Armadeira

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Como ler uma caixa taxonómicaPhoneutria
aranha-armadeira, armadeira
Phoneutria nigriventer

Phoneutria nigriventer
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Classe: Arachnida
Ordem: Araneae
Família: Ctenidae
Género: Phoneutria
Perty, 1833
Espécies
P. bahiensis
P. boliviensis
P. eickstedtae
P. fera
P. keyserlingi
P. nigriventer
P. pertyi
P. reidyi

Phoneutria (do grego phoneútria, "assassina") é um gênero de aranhas conhecidas pelos nomes comuns de armadeira, aranha-macaco ou aranha-de-bananeira, pertencentes à família dos ctenídeos. O nome comum armadeira vem da sua atitude invariável de ataque, com as patas dianteiras erguidas.

Características[editar | editar código-fonte]

Originárias da região sul-americana, com um corpo de 3,5 cm a 5 cm e pernas de até 17 cm com as pernas estendidas (fêmea). São altamente agressivas e peçonhentas, pois produzem um veneno cujo componente neurotóxico é tão potente que apenas 0,006 mg é suficiente para matar um rato. Frequentemente entram em habitações humanas à procura de alimento, parceiros sexuais ou mesmo abrigo, escondendo-se em roupas e sapatos. Quando incomodadas, picam furiosamente diversas vezes, e centenas de acidentes envolvendo essas espécie são registrados anualmente: são responsáveis por aproximadamente 42% dos casos de picadas por aracnídeos notificados no Brasil.[carece de fontes?]

É considerada a aranha mais venenosa do mundo, segundo o Guiness Book, devido a potência do seu veneno de ação neurotóxico. No Brasil, é a segunda aranha que mais causa acidentes, perdendo apenas para a aranha-marrom, porém, ao contrário da Loxosceles, é extremamente agressiva, razão pela qual não se aconselha nem se permite sua criação em cativeiro.

Veneno[editar | editar código-fonte]

A peçonha da Phoneutria é composta por polipeptídeos, além de histamina e serotonina. Sua ação é neurotóxica e cardiotóxica.

A ação neurotóxica ocorre no SNC, mais precisamente nos canais de sódio, provocando despolarizações nas terminações nervosas, (sinapses) sensitivas e motoras, fibras musculares e no sistema nervoso autônomo, induzindo a liberação de neurotransmissores (principalmente a acetilcolina e catecolaminas.1 ). A ação cardiotóxica interfere na atividade contrátil do músculo estriado cardíaco, ativação do sistema de calicreína tissular, ativação de fibras sensoriais e esvaziamento gástrico. A picada da Phoneutria é relativamente letal para ratos. Fontes confiáveis ​​afirmam que mais de 7.000 casos autênticos de picadas em humanos foram registrados, com apenas cerca de 10 mortes conhecidas, e apenas cerca de 2% dos casos foram graves o suficiente para precisar de utilização de antiveneno.

Sintomatologia[editar | editar código-fonte]

Os pontos de inoculação sobre a pele são vistos acompanhados de inchaço, vermelhidão e sudorese local. A dor é queixa comum, pode ser local ou irradiada, tem intensidade variada e é acompanhada de parestesias (formigamento). Dependendo do estado da pessoa, além da dor, os sintomas mais comuns são taquicardia com alterações no eletrocardiograma, hipertensão arterial, sudorese com visão turva e vômitos ocasionais. O hemograma pode apresentar leucocitose com neutrofilia e hiperglicemia.2

O quadro em crianças com menos de seis anos e idosos muito debilitados pode evoluir para edema pulmonar e choque representando um risco não desprezível de morte.3

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Apesar da alta toxicidade da peçonha da armadeira, a absoluta maioria dos casos registrados são considerados leves e de prognóstico benéfico. Nestes casos o tratamento é sintomático resumindo-se a analgésicos como a picasulina e anestésico local xilocaína e, em caso de ânsia de vômito, um antiemético como Plasil (Metoclopramida). Nos moderados que apresentam sudorese acompanhada de leve taquicardia e hipertensão, o tratamento sintomático é acompanhado do específico com soro antiaracnídeo. Nos casos graves que apresentam grandes alterações na pressão arterial com taquicardia/bradicardia e sudorese profusa, uma dose maciça de soro antiaracnídeo juntamente com cuidados médicos intensivos tornam-se necessários.4

Espécies[editar | editar código-fonte]

Fêmea de P. cf nigriventer (a espécie é venenosa e o seu manuseamento constitui um risco significativo).5

O género inclui as seguintes espécies:6

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Cartillo, Juan C. Quintana; Patiño, Rafael Otero: Envenenamiento aracnídico em las Américas – Revista MEDUNAB. Vol. 5, número 13 - Mayo de 2002.
  2. CUPO P; AZEVEDO-MARQUES MM & HERING SE: Acidentes por animais peçonhentos: Escorpiões e aranhas – Medicina, Ribeirão Preto, 36: 490-497, abr./dez. 2003.
  3. Cicco, Lúcia H. Salveti de: Armadeira ou Aranha da banana – Animais Perigosos.
  4. Ministério da Saúde: Manual de diagnóstico e tratamento de acidentes por animais peçonhentos – 2ª ed. - Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2001. ISBN 85-7346-014-8
  5. Wandering Spiders of the Amazon (2013). Phoneutria - toxicity. Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe (State Museum of Natural History Karlsruhe). Retrieved 23 February 2013.
  6. The world spider catalog, version 12.5. American Museum of Natural History. Accessed March 30, 2012.
  7. Silva, B. J. F., & Overal, W. L. (1999). Ocorrência de Phoneutria fera (Araneae: Ctenidae) no Estado do Pará, Brasil. Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi, série Zoologia, 15(2), 135-141.