Armênia persa

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Parskahayastan
Պարսկահայաստան
Armênia persa
Província do(a) Império Sassânida

428646
Location of Armênia
Armênia persa, 387-591
Capital: Dvin
Governador: Marzpan
Período : Antiguidade Tardia/Idade Média
 -  Abolição da monarquia armênia por Vararanes V 428
 -  Conquista árabe da Armênia 646


Armênia persa designa a porção da Armênia histórica que esteve sobre domínio persa de 428 a 646 e depois de 1639 a 1828. No primeiro período, a dominação persa se deu após a divisão do Reino da Armênia em 387 pelos Impérios Romano e Sassânida. Foi mantida pelos persas até 646 quando a região foi dominada pelos exércitos árabes muçulmanos do Califado Rashidun. No segundo, a Armênia esteve sob domínio dos Impérios Safávida (1501-1722), Afsharida (1736-1796) e Qajar (1785-1925) Esta parte da Armênia foi dividida em 1747 entre os canatos de Erevan, Naquichevão e Carabaque. Desapareceu definitivamente com o tratado de Turkmenchai, que anexou-a ao Império Russo.

História[editar | editar código-fonte]

Idade Média[editar | editar código-fonte]

Durante o reinado do imperador Teodósio I (r. 378–395), provavelmente em 387, o Império Romano, na tentativa de firmar uma paz definitiva com Sapor III (r. 383–388) do Império Sassânida, oficialmente dividiu o Reino da Armênia em duas na paz de Acilisene, cada parte governada por um rei cliente.[1] [2] Após a morte de Ársaces III (r. 378–389),[nt 1] o rei cliente romano, a monarquia da porção romana foi abolida e a região redividida em várias províncias. Na porção persa, contudo, a monarquia persistiria até 428, quando Artaxias IV (r. 422–428) foi destronado pelo sassânida Vararanes V (r. 420–438).[7] [8]

Os cadetes da família, por segurança, emigraram para o Império Bizantino.[9] Para governar a Armênia, os reis sassânidas nomearam governadores, ou marzpans, geralmente escolhidos entre os nobres armênios. Este sistema duraria até o século VII. O imperador Heráclio (r. 610–641) travava sua guerra contra o Império Sassânida, conquistou a porções persa da Armênia em 627. Em 646, o título de marzpans foi transformado em príncipe da Armênia e o imperador Constante II (r. 641–668) conservou o direito de nomeá-los.

Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

Ao longo do século XVI e início do século XVII, a Armênia foi o campo de batalha entre otomanos e persas, tendo passado alternadamente sob o domínio de um ou outro.[10] O tratado de Qasr-i-Chirin pôs fim a situação em 1639 e se acordou que a Armênia Oriental seria da Pérsia.[11] O país foi fortemente despovoado, após a decisão de Abas I (r. 1585–1628) (realizada em 1604-1605) deportar os armênios para a região de Ispaã, a fim de criar um centro de comércio em New Julfa, mas também para limpar a área em frente aos exércitos otomanos e impedir seu fornecimento.[12]

No início do século XVIII, após o declínio do Império Safávida e as primeiras incursões russas na região do Cáucaso, os otomanos decidiram agir e marchar ao sul da Armênia persa; Erevan caiu em 7 de junho de 1724,[13] mas Carabaque e Siunique resistiram sob o comando de Davi Bek; foi apenas na década de 1730 que as tropas persas conseguiram retomar a região.[14] Em 1747, a morte de Nader Xá (r. 1736–1747), a Armênia persa foi dividida em três canatos relativamente autônomos, os canatos de Erevan, Naquichevão e Carabaque.[carece de fontes?]

O início do século XIX viu a Armênia persa cair gradualmente nas mãos dos russos. Na guerra russo-persa de 1804-1813, terminou com o tratado de Golestan, resultando na captura do Canato de Carabaque.[15] Enquanto isso, os canatos de Erevan e Naquichevão caíram no final da guerra russo-persa de 1826-1828, aprovado pelo tratado de Turkmenchai.[16] A Armênia persa deu lugar à Armênia russa.[17]

Notas

  1. Não há consenso entre as fontes para o fim do reinado de Ársaces III, havendo três datas defendidas: 387,[3] 389[4] [5] e 390.[6]

Referências

  1. The Background and Aftermath of the Partition of Armenia in A.D. 387 (em inglês). Visitado em 01-05-2013.
  2. Theodosius I (379-395 A.D.) (em inglês). Visitado em 01-05-2013.
  3. Lenski 2002, p. 185
  4. Hacikyan 2000, p. 184
  5. Kurkjian 2008, p. 113
  6. Adalian 2010, p. 177
  7. Fausto, o Bizantino século V, VI.I
  8. Yarshater 1983, p. LVIII; 142; 145; 518; 529
  9. Settipani 2006, p. 106-130
  10. Dédéyan 2007, p. 389
  11. Dédéyan 2007, p. 393
  12. Dédéyan 2007, p. 448
  13. Dédéyan 2007, p. 458-459
  14. Dédéyan 2007, p. 460
  15. Dédéyan 2007, p. 482
  16. Dédéyan 2007, p. 483
  17. Dédéyan 2007, p. 484

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lenski, Noel Emmanuel. Failure of Empire: Valens and the Roman State in the Fourth Century A.D.. Berkeley e Los Angeles: California University Press, 2002. ISBN 978-0-520-23332-4.
  • Settipani, Christian. Continuidade das elites em Bizâncio durante a idade das trevas. Os príncipes caucasianos do império dos séculos VI ao IX. Paris: de Boccard, 2006. ISBN 978-2-7018-0226-8.
  • Yarshater, E.. The Cambridge History of Iran. [S.l.]: Cambridge University Press, 1983. vol. 3 (I).