Araracanga

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Como ler uma caixa taxonómicaAraracanga
Ara macao - two at Lowry Park Zoo.jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 LC pt.svg
Pouco preocupante (IUCN 3.1)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Psittaciformes
Família: Psittacidae
Género: Ara
Espécie: A. macao
Nome binomial
Ara macao
(Linnaeus, 1758
Distribuição geográfica
Distribuição da Araracanga
Distribuição da Araracanga
Sinónimos
Macrocercus araracanga, Sittace macao

A araracanga (Ara macao, Linnaeus, 1758), também chamada aracanga, arara-macau, ararapiranga, macau[1] [2] e arara-vermelha-pequena, é a terceira maior representante do gênero Ara,[3] que reúne araras e maracanãs. Ocupa um grande território na América que vai do sul do México até o norte do estado brasileiro do Mato Grosso. É uma das aves mais emblemáticas das florestas neotropicais, mas sua população vem declinando e em algumas áreas já foi extinta ou está em grande perigo. A população centroamericana está particularmente ameaçada.[4] [5] [6] Entretanto, a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, em 2009, classificou o estado da espécie globalmente como "pouco preocupante" (LC).[7]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Araracanga" e "aracanga" vêm do termo tupi arara'kãga. "Arara" vem do tupi a'rara[8] . "Ararapiranga" vem do termo tupi para "arara vermelha"[9] .

Taxonomia e descrição[editar | editar código-fonte]

Foi descrita pela primeira vez por Lineu em 1758. Tradicionalmente, tem sido considerada uma espécie monotípica, como a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais ainda o faz, mas, há alguns anos, foi proposta a divisão em duas ou três subespécies. O Sistema Integrado de Informação Taxonômica reconhece apenas duas: Ara macao macao (Linnaeus, 1758), presente na América do Sul e Ara macao cyanopterus (ou cyanoptera) Wiedenfeld, 1995, que ocorre na América Central.[7] [10] [11]

Os indivíduos desta espécie pesam cerca de 1,2 quilogramas,[12] com 85-91 cm de comprimento. Sua plumagem geral é vermelha com verde, asas em azul e amarelo e face glabra e branca. Os olhos vão do branco ao amarelo. Têm pernas curtas e uma longa cauda pontuda, asas largas, um bico largo, curvo e forte com parte superior branca e inferior negra e pés zigodáctilos, que os tornam hábeis escaladores e manipuladores de objetos. Quando voam e se alimentam, emitem um característico grito forte e rouco, como um RRAAAAH,[3] [13] e são capazes de articular sons imitando palavras humanas ou vozes de outros animais.[2]

Ocorrência, ameaças e conservação[editar | editar código-fonte]

A Ara macao ocorre em uma vasta área americana, indo do sul e leste do México até o Panamá, com um hiato, então continuando por todo o norte da América do Sul até o norte do Mato Grosso, incluindo regiões adjacentes do Maranhão, Pará e Bolívia. No Peru e Equador ocorre em toda parte a leste da Cordilheira dos Andes.[7] Já foi vista até no nordeste da Argentina.[14] A União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais indica, como países nativos da Ara macao: Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Suriname, Trinidad e Tobago e Venezuela. Foi introduzida pelo homem em Porto Rico[7] e algumas áreas urbanas dos Estados Unidos, Europa e outros pontos da América Latina.[11]

Sua população total é estimada entre 20 000 e 50 000 indivíduos, mas está em declínio. Entretanto, o número é considerado ainda expressivo, o que, junto com a sua grande área de ocorrência e o ritmo relativamente lento do seu declínio populacional, fez a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais declarar a Ara macao como em condição "pouco preocupante" (LC). [7] Porém, há um consenso de que a espécie precisa receber atenção. Já foi declarada como "ameaçada" na lista Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção.[5] [12] [2]

De fato, há muitas razões para se preocupar e os esforços até agora têm sido insuficientes para reverter a tendência de queda populacional. As maiores ameaças para esta espécie são a destruição do seu ambiente e a caça predatória, estando entre as aves mais cobiçadas no tráfico ilegal de animais silvestres.[15] [12] Como a sua longa e vistosa cauda não cabe nos ninhos, fica para fora, o que a denuncia facilmente para os caçadores num período em que a ave fica particularmente vulnerável a inimigos, e como seu ciclo reprodutivo é longo, sua população cresce devagar.[3] [12] Em alguns lugares ainda é caçada pela carne.[14]

Em El Salvador, foi extinta[7] e desapareceu do leste do México e da costa pacífica da Nicarágua e Honduras.[12] No Panamá[6] e na Costa Rica está ameaçada,[5] e na Guatemala,[16] Peru e Venezuela se tornou rara.[11] Em Belize é muito rara, calculava-se em 1997 a existência de apenas 30 indivíduos, embora um grupo adicional tenha sido mais tarde redescoberto.[17] Como visto, a subespécie cyanoptera, que ocorre na América Central, já se tornou no geral extremamente rara e sua extinção fora de reservas especialmente bem protegidas é considerada inevitável.[6]

