Arbogasto

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Flávio Arbogasto (morto em 8 de setembro de 394), ou Arbogasto foi um general franco do Império Romano do Ocidente. Tem sido afirmado por alguns historiadores antigos que ele era o filho de Flávio Bauto, mestre dos soldados (magister militum) e protetor de Valentiniano II, mas estudiosos modernos em grande parte discordam desta afirmação.[1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Entre 350 e 353, segundo Jean-Pierre Poly, teria sido um dos quatro líderes francos e oficiais imperiais ao serviço de Magnêncio mencionados na lei sálica.[2] A lei sálica teria origem de um pacto oral concluído em 350-353 entre os letes[necessário esclarecer] e os seus oficiais germano-romanos, pacto ao qual os parentes haviam renunciado à vingança em favor de multas de composição.[3] O chamado "Arogasto" seria realmente Arbogasto, como tinham sugerido Zöllner e Heinzelmann.[4]

Em 380, ele tornaria-se conde militar e tenente de seu pai Flávio Bauto, mestre dos soldados. No mesmo ano, dois anos após a batalha de Adrianópolis, onde o imperador Valente foi morto, o imperador Graciano envia Bauto e seu adjunto Arbogasto ao Oriente com tropas para ajudar o imperador Teodósio I e Ricomero para lutar contra os Visigodos. As primeiras vitórias ajudaram a restaurar a situação e lançaram sobre os três francos a estima de Teodósio.[5]

Em 385, ele teria-se tornado cônsul. Ele teria começado a residir em Bodegem, no dominio de Bauto seu patrono, uma das três prefeituras létiques da Bélgica, que Bauto tinha a posse fiscal, e que leva seu nome, como era usado.

Pouco se sabe sobre a vida de Flávio Arbogasto além de sua carreira como mestre dos soldados do Império Romano do Ocidente na sequência da morte de seu antecessor, o general Flávio Bauto em 385. Ele ajudou Bauto a derrotar o usurpador Magno Máximo e pessoalmente derrotou Victor, o filho do usurpador.

Com a morte de Bauto, ele foi saudado pelas tropas como seu provável substitui-lo, sendo ratificado por Teodósio I, no reinado do imperador Valentiniano II em 388. Arbogasto rapidamente se tornou governante de fato do Império Romano do Ocidente e, Valentiniano II, 20 anos, tinha pouco a dizer em qualquer situação.

Arbogasto é pessoalmente creditado como o mentor do levante senatorial pagão em Roma, na sequência dos debates entre os senadores acadêmicos cristãos e pagãos para o abandono do cristianismo e a retomada do paganismo. Após sua morte, seu filho Arigio conseguiu a criação de um condado hereditário, em Tréveris, que durou até Clóvis I. O concelho foi amplamente apoiado pelos francos. Arbogasto tinha um tio e colega chamado Ricomero e um sobrinho Teodemiro, que era rei dos francos.

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

Após a morte de Valentiniano II em 15 de maio de 392, um novo lider do Império Romano do Ocidente era necessário. Arbogasto, um franco, não era um romano de sangue puro, e não poderia ser um imperador.

Em 22 de agosto de 392, Arbogasto, com o apoio do senado romano, elegeu Flávio Eugénio, um administrador cristãos de Roma, como simpatias pagãs,[6] como seu imperador fantoche para apelar a Teodósio I. Ao mesmo tempo, da morte de Valentiniano II, Teodósio nomeou seu filho Honório como imperador do Imperador do Ocidente. Após inúmeros esforços para apaziguar Teodósio I, após a nomeação de Flávio Eugénio, Teodósio I começou a preparar-se para retomar o Ocidente de Arbogasto e Eugênio.

Batalha do rio Frígido[editar | editar código-fonte]

Em 5 de setembro de 394, Teodósio atacou Arbogasto na Batalha do rio Frígido nas margens do rio atualmente conhecido como (Vipava) (em italiano Vipacco).[7] A batalha durou dois dias, com pesadas perdas em ambos os lados. Em 6 de setembro, Arbogasto cometeu suicídio logo após sua derrota nos Alpes Julianos. Co-governante imperador Flávio Eugénio foi morto em seu acampamento no mesmo dia. Esta guerra civil terminou finalmente com o fim da oposição senatorial pagã para a cristianização do Império Romano.

Rumores[editar | editar código-fonte]

É amplamente especulado que Flávio Arbogasto enforcou Valentiniano II em sua casa de campo; no entanto, foi considerado um suicídio. Ambos, Valentiniano II e Arbogasto, frequentemente disputaram a regência ao longo do Império Romano do Ocidente.

Referências

  1. JONES, A.H.M. The Prosopography of the Later Roman Empire
  2. Conférence citée par P. Geary, Le Monde mérovingien(1988), Paris 1989, p. 114 ; Jean-Pierre Poly, « La corde au cou. Les Francs, la France et la Loi salique », dansGenèse de l’État en Méditerranée, Rome, 1993, p. 287.
  3. Jean-Pierre Poly, Le premier roi des Francs, dansAuctoritas. Mélanges offerts à Olivier Guillot, éd. par Giles Constable et Michel Rouche, Paris (PUPS) 2006, p. 127.
  4. M. Heinzelmann,Gallische Prosopographie, dans Francia, 1983.
  5. Werner 1984,p. 297-298.
  6. FRIELL, Gerard (1998). Theodosius: The Empire at Bay (Roman Imperial Biographies). (Routledge; 1 edition (May 28, 1998)). ISBN 0415170400
  7. HODGKIN, Thomas. Italy and her Invaders (em inglês) Clarendon Press Oxford, 1880 (online na Universidade de Chicago). Visitado em 19 de outubro de 2012.