Arquipélago de São Pedro e São Paulo
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O Arquipélago de São Pedro e São Paulo, é um conjunto de pequenas ilhas rochosas que se situa na parte central do Oceano Atlântico Equatorial, distando 870 km do Arquipélago de Fernando de Noronha e 1.010 quilômetros de Natal, no estado do Rio Grande do Norte. Foi declarado como parte do território brasileiro, pertencente ao Estado de Pernambuco. Em 1998, foi inaugurada a Estação Científica na Ilha Belmonte, dando o início do Programa de Arquipélago São Pedro e São Paulo (Pro-Arquipélago) sob administração da Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM). A presença permanente de 4 cientistas na Estação Científica justifica a habitabilidade no Arquipélago, que é fundamental para obter o reconhecimento internacional como território brasileiro. Era chamado popularmente de "Penedo de São Pedro e São Paulo" ou "Rochedo de São Pedro e São Paulo", porém hoje em dia é chamado oficialmente de "Arquipélago de São Pedro e São Paulo". A rocha exposta é peridotito serpentinizado de um megamullion tectonizado, sendo a única exposição mundial do manto abissal acima do nível do mar.
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[editar] Localização
O Arquipélago de São Pedro e São Paulo está localizado na região equatorial do Oceano Atlântico, N00º55.1’, W29º20.7’, aproximadamente a 1.010 km ao ENE da cidade de Natal, Estado do Rio Grande do Norte (RN). A área total emersa é de aproximadamente 13 mil m² à altitude máxima de 18 m. É constituído por 5 ilhas maiores e numerosos rochedos, sendo um dos lugares mais inóspitos do país.
- Ilha Belmonte (Sudoeste, Southwest): 5.380 m²
- Ilha Challenger (São Paulo, Sudeste, Southeast): 3.000 m²
- Ilha Nordeste (São Pedro, Northeast): 1.440 m²
- Ilhota Cabral (Noroeste, Northwest): 1.170 m²
- Ilhota Sul (South): 943 m²
Nenhum dos rochedos dispõe de água potável. Apenas a maior ilha possui vegetação, rasteira e rala. Os penedos servem de abrigo a diversas espécies de aves marinhas (Anous minutus, Anous stolidus e Sula leucogaster, por exemplo), que os cobrem com seus excrementos, formando o guano, um tipo de adubo orgânico natural. Outras espécies que podem ser relacionadas são os caranguejos (como o Grapsus grapsus) e diversos tipos de insetos e aranhas.
[editar] História
As rochas foram descobertas acidentalmente por navegadores portugueses, quando a Armada de 20 de abril de 1511, composta por seis caravelas, sob o comando do Capitão-mor D. Garcia de Noronha, com destino à Índia, aí registou o seu primeiro naufrágio (de acordo com o Livro das Armadas, apenas duas das suas embarcações chegaram ao seu destino). Navegando em mar aberto, em noite fechada, ouviu-se de súbito o rugir das ondas, e antes que fosse possível qualquer providência, a São Pedro, sob o comando do capitão Manuel de Castro Alcoforado, encontrava-se encalhada sobre um dos rochedos, com os fundos abertos. Na manhã do dia 16 de fevereiro de 1832, os rochedos foram visitados por Charles Darwin, na primeira parte de sua viagem a bordo do HMS Beagle ao redor do mundo. Por ali também passou o irlandês Ernest Henry Shackleton (1874-1922), a bordo do Quest, em 1921 (expedição "Shackleton-Rowett 1921-1922"). Outros visitantes ilustres foram Gago Coutinho e Sacadura Cabral, que ali amararam em 1922, para reabastecimento com o Cruzador República, da Marinha de Portugal.
[editar] O Programa Arquipélago
Embora inóspito para a vida humana, o recente interesse pelo arquipélago decorreu da assinatura, pelo Brasil, da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que no item 3 do artigo 121, reza: "Os rochedos que, por si próprios, não se prestam à habitação humana ou à vida econômica não devem ter Zona Econômica Exclusiva (ZEE) nem plataforma continental."