Por outro lado, vários países adotaram medidas de conservação da espécie, criando leis e reservas, e projetos privados de monitoramento de ninhos, mapeamento de populações, educação ambiental e criadouros para soltura também estão sendo realizados, com resultados positivos.[6] [5] [18] [16] [12] [19] Ela se tornou um grande atrativo no ecoturismo de algumas regiões, o que pode contribuir para sua conservação.[20] [21] [12] [14]

Comportamento, alimentação e reprodução[editar | editar código-fonte]

Araracangas se alimentando de barro junto com araras-de-barriga-amarela e papagaios

Prefere viver em altitudes não superiores a mil metros,[14] nas galerias das florestas tropicais, úmidas ou secas, frequentando os estratos arbóreos superiores, embora desça ao solo em ocasiões.[3] [7] Pode viver nas beiras das matas, nos descampados, desde que sobrevivam algumas árvores grandes e altas, e habitar até áreas suburbanas se não for molestada.[22] Prefere a proximidade dos rios, mas pode obter água também de depósitos naturais em bromélias e forquilhas de troncos.[3] Gosta de tomar banho de chuva e entre seus hábitos está roer muita madeira. Não tem grande fôlego, sendo capaz só de voos curtos, mas é um excelente escalador e acrobata das árvores. Manipula seus alimentos com uma pata com grande habilidade e parece gostar de se divertir com objetos vários que encontra.[2] Pelo seu tamanho quase não tem predadores, mas felinos e aves de rapina de grande porte podem caçá-la.[14]

É uma espécie muito gregária e pode conviver com outras araras e papagaios. Voa em pares ou grupos de três, unidos frouxamente a um grande grupo. Alimenta-se em grupos grandes, preferencialmente de sementes de frutos ainda verdes, mas também come frutos maduros, folhas, larvas, flores, brotos, néctar e ocasionalmente terra, para obter suplementos minerais e eliminar toxinas da dieta. Tem um importante papel de dispersora de sementes no equilíbrio de seus ambientes, e como prefere as sementes, muitas vezes descarta as polpas dos frutos, que caem ao solo ou ficam expostas, sendo consumidas por outras aves, insetos e mamíferos que de outra forma não teriam acesso a elas. Com seu bico poderoso abre sementes muito duras, cujas sobras também servem de alimento para outras espécies.[3] [13] [23] [12] [2] [14]

Os casais são monogâmicos e inseparáveis. Nidificam geralmente em ocos de troncos, muitas vezes de árvores mortas, mas também em fendas em paredões de rocha. Colocam de um a três ovos, que a fêmea choca por 22 a 34 dias (há discordância entre os autores), sendo alimentada pelo macho. Os filhotes nascem em dias diferentes, implumes, cegos e indefesos. Ambos os pais cuidam da ninhada e a defendem com vigor, mas pode ser atacada por répteis e mamíferos. As crias comem uma papa regurgitada pelos pais e com dois a três meses deixam o ninho, mas permanecem junto dos pais por algum tempo, aprendendo como viver na floresta. Sua plumagem adulta só é conseguida aos dois anos. Atingem a maturidade sexual aos três anos e podem viver em média de 40 a 60 anos.[3] [12] [2] Já foram registrados exemplares com 75 anos em cativeiro.[14]

Importância cultural[editar | editar código-fonte]

Um exemplar empalhado e um manto indígena confeccionado com suas penas, Museu Etnológico de Estocolmo

Esta arara é uma figura destacada em muitas culturas indígenas americanas desde tempos imemoriais.[24] Foi identificada em murais em Bonampak[25] e foi esculpida em pedra em Copán, ambos monumentos da cultura Maia,[26] que a identificava com o calor solar e a associava à deidade primordial chamada Sete Araras.[27] Entre os Astecas era a ave que carregava até a vida além-túmulo as almas dos mortos nascidos no 11º dia de sua semana de treze dias.[28] Uma arara, identificada como provavelmente a macao, era a principal deidade aviforme na cultura Izapan.[29] Suas penas, usadas em adornos e artefatos religiosos, foram encontradas em muitos ítens arqueológicos, incluindo múmias do Peru.[25] Também foi encontrado um esqueleto parcial desta arara sobre a cabeça de um esqueleto humano em um enterramento no Panamá, que pode ter sido de um xamã.[30] Entre os Bribri da Costa Rica era um animal protetor; suas penas vermelhas eram usadas em ritos de cura e em cerimônias fúnebres para afugentar maus espíritos e iluminar o caminho dos mortos até o novo mundo. A água que elas bebiam de ocos em troncos também era considerada curativa.[26] Desde antes da chegada de Colombo foi muito procurada, na região do norte do México e sudoeste dos Estados Unidos, para retirada de plumas, para funções rituais e para domesticação, com um grande centro de criação em Paquimé.[31]

