Arcádio

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Arcádio
Imperador bizantino
Busto de Arcádio no estilo teodosiano: combina elementos de classicismo com o novo estilo hierático (museu de arqueologia de Istambul)
Governo
Reinado Janeiro de 383 - 395 (Como augusto);
395 - 1 de maio de 408 (como imperador)
Consorte Élia Eudóxia
Antecessor Teodósio I
Sucessor Teodósio II
Dinastia Teodosiana
Vida
Nome completo Flavius Arcadius (nascimento);
Flavius Arcadius Augustus (como imperador)
Nascimento 377 ou 378 (Hispânia)
Morte 1 de maio de 408 (31 anos)[1]
Filhos Flacila
Pulquéria
Arcádia
Teodósio
Marina
Pai Teodósio I
Mãe Élia Flacila

Flávio Arcádio (em latim: Flavius Arcadius) (377/378 - 1 de maio de 408[1] ) foi um imperador romano do Oriente de 395 até sua morte.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Arcádio nasceu na Hispânia, o filho mais velho do imperador Teodósio I e Élia Flacila, e irmão de Honório,[2] que iria se tornar o imperador romano do Ocidente. Seu pai declarou-o um Augusto e co-regente da metade Oriental do império, em janeiro de 383; Honório foi declarado Augusto em 393 para a metade Ocidental.[3]

Com a morte de Teodósio I, em 17 de janeiro de 395, o império romano foi dividido em Império Romano do Oriente e Império Romano do Ocidente. Arcádio assumiu o controle do Império do Oriente, enquanto Honório assumiu o controle da parte Ocidental.[4] Como imperador, Honório estava sob controle do vândalo romanizado magister militum Flávio Estilicão,[5] enquanto Arcádio foi dominado por um de seus ministros, Rufino. Estilicão foi acusado por alguns de querer o controle de ambos os imperadores, e é suposto que Estilicão tenha comprado um mercenário gótico para matar Rufino em 395; Embora a prova definitiva do envolvimento de Estilicão no assassinato não exista, a intensa competição e ciúmes político gerado pelos dois algarismos compõem o segmento principal da primeira parte do reinado de Arcádio.[3]

Neste mesmo ano, embora o império bizantino tivesse se comprometido a pagar pesado tributo aos hunos, estes começaram um conflito com o império. Neste ano, os hunos atravessaram o Cáucaso e começaram a saquear a província sassânida da Mesopotâmia e foram avançando sobre o território romano oriental até serem parados em 397.[6]

O novo conselheiro de Arcádio, o eunuco Eutrópio, ocupou o lugar de Rufino como o poder atrás do trono imperial do Oriente. Eutrópio mostrou-se ousado ao realizar uma campanha contra a invasão huna em 397, sendo que como consequência de tal empreitada adquiriu o consulado e a dignidade de patrício em 399. Além disso, Eutrópio adquiriu considerável apoio do clero após o início da posse de João Crisóstomo como patriarca de Constantinopla em 398. Durante o período de Eutrópio, Estilicão manteve sua pretensão de controle da metade oriental do império. Além disso, realizou periódicas incursões contra os visigodos de Alarico I. Eutrópio, nesse meio tempo, apoiou uma revolta na província da Mauritânia Cesariense do comes Gildo que estava sob controle ocidental, no entanto, tal empreitada fracassou e acabou por auxiliar em sua própria derrocada. Revoltas fomentadas por rebeldes germânicos liderados por Tribigildo foram a causa maior da deposição de Eutrópio. Tribigildo, que estava aliada com o general gótico Gainas, aceitou o fim das revoltas em troca da deposição do conselheiro real, sendo que tal exigência foi apoiada pela esposa de Arcádio, Élia Eudóxia. Eutrópio foi deportado para a Calcedônia sendo posteriormente julgado e executado.[3]

Um possível sucessor de Eutrópio foi o prefeito pretoriano da Itália Aureliano, no entanto, este acabou por ser deportado por Gainas que ambicionava o trono. Em 400 uma série de godos federados estabelecidos na capital foram massacrados e os sobreviventes entraram em fuga sob o comando de Gainas para a Trácia, onde foram rastreados pelas tropas imperiais e abatidos e Gainas foi mandado para a Ásia onde acabou por ser morto pelos hunos e sua cabeça foi enviada como um presente pelo rei huno Uldin para Arcádio.[7] Tal episódio ocorreu após uma tentativa de golpe arquitetada pelo ambicioso general Gainas.[3] A principal fonte para o caso é um documento de Sinésio de Cirene, Aegyptus sive de providentia (400), uma alegoria egipcianizada que personifica um relato encoberta dos eventos, a exata interpretação que continua a confundir os estudiosos. Sinésio De regno, que afirma se dirigir ao próprio Arcádio, contém um discurso inflamado contra os godos.[8]

Os visigodos que anteriormente receberam o título de federados da Mésia Secunda, sob seu rei Alarico I, estimulados pelos hunos de Átila, começaram a movimentar-se pelas províncias romanas vizinhas, que começaram a ser saqueadas. Como meio de apaziguar os visigodos, Arcádio concedeu a Alarico o título de prefeito da província da Ilíria, vindo desta forma a legalizar institucionalmente a presença visigoda dentro do Império Bizantino. Em 401 os visigodos abandonaram o Império Oriental e penetraram na Itália, possivelmente instigados por Constantinopla.