Embora o arquipélago sempre tenha sido objeto de pesquisas, visando determinar os seus recursos pesqueiros, assim como os parâmetros físico-químicos e biológicos das suas águas, bem como para coleta de dados meteorológicos, em 1995 a Marinha do Brasil iniciou ali a construção de um novo farol, visando reduzir a incidência de naufrágios naquelas águas, decorrentes da pouca visibilidade dos rochedos, que apresentam a altitude máxima de 18 metros, permanentemente batidos pelas ondas.
O primitivo farol havia sido iniciado na ilhota Belmonte em 1930, pela tripulação do Belmonte, sob o comando do Capitão-de-Fragata Álvaro Nogueira da Gama. O trabalho fora interrompido pela eclosão da Revolução de 1930, apenas sendo concluído em 1931, para ser destruído, provavelmente por um tremor tectônico, em 1933, sendo abandonado.
O atual farol localiza-se na Rocha Sudoeste. É automático, construído em fibra de vidro, com secção cilíndrica de um metro de diâmetro com seis metros de altura.
Na ocasião, foram também iniciados estudos para a construção de uma edificação que servisse de base a um grupo de pesquisa que se envolveria com a pesquisa oceanográfica e do meio-ambiente dos rochedos, instituindo-se o chamado Programa Arquipélago.
Com o apoio da Marinha, foram realizadas quatro viagens ao Arquipélago, procedendo-se o estudo de aspectos físico-ambientais, topográficos, de comportamento das aves, e outros, tendo como resultado a implantação da Estação Científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo (ECASPSP), inaugurada em 1998.
Ali, numa edificação de madeira de 45 metros quadrados, equipes de cientistas e pesquisadores revezam-se a cada 15 dias, com o apoio da Marinha do Brasil. As instalações compõem-se de uma cozinha, uma sala de refeições, centro de comunicações, quarto para quatro pessoas, quarto de banho e varanda. O telhado conta com painéis fotovoltaicos para geração de energia elétrica. À pequena distância, ergue-se um abrigo para os geradores e baterias, um equipamento de dessalinização da água do mar e outro abrigo para cilindros de oxigênio e de gás. Uma passarela liga a base ao ponto de embarque, servido por um turco. Entre os equipamentos científicos da base destaca-se um marégrafo.
Nos dias 5 e 6 de junho de 2006, a estação de pesquisas foi parcialmente destruída por forte ressaca. Porém, foi retomada imediatamente a reconstrução da estação, com base na nova estrutura.
[editar] Morfologia submarina
O Arquipélago de São Pedro e São Paulo situa-se na zona de expansão entre a Placa Sul-Americana e a Placa Africana. O sistema da falha transformante de São Paulo (Saint Paul Transform Fault System) é uma das maiores falhas transformantes do Oceano Atlântico, em que ocorre em total 630 km de descontinuidade dos segmentos da cadeia meso-oceânica. Esta é uma das regiões mais profundas do Oceano Atlântico e algumas localidades têm mais de 5000 m de profundidade. A morfologia abissal apresenta que o Arquipélago situa-se no topo de um grande megamullion, com comprimento de 90 km, largura de 20 km e altura aproximada de 4000 m a partir do fundo do oceano. Sendo diferentes de vulcões submarinos, esta saliência é constituída por duas elevações tabulares orientadas segundo leste-oeste, apresentando uma forma similar a Brachiosaurus cuja cabeça é direcionada a leste. Nos flancos do Arquipélago, a partir do nível do mar até 1000 m de profundidade, ocorrem taludes de alto ângulo, em torno de 50º de inclinação. Não se observa uma plataforma submarina extensa de pequena profundidade em torno do Arquipélago. Os mergulhadores profissionais e os biólogos que chegaram até 100 m de profundidade apresentaram que o fundo do mar tem morfologia altamente acidentada, com saliências rochosas cobertas por fina camada de esponjas. Existe uma escarpa vertical com altura maior do que 100 m. Essas morfologias submarinas instáveis sugerem que o soerguimento do Arquipélago foi originado de um tectonismo recente, o que pode estar ainda em continuação.
