Ardil 22 (lógica)
Ardil 22 é uma expressão cunhada pelo escritor Joseph Heller no seu romance Ardil 22, descrevendo um conjunto de regras, regulamentos, procedimentos ou situações as quais apresentam a ilusão de escolha ao mesmo tempo em que impedem qualquer escolha real. Na teoria da probabilidade, o termo refere a uma situação na qual existem múltiplos eventos probabilísticos, e o resultado desejado advém da confluência desses eventos, mas há probabilidade zero disso acontecer, visto que os mesmos são mutuamente excludentes.
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[editar] Logica
O Arquétipo do "Ardil 22", como formulado por Heller, envolve o caso de John Yossarian, um bombardeiro da força aérea dos Estados Unidos, que deseja ser proibido de realizar combates aéreos. Para ser proibido, ele deve ser oficialmente avaliado pelo cirurgião de vôo do esquadrão e ser declarado inapto para voar, o que seria um diagnostico automatico de insanidade de qualquer piloto porque só uma pessoa mentalmente perturbada pegaria missões, devido ao perigo. Mas para pegar o diagnóstico ele deve pedir por isso, e fazendo isso, ele mostra sanidade o suficiente para tentar não voar em missão.
O “Ardil 22” é que "Qualquer um que quer sair do dever do combate não é realmente louco."[1] então pilotos requisitando uma avaliação não estão insanos e portanto aptos ao combate, mas aqueles que não pedem não serão reconhecidos porque eles não tem uma avaliação. O Ardil-22 garante que nenhum piloto possa ser detido de voar por ser louco (mesmo que ele seja).
Uma formulação lógica da Situação é:
- 1.
(Premissa: Se uma pessoa é excluída de voar (E), deve ser porque eles ambos são loucos (I), e devem receber uma avaliação (R)); - 2.
(Premissa: Se uma Pessoa é louca, ele não deveria descobrir que é, e não teria um motivo para pedir uma avaliação) - 3.
(2, Definição de implicação: Uma vez que uma pessoa insana não iria pedir uma avaliação, segue-se que todas as pessoas devem não ser insanas, ou não pedir uma avaliação) - 4.
(3, De Morgan: Uma vez que todas as pessoas devem não ser doidas, ou não solicitar uma avaliação, segue-se que nenhuma pessoa pode ser tanto insana quanto pedir uma avaliação - 5.
(4, 1, Modus Tollens: Desde que uma pessoa possa ser excluída de voar apenas se eles ambos forem insanos e solicitarem uma avaliação, mas nenhuma pessoa "pode" ser insana e pedir uma avaliação, seguindo-se que a pessoa não tem porque não voar.
[editar] Outros usos no romance
O romance contém vários exemplos do Ardil-22, de sua regulação e outras situações similares. Um exemplo ocorre quando Luciana fica perturbada porque nenhum homem iria se casar com ela pois ela não é virgem. Yossarian oferece-se para casar com ela, mas ela diz que ele é louco por querer casar com uma não-virgem como ela e diz que não pode casar com um homem louco.
Major Major cria um Ardil-22 quando ele instrui seu sargento que ninguém viria vê-lo, a não ser que ele não estivesse. Se ele estiver, as ésspas poderão tomar café, a não ser que ela saia daqui.
Apesar de ser um dilema lógico irresolvivel, o texto de Heller contem duas das mais distintas cláusulas. No primeiro capítulo, oficiais que escondiam seus pensamentos mais íntimos. E eles são uma série de loucos, o que deixa seus passos baseados em “Qualquer coisa pode ser feita para você e você não pode prever”. A segunda clausula, em algumas instâncias, provê a solução para o Ardil-22 que é capturada de uma antiga expressão Alemã, die Flucht nach vorne antreten (“Para voar [fugir] para frente"): No caso de Orr, um amigo de Yossarian (o personagem principal de Heller), a solução foi desertar e fugir para a Suécia, uma solução que no final o próprio Yossarian adota.
[editar] Significado do número 22
De acordo com muitas fontes[2] Heller originalmente queria chamar a frase, e o título do livro, com outros números, mas entre ele e os editores eventualmente foi escolhido o 22. O livro deveria se chamar Catch-18, mas com o lançamento de "Mila 18", de Leon uris, teve que alterá-lo para Catch-22. O número não tem um significado em especial; ele foi escolhido mais ou menos pela fonética.
[editar] Ver também
[editar] Dilemas falsos e lógica circular
Situações que tem similaridades lógicas a Ardil-22.
- Lógica Circular
- Falso Dilema
- Ironia
- Situação Sem Vencedor — existem escolhas reais, mas nenhuma escolha leva ao sucesso.
- Reductio ad absurdum
- A dama ou o tigre — uma pequena história envolvendo uma princesa que deve tomar uma decisão numa situação de falso dilema.
[editar] Situações de Dilemas não-falsos
Situações que podem ser confundidas com um "Ardil-22", mas tem resultados lógicos diferentes.
- O ovo e a galinha — Um ciclo de causa aparentemente inquebrável, que tem origem desconhecida.
- Dilema de Cornélio — Uma escolha entre ações que irão levar tdos um efeito detrimental no optante ou em alguém que ele se importa.
- Deadlock — Na computação, quando dois processos encontram um impasse, paradoxamente esperando um pelo outro para terminar.
- Trava Dupla — Uma escolha forçada entre duas demandas lógicas conflitantes.
- Escolha de Hobson — Escolha entre escolher uma opção ou não.
- Principio do Menor dos Males — Uma escolha entre dois resultados não desejados.
- Encruzilhada de Morton — Uma escolha entre duas alternativas igualmente ruins.
- Paradoxo — um estado ou grupo de estados que levam a contradição ou a situação que desafia a intuição.
[editar] Referências
- ↑ . [S.l.: s.n.]. ISBN 9780684865133
- ↑ [Joseph_Heller#Catch-22]
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(2, Definição de implicação: Uma vez que uma pessoa insana não iria pedir uma avaliação, segue-se que todas as pessoas devem não ser insanas, ou não pedir uma avaliação)
(3,
(4, 1,