Soldo de Arcádio
Soldo de Arcádio
Siliqua de Arcádio.
Siliqua de Arcádio.

Em janeiro de 400, Élia Eudóxia acabou por ser nomeada Augusta o que ampliou seu campo de influência sob o imperador, especialmente porque ela havia dado a ele quatro filhos (Élia Pulquéria, Arcádia, Marina e Teodósio). Desse modo, Eudóxia tornou-se o novo poder atrás do trono. Em 402 um consulado conjunto foi selado por Honório e Arcádio. A influência de Eudóxia foi fortemente contestada por João Crisóstomo, o arcebispo de Constantinopla, que achava que ela havia usado a riqueza de sua família para ganhar controle sobre o imperador. Eudóxia usou sua influência para inflamar hostilidade entre o clero contra Crisóstomo. Agindo sob intermédio do bispo Teófilo de Alexandria, um concílio foi convocado pelo imperador em 403 e como resultado João Crisóstomo foi deposto e forçado ao exílio, no entanto, a agitação foi tanta dentro de Constantinopla que dias depois o bispo foi convocado para retornar. A rivalidade de Eudóxia e Crisóstomo continuou até sua deposição final em 404. Neste mesmo ano Élia Eudóxia faleceu em um aborto espontâneo.[3]

Arcádio foi dominado pelo resto de seu reinado por Antêmio. Antêmio trabalhou para acabar com abusos governamentais, assim como para ampliar a cristianização e a defesa do oriente contra ataques. Leis contra o paganismo, judaísmo e heresias foram aprovadas e a paz foi selada com o Ocidente, especialmente depois da criação de um consulado conjunto entre Antêmio e Estilicão em 405; combateu as tribos isáurias que estavam desde 403 causando estragos nas províncias da Ásia Menor e fortificou os muros de Constantinopla.[3] Arcádio, que estava mais preocupado com sua aparência de cristão devoto do que com os assuntos políticos e militares, morreu, tendo apenas nominalmente o controle de seu império, em 408.[1]

Características e trabalho[editar | editar código-fonte]

O reinado de um imperador fraco dominado pela política da corte, o maior tema foi a ambivalência sentida por proeminentes indivíduos e a partes da corte que se formaram e se reagruparam em torno dos bárbaros, que em Constantinopla neste período significou godos. Um novo fórum foi construído em nome de Arcádio, na sétima colina de Constantinopla, o Xērolophos, em que uma coluna foi iniciada para comemorar sua vitória sobre Gainas (embora a coluna só tenha sido concluída após a morte de Arcádio por Teodósio II). No Monte Pentélico a cabeça de mármore de Arcádio foi descoberta em Istambul perto do Fórum Tauri, em junho de 1949, em escavações das fundações dos novos edifícios da Universidade de Beyazit.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui multimídias sobre Arcádio
Precedido por
Teodósio I
Imperador bizantino
395 - 408
Sucedido por
Teodósio II



Referências

  1. a b c Norwich 2001, p. 49
  2. Norwich 2001, p. 45
  3. a b c d e f Arcadius (em inglês). Página visitada em 15-10-2012.
  4. Salles 2008, p. 319
  5. Ostrogorsky 1968, p. 47-48
  6. Helfen 1997, p. 38-43
  7. Zósimo século VI, p. 5.22.3
  8. Cameron 1993, p. 103
  9. Nezih 1951, p. 67-71

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Norwich, John Julius. Bizâncio. Esplendor e decadência do império 330-1453 (em inglês). Milão: [s.n.], 2001. ISBN 88-04-48185-4
  • Salles, Catherine. Larousse das Civilizações Antigas: Vol. III - Das Bacanais a Ravena (O Império Romano do Ocidente) (em português). São Paulo: [s.n.], 2008. ISBN 978-85-7635-445-1
  • Helfen, Otto Maenchen. Die Welt der Hunnen. [S.l.: s.n.], 1997.
  • Zósimo. História Nova. [S.l.: s.n.], século VI.
  • Cameron, A.; J. Long. Barbarians and Politics at the Court of Arcadius (em inglês). [S.l.: s.n.], 1993. ISBN 0520065506
  • Nezih, Firatli. (1951). "A Late Antique Imperial Portrait Recently Discovered at Istanbul" (em inglês). American Journal of Archaeology 55 (1).