[editar] Morfologia das ilhas
O mapa de seppômen das três maiores ilhas do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Belmonte, Challenger e Nordeste mostra a existência de duas plataformas de abrasão marinha. A plataforma inferior é relativamente regular e tem boa convergência na distribuição altimétrica, de 4 a 5 m de altitude, sugerindo sua idade jovem, considerada como sendo formada durante a Transgressão Flandriana, há cerca de 6 mil anos. A plataforma superior tem relevos maiores com dispersão maior na sua distribuição altimétrica, ocorrendo na faixa 6 a 9 m de altitude. Esta característica indica que a plataforma superior é mais antiga, formada durante a Transgressão Sangamoniana, há cerca de 120 mil anos. Essas plataformas, em conjunto, indicam que o Arquipélago está no processo de soerguimento com taxa de 0,03 a 0,04 mm por ano. Por outro lado, considerando a plataforma superior de abrasão marinha como do Flandrianoe desconsiderando a existência da plataforma inferior, calcula-se a taxa de soerguimento atual de 1,2 a 1,5 mm por ano. A segunda hipótese não é muito provável porém ainda não pode ser descartada cientificamente.
[editar] Rocha ultramáfica serpentinizada
A rocha constituinte do Arquipélago de São Pedro e São Paulo não é basalto, mas peridotito serpentinizado, uma rocha ultramáfica. Havia a interpretação de que esta rocha seria originada de magma de alta temperatura derivado do manto, formando um corpo intrusivo plutônico. Entretanto, pesquisas recentes demonstraram que esta rocha ultramáfica não é de origem magmática, portanto não é uma rocha plutônica, mas sim, a rocha do manto exposta na superfície da Terra. O Arquipélago de São Pedro e São Paulo corresponde à única localidade do mundo em que o manto abissal está exposto acima do nível do mar. O Megamullion de São Pedro e São Paulo, representado pela elevação morfolótica em torno do Arquipélago, foi formada através da expansão amagmática de placas oceãnicas que ocorreu no segmento de cadeia meso-oceânica situada ao longo da latitude 27º40', situado em 172 km ao leste do Arquipélago. Com base na velocidade de expansão deste segmento, cerca de 1,5 cm por ano para um lado, calcula-se que a extremidade oeste da saliência principal apareceu no fundo do oceano há 15 milhões de anos e a extremidade leste, há 10 milhões de anos. A rocha exposta no Arquipélago surgiu no fundo do oceano há 12 milhões de anos. O maior destaque deste perfil é o alto ângulo de inclinação dos taludes.
[editar] História de soerguimento do Arquipélago
Em comparação com outros magamullions do mundo, o Megamullion do São Pedro e São Paulo é muito alto. Este fato é devido ao possível soerguimento tectônico que ocorreu após a sua exposição no fundo do oceano, há em torno de 12 milhões de anos. Portanto, o surgimento como ilhas é um acontecimento muito recente, sendo mais jovem do que 1 milhão de anos. A velocidade de soerguimento atual acima citada, de 0,03 a 0,04 mm por ano, é lenta demais para justificar o soerguimento de mais de 2000 m durante um período de 10 milhões de anos. Portanto, havia o auge do evento tectônico no Plioceno e Pleistoceno, com taxa de soerguimento em ordem de 0,5 mm por ano. O movimento tectônico continua até o presente, porém de ritmo desacelerado. Por outro lado, com base na segunda hipótese, o soerguimento iniciou-se no Pleistoceno com a taxa de 1,2 cm por ano e, atualmente, está no seu auge.
[editar] Ligações externas
- São Pedro e São Paulo - Local mais inóspito do Brasil (Arquivo Histórico do Radioamador Brasileiro)
[editar] Bibliografia
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