Arquitetura Cultural

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Arquitetura Cultural é uma metodologia de planejamento e construção de empreendimentos e políticas privadas sustentáveis, que gerem impacto sociocultural positivo, alicerçados na visão estratégica, no valor sócio-econômico do negócio e no compromisso ético da empresa com a sociedade e com o desenvolvimento humano. Define os esforços da organização em reconhecer-se como fenômeno cultural e em gerir-se de forma socialmente responsável em relação aos impactos de suas decisões na sociedade.

Neste contexto, a definição de arquitetura (do grego arché - αρχή = primeiro ou principal e tékton - τέχνη = construção) pode ser interpretada em uma visão mais ampla, compreendida como a arte de projetar e edificar o ambiente que o Ser Humano tem direito a habitar.

O conceito foi criado em 2004, pelo pesquisador André Martinez, com o propósito inicial de definir premissas socialmente responsáveis para a regulação do investimento cultural privado das empresas brasileiras. A principal preocupação de Martinez era traçar diretrizes para evitar a aplicação abusiva de recursos financeiros públicos em ações de marketing cultural, por empresas que se valiam de incentivos fiscais para realizar patrocínios culturais.

Entretanto, o propósito da Arquitetura Cultural não está restrito à regulação dos investimentos culturais dentro dos parâmetros de ética empresarial. Mas, parte dessa demanda para identificar a relevância pública do negócio - nos planos econômico, cultural, social e político -, permitindo que a organização estabeleça relações com seus públicos baseadas na práxis de seus valores e na ética de seus processos e não somente na conformação de percepções de atributos de imagem.

A metodologia pretende re-significar da visão sobre a questão cultural no ambiente da gestão organizacional, tratando a empresa em si como fenômeno cultural.

Índice

[editar] Princípios

Baseada no conceito da Unesco de cultura - como “um conjunto de características distintas espirituais, materiais, intelectuais e afetivas que caracterizam uma sociedade ou grupo social, abarcando, além das artes e das letras, os modos de vida, os sistemas de valores, as tradições e as crenças.” – a Arquitetura Cultural traça dez princípios para o tratamento de questões que vão do negócio à promoção, do investimento social às estratégias institucionais.

1. SUJEITO - Cada pessoa é um universo cultural formado por experiências únicas de vida. A diversidade cultural e a autonomia das pessoas é o maior potencial de toda e qualquer coletividade humana.

2. ORGANIZAÇÃO - A cultura permite que as pessoas se identifiquem como parte de um grupo e se diferenciem como indivíduos, portanto a cultura é a base de toda a organização e de todos os mercados.

3. IDENTIDADE - Cada organização é um sistema multicultural constituído pela diversidade das formas de pensar dos sujeitos que a integram. Assim, a identidade de uma instituição não é um pilar singular, mas o resultado de uma arquitetura complexa, monística e transcendente, ancorada em uma infinidade de identidades.

4. ATITUDE - As atitudes das pessoas são determinadas pela complexidade de suas visões de mundo e de suas representações.

5. DINÂMICA - A capacidade criativa e realizadora de uma comunidade é diretamente proporcional à riqueza da dinâmica cultural decorrente da diversidade das visões de mundo e identidades de seus integrantes.

6. SUSTENTABILIDADE - A sustentabilidade dos processos de desenvolvimento depende fundamentalmente da autonomia dos sujeitos e da qualidade das relações que estabelecem entre si.

7. EFETIVIDADE - Valores são intransferíveis. A efetividade dos processos de comunicação, promoção e relações públicas e sociais depende da indissocibilidade entre os valores que se deseja associar à marca e os culturalmente existentes na organização e na sociedade.

8. VETORES CULTURAIS – A harmonia da diversidade de valores dos diferentes sujeitos - em oposição à conformação de valores - gera forças autônomas e convergentes para os empreendimentos de desenvolvimento.

9. ESPIRAL CULTURAL – A articulação das forças convergentes decorrentes dos vetores culturais constitui uma força resultante, onde os propósitos não são colocados no fim de um vetor linear de desenvolvimento, mas no centro de uma espiral de diversos vetores sinergéticos.

10. GOVERNANÇA CULTURAL – A gestão dos processos estratégicos respeitando os processos culturais, permite configurar um ambiente favorável ao diálogo e ao empreendimento de ações sustentáveis.

[editar] Níveis

Com base nestes princípios a Arquitetura Cultural considera que o planejamento e a gestão de políticas e empreendimentos corporativos de impacto cultural na sociedade precisa evoluir do nível gerencial e do campo da comunicação, para ocupar a esfera estratégica e transversalizar-se em todas as frentes de relacionamento da empresa com seus públicos. Assim, a metodologia prevê cinco níveis de tratamento e incorporação que podem ser implementados progressivamente:

- Simbólico - refere-se à imagem institucional propriamente dita e à percepção desta imagem pela sociedade. Contempla todos os esforços e instrumentos de alinhamento conceitual entre a imagem desejada pela empresa, o sentido das ações organizacionais para as comunidades submetidas a ela e o valor atribuido a este sentido pelos cidadãos. É o nível da comunicação e do relacionamento, onde se define a percepção da identidade da organização.

- Cultural - abarca a identidade da empresa, manifestada no discursos dos gestores e colaboradores e na dinâmica das relações interpessoais. Este nível condiz com diretrizes e processos que permitam a conexão entre os valores institucionais efetivos e históricos (não necessariamente os declarados no planejamento estratégico), a relevância sociocultural dos empreendimentos em relação a estes valores e o impacto cultural a ser gerado na sociedade e na própria empresa em médio e longo prazos. É o nível da Subjetividade Organizacional e determina o sentido dos empreendimentos.

- Estratégico - presume basicamente a projeção de uma visão sociocultural expandida do core business, do plano econômico para o sociocultural. Ou seja, o negócio não somente compreendido conforme suas peculiaridades econômicas, como uma plataforma de produtos ou serviços, mas explicitando aspectos culturais e sociais que lhe são intrínsecos para afirmar seu sentido político. É o nível onde se delineiam desafios compartilhados e estratégias.

- Tático - busca o alinhamento gerencial-operacional cooperativo entre os esforços produtivos e comerciais e os processos inerentes aos empreendimentos de vocação sociocultural, de tal forma que haja sinergia na geração de resultados em médio prazo. A viabilização deste nível de incorporação das iniciativas socioculturais na esfera organizacional é fundamental para estabilizar os demais níveis e para a aferição de resultados tangíveis dentro dos períodos contemplados pelos balanços sociais. É a esfera de interdependência dos processos, os quais podem ser integrados, cooperados, colaborados ou coordenados.

- Atitudinal - é o nível da práxis dos valores. Da regulação das condutas e diretrizes expressas de ética empresarial e responsabilidade social pela empresa.

[editar] Subjetividade organizacional

Consiste no conjunto de efeitos gerados pelas conversações das pessoas que constituem a empresa, sendo essas conversações mediadas pelos valores vocacionais, patrimoniais, estruturais e de pró-atividade..

[editar] Conversações

São processos culturais que se estabelecem pela convivência, resultando da configuração de determinadas práxis.

[editar] Valores determinantes da subjetividade organizacional

Valores Vocacionais – os trazidos pelas pessoas que integram a empresa no tempo presente.

Valores Patrimoniais – os incorporados pela organização ao longo de sua história.

Valores Estruturais – os intrínsecos ao negócio empreendido pela organização.

Valores de Pró-atividade – os obtidos por intenções e esforços de gestão, incluindo os declarados no planejamento estratégico.

[editar] Ligações externas

Ferramentas pessoais