o dia permanecem escondidas sob cascas de árvores e folhas secas de palmeira - na natureza - ou atrás de móveis, em sótãos porões e garagens - no ambiente doméstico.

Principais espécies[editar | editar código-fonte]

A última revisão das espécies de Loxosceles na América do Sul foi feita por Gertsch em 1958 e 1967. São catalogadas 30 espécies para o continente em questão. Algumas delas são:

Loxosceles similis (Moenkhaus, 1898)[editar | editar código-fonte]

Primeira espécie de Loxosceles encontrada no Brasil. Vive nos estados do Pará, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Conhecida também por L. surata (Simon, 1977).

Loxosceles rufescens (Dufour, 1820)[editar | editar código-fonte]

Originária da região do mediterrâneo, norte da áfrica e europa. Conhecida também por L. exortis (Simon, 1881), L. indrabeles (Tikader, 1963), L. distincta (Lucas, 1846) e L. marylandica (Muma, 1944).

Loxosceles rufipes (Lucas, 1834)[editar | editar código-fonte]

Encontrada na Colômbia, Chile, Guatemala e Panamá.

Loxosceles variegata (Simon, 1897)[editar | editar código-fonte]

Encontrada no Paraguai.

Loxosceles spadicea (Simon, 1907)[editar | editar código-fonte]

Encontrada no Peru, Bolívia e Argentina.

Loxosceles lutea (Keyserling, 1877)[editar | editar código-fonte]

Encontrada na Colômbia e no Equador. Conhecida também por L. pictithorax (Strand, 1914).

Loxosceles amazonica (Gertsch, 1967)[editar | editar código-fonte]

Encontrada no Norte e no Nordeste do Brasil. Tem o colorido marrom, com o cefalotórax e pernas menos pigmentadas, além do abdome mais próximo ao preto.

Loxosceles gaucho (Gertsch, 1967)[editar | editar código-fonte]

Encontrada na Tunísia e no Brasil (São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul).

Loxosceles intermedia (Mello-leitão, 1964)[editar | editar código-fonte]

Encontrada na Argentina e no Brasil (região Sudeste, Sul e no estado de Goiás). Conhecida também por L. ornatus (Mello-Leitão, 1938) e L. ornata (Mello-Leitão, 1941).

Loxosceles laeta (Nicolet, 1849)[editar | editar código-fonte]

Encontrada na América do Sul (No Brasil na região Sul, Sudeste e no estado da Paraíba), Finlândia e Austrália. Conhecida também por L. bicolor (Holmberg, 1876), L. longipalpis (Banks, 1902), L. nesophila (Chamberlin, 1920) e L. yura (Chamberlin & Ivie, 1942)

Loxosceles reclusa (Gertsch & Mulaik, 1940)[editar | editar código-fonte]

Encontrada na América do Norte, principalmente nos EUA (Nos estados do Texas, Kansas, Missouri, Oklahoma e California). Apresenta uma linha preta na porção dorsal do seu tórax, gerando o apelido de "Aranha Violino".

Loxosceles adelaida(Gertsch, 1967)[editar | editar código-fonte]

Encontrada no Brasil (São Paulo e Rio de Janeiro), Paraguai e Argentina.

Loxosceles hirsuta (Mello-leitão, 1961)[editar | editar código-fonte]

Encontrada no Brasil (São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais), Paraguai, Argentina e Bolívia.

Forma e consequência dos ataques[editar | editar código-fonte]

Loxosceles reclusa: macho adulto quase do tamanho de uma moeda de um centavo de dólar.

São aranhas pouco agressivas, dificilmente atacam pessoas. As picadas ocorrem como forma de defesa, quando macho ou fêmea (ambos peçonhentos) são comprimidos contra o corpo, durante o sono, no momento do uso das vestimentas (calçando um sapato, por exemplo) ou no manuseio de objetos de trabalho (como enxadas e pás guardadas em locais escuros).

No ato da picada há pouca ou nenhuma dor e a marca é praticamente imperceptível. Depois de 12 a 14 horas ocorre um inchaço acompanhado de vermelhidão na região (edema e eritema, respectivamente), que pode ou não coçar. Também pode ocorrer escurecimento da urina e febre. Os dois quadros distintos conhecidos são o loxoscelismo cutâneo (o que normalmente ocorre, onde há a picada na pele) e o cutâneo-visceral (com lesão cutânea associada a uma hemólise intravascular).

Com o avanço (sem tratamento) da picada, o veneno (dependendo da quantidade inoculada) pode causar necrose do tecido atingido, falência renal e, em alguns casos, morte. Somente foram detectados casos de morte - cerca de 1,5% do total - nos incidentes com L. laeta e L. intermedia.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Logo após a picada é indicado lavar o local com água e sabão abundantes e não fazer torniquetes, para evitar a gangrena do veneno e minimizar os efeitos da necrose. É interessante que a região da picada fique em repouso, dificultando a absorção do veneno. Não convém furar, cortar, queimar ou espremer. Também não é indicado fazer sucção no local da ferida nem aplicar extratos naturais. Não se recomenda a ingestão de bebidas alcoólicas. O procedimento padrão é levar a vítima ao serviço de saúde próximo o mais rápido possível, levando a aranha (morta ou viva) para identificação de espécie e confirmação da necessidade de soro. Vale lembrar que tais procedimentos servem para qualquer ataque de animal peçonhento.

O soro utilizado para combater a picada desta aranha é composto de Antihistamínico/anticolinesterásico/dapsona e 5 ampolas de soro antiaracnideo polivalente ou soro antiloxosceles EV, que deverá ser ministrado ao paciente até 36 horas depois do acidente com a aranha.

Combate[editar | editar código-fonte]

O predador natural da aranha-marrom (Loxosceles sp.) é a lagartixa (Hemidactylus mabouia). Contudo, ela sozinha não é capaz de exterminá-las.

A região sul do Brasil (Paraná principalmente) tem sofrido com o ataque destas aranhas, cerca de 3000 acidentes somente em 2004. Um relatório de um Instituto de Saúde de Minas Gerais, mostra que foram encontradas aranhas-marrons do gênero Loxosceles em algumas casas da Grande Belo Horizonte, onde esta aranha estaria extinta desde 1917, e teoricamente somente existiria em cavernas.

O aumento da urbanização juntamente com o da população, proporcionou novos locais para as aranhas crescerem e se reproduzirem, consequentemente aumentando os encontros com humanos.

Como evitar ocorrências[editar | editar código-fonte]

  • Limpe com frequência atrás de móveis como armários, cabeceiras de camas,em baixo de pias de banheiro, baús, cômodas e quadros.
  • Bata as roupas antes de vesti-las, principalmente os sapatos.
  • Evite entrar em cavernas, casas abandonadas, depósitos, etc.
  • É importante lembrar que a fêmea normalmente possui o abdomem aproximadamente 2x maior que o macho.

No caso de alguma ocorrência[editar | editar código-fonte]

  • Não toque diretamente na aranha. Tente pegá-la com luvas ou papeis grossos.
  • Isole o local com um pano escuro e grosso.
  • Evite matar a aranha. Chame os bombeiros ou o Centro de Controle de Zoonoses mais próximo de sua casa. Tentar matá-la pode ocasionar em um ataque acidental.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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