Argamassa polimérica

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Parede construída com argamassa polimérica em frente à parede construída com argamassa convencional
Parede construída com argamassa polimérica (acima) vs. parede construída com argamassa cimentícia (abaixo)
Assentamento de tijolo com argamassa polimérica em uma obra

Argamassa polimérica ou Argamassa sintética refere-se a uma classe de argamassas, que servem de opção à argamassa convencional ou argamassa cimentícia e também à argamassa industrializada, para aplicações na construção nas etapas de alvenaria e revestimento.

O termo argamassa polimérica também é utilizado para descrever algumas argamassas cimentícias que contenham aditivos poliméricos para melhorar seu desempenho ou alterar suas propriedades.

As argamassas poliméricas são aplicadas para o assentamento de tijolos ou blocos na execução de alvenarias de vedação (paredes). Recentemente, as argamassas poliméricas também têm sido utilizadas para o assentamento de pisos e azulejos durante o revestimento.

Na aplicação em alvenarias, a argamassa polimérica apresenta diferenças em termos de rendimento e velocidade de aplicação, além de ser comercializada já na forma de massa pronta, o que reduz potencialmente o custo com mão de obra no preparo.

História[editar | editar código-fonte]

A primeira formulação de uma argamassa polimérica de que se tem notícia foi publicada em uma revista norte americana em 1981[1] e a tecnologia básica empregada na formulação química já existia na década de 1970.[2] No entanto, esta categoria de produto foi pouco difundida no Brasil até o ano de 2011, quando o Grupo FCC, uma empresa do Rio Grande do Sul, começou a fabricar para o mercado de construção civil no Brasil.[3] [4] [5] [6] [7]

Características[editar | editar código-fonte]

Uma das principais características da argamassa polimérica é que, ao contrário das argamassas convencionais, que são comercializadas em , a argamassa polimérica é comercializada em estado pastoso e pronto (massa) para a utilização, sem necessitar a adição de água ou aditivos no momento da aplicação.

Por se tratar de um produto elastomérico, a argamassa polimérica apresenta um baixo Módulo de Young, associado a uma resistência à compressão entre 3,0 MPa e 5,0 MPa, o que proporciona características construtivas que favorecem o não aparecimento de patologias típicas, tais como trincas e falhas na alvenaria, apesar da menor quantidade aplicada.

Para sua caracterização e confiabilidade, as argamassas poliméricas devem se submeter aos mesmos testes e ensaios das argamassas cimentícias, tanto para aplicação em alvenaria como para revestimentos de pisos e azulejos.

Rendimento[editar | editar código-fonte]

Comparativamente à argamassa cimentícia, rende pelo menos vinte vezes mais. O rendimento da argamassa polimérica aplicada em sobreposição de pisos varia entre 1,0kg/m² e 3,0kg/m², em função da planeza da superfície de aplicação.

Sustentabilidade[editar | editar código-fonte]

Argamassas poliméricas são reconhecidas pelo forte apelo ecológico, por não conterem em sua formulação os dois principais ingredientes da argamassa cimentícia, ambos impactantes ao meio ambiente:

  1. Cimento Portland:
    De acordo com o SNIC (Sindicato Nacional da Indústria de Cimento), a fabricação de 1 kg de cimento emite mais de 600 gramas de CO2 na atmosfera.[8] Estas emissões se dão devido ao processo de decarbonificação das matérias primas e devido ao consumo de energia necessário para chegar a temperaturas de até 1450 ºC no seu processo de fabricação. Estima-se que a indústria do cimento responde por aproximadamente 5% do total de CO2 emitido pelo homem.[9]
  2. Areia de rios:
    Por eliminar a necessidade do uso de areia na mistura da argamassa convencional, a argamassa polimérica contribui para diminuir a retirada deste material dos leitos de rios, evitando os problemas ambientais associados com esta prática.[2]

Composição química[editar | editar código-fonte]

A composição química das argamassas poliméricas deve conter resinas sintéticas, cargas minerais e diversos aditivos como espessantes e estabilizantes. Diferenças de formulações, tipos, quantidades e qualidade de matérias primas utilizadas na formulação resultam em significantes diferenças de características mecânicas, desempenho estrutural e durabilidade entre as argamassas poliméricas atualmente existentes no mercado.

Vantagens[editar | editar código-fonte]

Como o produto não é a granel e possui maior rendimento, há melhor controle de estoque e redução do custo logístico. A utilização da argamassa polimérica, conforme informações dos fabricantes, garante um aumento de produtividade de pelo menos 50% e redução do custo total da alvenaria de pelo menos 40%.

Limitações[editar | editar código-fonte]

Em função da espessura da junta vertical e horizontal, a argamassa polimérica deve ser utilizada com blocos sem defeito e sua aplicação se dá somente na alvenaria de vedação (sem função estrutural).

Aplicação

A aplicação da argamassa polimérica pode ser realizada através da própria embalagem, pistola ou equipamento pneumático. Tipicamente, são aplicados dois ou três cordões contínuos da argamassa sobre as fiadas de blocos ou tijolos. São preenchidas as juntas verticais com a própria argamassa polimérica. Em função da forma construtiva e da qualidade do bloco, pode ser utilizada argamassa convencional para garantir o nível da primeira fiada e no encunhamento.

Referências

  1. Adhesives Age Magazine, pg 22 (Outubro de 1981)
  2. a b Jornal do Comércio (26 de dezembro de 2011). Construção civil inova para crescer. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  3. Jornal do Comércio (14 de março de 2011). FCC lança produto que substitui argamassa. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  4. Portal Fator Brasil (24 de março de 2011). Novo conceito de levantamento de paredes alivia falta da mão-de-obra na construção civil e reduz custos. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  5. Correio do Povo (18 de julho de 2012). Assentamento rápido sem argamassa. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  6. Revista Revenda e Construção (março de 2013). Argamassas e Rejuntamentos - uma boa solução. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  7. Blog da Engenharia (20 de março de 2013). Review BDE: Massa DunDun. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  8. SNIC. A Indústria do Cimento no Cenário das Mudanças Climáticas. Página 8. (Visitada em 11 de junho de 2013)
  9. SNIC. Press Kit 2010. Página 24. (Visitada em 11 de junho de 2013)