Atraiu de imediato a atenção também do homem branco assim que ele chegou à América. Esta arara aparece no primeiro mapa do Brasil, datado de 1502. Existem indícios de que os descobridores europeus já haviam-na encontrado na última década do século XV, em 1498, na desembocadura do Rio Orinoco.[2] Jean de Léry a considerou uma das duas aves mais belas do mundo, junto com a arara-de-barriga-amarela.[32]

Ainda hoje está presente nas culturas indígenas que sobreviveram.[2] Como exemplo, os Yanomami, nos ritos ligados à entidade mítica Wasulumani, representada pela Ara macao, evitam o uso de penas multicores para não ofendê-la, competindo com seu esplendor, e seus adornos se limitam a penas de cores preta e branca.[33] Além disso, sua imagem aparece nas obras de vários artistas antigos e contemporâneos de todo o mundo, seja em pintura, gravura, fotografia e outras técnicas, incluindo estamparia de tecidos.[34] [35] [36] [37] [38] [39] [40] [41] Sua imagem também já foi impressa em selos.[42] [43]

Um exemplar domesticado

A Ara macao é também muito apreciada como animal de estimação. Como outras de sua família, é muito sociável e dócil, mas sua criação é bastante trabalhosa, pois são aves grandes que exigem amplas instalações e precisam de muito estímulo do tratador; pessoas que passam a maior parte do dia fora de casa não devem manter esta espécie em cativeiro, além de ser imprescindível oferecer-lhes brinquedos diversos com que possam se exercitar e manter-se ocupadas em outros horários. Podem também causar algum incômodo por serem animais naturalmente barulhentos. Para que se mantenham saudáveis a dieta deve ser variada, incluindo sementes, vegetais e frutas frescas. É recomendável disponibilizar um osso para que obtenham cálcio e desgastem o bico sempre em crescimento. Como seus hábitos incluem roer madeira, as gaiolas devem ser de metal, e devem possuir uma área grande para que possam voar. À noite a gaiola pode ser coberta para manter as aves tranquilas e habituá-las a horários definidos. Muitos criadores costumam cortar parte de suas penas alares para diminuir sua capacidade de voo e mantê-las sob o alcance e controle. Elas podem ser treinadas para imitar a voz humana e podem ser manipuladas, desde que com gentileza e atenção. Sob estresse, na forma de gaiolas pequenas, má alimentação, maus tratos ou recebendo pouca atenção, podem desenvolver doenças e comportamentos aberrantes, incluindo aumento da agressividade e da destrutividade, que podem chegar até a automutilação.[44] [4]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.156
  2. a b c d e f g h Arara piranga, Arara vermelha. Renctas, disponível em Diagnóstico do Tráfico de Animais Silvestres na Mata Atlântica
  3. a b c d e f g Shaw, David. "Quantifying and Visualizing Canopy Structure in Tall Forests: Methods and a Case Study". In: Lowman, Margaret e Rinker, H. Bruce. Forest Canopies. Academic Press, 2004, p. 88-89
  4. a b Silverstein, Alvin; Silverstein, Virginia B. e Nunn, Laura Silverstein. Beautiful Birds. Lerner Publications, 2003, p. 22
  5. a b c d Vaughan, Christopher et alii. "Response of a Scarlet Macaw Ara macao population to conservation practices in Costa Rica". In: Bird Conservation International (2005) 15:119–130
  6. a b c d Enkerlin-Hoeflich, Ernesto et alii. "Scarlet macaw". In: Snyder, Noel F. R. Parrots: status survey and conservation action plan 2000-2004. IUCN, 2000, p. 150
  7. a b c d e f g BirdLife International 2009. Ara macao. In: IUCN 2011. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2011.1
  8. Ferreira, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. pp. 155-156
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  12. a b c d e f g h i Reading, Richard P. e Miller, Brian. Endangered animals: a reference guide to conflicting issues. Greenwood Publishing Group, 2000, pp. 253-257
  13. a b Hilty, Steven L. e Schauensee, Rodolphe Meyer de. Birds of Venezuela. Princeton University Press, 2003, p. 327
  14. a b c d e f g Mijal, M. 2001. Ara macao. (On-line), Animal Diversity Web. Acesso 24 set 2011
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  43. Catálogo de Selos: Selos - Ara macao. Colnet
  44. Wiedenfeld, David. A. "A New Species of Scarlet Macaw and Its Status and Conservation". In: Ornitologica Neotropical, 5: 99-104, 1994

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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